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Aviação do Exército – Qualidade
e Flexibilidade na 3ª Dimensão do Campo de Batalha |
Qualidade
e flexibilidade, essas podem ser consideradas as características
chaves da Aviação do Exército (AvEx). Desde
sua ativação, em 1986, a AvEx vem se tornando um
ponto de referência dentro do Exército Brasileiro.
A dedicação, empenho e profissionalismo dos que
a compõem saltam a vista de quem conhece de perto o seu
trabalho. E o reconhecimento é comprovado pelo alto interesse
dos militares do Exército Brasileiro que fazem dos cursos
oferecidos pela AvEx uns dos mais concorridos dentro da Força
Terrestre. Para conhecer de perto esse núcleo de excelência
do Exército Brasileiro, fizemos uma visita à Base
de Aviação de Taubaté, a 133 Km da cidade
de São Paulo-SP, onde estão sediados o Comando de
Aviação do Exército, o seu Centro de Instrução,
seu Batalhão de Manutenção e três dos
seus quatro Batalhões de Aviação.
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Origens da Aviação do Exército |
Aviação mais jovem do país é justamente
a mais antiga. Pode parecer contraditório, mas não
é. O Exército Brasileiro foi a primeira Força
Armada brasileira a constituir sua aviação. As origens
da AvEx têm como cenário a Guerra da Tríplice
Aliança, nos campos de batalha de Humaitá e Curupaiti,
quando Duque de Caxias determinou o emprego de balões para
observação do inimigo. Em 1912, o então Tenente
Ricardo João Kirk tornava-se o primeiro piloto militar
brasileiro, formando-se na École d'Aviation d'Etampes,
na França. Dois anos depois, o Exército criou a
Escola Brasileira de Aviação que, no entanto, durou
apenas seis meses. Já em 1915, as aeronaves de asa fixa
da Aviação do Exército estreavam em combate.
O Exército enviou para a região do “Contestado”,
ao norte do Estado de Santa Catarina, seis aviões remanescentes
da sua escola de aviação para serem empregados em
missões de reconhecimento das posições inimigas
e de regulação do tiro da Artilharia. O próprio
Tenente Kirk participou das missões. Lamentavelmente, no
dia 1° de março daquele ano, durante uma missão,
a aeronave de Tenente Kirk apresentou problemas e caiu, causando
a morte do primeiro piloto do país.
Finalmente, em 1919, o Exército criava novamente uma escola
de aviação, a Escola de Aviação Militar.
Em 1927, foi criada a Arma de Aviação do Exército.
O lendário Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro-RJ foi
a sede da primeira unidade aérea da Aviação
Militar, o Grupo Misto de Aviação. Anos depois,
esse grupo participou ativamente dos combates durante a Revolução
Paulista de 1932. Em 1941, era criado pelo Presidente Getúlio
Vargas o Ministério da Aeronáutica e, por conseqüência,
a Força Aérea Brasileira. A nova Força Armada
foi formada pela união das aviações do Exército
e da Marinha (que desde a década de 1910 também
desenvolvia sua aviação em paralelo à Aviação
do Exército), extinguindo assim as aviações
dessas duas Forças. A situação da Marinha
mudou no final da década de 1950, quando a Força
Naval conseguiu reativar sua aviação. O Exército
Brasileiro, no entanto, só faria o mesmo em meados da década
de 1980.
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O som dos rotores chega à Taubaté, ressurge
a Aviação do Exército |
A Segunda Guerra Mundial mostrou a necessidade dos Exércitos
de buscarem uma maior mobilidade tática e aumento de poder
de combate através de uma aviação própria.
Mundo afora os Exércitos gradativamente passaram a dar
uma atenção cada vez maior ao uso de aeronaves de
asas rotativas como um fator multiplicador de forças. Na
tentativa de acompanhar esses novos cenários de atuação,
o Exército Brasileiro, através de seu Estado-Maior,
promoveu estudos cujos objetivos visavam dotar a Força
Terrestre de uma aviação orgânica.
Em 1986, foi determinada a criação da Diretoria
de Material de Aviação do Exército (DMAvEx)
e do 1° Batalhão de Aviação do Exército
(1° BAvEx), cuja instalação física ocorreu
em janeiro de 1988, na cidade de Taubaté, Região
do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo.
A escolha da cidade de Taubaté para instalação
da AvEx não foi ao acaso. A sua localização
estratégica no eixo Rio-São Paulo, a proximidade
com a 12ª Brigada Leve, o principal “cliente”
da Aviação do Exército, e com os centros
industriais e de pesquisa na área da aviação
do Brasil como a Embraer, Helibras e Centro Técnico Aeroespacial
foram os fatores decisivos.
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Compondo a frota - A compra das primeiras aeronaves e suas
funções |
Após a reativação de sua aviação,
o Exército precisava definir quais aeronaves iriam compor
sua frota. Em 1987, um consórcio formado pela fabricante
francesa de aeronaves Aeroespatiale e pela sua subsidiária
no Brasil, a Helibras, foi escolhido como fornecedor dos primeiros
helicópteros da AvEx. Logo de início, uma grande
compra foi efetuada. Foram adquiridos de uma só vez 16
helicópteos HB 350 L1 Esquilo e 36 AS-356K Pantera, totalizando
52 aeronaves. Após o recebimento dessas aeronaves, em 1991,
o Exército formalizou a compra de mais 20 AS 550 A2 Fennec
do mesmo consórcio, aumentando sua frota para expressivas
72 aeronaves.
O Exército dividiu suas aeronaves entre Helicópteros
de Manobra (HM) e Helicópteros de Ataque (HA). Não
há ainda na Força Terrestre necessidade ou possibilidade
de equipar a AvEx com uma aeronave especialmente desenvolvida
para ataque como os mundialmente célebres AH-64 Apache
ou similares menos cotados e mais acessíveis. Embora num
primeiro momento seja natural pensar que essa seria uma capacidade
desejável, ter uma aeronave que cumpriria exclusivamente
missões de ataque, além de exigir um maior aporte
de recursos financeiros, diminuiria a flexibilidade da AvEx em
se adaptar às condições brasileiras, especialmente
às orçamentárias. Sendo assim, para a função
de aeronave de ataque, o Exército utiliza como uma boa
e adequada solução, uma adaptação
do Esquilo e sua versão aprimorada, o Fennec. As diferenças
internas e externas entre os dois modelos são muito pequenas,
sendo ambos designados de HA-1 dentro da AvEx. HA-1 - Reconhece
e Ataca!
Os Esquilo/Fennec da AvEx são todos mono-turbinas. Grande
sucesso mundial tanto nas versões civis quanto militares,
mono e bi-turbinas, além do Exército Brasileiro,
a aeronave francesa está operacional, por exemplo, nas
Forças Armadas de Singapura, no Real Exército Australiano
e nos Exércitos da Dinamarca e França. A Marinha
do Brasil e a Força Aérea Brasileira também
operam variantes desse modelo que possui linhas de produção
na França, China e também no Brasil, através
da Helibras. Mais de 3.150 helicópteros da família
Fennec foram adquiridos e estão operacionais em mais de
70 países.
Com velocidade máxima de 287 Km/h e alcance em torno de
650 Km, o HA-1 é impulsionado por uma turbina Turbomeca
Arriel 2B que fornece 650 HP de potência. As aeronaves são
armadas com metralhadoras axiais calibre .50, lança-foguetes
nacionais SBAT-70 e metralhadoras laterais calibre 7,62mm.
Agilidade, rapidez, versatilidade e considerável autonomia
de vôo são características que permitem que
os HA-1 sejam utilizados não só para missões
de ataque. Segundo o 2° BAvEx, “Além de cumprir
suas missões primordiais, esses helicópteros são
utilizados em evacuações aeromédicas, transportes
de carga externa (750 Kg por meio de gancho externo), infiltração
e exfiltração de pessoal (através de Rapel,
Mac Guaire e Hello Casting), podendo, com o uso de guincho, içar
cargas de até 136 kg de locais em que não possam
pousar. O Esquilo, por sua versatilidade, potência e simplicidade
de manutenção contribui significativamente para
a operacionalidade da AvEx.”.
O Pantera, por sua vez, foi designado de HM-1, e tem como missão
primordial o transporte de tropas em operações aeromóveis.
Helicóptero leve multi-função, o Pantera
foi projetado, além de missões de transporte de
tropas, para suporte logístico e evacuação
médica. No Brasil, apenas o Exército o utiliza em
sua frota, mas suas variantes são utilizadas no exterior
pelas Forças Armadas da Arábia Saudita e Israel.
Também é utilizado pela Guarda Costeira dos Estados
Unidos, pela Marinha francesa e pela China, além de recentemente
ter sido adquirido pela Marinha da Bulgária. Seu primeiro
vôo aconteceu em 1984 e sua produção teve
início em 1986. De lá pra cá, foram produzidos
259 aeronaves da família.
No Exército Brasileiro, o HM-1 é também
empregado em missões de reconhecimento, apoio à
guerra eletrônica, busca e salvamento, e transporte de carga,
além das anteriormente citadas. Assim como o Esquilo, o
Pantera é de procedência francesa e também
tem o suporte da Helibras, o que facilita a logística e
a manutenção. Impulsionado por dois Turbomeca Arriel
2C, de 653 Hp cada, a aeronave pode atingir até 324 Km/h
de velocidade máxima e transportar, além da tripulação,
nove homens totalmente equipados, o que significa a capacidade
de transportar um grupo de combate de Infantaria completo. Dentro
da sua gama de capacidades, o Pantera ainda pode conduzir até
1.600 Kg de carga externa. Seu armamento consiste em uma metralhadora
lateral calibre 7,62mm. Por fim, seus modernos aviônicos
permitem vôos por instrumentos em situações
de baixa ou nenhuma visibilidade com alta segurança.
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Base de Aviação de Taubaté, o pilar da
AvEx |
Assim que se chega na Base de Aviação de Taubaté,
não se tem idéia da real importância que essa
unidade representa para o Exército Brasileiro, especialmente
para a sua Aviação. A primeira impressão
que tivemos foi de surpresa. “Brasil!” Essa foi a
forma de dar uma resposta afirmativa utilizada pelo militar que
estava de sentinela. Essa, para nós, inusitada expressão
já era uma amostra do grau de profissionalismo, vibração
e comprometimento com a pátria que veríamos no decorrer
do dia. Ao entrar no complexo, difícil não se sentir
orgulhoso com o complexo aeromilitar que se apresenta. Instalada
em uma área de 264 hectares, com mais de 73 mil metros
quadrados de área construída, a Base de Aviação
de Taubaté impressiona pela sua dimensão e características.
Sem luxos, sem ostentação, o que se vê são
construções amplas, modernas e funcionais.
A área administrativa da Base abriga as instalações
do Quartel General do Comando de Aviação do Exército
(CAvEx), da administração da Base de Aviação
de Taubaté (BAvT), do escalão avançado da
DMAvEx e do Centro de Instrução de Aviação
do Exército (CIAvEx), além de alojamentos e refeitórios.
Na área operacional, há três grandes hangares.
O primeiro deles é ocupado pelo Batalhão de Manutenção
e Suprimento de Aviação do Exército (B Mnt
Sup Av Ex), o segundo para o 1º BAvEx e o terceiro e último
para o 2º e 3º BAvEx. Destaca-se, ainda, uma moderna
torre de controle de tráfego aéreo, um amplo pátio
de estacionamento de aeronaves e um heliponto. A BAvT possui,
também, uma pista de pouso de uso misto (civil e militar)
com 1.500 metros de extensão. Há, também,
um destacamento de bombeiros e de equipes de apoio de solo e de
Busca e Resgate (SAR), garantindo assim a segurança e a
operação desta grandiosa estrutura.
Para isso, a BAVT conta com uma Divisão Administrativa
composta por diversas seções, dentre as quais podemos
destacar:
- a Seção de Patrimônio, que controla todos
os bens distribuídos às diversas Unidades integrantes
do Comando de Aviação do Exército (CAvEx);
- a Seção de Aquisições, que planeja
e executa os processos licitatórios para a aquisição
de todos os materiais e contratação de todos os
serviços em proveito da AvEx;
- a Seção de Pagamento de Pessoal, que realiza o
controle do pagamento de todos os militares em serviço
em Taubaté;
- a Seção do FUSEX, que gerencia os contratos e
convênios destinados ao atendimento médico e hospitalar
da família militar de Taubaté, Caçapava e
Pindamonhangaba, englobando aproximadamente 8000 pessoas entre
militares e seus dependentes, assim como inativos e pensionistas
do Exército.
A manutenção e a segurança de todo o complexo
de instalações da Aviação do Exército
em Taubaté é também outra responsabilidade
da BAvT. Na área de manutenção, a Prefeitura
Militar mantém e recupera todas as suas instalações,
seja do aquartelamento, do aeródromo ou da área
residencial. A segurança da BAvT é composta por
uma Companhia de Comando que conta com pelotões de Segurança
e de Polícia do Exército.
Cabe à Divisão de Aeródromo da BAvT operar
as instalações aeroportuárias de Taubaté,
contribuindo com os serviços de controle e informações
de vôo e segurança contra incêndios e incidentes
aeronáuticos na área do aeródromo da cidade.
A Seção de Saúde da Base também é
a responsável pelo atendimento médico, odontológico
e laboratorial dos militares em serviço nas unidades militares
do local.
Por fim, a Base conta ainda com uma área residencial com
288 unidades para oficiais, sargentos, cabos e soldados, praça
comercial com bancos, restaurante, papelaria, lanchonetes e outros
estabelecimentos, inclusive um hotel de trânsito e a Capela
Nossa Senhora de Loreto. Nesta área está sediado
o Aeroclube Regional de Taubaté e, junto à pista,
o terminal de passageiros construído pela Prefeitura Municipal
de Taubaté.
Em razão de um litígio fronteiriço, Equador
e Peru entraram em conflito em 1995. Com o objetivo de solucionar
a situação, os países signatários
do Protocolo do Rio de Janeiro de 1942, estabeleceram a Missão
de Observadores Militares Equador – Peru (MOMEP).
Com duração aproximada de quatro anos e quatro
meses, a MOMEP foi concluída em 30 de junho de 1999 com
a colocação do último marco fronteiriço
entre os dois países. Coube ao Brasil a participação
de 191 militares, entre coordenadores-gerais, observadores militares
e integrantes do Grupo de Apoio. Pelo acordo de paz, ficou estabelecido
que a demarcação da fronteira e a desminagem da
região ficariam a cargo de Peru e Equador, mas que eles
contariam com o apoio dos países que se prontificaram a
colaborar com a difícil tarefa, entre os quais, o Brasil.
A AvEx naquela ocasião não possuía aeronaves
adequadas para a função. Surgiu, então, a
oportunidade de compra de quatro S-70A Black Hawk novos para serem
utilizados para aquela missão e, posteriormente, serem
integrados em definitivo à AvEx. Designados no EB de HM-3,
os Black Hawks expandiram a capacidade da AvEx, principalmente
na Região Amazônica, para onde foram enviados.
Aeronave que dispensa maiores apresentações, o
Black Hawk e suas variantes são um dos maiores sucessos
de exportação do mundo. Sua função
primária é o transporte de tropas e suporte logístico
mas também pode ser configurado para missões de
evacuação aeromédica, comando e controle,
busca e resgate, escolta armada, guerra eletrônica e transporte
VIP.
Fabricados pela americana Sikorsky, entraram em operação
no Exército dos Estados Unidos em 1978. Além dos
Estados Unidos e do Exército Brasileiro, os Black Hawks
foram adquiridos pelas Forças Armadas de mais de 20 países,
como por exemplo: Argentina, Austrália, Áustria,
Bahrein, Brunei, Colômbia, Egito, Grécia, Hong Kong,
Israel, Japão, Jordânia, Coréia do Sul, Malásia,
México, Marrocos, China, Arábia Saudita, Turquia,
Espanha, Filipinas, Taiwan e Tailândia. Recentemente a
Força Aérea Brasileira adquiriu 6 aeronaves configuradas
para missões de busca em resgate em combate (C-SAR).
Com mais de 2.000 unidades vendidas nas mais diferentes versões,
os Black Hawk já estiveram em combate em diversas missões
como no Panamá, Colômbia, Kuwait, Somália,
Bósnia e Iraque.
Apto a operar em qualquer parte do globo terrestre, seja em regiões
frias ou de altas temperaturas, graças a sua configuração
e sua reserva de potência, o Black Hawk se adaptou plenamente
às condições Amazônicas. No Exército
Brasileiro, tem como missão principal o transporte de tropa,
sendo capaz de conduzir quatorze homens totalmente equipados,
além da tripulação da aeronave (dois pilotos
e um mecânico de vôo). Sua autonomia é de 3
horas, mas com tanque de traslado pode se estender para cinco
horas e meia.
A aeronave é impulsionada por dois motores General Electric
T700-701C de 1940 Hp cada, que lhe permite atingir a velocidade
de até 315 km/h. Pode transportar até 4.500 kg no
seu gancho externo. Também é dotado de equipamentos
que lhe permitem voar por instrumentos e está configurado
de maneira a possibilitar o vôo com óculos de visão
noturna. Seu emprego pela Aviação do Exército
nas mais diversas condições e ambientes operacionais
faz dessa aeronave trunfo de grande valia no cumprimento das missões
atribuídas ao 4° BAvEx.
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Os novos Cougar, evolução nas capacidades da
AvEx |
Maior e mais nova aeronave do Exército, o HM-3 Cougar
deu um novo salto de capacitação à AvEx.
Sua aquisição faz parte da evolução
da doutrina do Estado-Maior do Exército, que adotou o conceito
de helicópteros de emprego geral de médio porte
e capazes de transportar dois grupos de combate completos em substituição
ao conceito de helicópteros de manobra, menores e mais
ágeis. O contrato de compra de 8 Eurocopter AS 532 UE Cougar
foi assinado em 1999, e as entregas foram iniciadas em 2002. Inicialmente
previstos para serem todos designados ao 4° BAvEx, em Manaus-AM,
as aeronaves – todas já em operação
– acabaram sendo dividas igualmente entre Manaus e o 2°
BAvEx.
O Cougar do Exército Brasileiro é uma versão
utilitária da família militar Cougar MK1 que está
em serviço em 28 Forças Aéreas, 8 Exércitos
e 5 Marinhas, incluindo a Marinha do Brasil e Força Aérea
Brasileira que utilizam a variante Super Puma. Utilizado para
transporte tático e apoio logístico, possui o posto
de pilotagem blindado e compatível com NVG (óculos
de visão noturna). As aeronaves do Exército podem
ser equipadas com metralhadoras laterais calibre 7,62 mm, 06 macas
para evacuação aeromédica, guincho de içamento
com capacidade de 272 Kg e gancho para o transporte de carga externa
de 4,5 Ton, além de cinco tanques de combustível
suplementares que lhe conferem até 7,5 horas de autonomia.
Seus dois motores Turbomeca Makila 1A1, de 1.877 shp cada, permitem
que a aeronave atinja até 325 Km/h e conferem, ainda, capacidade
de transporte de até 27 pessoas; a tripulação
e mais 24 soldados equipados.
A chegada do Cougar no Exército gerou algumas controvérsias
sobre sua utilidade para a Força Terrestre. Os argumentos
contrários diziam que haveria uma sobreposição
de tarefas entre eles e os Black Hawk. Dizia-se, também,
que seriam aeronaves menos adaptadas às duras condições
ambientais da Amazônia e, ainda, que a introdução
de mais um vetor dificultaria a manutenção e logística,
embora o Cougar seguisse a mesma filosofia das aeronaves Esquilo/Fennec
e Pantera. Para muitos, o ideal seria a obtenção
de mais Black Hawks que, em teoria, teriam muito mais vantagens.
“Cada fabricante só vai dizer as vantagens do seu
produto.”, rebate o General de Brigada Francisco Carlos
Modesto, Comandante da AvEx. Para o General, a idéia que
o Cougar não seria adequado não faz sentido.“Esse
helicóptero é tão ruim que apóia o
Presidente da República”, brinca com uma certa ironia
o General, apontando para a maquete do Cougar sobre a mesa. “É
um helicóptero muito bom. Tem dado um resultado muito bom
na Amazônia, um cenário bem complicado.”, complementa.
“O que é importante é que nós tenhamos
a possibilidade de flexibilidade.”, destaca o Tenente Coronel
Marcos Mitleton, Chefe da Seção de Comunicação
Social do Comando da AvEx. “Se por um lado pode até
ter trazido problemas para a manutenção, ter uma
aeronave desse porte é importante para nós. Logicamente
cada aeronave tem suas qualidades e as suas deficiências.
Mas é importante que se tenha flexibilidade para a decisão
do Comandante.”, diz o Coronel. Sobre a operação
dos quatro modelos na Amazônia, ele complementa: “Esse
[flexibilidade] é um dos motivos para que se tenha quatro
modelos na Amazônia. Ele [Comandante] tem um leque de opções
para poder lançar mão. Da mesma forma que se fala
de algumas desvantagens do Cougar, ele tem muitas vantagens. Da
mesma forma que se fala das vantagens do Black Hawk, ele tem muitas
desvantagens. Uma aeronave perfeita nós não vamos
encontrar em lugar nenhum.”
“Teria um outro melhor? Não sei, pode ser que tenha.
Quem é que vai dizer? Só testando, realmente funcionando
um tempo lá, a gente pode dizer qual é o melhor.”,
finaliza o General Modesto, deixando claro que qualquer conclusão
sobre a operação do Cougar no Exército Brasileiro,
especialmente na Amazônia, apesar dos sinais positivos,
ainda é precipitada.
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Os Batalhões de Aviação, na Guerra e
na Paz |
"A Aviação do Exército foi anseio que
parecia inatingível. Hoje, recebemos nossa primeira aeronave
de asa rotativa. A emoção sentida no vôo histórico
que acabamos de realizar no helicóptero EB-1001 é
comparável, somente, com a de pisar o solo deste Batalhão
- marco inicial de nossa conquista da terceira dimensão
no campo de batalha. 1º Batalhão de Aviação
do Exército!” Com essas palavras, o então
Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves
saudava, em 21 de abril de 1989, a chegada e o vôo inicial
do primeiro HB 350L1 Esquilo, prefixo EB-1001, ao 1° BAvEx.
Tinham início, de fato, as atividades aéreas da
AvEx e do 1° Batalhão de Aviação do Exército,
o pioneiro.
O 1° BAvEx, em 1990, passou a ser chamado de 1° Batalhão
de Helicópteros. Em 1993, quando da criação
dos demais batalhões, todos foram denominados Esquadrões
de Aviação do Exército, nomenclatura que
durou até 1° de janeiro de 2005, quando passaram à
nomenclatura de Batalhões de Aviação do Exército.
Dotado com aeronaves Fennec armadas com lançadores de
foguetes SBAT-70 de setenta milímetros e com metralhadoras
axiais de calibre .50 (12, 7 mm) e aeronaves HM-1 Pantera armadas
com metralhadoras laterais, coube ao 1° BAvEx a responsabilidade
de reiniciar as atividades da AvEx. Cumprindo missões de
combate, apoio ao combate e apoio logístico, está
em plenas condições operacionais para executar o
ataque, o reconhecimento, a segurança, incursão,
infiltração e exfiltração aeromóveis
e, ainda, prestar apoio aéreo a várias unidades
do Exército espalhadas pelo território nacional.
Desde sua criação, vem participando de diversas
missões, desde exercícios, até missões
reais de combate, como a Missão Ajuricaba (1990), de reconhecimento
e patrulhamento de fronteiras na região Amazônica
e Oeste; a Patrulha Cruzeiro (1991), na Serra do Traíra
- AM, onde ocorreu seu batismo de fogo, contra guerrilheiros das
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia;
Conferência do Rio (ECO/92); Operação SURUMU
(1993); Operação Rio I e II (1994 e 1995, respectivamente);
Operação TARAUACÁ (1995); e Operação
CIMEIRA (1999).
Os 2° e 3° Batalhões de Aviação
do Exército foram criados no dia 17 de agosto de 1993,
como parte de uma reorganização da AvEx. As origens
do 2° BAvEx estão na 1ª Companhia de Helicópteros
de Manobra e na Companhia de Comando e Serviços do então
1º Batalhão de Helicópteros. Suas atividades
operacionais começaram em 10 de fevereiro de 1994. O aniversário
da unidade, no entando, é comemorado no dia 14 de março.
Nessa data, o Batalhão cumpriu sua primeira missão
aérea, prestando apoio ao 26º Batalhão de Infantaria
Pára-quedista. O 2° BAvEx, dotado com os Esquilo, Pantera
e Cougar, possui um Pelotão de Busca e Salvamento apto
a realizar operações de resgate em qualquer ambiente
nacional, misões de içamento, transporte de materiais
como peças de Artilharia e transporte de autoridades. Tudo
isso, sem deixar de lado as missões semelhantes ao 1°BAvEx.
O 3° BAvEx, equipado com os Esquilo e especialmente o Pantera,
realiza, além das missões de apoio à Força
Terrestre, as missões de caráter humanitário,
tais como de evacuação aeromédica, e de apoio
à comunidade. Em 1994, em apoio ao governo do Paraná,
transportou um reservatório de água de 20.000 litros,
permitindo o fornecimento de água potável para toda
comunidade de Superagui (litoral paranaense). Ajudou, também,
em missões de combate ao fogo na região da reserva
de Monte Pascoal, em 1995, e na operação de apoio
durante a enchente que assolou o litoral paulista em 1996. O Batalhão
também participou e participa de grandes operações
militares do Exército, tais como: a Operação
Surumu, a Operação Rio II, em 1995 e a Operação
Tarauacá, no mesmo ano, realizada na região amazônica.
Com a criação do 4° Batalhão da Aviação
do Exército, em 15 de dezembro de 1993, a AvEx chegava
definitivamente na rica e cobiçada Amazônia. De início,
o 4° BAvEx ocupou instalações provisórias
cedidas pela Força Aérea Brasileira (FAB) na Base
Aérea de Manaus (BAMN). Através de um acordo inter-ministerial,
a FAB cedeu ao Exército um espaço na BAMN adjacente
à pista já existente. No local foram construídas
as modernas, adequadas e definitivas instalações
do Batalhão.
Cabe à 1ª Esquadrilha de Helicópteros de Emprego
Geral (1ª EHEG), realizar as missões de combate, de
apoio ao combate e logística. Está dotada de aeronaves
HM-1 Pantera e HM-3 Cougar. Com missões semelhantes, a 2ª
Esquadrilha de Helicópteros de Emprego Geral (2ª EHEG)
é dotada das aeronaves HM-2 Black Hawk e HA-1 Esquilo. A
última organização do 4° BAvEx é
a Base de Administração e Apoio (Ba Adm Ap) que não
possui encargos operacionais e tem como atribuição
fornecer suporte para manutenção da vida administrativa
da unidade.
Única unidade da AvEx que opera os quatro modelos distintos
de aeronaves da Força (HA-1, HM-1, HM-2, HM-3 e HM-4),
o 4° BAvEx é organizado em diversas esquadrilhas. A
primeira delas é a Esquadrilha de Comando e Apoio (ECAp),
cujas atribuições principais são a instalação
de postos de comando do Esquadrão, de forma a garantir
sua segurança e funcionamento; apoiar o comando do esquadrão
com meios necessários à condução das
operações de combate; fornecer ao comando e às
subunidades do esquadrão o apoio logístico não
específico de aviação; organizar e operar
um aeródromos de campanha; fornecer equipes de busca e
resgate (SAR) e instalar, explorar e manter o sistema de comunicações
da unidade.
Esquadrilha de Manutenção e Suprimento(EMS) tem
como atribuições a manutenção das
aeronaves orgânicas da unidade; assegurar o fluxo do suprimento
específico de aviação entre as Esquadrilhas
de Helicópteros e a área ou sub-área de apoio
logístico da Av Ex; instalar e operar postos de ressuprimento
avançados (PRA); receber e enquadrar reforços de
outras organizações integrantes do sistema logístico
específico de aviação, a fim de aumentar
sua capacidade de apoio; reforçar as esquadrilhas de helicópteros,
aumentado suas capacidades de manutenção e assegurar
a sua própria defesa e a de suas instalações.
Cabe à 1ª Esquadrilha de Helicópteros de Emprego
Geral (1ª EHEG), realizar as missões de combate, de
apoio ao combate e logística. Está dotada de aeronaves
HM-1 Pantera e HM-3 Cougar. Com missões semelhantes, a
2ª Esquadrilha de Helicópteros de Emprego Geral (2ª
EHEG) é dotada das aeronaves HM-2 Black Hawk e HA-1 Esquilo.
A última organização do 4° BAvEx é
a Base de Administração e Apoio (Ba Adm Ap) que
não possui encargos operacionais e tem como atribuição
fornecer suporte para manutenção da vida administrativa
da unidade.
Operar quatro modelos distintos de aeronaves poderia se tornar
um pesadelo para qualquer unidade mas, graças ao profissionalismo
e dedicação, as dificuldades são compensadas
pela alta flexibilidade que essa característica especial
proporciona ao Batalhão. “Se você decolar de
Manaus para Tabatinga, você vai voar 5, 6 horas na época
das cheias sem encontrar um local para pouso. Você vai encontrar
algumas clareiras que são os pontos da Petrobras e mais
nada. Aquilo é um oceano verde. Então, por incrível
que pareça, em algumas ocasiões, o Pantera, para
transporte de pessoal e material, é mais eficiente que
o Cougar e o Black Hawk por causa das dimensões da clareira.
Mesmo em postos de fronteira, você não consegue pousar
com o Cougar e o Black Hawk e consegue pousar com o Pantera. Então,
esse é um dos motivos de se ter os quatro modelos. Cada
um se encaixa num pefil de missão que você tem. Se
você vai de Manaus para Tabatinga, você sabe que vai
ter um aeroporto em Tabatinga, então, você vai de
Cougar ou Black Hawk.”, explica o Ten. Cel. Mitleton.
Como integrantes das Forças de Ação Rápida
(FAR), os Batalhões de Aviação estão
em condições de serem empregados, a qualquer momento,
e em qualquer lugar do país. Além de cumprir suas
missões primordiais, destaca-se o constante e fundamental
apoio dos Batalhões de Aviação a outros órgãos
públicos, como o IBAMA, no controle e monitoramento das
queimadas/desmatamentos na Amazônia legal e aos governos
estaduais e municipais nos casos de calamidades públicas.
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Centro de Instrução de Aviação
do Exército - "PER AUDACIAM AD PROTECTIONEM" |
Dentro das diretrizes do Plano de Implantação da
Aviação do Exército, expedida em 1986 pelo
então Ministro do Exército Gen Lêonidas Pires
Gonçalves, estava prevista a formação dos
primeiros pilotos da AvEx na Força Aérea Brasileira
e na Marinha do Brasil e, até 1992, a instalação
de um Centro de Instrução próprio da Força.
Os primeiros oficiais do Exército tiveram o curso de pilotos
de helicóptero ministrado pela Força Aérea
Brasileira. Os novos pilotos ficaram em "estágio de
manutenção de operacionalidade" na Base Aérea
de Santa Maria (RS), onde prosseguiram no desenvolvimento de sua
nova habilitação, permanecendo naquela unidade até
o início do funcionamento do 1º Batalhão de
Aviação do Exército.
Em 1991 foi criado o Núcleo do Centro de Instrução
de Aviação do Exército, com o objetivo de
iniciar os trabalhos que permitiriam o aparecimento do CIAvEx.
As instalações estavam sendo construídas
e os instrutores eram os militares formados na Marinha do Brasil
e na FAB. A partir de 1992, o Centro de Instrução
de Aviação do Exército entrou em funcionamento
e os pioneiros conseguiram criar um centro de formação
com excelente nível didático e dotado de material
aeronáutico de primeira linha.
Cabe ao CIAvEx ministrar cursos e estágios visando à
formação, especialização e aperfeiçoamento
de pessoal, praças e oficiais, para a Aviação
do Exército, bem como sua habilitação para
a ocupação de cargos e o desempenho de funções
ligadas à mesma. Deve, ainda, realizar estudos que contribuam
para o aperfeiçoamento e criação de novas
doutrinas aplicáveis à Aviação do
Exército, assim como atualizar o pessoal da AvEx no conhecimento
de assuntos técnico-profissionais relativos à aviação.
Cabe também ao Centro, a padronização de
procedimentos técnicos e táticos no âmbito
da AvEx.
O cursos ministrados pelo CIAvEx são bastante disputados
dentro da Força Terrestre. E para se tornar piloto o militar
precisa demonstrar capacidade. Questionado se já houve
casos de militares que chegaram ao Centro de Instrução
já sendo pilotos de helicóptero, o Ten. Cel. Mitleton
diz que sim, mas alerta: “Ele vai passar por um processo
de seleção como passaria qualquer outro piloto.
Passará por testes psicotécnicos que podem, apesar
de ele ser piloto lá fora, revelar problemas que ainda
não foram revelados. Então, o fato de ele ter sido
piloto lá fora, não influi na seleção.”
Uma vez aprovado, mesmo os já pilotos terão que
fazer o curso de pilotagem todo novamente. E sobre uma possível
maior facilidade sobre os demais, o Gen. Modesto é claro:
“Pode ser que ele tenha. Mas se ele aprendeu com algum vício,
pode ser pior.”, disse. “Para nós é
indiferente. Ele vai ter que demonstrar capacidade durante o curso.”,
completa.
Devido a qualidade dos cursos oferecidos, é natural pensar
que casos em que militares pediram baixa e foram para o mercado
civil, que oferece salários mais atraentes que os pagos
pelo Exército, fossem comuns. No entanto, segundo o Ten.
Cel. Mitleton, até hoje, há somente um caso de um
piloto que se formou e pediu demissão para ir voar em empresas
civis.
O elevado padrão de excelência do Centro de Instrução
de Aviação do Exército nos dias atuais, e
mesmo a própria operacionalidade alcançada atualmente
pelas unidades de Aviação do Exército, em
missões reais e de adestramento, são uma conseqüência
direta da dedicação e do profissionalismo daqueles
que o compõem.
A base para o bom funcionamento de qualquer Força Armada
é a sua capacidade de prover a manutenção
e garantir a logística. E o Exército está
ciente dessa necessidade. Prova disso, é a excelente estrutura
do Batalhão de Suprimento e Aviação do Exército
(B Mnt Sup Av Ex).
A principal missão do Batalhão é realizar
a manutenção do material de aviação
das unidades da Aviação do Exército, bem
como o suprimento específico de aviação em
proveito destas, seja em ações de combate, operações
de apoio à comunidade ou exercícios, de forma a
assegurar a disponibilidade das aeronaves.
Com base na doutrina de emprego da AvEx, os Batalhões
de Aviação e o Batalhão de Suprimento e Aviação
operam junto ao Exército de Campanha, estando a ele subordinados.
Por essa razão, o Batalhão não possui em
sua estrutura organizacional subunidades de saúde e de
intendência, o que o diferencia de um Batalhão Logístico
(B Log). Em campanha, as unidades aéreas, inclusive o B
Mnt Sup Av Ex, terão suas necessidades logísticas,
não específicas de aviação (víveres,
combustível para viatura, etc.), supridas pelo elemento
logístico que esteja mais próximo.
O Batalhão realiza inspeções de até
3º Escalão nas aeronaves Esquilo e Pantera e, em suas
oficinas especializadas, a manutenção até
4º Escalão em diversos componentes das aeronaves.
Esse ano, a AvEx começa a manutenção do Cougar.
Já nos Black Hawks, a manutenção ainda é
feita pelo fabricante, mas o Exército já absorveu
know-how para assumi-la, se necessário. Embora o suprimento
de combustível de aviação não seja
doutrinariamente sua responsabilidade, o Batalhão presta
este tipo de apoio em prol dos batalhões sediados em Taubaté.
Mas é numa sala com umidade e temperatura controladas
que a AvEx demonstra silenciosamente uma de suas grandes capacidades
na área pouco conhecidas do público em geral. Nessa
sala, projetada especificamente para a tarefa, tem lugar uma oficina
de manutenção de pás de rotores, principais
e de cauda, das aeronaves Esquilo e Pantera do Exército.
A Marinha do Brasil também utilizam a oficina para a manutenção
dos rotores de suas aeronaves Esquilo. Além da Helibrás,
essa oficina é a única na América Latina
com essa capacidade, tendo certificado de qualidade concedido
pelo fabricante das aeronaves, a Eurocopter.
Segundo os militares da oficina, um rotor de cauda do Esquilo
tem vida útil de cerca de 2.800, o principal, de 20.000,
e seus custos originais são estimados em US$ 40 mil e U$
90 mil, respectivamente. Até 2003, cerca de 50% dos custos
de manutenção das aeronaves eram em virtude dessas
partes vitais. Entende-se, portanto, a importância dessa
oficina que gerou uma grande redução de despesas
da AvEx que puderam ser direcionadas para outros setores.
Parte de toda essa capacidade se deve ao fato de que a AvEx,
em comparação a similares latino-americanas, tem
uma gama pequena de aeronaves. “Logo de cara eles [outras
Forças Armadas latino-americanas] têm uma dificuldade
enorme. São várias linhas de suprimento de uma grande
variedade de modelos. Isso já é uma vantagem enorme
para nós. Por que hoje nós fazemos a manutenção
de pás do Esquilo? Porque nós temos um histórico
de manutenção e de aprendizado e já se vai
quase 19 anos. Eu duvido que tenha na América Latina alguma
Força Armada que conheça tão bem o Esquilo
como a gente conhece. E um dos motivos é justamente a experiência
que nós tivemos de bancada de manutenção.”,
destaca o Coronel Mitleton.
Outro fato interessante ocorreu no final da tarde, quando pudemos
presenciar uma simulação de incêndio no hangar
do Batalhão. Mais uma demonstração do profissionalismo
e compromisso de qualidade da Aviação do Exército.
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Voando o Cougar 08, o mais novo helicóptero da AvEx. |
Mesmo já em Taubaté, não havia confirmação
por parte da AvEx se alguma aeronave estaria disponível
para o nosso vôo fotográfico solicitado. Cada aeronave
e piloto possuem um determinado número de horas de vôo
previamente programado. Esse controle é feito de acordo
com o valor dos recursos financeiros destinados à AvEx
anualmente e, portanto, um vôo extra dependeria de recursos
e autorizações específicas. Sendo assim,
estávamos no aguardo de um vôo operacional em que
pudéssemos embarcar. Durante a entrevista com o General
Modesto, Comandante da AvEx, (confira abaixo), o Ten. Cel. Mitleton
estava tentando encontrar uma oportunidade para voarmos. Já
no final da entrevista, ele nos informa que conseguira um vôo,
às 15h30min. Ótima notícia, mas acabamos
nos esquecendo de entrar em detalhes sobre qual aeronave voaríamos
e em quais circunstâncias. Após o almoço,
fomos ao hangar do 1° BAvEx, onde continuaríamos nossa
visita antes do vôo.
Chegada a hora do embarque, saímos do hangar em direção
ao amplo pátio de estacionamento das aeronaves. Podíamos
ver alguns Esquilos, Panteras e um imponente Cougar. Fomos encaminhados
pelo Cel. Mitleton ao Cougar 08, a última aeronave recebida
pela AvEx. Em dotação do 2° BAvEx, o Cougar,
prefixo EB-4008, faria um vôo de simulação
de pane. Antes, porém, faria algumas passagens pela Base,
especialmente para que pudéssemos fazer nosso trabalho.
O Ten. Cel. Marcos Mitleton é um dos mais experientes
pilotos do Exército, trabalhando praticamente desde o início
das atividades da AvEx. Pilotou Esquilo, Fennec, Pantera e Black
Hawk. Aliás, foi um dos oficias responsáveis pelo
translado dos então recém adquiridos HM-2 Black
Hawk dos Estados Unidos até as operações
da MOMEP. No entanto, voar no Cougar também seria novidade
para ele: “Eu não tive a oportunidade de voar com
esse helicóptero porque a aquisição dessas
aeronaves é muito recente. Quando eu estava saindo para
a Escola de Comando e Estado-Maior, foi quando nós começamos
a receber essa aeronave, então eu ainda não tive
a oportunidade de voar nela nem como tripulante. Por isso, eu
não posso afirmar qualquer coisa [sobre o seu desempenho],
pois seria mera especulação.”, disse o Coronel.
Fizemos um rápido briefing antes de embarcar na aeronave.
Lá dentro, cintos apertados, rádios de comunicação
e a espera ansiosa pela partida dos motores. Os dois Turbomeca
Makila 1A1 falam alto, e ficar na aeronave sem os fones de comunicação,
que também funcionam como abafadores de ruídos,
seria difícil, já que voaríamos com as portas
abertas para que não houvesse empecilhos no momento das
fotografias. Rotores girando, o helicóptero inicia o táxi
até a pista. Sem quaisquer dificuldades, a aeronave inicia
a decolagem. Primeiro, a menos de dois metros do chão,
percorrendo a pista. Já de cara a sensação
de estabilidade da aeronave é incrível. O piloto
puxa o coletivo e o helicóptero ganha altura rapidamente.
A suavidade nos comandos pode ser percebida facilmente, pois a
resposta da aeronave é rápida e precisa.
Alguns minutos de vôo ao redor da base nos permitiram um
pouco da visão da bela cidade de Taubaté e das grandes
instalações da BAvT. Faltava apenas uma oportunidade
para algumas fotos ar-ar de uma outra aeronave da Aviação.
Fomos informados que uma aeronave Esquilo que estava chegando
para o pouso arremeteria e faria uma passagem ao nosso lado para
que pudéssemos fotografá-la. Nesse momento, enquanto
aguardávamos em vôo pairado, percebemos mais ainda
a qualidade da aeronave. O vôo pairado mais parecia um vôo
“parado”, tamanha a estabilidade do Cougar. Sem vibrações,
sem turbulências, a impressão que nos passava de
uma excelente escolha da AvEx era cada vez maior.
Após a passagem da aeronave Esquilo, o 08 também
rumou para a Base para que pudéssemos desembarcar e ele
continuasse seu vôo de treinamento. O piloto iria simular,
entre outras coisas, a perda de um dos motores e os procedimentos
de emergência a serem tomados. Chegando ao pátio,
desembarcamos da aeronave para que ela pudesse continuar sua missão,
mas não sem antes nos brindar com belas fotos como a que
ilustra a capa desta edição.
Já no solo, tivemos a absoluta certeza e confiança
que a AvEx continuará dando muitos motivos de orgulho para
nosso país. Ficam aqui registrados nossos agradecimentos
pelo tratamento que nos foi dispensado durante toda nossa estada
em Taubaté, dos praças aos oficiais. Agradecemos
especialmente ao Gen. Modesto e ao Ten. Cel. Mitleton pela atenção
e paciência que nos foi dispensada.
Aviação do Exército, Brasil!
Na próxima página, uma entrevista com o General de Brigada Francisco Carlos Modesto, Comandante da Aviação do Exército.