Para entender exatamente o que foi participar do Exercício Cruzex 2004 os reporteres da Alide foram beber da fonte e perguntaram diretamente pra quem botou a mão na massa. Veja como foi a experiência única de participar no maior exercício simulado da história da América do Sul. Ouvimos ambos os lados, três membros da força de Coalizão e um das Forças Vermelhas. Prepare-se para decolar! 

Ten. Cel. Didier Paquet da Força Aérea da França



ALD: Como foi o desempenho dos Mirage 2000 no ataque de hoje?

CelP: Os F-5 [vermelhos] foram detectados pelo R-99A e  os dados para interceptação
foram passados para os Mirage 2000. Todos foram abatidos e a integração entre o R-99 e os Mirage 2000 foi perfeita, tudo no padrão OTAN. Os treinamentos da semana passada permitiam dogfights, mas agora isso acabou. Os mísseis usados pelo Mirage 2000 são os Matra 530 e não os Mica. 

ALD: Como foi a tentativa de penetração do espaço aéreo da Coalizão pelos F-5 do País Vermelho? Em alta ou baixa altitude?

CelP: Foi de todos os jeitos. Eles entravam a baixa eram abatidos, saiam e depois voltavam a alta altitude e eram abatidos de novo, como o R-99 detectava e informava aos Mirage e ai ficava fácil.

ALD: Sem o AWACS [aeronave de alerta antecipado] a situação seria mais complicada? 

CelP: Sim, ficaria mais complicado, mas o Mirage 2000C possui o seu próprio radar o RDI, que apesar de não ser tão poderoso quanto o RDY-2, pode detectar 4 inimigos mas só ataca um de cada vez.

ALD: Os Mirage estão com boa disponibilidade?

CelP:  Só durante a travessia do Atlântico tivemos problemas com o piloto automático.


ALD: Como foi a missão realizada hoje?

CelP:  No primeiro ataque os Mirage 2000C ficaram responsáveis pela defesa aérea e os 2000N foram para o ataque ao solo. Eles podem voar a 200 pés desviando de todos os obstáculos , graças ao seu poderoso radar Antilope-5TC. 
Simulamos bombas que existem no arsenal brasileiro. O 2000N pode lançar qualquer tipo de bomba.

Os Mirage 2000-C voltaram mais cedo e os 2000-N fizeram REVO e por isso retornaram mais tarde. Os 2000-C voaram a aproximadamente 20.000 pés e os 2000-N voaram muito baixo, algo em torno de 200 pés, por isso precisaram fazer REVO.

ALD: Dessa vez o Mirage 2000-5 não veio... Como foi o traslado até Natal?

CelP:  Isso ocorreu por causa de um rodízio que foi estabelecido pela Força Aérea Francesa.

Da França até Natal os Mirage pousaram em Dakar e depois fizeram 2 REVOS sobre o Atlântico antes de Natal.

ALD: Como o senhor vê o exercício como um todo e a adaptação de paises como Argentina e Venezuela aos padrões de operações da OTAN?

CelP:
Bem melhor do que a Cruzex 2000. Houve uma evolução muito grande. Tanto no que tange a planejamento do exercício quanto das forças envolvidas.
Inclusive, nesta Cruzex, teremos missões lideradas por brasileiros argentinos e venezuelanos.


ALD: Numa comparação rápida, quais as principais diferenças entre o E-3 e o R-99?

CelP:
O radar é maior em alcance, em todos os sentidos para cima e para baixo, a aeronave é melhor em alcance também. Mas o R-99 é um avião muito legal. Vocês estão muito bem servidos.

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