Texto: Vinicius Pimenta

 As primeiras palavras que vêem à lembrança quando se fala em Fuzileiros Navais são: profissionalismo, elite, treinamento, disciplina, vibração, respeito, admiração, união... Os Fuzileiros Navais brasileiros são uma Força Anfíbia cuja premissa básica é de desenvolver operações terrestres de caráter naval, a fim de contribuir para a aplicação do Poder Naval brasileiro. Subordinados ao Comando da Marinha, os Fuzileiros Navais são admirados pelo seu elevado grau de aprestamento e confiabilidade. Mas como são formados os soldados dessa elite? Para conhecer como é a formação do soldado Fuzileiro Naval brasileiro, a ALIDE acompanhou um dia de treinamento dos futuros soldados no CIAMPA – Centro de Instrução Almirante Milclíades Portela Alves – um dos responsáveis em transformar o sonho de um jovem na realidade de ser um Naval.

  Uma instituição sem paralelo no Brasil

O Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela Alves é uma instituição sem paralelo nas Forças Armadas Brasileiras, por destinar-se exclusivamente à formação de soldados profissionais, todos voluntários e concursados. As suas tarefas são de assegurar aos Soldados Recrutas (SD-RC) a habilitação necessária ao exercício das tarefas destinadas aos Soldados do Corpo de Fuzileiros Navais, incluindo uma perfeita formação moral e militar-naval, além de conduzir outros cursos e estágios para oficiais e praças, quando lhe for atribuído.

  As origens do Centro remontam ao ano de 1934, quando o então Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante Milcíades Portela Alves, criou uma Companhia Escola, primeira unidade no âmbito do CFN destinada à formação de Soldados Fuzileiros Navais. Instalada na Fortaleza de São José, Ilha das Cobras - RJ, a Companhia foi transferida, em 1953, para o Complexo Naval da Ilha do Governador. Posteriormente, em 1957, essa Companhia foi extinta. No seu lugar foi criado o Centro de Recrutas do Corpo de Fuzileiros Navais (CRCFN), que em 1965 passou a ocupar as instalações na área onde hoje está o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (Batalhão Tonelero). Em 1971, o CRCFN foi transferido para a Ilha da Marambaia. Lá permaneceu até 1981, quando foi novamente transferido para onde atualmente está localizado. Em 20 de maio de 1994, o Decreto N° 1.143 alterou sua denominação para Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela Alves, em homenagem ao idealizador da instrução no CFN.

  Ocupando uma área de 4.500.000 m², o CIAMPA está localizado no Complexo Naval Guandu do Sapê – CNGS, às margens da Avenida Brasil, na altura do bairro de Campo Grande, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Seus 11 prédios representam uma área construída de 8.700 m². A área do complexo, administrado pelo Centro, engloba também boa parte do Morro do Marapicu.

  Subordinado ao Comando do Pessoal de Fuzileiros Navais, o CIAMPA é dirigido por um Comandante (CIAMPA-01) no posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN). Seu atual Comandante é o Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) José Cupello Filho. O Comandante Cupello tem em seu currículo a participação na UNPROFOR (United Nations Protection Force - Força de Proteção das Nações Unidas na antiga Iugoslávia), na qual exerceu a função de Chefe de Operações. Então Capitão-Tenente, tinha sob seu comando militares de países da OTAN, inclusive de patente superior ao militar brasileiro.

  No CIAMPA o Comandante é assessorado e auxiliado por um Imediato (CIAMPA-02), por um Serviço de Secretaria e Comunicações (CIAMPA-03), um Departamento de Instrução (CIAMPA-10), a cargo do Capitão-de-Corveta Brescianni, quem muito gentilmente nos acompanhou durante nossa visita, um Departamento de Administração (CIAMPA-20) e um Corpo de Alunos (CIAMPA-30).

  Do sonho à realidade Naval

 

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Jovens matriculados no curso chegam ao CIAMPA. Primeiros contatos com o ambiente de disciplina militar. Recrutas tomam o café da manhã. O corte do cabelo.

 Anualmente, milhares de jovens brasileiros de idades entre os 18 a 21 anos prestam concurso de admissão ao Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais. São abertas ao todo cerca de 1.400 vagas, dividas entre duas turmas por ano, uma por semestre. Todos voluntários, alguns deles sequer imaginam o que realmente representa tudo aquilo, contudo, a grande maioria almeja um sonho: tornar-se um Fuzileiro Naval, ou simplesmente um Naval, como são chamados. São jovens em busca de uma vida melhor, mais digna e que encontram na carreira militar as oportunidades para atingir seus objetivos.

Os recrutas recebem aulas de informática, além do treinamento militar. Palestras alertam aos recrutas sobre os perigos das drogas. Aulas teóricas e práticas fazem parte do curso. A bandeira da 4ª Compainha em frente ao alojamento.

  Sempre que uma nova turma é formada, são realizadas pesquisas sócio-econômicas para traçar o perfil dos alunos. A mais recente pesquisa apontou que 86,23% dos candidatos aprovados no concurso tinham o Ensino Médio (2° Grau) concluído. Apenas 9,92% possuíam o Ensino Fundamental – nível mínimo exigido –, 2,63% possuíam o Ensino Superior ainda incompleto e nenhum, até mesmo pela baixa idade dos candidatos (18 a 21 anos), havia concluído um Curso Superior. Essa questão é importante porque o CIAMPA constatou que quanto maior o nível de escolaridade médio de cada turma, melhor é o rendimento dela durante o período de treinamento. O maior grau de instrução dos alunos reflete diretamente na formação de soldados mais preparados, pois eles conseguem aprender os conhecimentos de maneira muito mais natural.

Os recrutas têm aulas de defesa pessoal. Os instrutures exigem ao máximo dos seus alunos. O esforço é uma constante. Mas as quedas são inevitáveis.

  O processo seletivo conta com diversas avaliações. O candidato enfrenta inicialmente um exame de escolaridade de nível fundamental (1° Grau). Os aprovados passam então pelos testes físicos que incluem corrida, natação e exercícios. A fase seguinte é a bateria de exames da Inspeção de Saúde. A peneira continua com a realização de Exames Psicológicos. Após passarem por tudo isso e depois de checados detalhes burocráticos, os aprovados são então matriculados no curso.

  Depois de formados, os soldados profissionais são designados para os batalhões ou aos grupamentos operativos pelo país. Eles assinam um contrato mínimo de 3 anos de duração, podendo renová-lo e permanecer como soldados durante 8 anos. Durante o período dentro do CFN, os soldados podem fazer diversos cursos e seguir carreira, podendo chegar até a patente de Suboficial.

  Treinamento árduo

  Engana-se quem pensa que a partir de então as coisas ficam mais fáceis. O treinamento é duro e muitos desistem durante o curso que tem duração de 17 semanas, antecedida de uma semana de adaptação. Durante esse período, os recrutas são divididos em quatro Companhias com dois pelotões cada e terão aulas de Instrução Militar Naval, Ordem Unida, Treinamento Físico-Militar, Instrução Básica de Combate, Fundamentos de Operações Anfíbias, Armamento e Tiro.

Instrução com armamento. Os recrutas devem montar e desmontar seu M-16A2 no menor tempo possível. Militar da Namíbia participante dos treinamentos. Fuzil M-16A2 desmontado.
A natação é fundamental para os soldados anfíbios. Fardamento e objetos pessoais em ordem. No detalhe, o coturno, a farda, a pasta de estudos e os talheres para o rancho. Os armários dos alojamentos. Cada recruta tem o seu.

  Os recrutas são adestrados e preparados para a guerra em pistas de combate em localidade, maneabilidade, tiro de combate, pista de cabos, câmara de gás, tanque tático, estande de tiro de fuzil, estande de lançamento de granadas, dentre outros. Durante o curso também são realizadas marchas, patrulhas e tiros de combate e de banqueta. Os recrutas também recebem instruções para a vida, como aulas de informática e palestras sobre drogas. Eles contam, ainda, com orientação educacional e pedagógica como numa escola civil.

  As sete semanas iniciais são em regime total de internação. Durante a internação, a família pode fazer visitas aos recrutas em dois finais de semana. Passada esta fase, os alunos podem ir para a casa todas as sextas-feiras, regressando aos domingos às 21h.

  O dia como um relógio

  Nas 1.247 horas de curso os jovens passam por uma transformação que começa pela mudança de rotina e se reflete no plano físico. Eles acordam às 5h15min da manhã, quando acontece a alvorada, e, das 5h30min às 6h15min, os alunos fazem treinamento físico ou aulas em pistas. O café da manhã é servido das 6h15min às 7h. Em seguida, os jovens assistem a cinco tempos de aula, com 50 minutos cada um, com intervalos de 10 minutos, das 7h ao meio dia. O almoço é servido das 12h20min às 13h20min. À tarde, há mais aulas, que se estendem das 13h30min às 17h55min, com um pequeno intervalo para o lanche. O jantar acontece das 15h55min às 18h35min.

As camas são impecavelmente arrumadas. Porta do alojamento. A placa informa de quem é a área. Treinamento físico.
Vai encarar esse circuito? Ginástica com armas. Formatura antes do rancho. Rancho sendo servido.

  À noite, das 18h45min às 21h20min, ocorre o estudo obrigatório. Esse tempo também pode ser dedicado à assistência religiosa – existem missas e cultos evangélicos regulares no CIAMPA – ou à exibição de filmes instrucionais. Às 21h30min uma ceia encerra a jornada dos recrutas. Contudo, às 21h45min, é realizada uma revista de recolher, onde são inspecionados armários e alojamentos. Há, ainda, uma verificação dos critérios de higiene dos jovens. O toque de silêncio soa às 22h.

  Formando estrangeiros

  Desde 1994, quando do estabelecimento da Missão Naval Brasileira na Namíbia, o relacionamento entre as marinhas de ambos os países tem se aprofundado cada vez mais. Daquele acordo, foi criada uma Gerência Especial de Ensino Naval Brasil-Namíbia que já formou mais de 200 militares entre oficiais e praças namibianos em escolas da Marinha do Brasil. Em dezembro de 2001, foi assinado o Acordo de Cooperação Naval entre os dois países. Esse acordo tem como objetivo criar e fortalecer a Ala Naval da Namíbia, por meio da formação e instrução de militares africanos em cursos, estágios e intercâmbios na MB, além de aparelhamento daquela Ala Naval, mediante a transferência e a aquisição de meios navais.

  Através desse relacionamento, a Namíbia, reconhecendo a excelência de ensino na Marinha do Brasil, formalizou o interesse de qualificar soldados daquele país como fuzileiros navais e passou a enviar militares para treinamento no CIAMPA. Na turma anterior, 9 militares da Namíbia passaram pelo curso. Neste ano, 35 soldados da Namíbia estão fazendo o curso de formação no Centro. Eles já são soldados profissionais do Exército daquele país e após a conclusão do curso serão qualificados como Fuzileiros Navais.

Soldados da Namíbia no rancho. Avançar! Invasão. Progredindo pelo terreno.
Cobertura! Superando obstáculos. Superando obstáculos. Recruta no detalhe.

  O treinamento dos namibianos é rigorosamente igual ao dos demais. Os soldados africanos dessa turma foram distribuídos entre os Pelotões da 3ª Companhia. Por questões de idioma – na Namíbia o idioma oficial é o inglês – durante as provas teóricas, os namibianos podem fazer o uso de um dicionário português-inglês, contar com o auxílio de um intérprete e têm um tempo um pouco maior para a resolução das questões.

  Anfíbios que voam

  No dia de nossa visita, ocorreu o treinamento de embarque e desembarque rápido de aeronaves. Um helicóptero UH-14 Super Puma do Esquadrão HU-2 foi deslocado ao CIAMPA para que os soldados recrutas pudessem começar a ter um contato com essa atividade que podem ter que desempenhar enquanto fuzileiros.

Pistas diversas. Recruta se agarra nas cordas. Pista de cordas. Atravessando...
Atravessando ponte de cordas. Saltando cursos d'água. Subindo... Detalhe

  O armamento padrão dos fuzileiros navais é o fuzil de origem americana M-16A2, calibre 5,56mm. Ele está substituindo o FAL como armamento padrão, já sendo o utilizado nos batalhões da Força de Fuzileiros da Esquadra e de Operações Ribeirinhas. O FAL ainda pode ser encontrado em grupamentos operativos responsáveis pela segurança das áreas de jurisdição dos Distritos Navais, mas sua substituição total já está em curso.

  Para esse exercício, porém, os recrutas estavam utilizando o velho FS 7,62mm, anterior ao FAL. Em alguns treinamentos, principalmente os que exigem um maior esforço e de maior risco de quedas e acidentes, esses fuzis são utilizados como forma de preservar o armamento, no caso o M-16A2, de danos desnecessários.

Super Puma do HU-2 Treinamento estático. Recrutas em posição à espera da aeronave. Militar da Força Aeronaval instrui recrutas.
Braços erguidos, levantar vôo! Em vôo. Rostos tensos. Levantando vôo.
Seqüência: A aeronave se prepara para o pouco. Ela toca o solo. Os Fuzileiros devem desembarcar da aeronave o mais rápido possível. E correr paras suas posições.

  Rostos atentos, alguns tensos, outros admirados pela imponente máquina pousada no campo de futebol que serviria como ponto de embarque e desembarque. A grande maioria nunca havia voado e talvez sequer chegado tão perto de um helicóptero antes. Cerca de 140 fuzileiros (o treinamento dos demais seria no dia seguinte) se concentram nas explicações dos militares da Força Aeronaval que gerenciavam a aproximação, entrada e saída dos recrutas da aeronave. Postura, gestual de comunicação, tudo é treinado para que o tempo de exposição seja o menor possível. Em uma ação real, aeronave, tripulação e fuzileiros devem estar em locais seguros rapidamente.

No Stand, tiro em pé. Tiro deitado. Natação utilitária. Fardado e armado. Nessa instrução, novamente aparece o FS 7,62mm.
Preparando a casamata. Brasileiros e namibianos recebem instruções. Nas pistas, a instrução. No campo, a prática real. É guerra.
Avançando... Apesar das dificuldades... Atenção, o inimigo está próximo. Ferido ou morto? Cuidado, pode ser uma armadilha do inimigo.
Instrução no CLAnf. Mais CLAnf. Em posição de tiro. Anfíbios: Na terra.
E na água. Marcha noturna. São realizadas três marchas longas durante o curso. Impressionante imagem. Serão em breve Fuzileiros Navais.

  Quinze de cada vez, primeiro o treinamento com a aeronave estática, motores desligados e rotores parados. Em seguida, roncam as duas Turbomeca Makila 1A, os rotores começam a girar. É hora da prática. Primeiro os alunos embarcam na aeronave, ela levanta vôo, faz uma volta e pousa novamente. Os alunos desembarcam. Outra leva já está em posição à espera. A seqüência é repetida até que todos tenham executado o treinamento.

  Depois da insígnia, Soldado Fuzileiro Naval

  A convite do CIAMPA, retornamos à unidade no dia 22 de junho para acompanhar a formatura dos soldados fuzileiros da Turma I/2006. Dos cerca de 700 jovens que iniciaram o curso, exatos 491 enfrentaram as dificuldades até o final e tiveram a honra de receber a sua insígnia de Fuzileiro Naval. Antes de cerimônia, conversamos com os três primeiros colocados no curso e falamos sobre suas expectativas antes da chegada, das dificuldades do curso e suas perspectivas sobre o futuro.

A Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais deu um show à parte, abrilhantando a formatura dos novos soldados. As canções tradicionais como Soldado da Liberdade não ficaram de fora. Cada Companhia é representada. Os fuzileiros marcham em frente ao Comandante e seus convidados.
O pavilhão nacional. 491 formandos da Turma I/2006. Bandeiras do Brasil e Namíbia tremulam no CIAMPA. Fuzileiros marcham sob os olhares atentos e orgulhosos dos seus familiares.
Militares namibianos. Agora Soldados do Namibian Marine Corps. Namibian Marine Corps. Soldados namibianos são cumprimentados pelo Contra-Almirante Monteiro. Contra Almirante Monteiro e representante da Marinha namibiana.

“Missão cumprida. Me sinto realizado.”
Entrevista – SD - FN Adenilson Alves Lucas

  Primeiro colocado entre os 491 formandos, Adenilson, natural da Paraíba, fez parte da 4° Companhia de Recrutas.

ALIDE - Você quando chegou aqui, qual era sua expectativa do que você ia encontrar?
Eu esperava muita dificuldade, até de convivência com o pessoal, mas graças a Deus eu consegui superar e hoje estou aqui.

ALIDE - Você tinha idéia do que era a vida militar, tinha noção da dureza que ia encontrar aqui, você se surpreendeu?
Eu sempre sonhei em ser militar e quando eu entrei para a Marinha eu fiquei muito feliz. Mas eu me surpreendi, é bonito ser militar, mas é duro.

ALIDE - E agora que você passou pelas 18 semanas, está prestes a se formar e receber a sua insígnia, qual o seu sentimento em relação a tudo isso?
De missão cumprida. Me sinto realizado. Eu me formei procurando sempre estar na marca, seguir o que os instrutores passavam para mim, procurei me aperfeiçoar ao máximo na carreira militar. Então eu me sinto muito feliz e realizado.

ALIDE - E daqui você pretende seguir para onde?
Minha primeira opção foi de seguir para o Rio Grande do Norte, 3° Distrito Naval. Eu ainda não tenho certeza se vou voltar para lá, mas se surgir uma vaga...

O melhores alunos. Soldado cumprimenta os oficiais. Palanque de autoridades. À esquerda, o Comandante do CIAMPA, José Cupello Filho. Ao seu lado, o Contra-Almirante Monteiro, Comandante do Comando de Pessoal dos Fuzileiros Navais. Tropas saúdam as autoridades presentes.

“Era um sonho.”
Entrevista – SD – FN Boanerges Mendonça da Anunciação Junior

  Natural do Rio de Janeiro, Boanerges, integrante da 4ª Companhia, foi o segundo colocado no curso.

ALIDE - O pessoal chega aqui à paisana, cabelo grande, querendo ser Fuzileiro... Você quando chegou aqui, o que pensou?
É um choque, muito diferente. Para mim seria a mesma coisa de lá fora, só com algumas coisas diferentes. Até me adaptar... Os campanhas [colegas de turma] me ajudaram bastante.

ALIDE - Qual foi a maior dificuldade?
A saudade da família. A saudade é o que pega mais aqui.

ALIDE - Mas você é do Rio e mesmo assim ficou com tanta saudade?
[Risos] Eu falei para eles [colegas de outros estados] que eles são muito fortes, no lugar deles eu talvez não teria consegui ficar muito tempo. Porque é a saudade que pega. O físico, para a minha idade, se eu não conseguir fazer eu não consigo fazer mais nada. Agora, a saudade, para segurar é o mais difícil.

ALIDE - E a parte do treinamento, o que foi mais difícil de levar?
O treinamento mais difícil para mim foi a parte da natação utilitária com camuflado... Mas com os instrutores que nós temos, ficou tudo safo, 100%.

ALIDE - E a parte de treinamento e adaptação com o armamento?
Era um sonho. Desde os 5 anos eu já falava que iria para o Exército. Acabei resolvendo vir para a Marinha e acabei realizando esse sonho. Agora é seguir esse caminho, se Deus quiser, chegar a suboficial ou mais.

ALIDE - Bom, então não precisamos perguntar se você vai querer continuar no Rio, não é?
[Risos] Sim senhor! Tonelero [Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, Batalhão Tonelero], se Deus quiser!

Os três melhores alunos. No centro, SD-FN Adenilson Alves Lucas, 1° Colocado. À esquerda, SD-FN Boanerges Mendonça da Anunciação Junior, 2° Colocado. À direita, SD-FN Diego Oliveira da Silva, 3° Colocado. O carinho da família. O orgulho estampado. São vitoriosos!

“Não eu não posso! Está difícil, mas desistir eu não posso! É o que eu quero!”
Entrevista – SD – FN Diego Oliveira da Silva

  O terceiro colocado no curso, Diego Oliveira da Silva, 4ª Companhia, é de Salvador-BA.

ALIDE - Você quando fez a prova, que estava vindo para cá, o que você tinha em mente do que era ser um Fuzileiro Naval?
Eu tinha em mente que seria muita dificuldade, que não estaria acostumado com o que eu iria encontrar aqui, mas que com esforço, vontade e acreditando sempre, iria conseguir vencer as dificuldades e me adaptar ao máximo para estar sempre bem na Marinha, e estar próximo de conquistar condições melhores.

ALIDE - Quando você chegou aqui, como foi esse choque, esse primeiro contato com a vida militar? Foi diferente do que você imaginava?
Foi muito diferente. Já tínhamos uma noção mas... Foi muito duro no início. Não tinha costume com as atividades. Para encarar o começo foi uma dificuldade, tanto psicológica quanto física, mas a adaptação foi rápida porque realmente era a vontade de estar na Marinha.

ALIDE - Você chegou a pensar em desistir?
Tive momentos de dificuldade no começo, na adaptação. Mas sempre que batia os momentos de dificuldade eu rebatia dizendo “Não eu não posso! Está difícil, mas desistir eu não posso! É o que eu quero!” Os companheiros, sempre muito fortes, ajudaram a vencer as dificuldades. Mas tudo depois acaba virando normalidade para nós.

ALIDE - E agora que você está se formando, como você se sente como um Soldado Fuzileiro Naval?
Eu me sinto muito feliz, glorificado por ter vencido as dificuldades do início e, apesar delas, ter me desempenhado muito bem no curso. Agora é a vontade de continuar na Marinha que é meu maior objetivo.

ALIDE - E pra onde você pretende ir agora?
Eu pretendo ir para o Grupamento Operativo de Salvador, na Bahia, e dar continuidade ao meu trabalho por lá.

  Responsabilidade social

  As Forças Armadas brasileiras, além de se prepararem para a defesa nacional, têm uma preocupação muito forte em contribuir naquilo que podem para ajudar a amenizar os problemas sociais no país. No CIAMPA não é diferente. O Centro mantém dois projetos sociais que atendem a 100 crianças das comunidades do entorno do Complexo.

  O primeiro, que já existe há 10 anos, é o projeto Pleitear, em parceria com a Pastoral da Criança, que atende a 25 crianças com aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes nas áreas de mecânica, carpintaria, vídeo e imagem e comunicações, estando ainda nos planos a implementação de um curso na área de construção civil. As crianças depois de formadas são encaminhadas para empregos em 5 empresas da Prefeitura do Rio, com salários de até R$ 400 durante 2 anos. “Uma das melhores coisas que nós temos é essa parceria com o CIAMPA.”, afirma João Carlos, representante da Pastoral da Criança no projeto.

  O segundo, em parceria com o Ministério dos Esportes, é o projeto do Governo Federal Segundo Tempo – Forças no Esporte. No CIAMPA, o projeto atende a 75 crianças. Um dos grandes trunfos desses projetos é tirar essas crianças do ócio, evitando que elas acabem se tornando mão-de-obra da criminalidade, além de criar perspectivas de uma vida mais digna para elas e suas famílias.

  Com os projetos, as crianças entram em contato com o ambiente militar e muitas delas acabam se interessando pela carreira, prestando concursos para os Fuzileiros Navais e outras Forças.

  Depois que se conhece de perto uma pequena parte do que são os Fuzileiros Navais, faz muito mais sentido e fica muito mais fácil de entender o que a grande escritora Raquel de Queiroz já tinha ciência há anos:

“Quando se houverem acabado os soldados do mundo – quando reinar a paz absoluta – que fiquem pelo menos os Fuzileiros, como exemplo de tudo de belo e fascinante que eles foram.” Raquel de Queiroz

  Fuzileiros Navais! Marinha do Brasil! AD SUMUS!

Clique aqui e assista ao vídeo CIAMPA, O Berço do Soldado Fuzileiro

 

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