A Orca do Atlântico Sul – A bordo do Destructor Almirante Brown (D10)

  Imponente. A fragata de projeto alemão MEKO 360 da Argentina é certamente imponente. Talvez por aparentar ser muito mais larga que as nossas fragatas Niterói e Type 22 a Almirante Brown me lembrou imediatamente a figura de uma orca, o temível predador dos mares austrais. A Armada Argentina também enviou a corveta ARA Robinson, uma MEKO 140 e o ARA Santa Cruz, submarino da classe TR-1700 de projeto alemão, Este é um velho conhecido dos brasileiros, pois foi há alguns anos atrás totalmente modernizado nas oficinas do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

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ARA Almte Brown sendo sobrevoada no ínicio da UNITAS ARA Almte Brown sendo sobrevoada no ínicio da UNITAS Navegando em formação A bombordo da Fragata Rademaker

  As escoltas MEKO são construídas sobre um avançado conceito de modularidade, tanto para sistemas quanto para os armamentos. A palavra MeKo é a simplificação da expressão em alemão MEhrzweck Kombination que em português significa “combinação multi-função”. Criado na década de 70 pelo Estaleiro Blohm + Voss em Hamburgo o projeto do casco do navio é criado independentemente dos radares, canhões e compartimentos chave, como COC e central de radio comunicações. Segundo o fabricante existem mais de 50 unidades no mundo operando ou em construção neste momento que usam tecnologia MEKO.

Manobras Táticas Helicóptero  Alouette III no convôo Manobras Táticas Manobras Táticas com a fragata independência se aproximando

  Estes navios foram projetados com uma série de “buracos” específicos onde caberiam containeres e pallets de tamanho padrão. Adicionalmente as conexões de eletricidade, água para refrigeração e sistemas de combate a incêndio estão sempre em posições padronizadas. Cabe então ao fabricante dos sistemas e armas selecionado pelo cliente, a tarefa de empacotar seu equipamento dentro de um desses container padrão. Para o fabricante dos componentes isso simplifica seu projeto tremendamente ao permitir a montagem completa do sistema na fábrica em paralelo com a construção do casco, reduzindo o tempo para entrega do navio. Dentro de uma realidade onde atualizações de meia-vida são quase uma regra, um “ModFrag” numa fragata MEKO promete ser uma proposta bem mais simples, pois até o mastro é um módulo padronizado. Em termos de motorização as MEKO 360 são idênticas às da Classe Greenhalgh usando duas turbinas, uma Tyne RM1A de 6000 shp e uma Olympus TM3B de 51600 shp para cada eixo, inclusive os argentinos tem feito a manutenção das nossas Tynes. Operando com as duas Olympus, este navio alcança a velocidade de 30,5 nós, caindo este número para 20,5 no caso de usarem apenas as duas Tyne. A MEKO 360 é um projeto pan-europeu utilizando motores ingleses canhões italianos, eletrônica holandesa e casco alemães.

Photex Navegando em coluna A frente da fragata Independência Close da pôpa com o hangar aberto

  Os mísseis anti-aéreos são 24 mísseis Aspide de guiagem semi-ativa, disparados de um lançador óctuplo Selenia/Elsag Albatros. Os oito Exocet MM40 sendo a principal arma de guerra de superfície do navio. Segundo o CF Horacio Nadale “Os mísseis Aspide tem uma vida útil a bordo de seis meses e de 18 meses em terra antes de terem de ser revisados”. Os radares de busca aérea, de superfície e de controle de tiro, (respectivamente: DA08A com IFF, ZW06 e STIR) são da empresa Signaal que pertence ao conglomerado Phillips. O datalink é Link 10 e o Combat Data System o SEWACO também da Signaal. O sonar usado é o modelo alemão Atlas Elektronik 80 (DSQS-21BZ) O armamento de tubo consiste de um OTO Melara 5" (127 mm)/54 automático e quatro reparos duplos Breda Bofors 40 mm /70, capazes de disparar 300 tiros por minuto. Para lançamento de torpedos, a MEKO 360 argentina conta com dois lançadores triplos, um em cada costado. O helicóptero embarcado AS 555 Fennec, assim como o vetrano antigo AS 319 B Alouette III tem, como função principal, a designação de alvos de superfície além do alcance radar. A idéia da Armada na época da compra destes navios seria equipa-los com helicópteros Westland Lynx, decisão que foi naturalmente revista em função da Guerra das Malvinas em 1982. Destes Lynx apenas dois chegaram a ser entregues, um foi perdido em acidente e o outro foi vendido para a marinha da Dinamarca. Como o próprio nome do modelo sugere, a Almirante Brown desloca 3600 toneladas e sendo operada por 200 tripulantes dos quais 23 são oficiais. Adicionalmente estavam a bordo seis oficiais e sete praças do grupamento aéreo e mais sete oficiais do Estado Maior. Atualmente não existe nenhuma mulher a bordo dos navios da Armada mas a partir do ano que vem com as primeiras graduando como aspirantes este quadro mudará rapidamente.Além da Armada Argentina a Nigéria é o outro país que usa este modelo de fragata.

Antenas e radares Capitão-de-Mar-e-Guerra Gaston Erice e o Comandante do ARA Almte.Brown, Capitão-de-Fragata Horacio Nadale junto a equipe da ALIDE Camarote do Comandante do navio Praça D'Armas

  A Almirante Brown, que deu nome a sua classe, foi a primeira MEKO 360 entregue da encomenda Argentina, em fevereiro de 1983. Foi seguida pela ARA La Argentina em maio e pela ARA Heroína em novembro de 1984. A última unidade entregue foi a ARA Sarandi em abril de 1984. Duas unidades adicionais desta classe foram canceladas em 1980, após a decisão da Armada pela fabricação, na Argentina, de seis corvetas MEKO 140. A última destas corvetas foi recebida recentemente e elas já estão preparadas para receber futuramente os Exocet MM-40 no lugar dos MM-38 atualmente instalados nelas.

COC COC COC Conteiner plugado ao COC
COC Casa de maquinas Painel de controle de energia eletrica Casa de maquinas

  Tivemos a oportunidade de entrevistar ao mesmo tempo o Comandante do GT argentino, Capitão-de-Mar-e-Guerra Gaston Erice e o Comandante do ARA Almte.Brown, Capitão-de-Fragata Horacio Nadale. A Armada teve uma oportunidade valiosíssima e única em termos de América Latina, de participar das operações Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto, que culminaram com a remoção das tropas iraquianas que invadiram o Kuweit em 1991. “O maior problema atualmente é a identificação correta dos alvos. Por isso os helicópteros são tão importantes, para podermos disparar um míssil como o Exocet temos de saber com certeza qual dos muitos contatos ao nosso redor é o inimigo e quais são navios mercantes ou pesqueiros. Neste aspecto a capacidade do Fennec Argentino é semelhante à dos Super Lynx brasileiros” Os AS-555, no entanto, não estão configurados para disparar nem mísseis nem torpedos como fazem os AH-11A. Perguntado se este exercício era o ponto alto das manobras anuais da ARA, o CMG Erice respondeu que “a Fraterno e a Unitas são igualmente importantes, elas estão programadas para a segunda metade do ano justamente para dar aos navios da Armada e da MB pelo menos seis meses para adestrarem-se adequadamente”. Segundo ele ”A Unitas é um exercício especial, por se tratar de mais países operando junto”. O Capitão da Almirante Brown completou dizendo que o inglês exigido na fonia da Unitas, por exemplo, já não é mais uma barreira, pois, mesmo em exercícios internos a ARA optou por realizar toda a fonia permanentemente em Inglês. “Esses exercícios são uma escola permanente” completou o CMG Erice. Quisemos saber sobre como eles avaliavam a flexibilidade proporcionada pelos sistema MEKO. “Imagine uma situação normal, um canhão de um navio MEKO sofre um dano que não pode ser reparado a bordo. O navio vai pro porto e um guindaste normal, rápida e facilmente, retira aquele módulo inteiro. Se a sua é uma Marinha com grandes frotas e grandes orçamentos você pode contar módulos de canhões em estoque para situações como estas, caso contrario existe sempre mais algum navio passando por algum tipo de manutenção regular, remove-se este canhão do mesmo modelo que o danificado e se instala ele no navio operacional. Quando o canhão reparado estiver novamente disponível ele vai direto para o navio em manutenção. O sistema é de uma flexibilidade impar.”

Quadro referente a participação argentina da guerra do Golfo Radar diretor de tiro do Aspide Reparo triplo de torpedo MK46 Visão frontal da prôa

  Encerrada nossa conversa fomos acompanhados pelo imediatos Capitão-de-Corveta Julio Guarda que nos apresentou todo o destructor, da casa de maquinas aos convés mais alto da proa à popa. Passando pelo Centro de Operações de Combate pudemos perceber de maneira clara os vários módulos que abrigam a central de comunicações, o COC e especialmente o encaixe dos conectores padronizados para cabos de dados, dutos de ar-condicionado e de refrigeração de sistemas eletrônicos. A primeira coisa que chama atenção neste navio são as cores do seu interior, as paredes são amarelas, num tom quase cítrico e o piso é verde escuro ou azul escuro, dependendo da área do navio. Isso é um grande contraste com o radiante branco-gelo dos navios espanhol e americano e do tranqüilo cinza claro do interior da Rademaker.

Equipe de CAV sempre a postos Alouette III Alouette III Alouette III

  Na nossa despedida tivemos uma grata surpresa, o próprio CMG Gaston Erice veio ao hangar para se despedir de nós, uma gentileza que nos encantou. Desta vez, como estávamos bem perto do anoitecer fomos levados de volta à Rademaker pelo Fennec argentino, que sendo um bi-turbina nos levou todos de uma vez, sem necessidade de realizarmos dois vôos. Este foi o dia mais rico e mais cansativo das nossas “visitas internacionais” na Unitas XLVII. Foram muitas fotos, muitas perguntas respondidas e muitos degraus! Saludos hermanos!

Visão interna durante o vôo do Fenec Fenec argentino se preparando para decolar decolando Visão aérea do hangar e seus canhões
Visão aérea do ARA Almte Brown com seus canhões e o lançador do Aspide ao fundo radar diretor de tiro do Aspide e close Lançador Albatroz do missel Aspide Antenas e radares
Lançador de misseis MM40 Última Photex Última Photex Chegada a Fragata rademaker do Fenec argentino

 

 

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