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ADEREX: Uma prova prática para 1300 "alunos" |
Treinamento é uma constante no dia-a-dia da Marinha do Brasil. Durante 08
dias um Grupo Tarefa composto pelo navio-tanque Marajó, as fragatas
Independência, Niteroi e Bosísio, o contratorpedeiro Pará e a corveta
Jaceguai, suspendeu do Rio de Janeiro, seguiu para o norte até Vitória e
voltou ao Rio. A bordo, mais de 1300 militares. Aderex é o nome
dado aos exercícios de adestramento da Marinha do Brasil. Neste início de
ano, a ALIDE acompanhou a tripulação da fragata Bosísio no primeiro destes eventos em 2006.
| Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas. |
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Este foi o primeiro exercício realizado sob o comando do novo Comandante em
Chefe da Esquadra,
Vice-Almirante Álvaro Luiz Pinto. Por isso, esta Aderex, naturalmente, acabou por assumir o
formato de uma apresentação formal das competências e habilidades da
Esquadra para o seu novo Comandante. O exercício foi coordenado pelo
ComDiv-2. Também embarcaram o ComDiv-1. A
partida da Base Naval do Rio de Janeiro foi bem cedo na manhã da
quarta-feira, 15 de março. A corveta Jaceguai suspendeu primeiro, seguida
pelas fragatas Independência e Bosísio. Depois vieram o CT Pará, a fragata Niterói e
finalmente o NT Marajó.
| Uma saída do porto sob ameaça submarina: a importância da minagem defensiva. |
Minas são armamentos geralmente lembrados como armas para a imobilização de
frotas no mar ou nos portos, mas, no entanto, elas podem e serão usadas de
maneira defensiva em uma situação de guerra real. A força sob ataque semeia
minas de diversas naturezas na boca do seu porto e, com seus caça-minas,
abre canais estreitos para permitir a entrada e saída de seus navios. O inimigo, sem saber a localização destes canais, fica forçado a evitar aárea como um todo. Neste cenário, quatro "canais" foram criados saindo da
boca da baia da Guanabara, os navios do Grupo Tarefa se dividiram e cada um
saiu por um deles. Em algum lugar no lado de fora do campo de minas se
encontrava um submarino inimigo que aguardava a saída do seu alvo, o NT
Marajó .
O NT Marajó representa o típico "alvo de maior valor", o navio que, se
afundado, causaria uma grande perda de capacidade operacional ao Grupo
Tarefa. Sem dispor do combustível adicional transportado pelo NT Marajó, muito
em breve todas as escoltas terão de retornar ao porto, restringindo,
indiretamente, suas velocidades máximas de cruzeiro em função da questão
consumo de combustível.
Para simplificar a execução do exercício, toda a região da boca da Baía da
Guanabara com profundidade menor que 50m foi determinada como sendo área
minada. Quatro canais virtuais, com quatro milhas náuticas de comprimento e
apenas 400 jardas de largura, foram dispostos em forma de leque e na sua
saída foram criadas doze zonas de patrulha anti-submarina. Cada uma delas formando um quadrado com cinco milhas náuticas de lado, identificadas de "A" a "L" e dispostas em duas linhas paralelas, seis no interior e seis do
lado de fora. Como operamos com apenas cinco escoltas neste exercício, algumas zonas de
patrulha mais externas ficaram desguarnecidas. Desta vez coube ao S-30 Tupi
realizar o papel de "bandido" e, para isso, ele deixou a Baía de Guanabara um
dia antes dos demais navios. Cada escolta se movia constantemente dentro da
zona que lhes foi atribuída, seguindo rumos aleatórios e variando a
velocidade continuamente como forma de confundir o os sensores acústicos do
predador.
O submarino se posiciona antecipadamente para preparar sua armadilha. Ele
pode tanto estar apoiado no fundo do mar, quanto com os motores girando a
baixa velocidade, apenas para se manter no mesmo ponto, compensando o fluxo
das correntes. Este exercício acontece em uma área onde a plataforma
continental restringe a profundidade de operação do submarino. Esta opção
tem um sentido "didático", pois aumenta a probabilidade de haver "conflito"
entre os navios do GT e o submarino. Numa situação normal de guerra, caso
uma das escoltas identifique o sinal do submarino, quem tiver mais próximo
disparará um torpedo para forçar o alvo a se revelar em sua movimentação e
fuga. Durante a Guerra das Malvinas/Falklands a existência de um único
submarino argentino fez com que a esquadra britânica disparasse 80% de seu
complemento de torpedos sem qualquer sucesso. Depois deste conflito, o
número de torpedos carregados por navio aumentou em 50% nas escoltas
ocidentais. O submarino, ainda hoje, é uma arma formidável. Ele opera
normalmente até uma lâmina de 30 metros de profundidade, acima deste limite
apenas em caso de necessidade extrema e da experiência do comandante.
Seguindo ordens do comando do GT, a corveta Jaceguai trocou para outra zona
de patrulha, a "Charlie". Visando confundir ainda mais o cenário para o submarino, ela executa uma patrulha circular na direção horária. Neste exercício, dois SH-3 do HS-1 de São Pedro d'Aldeia se juntam a nós, cada um cobrindo sua zona de busca, um mais a leste das escoltas e o outro bem para oeste das escoltas. A fragata Niterói alerta um contato de submarino às 11:40, e a fragata Bosísio se dirige para o canto nordeste de nossa zona de busca, ficando mais próximo do local onde possivelmente está o submarino inimigo. Operando na zona "Kilo", exatamente a leste de nós, o CT Pará espelha nosso movimento e também se aproxima do provável alvo, pronto para a possível formação de um grupo de busca. Mas logo fica evidente que o alvo identificado não passa de um pesqueiro, e a busca continua.
Às 12:45 o Sea King "Guerreiro 11" acusa a visualização do periscópio do submarino Tupi, aproveitando a superfície lisa do mar naquele momento. "Alerta Submarino Vermelho"! O contato está a nove milhas náuticas da área "K", e o SH-3 fez um "ataque" com cargas de profundidade. Neste ponto, devido à falta de combustível, o helicóptero interrompeu a caçada e retorna para São Pedro. Não houve confirmação da destruição do submarino, mas, felizmente, o NT Marajó por ter saído da Baía pelo canto exatamente oposto da área de exercício, ficou em segurança. O navio tanque optou pelo último canal à esquerda. A mensagem "Alerta Submarino Amarelo" indica o fim do exercício e que o submarino mão mais é uma ameaça. Às 13:00, o exercício foi encerrado e o GT se reorganizou assumindo uma formatura em leque ao redor do navio tanque. Dispostos em três arcos com 11 setores no total (3+4+4), os setores internos não foram ocupados por escoltas e sim por um dos Sea King.
A cada novo exercício embarcado, os helicópteros da Marinha e seus pilotos tem que executar uma nova Qualificação e Requalificação de Pouso Abordo - QRPB. Isto é uma seqüência de pousos e decolagens, onde cada um dos pilotos comanda a aeronave para se reacostumar com a operação de helicópteros nos convôos dos navios. Os três Super Lynx do HA-1 e o Esquilo do HU-1 deixam seus mecânicos e pilotos extras e imediatamente começam suas sessões de treino. Desta vez a fragata Bosísio não recebeu nenhum helicóptero apenas o CT Pará ficou com o Lince 4009, a Independência e a Niterói com os Lince 4001 e o 4014. O único Esquilo nesta comissão era o 7064, um UH-13 bimotor, e ele estava baseado na corveta Jaceguai.
Neste momento foi realizado na fragata Niterói um exercício de abordagem por mergulhadores do GRUMEC, usando o método de "Fast Rope" a partir de um SuperPuma do esquadrão HU-2. Este procedimento é a forma mais rápida e segura de realizar uma inspeção de navio suspeito para eventualmente assumir o seu controle caso se verifique que ele transporta cargas proibidas ou que seja verificado que as intenções da sua tripulação não sejam exatamente aquelas declaradas pelo rádio.
Concluído o exercício Fast Rope, o Super Puma se dirigiu para a Bosísio
para realizar um HIFR, sigla em inglês para o procedimento de
reabastecimento de helicóptero em vôo (Helicopter In-Flight Refueling).
Por três vezes o Super Puma se aproximou baixou seu guincho no convôo da
Type 22 e içou a mangueira de combustível até a porta aberta na sua
lateral. O fiel pegava a ponta da mangueira e a conectava com o bocal de
combustível na parte frontal do casulo do trem de pouso direito do UH-14.
Para controlar esta operação o Orientador, com seu colete e capacete
amarelos, se deslocou para o convés acima do hangar de forma a ficar sempre à vista dos pilotos do SuperPuma. Erguida a mangueira, o grande helicóptero
se desloca para a esquerda para diminuir o risco de colisão com as antenas
e a superestrutura da escolta. Encerrada a transferência de combustível, o
UH-14 retorna para cima do convôo e baixa o guincho com a mangueira, ou"mangote" como é chamado no mar. Toda vez que o pessoal do convôo tocava no
guinch, ou no cabo de aço da aeronave, eles antes encostavam uma vara
metálica aterrada na grelha do convôo. Isso para evitar que uma descarga de
eletricidade estática, acumulada no atrito das hélices com a atmosfera,
possa ameaçar a vida dos marinheiros. O HIFR permite que helicópteros
grandes que não consguiriam pousar numa escolta possam aumentar
sensivelmente seu tempo de operação mesmo sem exigir a presença de um navio
com convôo grande como o NAe, os NDD ou o NDCC.
Em seguida, o SuperPuma realizou na fragata Bosísio três seqüências de apanhar e largar cargas penduradas sob sua fuselagem. Oito discos de aço pesando 25kg cada um foram amarrados num cabo robusto e dependurados sob o helicóptero, pairando acima do convôo , sem que ele tivesse que pousar. Em seguida ele se erguia para bombordo e para frente, curvando para a esquerda e fazendo um circuito à ré da embarcação, voltando em seguida para deixar a sua carga no convôo. Encerrada esta etapa o UH-14 retornou para sua base em São Pedro d'Aldeia.
No dia seguinte por volta das 15h30 o Esquilo Bi-turbina também veio à Bosísio realizar seus circuitos de erguer e largar cargas dependuradas no gancho central. Só, que, naturalmente desta vez o peso transportado era bem menor, apenas 50 Kg.
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Tiro contra granada iluminativa |
A primeira noite a bordo foi literalmente pirotécnica, pois tivemos tiros
contra as granadas iluminativas (GIL) pelos dois bordos. Os navios
assumiram uma formatura em coluna, com a Niterói sendo seguida pelo Pará,
Independência, Jaceguai e, fechando a fila, a Bosísio. Coube às duas
fragatas classe Niterói o lançamento das granadas iluminativas. Em postos
de combate, a tripulação toda se veste com capacetes de aço, capuz sobre o
rosto e cabelo e luvas protetoras até o cotovelo.
As fragatas Type 22 "Batch 1" como a Bosísio não dispõem de canhão de apoio de fogo na proa como os de 4,5 polegadas das Niterói. Por isso utilizamos apenas as duas metralhadoras GAM-BO de 20mm, capazes de atingir uma cadência de 1000 tiros por minuto. A primeira salva foi para boreste, seguida de uma outra para bombordo. Os dois canhões Bofors L/70 de 40 mm nos seus reparos singelos são novos e anteriormente eram parte das fragatas classe Niterói antes de sua modernização. Eles não foram usados desta vez por não ainda não estarem plenamente operacionais, aguardando pequenos detalhes na instalação elétrica e na conexão com os sistemas de tiro do Centro de Operações de Combate, localizado alguns pisos abaixo. Apenas alguns dos 12 projéteis disparados para cada lado eram traçantes, o bastante para confirmar que a pontaria da fragata Bosísio foi bastante precisa.
Ainda naquela noite foi realizado um exercício de Guerra Eletrônica no qual
todos os navios com a exceção do Marajó entraram em formação ao redor da
Bosísio e, cada um numa seqüência pré-determinada, tinha de emitir por alguns
segundos com um dos seus radares para ver qual dos demais navios
identificava a transmissão no menor tempo possível.
Entre 07h e 11h toda a atenção estava focada num ataque aéreo contra o
GT. A FAB operava o "Curioso", um P-95 de esclarecimento marítimo que daria
as coordenadas para o ataque de um elemento de caças AMX, os "Fantasmas". A
defesa contra este tipo de ataque é uma atividade muito tensa mas, sem
dúvida alguma, anticlimática. Durante as três longas horas o máximo que se
percebe é o Bandeirulha orbitando no limite de seus sensores, sempre muito
longe do arco de engajamento dos mísseis Sea Wolf e Aspide das fragatas.
Finalmente, perto do final da janela do exercício foi informado aos navios
do GT que este exercício tinha sido alongado em mais uma hora, sendo
encerrado às 12h.
O radar diretor de tiro do Sea Wolf, o Type 910 fica
posicionado acima do passadiço e opera na banda X com um
feixe muito estreito (+-1,5°). Porém, sem os radares
Type 968 e 967, ele nunca encontraria sozinho o alvo no céu.
O radar Doppler 967 fica posicionado de costas para o 968 e ambos
são montados sobre um suporte giro-estabilizado no alto
do mastro frontal da Type 22. Enquanto o 968 opera na banda S
e faz a busca combinada aérea e de superfície e
o 967, na banda L, por sua vez só reconhece alvos em movimento
que se dirijam para o navio. Durante todo este exercício,
o Comandante da fragata Bosísio, Capitão-de-Fragata Dantas, ocupou seu posto
no COC. Por duas vezes, alvos foram identificados com possibilidade
de ser a vaga atacante, porém logo se percebia que estes
contatos eram errôneos. Subitamente o Radar 967 "abriu"
e as "baterias foram desmascaradas"...
Na escuridão do COC um dos operadores informa o
deslocamento dos Fantasmas: - Contato! As primeiras distancias
relatadas em voz alta são em milhas, logo o operador passa
a usar jardas, o caça se aproxima rapidamente para o ataque
contra o GT. A cada trinta segundos uima nova distância,
cada vez menor...subitamente a informação crucial:"Trecado!"
Mais distâncias, sempre reduzindo, finalmente, como que
num espasmo coletivo de alívio, a tensão é
substituida pela esperança: "Sallva! Salva!"
Cada "salva" é um lançamento simultâneo
de dois mísseis Sea Wolf.
Sozinho, o sistema de tiro do Sea Wolf decidiu o momento e o número de
mísseis a serem lançados contra os caças "inimigos". No final, foram
consumidos "cinco gatos", como são apelidados os SeaWolf, duas salvas
duplas e um quinto míssil em seguida. Os Exocet são apelidados de "Bruxos"
e os ASROC do Pará, são conhecidos como Basset"...
Por estarmos do lado oposto do quadrante por onde os aviões chegaram, se
estivéssemos no passadiço não conseguiríamos nem contato visual com eles.
Durante o exercício de transferência de óleo no mar (TOM), o NT Marajó passou
combustível para a corveta Jaceguai e para a recém chegada corveta Frontin.
Para a fragata Bosísio coube o papel de "guarda" seguindo o navio tanque e o CT Pará,
a uma certa distância, para poder recuperar qualquer tripulante que por
ventura caísse no mar durante esta manobra. Para aumentar o realismo, um "Óscar", (boneco do tamanho e peso aproximado de um ser humano), foi lançado
do bordo direito do CT Pará para que nós o recolhêssemos. Como a distância
estava pequena, imediatamente paralisamos as máquinas. A nossa lancha é de
borracha com casco rígido e motor de popa, sendo tripulada por dois
mergulhadores do GRUMEC. Um guindaste ergueu a lancha do convés e
lentamente baixou-a pelo costado de bombordo até a superfície do mar
calmo. Enquanto isso, todos os marinheiros nos conveses de vante procuravam
pelo "Óscar" na superfície do mar. Logo o primeiro marinheiro começou a
apontar conforme reza o procedimento normal destes casos, cada novo
tripulante que também achava o acidentado passava a apontar também, logo
todos estavam apontando em gestos repetitivos.
A lancha contornou a proa da Fragata e seguindo o direcionamento dos
marinheiros, logo encontrou no seu alvo. Um dos mergulhadores pulou na água
e o outro o auxiliou a erguer o boneco para dentro do bote de borracha.
Após os rápidos exames padrão, ainda na lancha, esta retornou para o lado
da Bosísio, para ser recolhida. Para que as pessoas a bordo da lancha não
caiam durante sua movimentação no guincho, existem várias cordas com nós,
presas no cabo de aço produzindo um ponto de apoio firme. No convés, médico
e os enfermeiros, aguardavam para prestar os primeiros socorros ao "acidentado". O procedimento é o mesmo, independentemente da hora do dia e do estado do mar.
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A importância das manobras táticas
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Um navio de combate navegando sozinho no mar é limitado exclusivamente
pelas suas características individuais. Uma Força Tarefa ou Grupo Tarefa,
no entanto, somam as melhores características de cada um dos navios que a
compõem. Especialmente no que se refere a sensores e armamentos isso se faz
evidente. O Navio Tanque, por exemplo, embora desarmado e geralmente mais
lento, oferece uma autonomia quase que ilimitada para suas escoltas, além
da permitir-lhes a liberdade de navegar na sua máxima velocidade a despeito
do elevado consumo de combustível que isso provoca. Navios com suítes
avançadas de defesa aérea podem acomodar todos os navios do GT sob seu
guarda-chuva de proteção contra ataques aéreos. Para que o Grupo tarefa
funcione como uma unidade integrada os vários navios precisam ser capazes
de navegar juntos, e esse é o objetivo principal dos constantes
treinamentos de manobras táticas. Cada navio tem seu próprio comando e
estes são subordinados ao Comando do GT. Cabe ao Comando do GT ordenar a
mudança de formatura. Existem inúmeras permutações possíveis, cada uma mais
adequada para um tipo de situação tática, ameaça aérea, ameaça de
superfície, ameaça submarina...
Normalmente os alvos de maior valor como um Navio Aeródromo ou, neste caso,
o Navio Tanque, ficam no centro com as diversas escoltas
criando várias camadas de proteção concêntricas ao seu redor. As
características dos sensores e dos armamentos de cada navio definem qual
posição da formatura este navio deve ocupar. Navios com radares melhores
ficam a princípio nos flancos dianteiros e traseiros para que tenham visão
desobstruída para além das bordas do GT. Escoltas com menor capacidade, por
isso mesmo, recebem áreas de responsabilidade de menor tamanho e menos
críticas. Como o cenário tático se alterna com fluidez durante a guerra,
estas posições se alternam várias vezes ao dia ou, em alguns casos, por
hora. Apenas o navio guia tem a preocupação de navegar, os demais, devem
unicamente se preocupar em manter suas posições relativas a ele. Visando
confundir qualquer navio ou submarino que esteja observando o movimento do
GT com seus sensores, o papel de navio guia é alternado constantemente ao
longo da comissão.
Todas as formaturas estão sempre definidas claramente nos manuais que são
entregues antes da partida, algumas têm nomes padrão da OTAN. Porém, estes
nomes podem ser trocados antes da partida para minimizar o risco de
interceptação das comunicações por rádio. Cada mudança de formatura e/ou
mudança de posição do navio dentro da formatura envolve um risco real de
colisão e por isso devem ser praticados regularmente com grande
atenção. Cada navio tem sua própria característica de aceleração e de
curva. Navegando num espaço restrito ao mesmo momento em que todos os
demais também se movem, os oficiais do passadiço precisam conhecer
profundamente seus navios para não causar uma colisão de resultados
terríveis. Um navio guina no mar como um carro faz curvas sobre o gelo, as
vezes não basta apenas girar o leme pois a inércia vai modificar bastante o
raio de curvatura do navio, levando o navio para o outro lado.
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Mais do que descanso no Porto
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Durante os dois dias que passamos atracados no Porto de Vitória, os navios
ficaram abertos à visitação pública. Infelizmente o tempo chuvoso não
colaborou para que as pessoas saíssem de casa em grandes números. O
período no porto também permitiu a realização de um exercício "Sabotex",
onde, entre os inúmeros visitantes civis, havia militares a paisana que
tentaram entrar nos navios com um pacote contendo uma "bomba" simulada. O
objetivo do exercício é garantir a segurança dos navios mesmo com um fluxo
grande de estranhos circulando a bordo. As áreas com acesso franqueado ao
público, como sempre, eram apenas o Convôo, o Hangar e os passadiços
exteriores. As visitas iniciavam às 13h e se encerravam às 17h. Desta
vez os helicópteros passaram o fim de semana embarcados nos navios. O Super
Lynx 4009 peado no convôo do CT Pará atraiu muitos curiosos que olhavam para
tudo com a máxima atenção, alguns chegaram a sentar na cabine de comando e
tiraram fotos segurando no manche.
Na manhã de segunda, uma nova partida para o mar, desta vez em postos de
combate. Um após o outro, os navios passaram através do estreito canal que,
serpenteando entre pedras e morros, conduz do Porto ao Oceano Atlântico. De
um lado a ilha de Vitória e do outro as praias de Vila Velha, no continente.
Em Vila Velha fica a Escola de Aprendizes Marinheiros do Espírito Santo. O último marco desta saída foi passar por baixo da terceira ponte que
descreve um imenso arco sobre o canal. Do lado de fora do canal percebe-se
o grande número de navios de carga civil que aguardam seu lugar para entrar
no porto ou para se carregar de minério de ferro no Porto de Tubarão,
localizado mais ao norte na região da Grande Vitória. Os primeiros navios
a sair diminuem seu ritmo para permitir que os seguintes os alcancem e que
possam entrar em formatura.
| Ataque coordenado "helo-ship"
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Uma pratica universal na moderna guerra naval consiste em atacar um outro
navio simultaneamente com vários mísseis antinavio, lançados de distintos
pontos, de maneira a sobrepujar as defesas de ponto do alvo e aumentar a
probabilidade de sua destruição. A combinação helicóptero/navio é
particularmente eficiente nesta forma de ataque. A primeira reação de um
navio ao identificar o lançamento de um míssil contra ele está em guinar
para apontar a proa ou a popa para o míssil e assim diminuir o tamanho do
alvo. No entanto, se os mísseis vêm de ângulos distintos, ao guinar sempre
haverá pelo menos um míssil se dirigindo perpendicularmente para o costado
do alvo. Os mísseis Sea Skua dos Super Lynx são mísseis antinavios leves e a
priori mais adequados para afundar lanchas de patrulha ou escoltas pequenas
como corvetas. Porém, usados em conjunto com os mísseis antinavio MM38
Exocet da T.22 podem vir a destruir, danificar ou imobilizar alvos de maior
porte. Na proa da Bosísio estão localizados dois conteineres de lançamento
de Exocet. Em caso de crise, contudo, é possível adicionar sem maiores
dificuldades mais duas unidades nesta posição, aumentando bastante a
letalidade do navio.
No meio da madrugada de quinta para sexta feira, entre 0h30min e 2h, os
Super Lynx decolaram da Niterói e da Independência para realizar suas
missões de ataque coordenado navio-helicóptero.
O planejamento original desta Aderex previa a participação de duas
corvetas, a V-31 Jaceguai e a V-30 Inhaúma. No entanto, por razões diversas
a V-30 acabou não suspendendo com o GT. No meio do segundo dia, porém,
a corveta V-33 Frontin foi adicionada aos exercícios. Esta corveta estava terminando o CIASA após seu PMG e, desta inspeção, ela e sua tripulação
passariam a estar aptos para operar em Grupo Tarefa.
Foi
avaliado pela Esquadra que este exercício ofereceria aos oficiais e praças
da V-33 exatamente os desafios que eles precisavam suplantar para mostrar
que estavam prontos para seu pleno emprego na Esquadra. Inicialmente se esperava que a participação da Frontin seria pontual e limitada a alguns
poucos exercícios, porém eles se mostraram um participante presente e ativo
até a conclusão da Aderex.
| Exercício de lançamento de cargas de profundidade |
Na manhã da terça-feira despertamos bem cedo, antes mesmo do início do café
da manhã, para acompanharmos o Lynx 09 que pernoitou na Bosísio de volta
para o CT Pará onde carregariam no nosso helicóptero a carga de
profundidade a ser lançada logo mais tarde junto com os outros dois
AH-11A. A decolagem foi tranqüila e o dia estava lindo e sem nuvens. O sol
nascente dava uma cor especial ao helicóptero. Pousamos no CT Pará e,
enquanto aguardávamos o carregamento da arma, finalmente pudemos tomar
nosso café da manhã.
No fundo do hangar da Pará existe um paiol onde os torpedos e as cargas de
profundidade ficam armazenados. Para trazer a carga para o helicóptero que
estava apeado no convôo, ela é colocada num carrinho amarelo baixo com rodas
de borracha sólida. A carga de profundidade que foi trazida para o convôo
era real, por isso era prateada e não pintada de azul como o armamento
de manejo normalmente visto nas fotos de aeronaves militares brasileiras.
No nariz da Carga existe um seletor que permite determinar a que
profundidade a carga deve explodir, seguindo as informações do COC este
valor é inserido ainda no navio.
Infelizmente, um problema no cabide de armamento montado no 09 não permitiu
prender a carga de profundidade na aeronave. Prova que mesmo com todas as
precauções e cheques realizados no esquadrão antes do embarque, imprevistos
acontecem no mundo real. Os demais Super Lynx que já estavam voando fizeram
seus lançamentos na hora marcada e um deles foi chamado ao Pará para nos
ceder seu cabide de armamento. Nosso Lynx teve suas pás de hélice dobradas
e foi rapidamente hangarado, abrindo-se assim espaço para o pouso do outro
helicóptero. A retirada do cabide novo e sua inserção no 4009 foi rápida e
logo embarcamos no nosso helicóptero para o lançamento, que ocorreu um
pouco tarde, mas, sem qualquer problema. Infelizmente, os passageiros
dentro do helicóptero que lança a carga não conseguem ver claramente sua
explosão na água.
A Fragata Bosísio, originalmente batizada HMS Brazen (F-91), é uma das
quatro fragatas Type 22 Batch 1 compradas pela Marinha à Royal Navy inglesa
em novembro de 1994. Embora ela tenha sido a terceira a ser recebida em 30
de agosto de 1996, foi a última a ser construída, sendo entregue em 2 de
julho de 1982, pouco após o fim da Guerra das Malvinas.
A HMS Brazen realizou comissões no Golfo Pérsico, nos mares Mediterrâneo e
Adriático, no Oceano Índico e, por diversas vezes, operou no Atlântico Sul.
Durante seus anos na Royal Navy ela participou do conflito no Líbano em
1983, na primeira Guerra do Golfo, entre 1990 e 91, e no bloqueio naval da
OTAN aos sérvios durante a Guerra Civil na Bósnia, sua última comissão
antes de ser recebida pela Marinha do Brasil. Comparada com os modelos
iniciais da sua classe, a Bosísio apresenta algumas pequenas diferenças
como um convôo quadrado, sem recorte e um passadiço mais amplo com a frente
reta. As fragatas Type 22 Batch 1 não tinham canhão na proa e eram focadas
na guerra anti-submarina. Seu armamento antiaéreo era o míssil de defesa de
ponto Sea Wolf. Na esquadra inglesa a defesa anti-aérea era trabalho para
os destróieres T.42.
Durante a nossa volta pudemos acompanhar bem de perto os exercícios de
carregamento e descarregamento de míssil Sea Wolf e do Torpedo Mk-46. As
Type 22 contam com dois paióis de mísseis Sea Wolf, um a ré, na lateral do
hangar de helicópteros e outro localizado a vante. Ambos contam com
elevadores estreitos que ligam os pisos inferiores aos conveses onde se
encontram os dois lançadores. Neste nível superior ficam localizados os
paióis de pronto uso, de onde os mísseis são retirados para serem montados
nos lançadores. Adicionalmente, numa situação de crise, a fragata deixaria o
porto já com doze mísseis montados nos lançadores, seis em cada um. Para
evitar acidentes, ao lado da porta externa do paiol de pronto uso existe
um painel com um botão que desativa a movimentação do lançador e o
lançamento de mísseis, enquanto o processo de recarregamento estiver em curso.
Da mesma forma os torpedos Mk. 46 são armazenados no paiol de ré e
sobem num elevador próprio para o convés externo onde estão localizados os
tubos lançadores. O piso entre o elevador é interrompido por obstáculos que
obrigam o uso de plataformas metálicas removíveis que criam uma pista
totalmente desobstruída para o carrinho que transporta o torpedo. Estas
plataformas ficam armazenadas e na hora do emprego são dispostas
manualmente no piso. Para este exercício foi retirado o torpedo de manejo
que se encontrava dentro do tubo, levado ao elevador e o mesmo torpedo
voltando a ser instalado dentro dos tubos. Para ter acesso ao seu interior,
a parte esférica da traseira do tubo, é desatarraxada, removida e
armazenada num apoio específico para ela, localizado na parede externa da
superestrutura. Este componente é um tanque de alta pressão responsável
pelo lançamento do torpedo. Em seguida, uma peça retangular que mantém o
torpedo firme na sua posição sai deslizando para trás nos trilhos. Após isso, o carrinho é posicionado na saída do tubo e o torpedo é extraído
lentamente para dentro de um elevador móvel, sustentado por cabos de aço.
Um guincho manual permite baixar e erguer o torpedo no carrinho. Uma vez
preso o torpedo no carrinho, tanto os apoios laterais quanto o guincho são
destacados para maior mobilidade do carrinho. O processo de carregamento
do torpedo é exatamente o inverso da sua remoção dos tubos.
| Tiro sobre alvo de superfície
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As duas Classe Niterói, o CT Pará e as corvetas dispararam contra um alvo rebocado
pelo rebocador de alto-mar Tridente R-22. O alvo é um flutuador com
refletores de radar para representar um alvo de maior tamanho para os
radares e sistemas de guerra naval das escoltas. A Bosísio não participou
ativamente deste exercício por não ter um canhão de proa.
Este exercício teve uma duração mais curta que o normal, porém, mantendo um
número alto de eventos. Tanto a perna de ida para Vitória quanto a de
retorno para o Rio duraram, cada uma, apenas dois dias e meio.
Excepcionalmente na conclusão desta Aderex, antes de entrarmos na Baía da
Guanabara o NT Marajó, a fragata Independência e a corveta Jaceguai se
destacaram dos demais navios e seguiram para realizar um exercício Passex
com os dois navios escola da marinha francesa o porta-helicópteros Jeanne
d'Arc e a fragata Georges Leygues que nos visitavam em sua viagem anual de
instrução de guardas marinha.
| Caracteristícas F-48 Bosísio |
Batimento de Quilha: 18 de agosto de 1978
Lançamento: 4 de março de 1980
Incorporação (RN): 2 de julho de 1982
Baixa (RN): 30 de agosto de 1996 Incorporação (MB): 30 de agosto de 1996
Deslocamento: 3.900 ton (padrão), 4.400 ton (carregado).
Dimensões: 131.2 m de comprimento, 14.8 m de boca e 6.0 m de calado.
Propulsão: COGOG (Combined Gas or Gas) com 2 turbinas a gás Rolls-Royce Olympus TM3B de 27.300 shp cada; 2 turbinas a gás Rolls-Royce Tyne RM1A de 4.100 shp cada, acopladas a dois eixos com hélices passo variável.
Eletricidade: 4 geradores diesel Paxman Ventura 12PA 200CZ de 1.000 kw cada.
Velocidade: máxima de 29 nós (turbinas Olympus), cruzeiro de 18 nós (turbinas Tyne).
Raio de ação: 1.200 milhas náuticas a 29 nós (turbinas Olympus) ou 4.500 a 18 nós (com turbinas Tyne).
Armamento: 4 lançadores de mísseis superfície-superfície MM 38 Exocet; 2 lançadores sêxtuplos de mísseis antiaéreos de defesa de ponto Sea Wolf GWS 25 Mod. 0; 2 metralhadoras BMARC-Oerlikon GAM BO1 de 20 mm em dois reparos singelos e 2 lançadores triplos STWS Mk 2 de torpedos A/S de 324mm.
Sensores: 1 radar de vigilância combinada (aérea e de superfície) Marconi Type 967-968; 1 radar de navegação Kelvin-Hughes Type 1006; 2 radares de direção de tiro Marconi Type 910 (GWS 25 Mod.0); 2 ofuscadores laser tipo do tipo DEC; CME Racal Type 670; MAGE MEL UAA-1; 4 lançadores sêxtuplos de chaffs/flares SRBOC Mk 137; sonar de casco Ferranti-Thomson Type 2050, telefone submarino Type 2008 e engodo rebocavel para torpedos Graseby Type 182.
Sistema de Dados Táticos: CAAIS, com Link 11 e 14.
Aeronaves: 2 helicópteros Westland AH-11A Super Lynx.
Tripulação: 213 homens, sendo 19 oficiais e 194 praças.