A RED FLAG       

           

          Mesmo logo no início da manhã o sol já esta queimando fortemente as dunas do deserto que é pontilhado aqui e ali por pedregulhos e montanhas rochosas. Um cenário tão alienígena se comparado com as verdes colinas e planícies da Carolina do Sul. O frio da noite agora é mais do que uma longínqua lembrança. Os quatro F-16 do 119th Fighter Squadron da Guarda Aérea Nacional cruzam à baixa altitude e a quase Mach 1 em direção ao seu alvo.

            Em algum lugar mais à frente a certeza de que os F-15C do  95th Fighter Squadron estão em alerta para defende-los dos caças inimigos.Também mais acima está um solitário Grumman EA-6B Prowler fazendo o possível para interferir nos sistemas de defesa aérea do inimigo. Apesar dele, o alarme do RWR dispara indicando que uma bateria SAM-6 acabava de detecta-los, o sangue pulsa cada vez mais rápido, a mente voa lembrando de cada um dos procedimentos treinados inúmeras vezes. Nuvens de chaff começam a saltar automaticamente dos dispensers dos F-16C. O radar perde o lock... Ufa! Antes deles, uma outra leva de F-16 em missão wild weasel deveria ter destruído essa unidade antiaérea, porém os inimigos estão se adaptando às nossas estratégias.

            O radar está desligado, mas assim mesmo aparece uma imagem no painel digital a sua frente. Essa informação está sendo enviada desde um E-3 Sentry localizado em segurança bem atrás das linhas inimigas. Após o lançamento das bombas guiadas a laser este grupo retornará para o leste em direção a base, mas antes disso terão de reabastecer em um KC-135 que os aguarda "ancorado" no meio do caminho de volta. Tudo vai dar certo.

            Os F-16 junto com os demais aviões desta missão fazem parte de um Strike Package, um "pacote de ataque", uma coleção heterogênea de aeronaves especializadas operando como se fossem uma única unidade aérea. Se isso não for praticado exaustivamente, a combinação de muitas aeronaves, esquadrões, missões e doutrinas distintas pode causar um número intolerável de acidentes fatais independente da ação dos caças e sistemas antiaéreos inimigos.

            Apesar de toda semelhança com uma missão ocorrida em um conflito, essa não passou de mais uma da Red Flag.

                         O que é a RED FLAG ?   

      

            A Operação Red Flag é um exercício de combate simulado com seis semanas de duração, divididas em até três períodos de duas semanas, envolvendo as forças aéreas dos Estados Unidos e seus aliados. O exercício é realizado na Base Aérea de Nellis (Nellis AFB), sudeste do Estado de Nevada, nos EUA.

            O objetivo da operação é prover um treinamento realístico em um ambiente combinado de ameaças aéreas, terrestres e eletrônicas – o mesmo tipo de ambiente encontrado em qualquer conflito em potencial ao redor do planeta. Organizado no tradicional modelo “azuis” contra “vermelhos”, a maior parte das aeronaves e pessoal participante da Red Flag é formada pelas forças aliadas, os “azuis”. Essas forças utilizam variadas táticas de ataque contra alvos como aeroportos, comboios de veículos, blindados, aeronaves estacionadas, posições defensivas do inimigo, bunkers e sítios de mísseis.

           Os “vermelhos” são compostos pela Red Flag’s Adversary Tactics Division (Divisão de Táticas Adversárias da Red Flag) cujas ameaças incluem simulações de mísseis terra-ar e artilharia antiaérea, além da força inimiga composta por pilotos altamente treinados voando aeronaves F-16C. Geralmente essas forças também são complementadas com outras unidades da Força Aérea, Marinha e Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, voando com auxílio de forças eletrônicas de defesa, comunicação e equipamentos de interferência eletrônica (jammers).

            Cada unidade participante da Red Flag deve ser auto-suficiente, fazendo toda a manutenção da aeronave como se estivesse em ambiente de guerra. Cada operação conta com mais de 100 aeronaves, incluindo caças, bombardeiros, reabastecedores, cargueiros, resgate, alerta aéreo antecipado e guerra eletrônica.                                   

                         Como tudo começou

            

            Durante a Guerra da Coréia, na década de 50, a USAF obteve uma média de dez vitórias para cada derrota nos céus. A diferença não era a aeronave, pois os norte-coreanos possuíam os magníficos Mikoyan-Gurevich Mig-15 que eram páreos para os North American F-86 Sabre da USAF, porém muitos pilotos americanos lutaram anos antes durante a Segunda Guerra Mundial e com isso obtiveram uma grande experiência em combate, coisa que os norte-coreanos não possuíam.

            Na Guerra do Vietnã, mais precisamente na primavera de 1972, os números não eram mais gloriosos como no passado e a USAF chegou a estar a baixo de uma vitória para cada derrota. Os americanos estavam focados em missões de ataque ao solo, muitas vezes contra instalações militares no Vietnã do Norte que eram altamente defendidos por modernos sistemas de mísseis antiaéreos (SAM) e artilharia antiaérea (AAA), além da oposição dos interceptadores que eram vetorados por radares em terra.  Outro fator importante para essa diferença entre os números na Coréia e no Vietnã era a tática utilizada pelo inimigo. Na Guerra da Coréia os inimigos lutavam para acabar com a superioridade aérea americana, já no sudeste asiático os opositores nunca tentaram isso, o objetivo dos norte-vietnamitas era engajar em combate com os caça-bombardeiros apenas para força-los a alijar suas bombas e por conseqüência abortar o ataque.

            As aeronaves utilizadas pelo Vietnã do Norte possuíam desempenho totalmente diferente das aeronaves de origem americana. A USAF até esse período efetuava treinamento de combate aéreo entre aeronaves de um mesmo esquadrão, ou seja, os pilotos de F-4 estavam sempre treinando contra outros F-4 e ambos utilizando táticas americanas.  

     MIG-17 da Força Aérea Popular do Vietnã      MIG-21 da Força Aérea Popular do Vietnã      F-4E Phantom II da USAF durante a Guerra do Vietnã      F-4C Phantom II da USAF durante a Guerra do Vietnã

 

               Os especialistas em guerra aérea do final da década de 50 e do início da década de 60 acreditavam que o combate aéreo conhecido na II Guerra Mundial e na Guerra da Coréia já era coisa do passado, o futuro seria de combates em uma distância maior, centrado em radares e mísseis. Só que a Força Aérea Popular do Vietnã não tomou conhecimento desses fatos.

            O McDonnell Douglas F-4 Phantom II, o principal caça-bombardeiro do inventário americano durante os anos 60 e 70 foi concebido sob esses conceitos e uma das características foi a escolha pela não utilização de um canhão orgânico. Além do mais era uma aeronave de grandes dimensões e sem uma boa visibilidade para a tripulação. Assim que a aeronave entrou em combate ela foi muito criticada pelos pilotos, pois o envelope de engajamento dos mísseis AIM-9 Sidewinder e AIM-7 Sparrow era muito restrito, e para piorar os MIGs vietnamitas possuíam uma melhor manobrabilidade. Outro fator negativo era a falta de confiança nos mísseis, pois em várias ocasiões os AIM-9,que são guiados por infravermelho, seguiam o Sol e não o inimigo.

            A teoria dos especialistas estava errada, o “dogfight” não estava extinto e para corrigir esse erro a USAF encomendou a versão “Echo” do F-4 que possuía um canhão interno General Electric M61-A1 20mm Gatling. Mais tarde, quando o F-4E entrou em operação na USAF e os pilotos já haviam absorvido os conceitos de manobrabilidade na guerra aérea efetuados pelo Col. John Boyd, os americanos iniciaram uma recuperação, mesmo assim os números ainda estavam longe do satisfatório.

            Ainda durante a Guerra do Vietnã, a USAF conduziu uma análise completa sobre as operações de superioridade aérea que foi denominado Red Baron (Barão Vermelho). O estudo demonstrou três problemas com os pilotos. O primeiro era que os inimigos sempre os pegavam de surpresa. O segundo era o treinamento inadequado para essa função e por último existia uma grande falta de informações sobre o inimigo.

            Já no início da década de 70, o contingente da USAF que voltou do Vietnã sentiu que sérias mudanças teriam que ser feitas. Uma delas era sem dúvida a necessidade de se desenvolver uma aeronave específica para a função de superioridade aérea e não utilizar uma aeronave multifuncional. A partir disso, foi dado início ao programa em que o McDonnell Douglas F-15 Eagle se tornaria o vencedor. A outra mudança seria em relação ao treinamento dos pilotos, que segundo o estudo Red Baron , era inadequado e com isso eles estavam despreparados para uma enfrentar uma guerra. Uma grande mudança estava por vir.

                         Os Agressores     

 

            Por muitos anos a idéia de um esquadrão agressor ficou germinando. Um importante evento foi a transformação do 4520th Combat Crew Training Wing, sediado na Base Aérea de Nellis no Estado de Nevada, em Tactical Fighter Weapons Center, sob o comando do Maj. Gen. R.G. “Zack” Taylor. Taylor percebeu que a grande área que cerca Nellis, seria ideal para um grande treinamento.

            Ao mesmo tempo coisas estavam acontecendo em Washington D.C., mais precisamente em uma das áreas mais secretas do Pentágono. Alguns planos para uma nova forma rigorosa de treinar os pilotos estavam sendo estudadas. Entre elas estava a proposta do Maj. Jonh A. Corder, que propôs o uso de aeronaves de origem soviética que estavam sob o poder dos americanos em Wright Patterson AFB, para prover simulações de combate aéreo bem próximos do real. Porém, devido a problemas administrativos e políticos, essa proposta foi arquivada. O Gen. Jonh D. Ryan, então Chief of Staff, acabou aprovando a proposta conjunta do Col. William L. Kirk e do Maj. Jonh A. Corder que recomendava, entre outras coisas, a formação de um esquadrão agressor. A aeronave escolhida foi o treinador avançado Northrop T-38A Talon, que existia em excesso na USAF. A proposta era de que o esquadrão agressor “visitaria” os esquadrões de caça em suas bases, assim como estes visitariam os agressores em Nellis.

     T-38A Talon       F-5E Tiger II agressor      F-5E Tiger II - O 2º lote de F-5 recebido pelo Brasil, era composto por  ex-aggressors da USAF, e hoje operam no 1°/14°GAv "Pampa"      F-5E Tiger II agressor
     F-5E Tiger II agressor - Repare na grande quantidade de camuflagens utilizadas pelos aggressors

F-5E Tiger II agressor     

     F-5E Tiger II agressor      MIG-21 capturado pelos americanos e utilizado pela USAF. Essas aeronaves quase se tornaram agressores

            Em 15 de outubro de 1972, o 64th Fighter Weapons Squadron (FWS) foi ativado, voando com os T-38 camuflados para simular as aeronaves soviéticas, assim como suas doutrinas e capacidade de armamento. Devido ao tremendo sucesso e a disponibilidade do novo Northrop F-5E Tiger II, três outros esquadrões agressores foram ativados entre 1974 e 1976. O 65th Fighter Weapons Squadron iniciou suas operações, também em Nellis, em novembro de 1975 voando o então novíssimo F-5E. No mesmo ano o “veterano” 64th FWS também recebeu o Tiger II, colocando um fim na curta vida do T-38 como agressor. O F-5E foi escolhido devido à sua grande semelhança em desempenho a um dos principais caças soviéticos na época, o MIG-21.

            Com o intuito de prover o mesmo treinamento para suas forças no Pacífico e na Europa, a USAF criou o 26th Tactical Fighter Training Aggressor Squadron (26 TFTS) baseado em Clark Air Base, nas Filipinas, e o 527th Tactical Fighter Training Aggressor Squadron (527 TFTS) na base britânica de Alconbury, no Reino Unido. Esses agressores teriam a função de treinar os esquadrões que seriam a “ponta de lança” em caso de guerra com a União Soviética.

            Em abril de 1989 o pioneiro 64 FWS recebe o F-16 A Fighting Falcon, pois a ameaça do MIG-21 já era coisa do passado, o grande adversário agora era o MIG-29 “Fulcrum” e o Falcon era o caça ideal para simular o novo caça soviético. A carreira do “Alfa” foi curta e em outubro do mesmo ano o esquadrão recebeu o modelo “Charlie” do F-16. O mesmo ano também foi marcado pelo fim dos 65 FWS, 527 TFTS e 26 TFTS devido a cortes orçamentários. Em 1990 foi a vez do 64 FWS ser desativado e sua função foi passada para o Adversary Tactics Division sob o comando do 414th Combat Training Squadron (Red Flag). Treze anos depois o 64th foi reativado e em 2004 teve a difícil tarefa de “combater” os Lockheed F/A-22 Raptor.

            Os aggressors não são exclusividade da USAF, a Marinha Norte-Americana ( US Navy) também os utiliza em seus treinamentos na Naval Strike and Air Warfare Center (NSAWC), a antiga TOP GUN que ficou imortalizada com o filme de Hollywood. Não foram raras as vezes em que essas aeronaves participaram da Red Flag em auxilio aos agressores da Força Aérea.  

     F-16C do 64 FWS      F-16C "aggressor" - Os AMX da FAB enfrentaram essas aeronaves durante a RED FLAG 98-3      F-16C "aggressor"

Bolacha dos agressores     

     F-14A Tomcat do NSAWC (US Navy)        F-5E Tiger II "aggressor" da US Navy      F/A-18D "aggressor" da US Navy      TA-4J Skyhawk "aggressor" da US Navy durante a RED FLAG em 1983

 

                       Nellis Air Force Base 

           

           Em 30 de abril de 1950, a Las Vegas Air Force Base, passou a se chamar Nellis Air Force Base, em homenagem ao William Harrell Nellis, um veterano da Segunda Guerra Mundial. A Nellis AFB é parte integral da United States Air Force´s Air Combat Command (ACC) e é conhecida como o “ninho da aviação de caça”. Atualmente nela são baseados esquadrões de A-10, F-15C, F-15E, F-16, RQ-1 A e HH-60 e possui cerca de 10.000 militares e civis. A base é localizada a 12km a nordeste de Las Vegas e possui uma área superior a 11.000 acres. Além da Red Flag, também ocorrem nessa base os exercícios Blue Flag

           Sua escolha para ser a sede da Red Flag se deu por vários fatores, entre eles a boa diversidade do terreno, sua gigantesca área disponível, boas condições climáticas e fora das rotas aéreas mais importantes. Porém nem tudo é perfeito, o espaço aéreo disponível consiste em um triângulo cujo vértice inferior é Nellis e no meio dele existe uma zona restrita conhecida como “The Box”, onde a USAF e outras empresas fazem projetos secretos em uma localidade chamada de Complexo de Provas de Groom Lake, conhecido mundialmente como Área 51. Caso alguma aeronave participante da Red Flag entre nessa área, o exercício é cancelado. A sudoeste de Groom Lake existe mais uma zona restrita conhecida como Zona de Provas de Nevada, que engloba a área de testes nucleares denominada “Colinas Paiute” onde o Departamento de Energia realiza a maior parte de seus testes desde 1951. Outra zona restrita rodeia a antiga base dos Lockheed F-117 na área de testes de Tonopah (Tonopah Test Range Airfield) na extremidade noroeste de Groom Lake. Além dessas zonas restritas, existem outras áreas onde as aeronaves só podem voar na velocidade do som acima dos 15.000m de altitude. Mesmo assim, Nellis é uma das áreas com menos restrições de vôo no mundo.

     Vista aérea da Nellis Air Force Base      Nellis AFB durante uma RED FLAG      Nellis AFB durante uma RED FLAG      

 

 

                         Nasce a RED FLAG

 

           O Major Richard Moody Suter, um dos participantes da criação dos esquadrões agressores, desejava transformar o treinamento de combate aéreo entre os esquadrões operacionais e aggressors em algo maior. Sua visão era de uma grande simulação de guerra. Com isso, Suter elaborou os conceitos básicos do que viria a ser uma das mais exigentes operações concebidas até hoje, a Red Flag. Esse nome foi dado em “homenagem” aos seus adversários na época, os soviéticos.Dentro de seus conceitos estavam operações de grande escala, não só para caças, mas também para todas as aeronaves de suporte envolvidas em um conflito moderno. Os ataques seriam em “pacote”, incluindo aeronaves de superioridade aérea, interdição, suporte, SEAD (Supression of Enemy Air Defenses) entre outras.

           Suter soube dos estudos que demonstravam que a maioria das perdas em combate ocorriam nas primeiras dez missões do piloto, a partir da décima primeira missão as perdas se aproximavam de zero. Baseado nisso, os pilotos efetuariam suas primeiras dez missões em um exercício com uma realidade próxima do real. Ao entrar em combate esses pilotos já teriam “sobrevivido” ao período de vulnerabilidade.

           Um fator contra era que um exercício como esse, mesmo que com um rigoroso controle, poderia resultar em acidentes com perdas humanas, porém Suter argumentou que essas poucas perdas preveniriam perdas em grande escala durante uma guerra. Em sua essência, a Red Flag adaptaria os pilotos para o combate e mostraria o que aconteceria com eles caso fizessem algo errado, pois na guerra um erro pode custar à vida.

          Depois das aprovações do Pentágono, Suter foi ao Tactical Air Command em maio de 1975 para comunicar seu comandante, Gen. Robert J. Dixon. Imediatamente Dixon instruiu o Maj. Gen Charles A. Gabriel e o Maj. Gen. James A. Knight Jr., comandante do Tactical Fighter Weapons Center, para estabelecerem a Red Flag na Base Aérea de Nellis em seis meses. Por sua vez, o Col. Richard Murray foi encarregado de conseguir a verba para a realização do exercício.

     

C-130E Hercules antes de uma missão em Nellis     

     F-4E Phantom II durante uma RED FLAG      F-106A Delta Dart na RED FLAG
     RF-4C Phantom II em Nellis - Essa é uma versão de reconhecimento      A-10 Thunderbolt II em Nellis, com suas cores antigas

F-4G Phantom II efetuando REVO em um KC-10     

     A-7D Corsair II
     A-10 Thunderbolt II      O gigante B-52G      O bombardeiro B-1B Lancer      O bombardeiro B-52G

            Com tudo pronto, a primeira Red Flag teve início em 29 de novembro de 1975, data dentro do previsto por Dixon. Participaram do exercício 37 aeronaves, que realizaram 552 missões, com 561 pessoas envolvidas. A primeira edição não teve o sucesso esperado, pois os exercícios ainda não haviam alcançado a “realidade” pretendida. Nos dois primeiros anos, o temor de grandes perdas se concretizou e 8 aeronaves foram perdidas. Mas ao longo do tempo esses dados foram sendo revertidos, o sucesso começou a aparecer e já em 1977 a USAF abriu as portas para seus principais aliados, o Canadá e o Reino Unido.

                         A RED FLAG  Hoje

 

            O exercício é controlado e administrado pelo Air Warface Center e pelo 414th Combat Training Squadron. Anualmente são realizados quatro exercícios Red Flag, sendo cada um dividido em até três períodos de duas semanas, sendo que em cada período mudam os participantes. Geralmente dois exercícios são exclusivos para as forças americanas (devido ao envolvimento das aeronaves “Stealth” Northrop B-2 A Spirit e Lockheed F-117 A Nighthawk) e os outros dois são abertos para países aliados.

             Um típico dia da Red Flag é compreendido por uma missão na parte da manhã, outra à tarde, e às vezes acontecem missões noturnas, com duração de duas a três horas. Em cada missão são enviados aproximadamente dois ou três “pacotes” contendo cerca de 25 aeronaves cada um. Além dos combates também ocorrem missões de operações especiais, como Combat Search and Rescue (Busca e Salvamento em Combate) e operações de lançamento de pára-quedistas e de carga.

            Como em um conflito real, na Red Flag a ameaça também vem do solo. São os mísseis antiaéreos (SAM). Obviamente que se tratando de um treinamento esse armamento é simulado. São utilizados vários sistemas soviéticos entre eles os mortíferos SA-3 e SA-6, alguns capturados na Guerra do Golfo e outros na antiga Iugoslávia, porém os mísseis foram substituídos por foguetes não guiados que fazem um grande rastro de fumaça, facilitando a visualização dos pilotos. Assim que as aeronaves são localizadas pelos radares dessas baterias os foguetes são lançados, obrigando os pilotos efetuarem manobras evasivas e lançamento de contramedidas. Além dos mísseis também são usadas baterias de artilharia antiaérea de origem soviética como os ZSU-23-4 e ZSU-23-2 'Shilka', porém como é praticamente impossível simular esse armamento visualmente, o engajamento é virtual, feito por computador. E para aumentar ainda mais o grau de realismo, helicópteros Mil Mi-24 Hind e Mil Mi-8 Hip, também capturados no Iraque, são utilizados como adversários.  

    F-15A Eagle

     C-130H Hercules

     F-15C Eagle partindo para mais uma missão de escolta

    

     F-15C Eagle

     F-15B Eagle

     A-10 Thunderbolt II voltando de mais uma missão

     A-10 Thunderbolt II

     RF-4C durante uma missão

     O poderoso bombardeiro B-52H

     F-15E Strike Eagle decolando para mais uma missão na RED FLAG

 F-117A Nighthawk - Não participam da RED FLAG em que tenham aeronaves estrangeiras

            Todas as aeronaves participantes são equipadas com um pod (casulo) especial que é preso em um dos pontos duros. Esse casulo é chamado de AIS (Airborne Instrumentation Subsystem) e é conectado à aeronave, com a função de enviar em tempo real todas as informações dos sistemas da aeronave, como atitude, velocidade, leituras dos sistemas de contramedidas, leituras dos radares, para as estações em terra chamadas de TCS (Tracking and Communications Subsystem) espalhadas pelo terreno do exercício, que por sua vez reenviam para o CCS (Computer and Computed Subsystem) baseado em Nellis. Após o pouso, os pilotos fazem o debriefing utilizando o DDS (Display and Debrief Subsystem) para verem suas ações, seus acertos e erros que foram passados pelo casulo AIS de suas aeronaves.  No coração desse treinamento está o Sistema de Medição e Debriefing da Red Flag (Red Flag Measurement and Debriefing System – RFMDS) e sua capacidade de com exatidão reconstruir os elementos de uma intensa batalha aérea simulada. Esse sistema utiliza a tecnologia de simulação interativa distribuída (distributed interactive simulation – DIS) para traduzir e enviar as atividades dinâmicas de vôo dos participantes da Red Flag para uma rede de simulação nacional.

            Com o passar do tempo a Red Flag foi evoluindo, os erros do passado foram corrigidos, e com a ajuda da tecnologia foi se tornando cada vez mais real. Anualmente participam 750 aeronaves de diversos modelos e funções, de aproximadamente 250 esquadrões, que efetuam 12.000 missões e 21.000 horas de vôo, com 11.000 pessoas envolvidas.  Desde 1975, foram treinados meio milhão de pilotos, mecânicos e assistentes, e mais de 311 modelos de aeronaves das mais diversas funções de mais de 25 nações já fizeram parte do exercício.

MIG-29 da Alemanha fazendo papel de agressor     

F-4F Phantom II da Alemanha

EF-18A Hornet da Espanha

     Tornado IDS da Alemanha

Buccaneer S.2 da RAF     

         Tornado GR.1 da Royal Air Force          CF-188 Hornet do Canadá      Harrier GR.7 da RAF em ação!

 

 

            Países dos cinco continentes já participaram da Red Flag, mas sem dúvida entre os visitantes mais importantes estão os MIG-29 da Luftwaffe(Alemanha), que lutaram pela primeira vez na Red Flag 99-4, ao lado dos agressores, e pela primeira vez as aeronaves americanas lutaram contra o tão temido MIG.

Entre os demais visitantes estão:

*Alemanha (F-4F, Tornado ECR, Tornado IDS, C-160D e MIG-29)

*Arábia Saudita (F-15 A e F-5E)

*Austrália (F/A-18, F-111C e PC-9 A)

*Bahrain (F-16C)

*Bélgica (F-16 A)

*Canadá (CF-188 e CC-130E)

*Chile (F-5E)

*Cingapura (A-4S e CH-47D)

*Coréia do Sul (F-16C)

*Dinamarca (F-16 A)

*Egito (F-16 A)

 

Sea Harrier FA.2 da Royal Navy em ação!     

     Tornado F.3 da RAF partindo para mais uma interceptação

     Tornado GR.4 da RAF voando entre as montanhas

     Phantom FGR.2 da RAF     

       KC-135 francês      F-16A da Venezuela

     F-16A da Holanda com pós-combustor acionado

   F-16C da Turquia

F-16A da Holanda     

     F-16A da Bélgica

     F-16C da Grécia

     Tornado IDS da Luftwaffe (Alemanha)

 

*Espanha (EF-18 A)

*França (Mirage 2000D, Mirage 2000B/C, Mirage F-1CT e KC-135R)

*Grécia (Mirage 2000EG e F-16)

*Holanda (F-16 A, CH-47D e KDC-10)

*Israel (A-4H, F-15 A e F-16C)

*Itália (AMX e C-130J)

*Japão (F-15 A)

*Jordânia (F-16 A)

*Noruega (F-16 A)

*Portugal (A-7P e F-16 A)

*Reino Unido (Buccaneer S.2, Sea Harrier FA.2, Harrier GR.7, Tornado F.3, Tornado GR.1, Tornado GR.4, Nimrod R.1, E-3D, VC-10 K1, C-130J, C-130K, Phantom FGR.2 e Vulcan B.2)

*Tailândia (F-16 A) - Deslocados para Nellis, mas não participaram pois a Red Flag 2003/1 foi cancelada. No entanto, treinaram com as unidades agressoras.

*Turquia (F-4E e F-16C)

*Venezuela (F-16 A)

 

           O Brasil também faz parte desse seleto grupo de países. Em 1998 o 1°/16°GAv "Adelphi" e seus AMX foram para Nellis. No mês que vem, veja o que aconteceu para o Brasil participar da Red Flag.

 

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