Fragata Rademaker F-49

Na nossa última matéria estivemos a bordo do NDD G-30 Ceará. Era nele que havia embarcado o Contra-Almirante Sergio Freitas, o comandante da 1a Divisão da Esquadra e seu Estado Maior. Naquela oportunidade, embora estivéssemos na maioria das vezes “longe da ação”, isso era compensado pela oportunidade de vermos o desenrolar de toda movimentação dos navios do Grupo Tarefa a partir de um ponto central de coordenação e controle. Na UNITAS isso mudou, fomos embarcados na Fragata F-49 Rademaker, uma das quatro unidades da Classe Broadsword( Type 22 Batch I ) compradas da Royal Navy e recebidas entre 1995 e 1997.

A belonave foi incorporada a Royal Navy em 1980 como HMS Battleaxe e com apenas dois anos na ativa a Fragata partiu rumo ao Atlântico Sul, em uma Força Tarefa composta para suprir os navios britânicos perdidos durante a Guerra das Malvinas. Sua história em combate não havia terminado e em 1990 foi a vez da embarcação ser enviada para a Guerra do Golfo. Sete anos mais tarde recebeu baixa e foi repassada para a Marinha do Brasil.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
1º dia de Unitas A Fragata rademaker aguarda a chegada do Super Lynx do HA-1 Vista aérea da Fragata Rademaker Vista aérea da Fragata Rademaker
Visão da prôa Visão de lançador de Seawolf e os 2 misseis anti-navio Exocet MM38 Vista do imponente e eficiente  radar  968 Tudo pela pátria

Em termos de propulsão, as grandes caldeiras queimando óleo eram o mais moderno na época de lançamento do NDD Ceará não podendo ser comparadas ao sistema de propulsão COGOG (Combined Gas or Gas) com duas turbinas a gás Rolls-Royce Tyne RM1A de 4.100shp e duas turbinas a gás Rolls-Royce Olympus TM3B de 27.300shp.

Aonde quer que estejamos no navio o silvo das turbinas é uma característica marcante, especialmente quando as duas poderosas Olympus entram em ação. Estas turbinas foram desenvolvidas originalmente para aeronaves de alta performance e encontraram seu mais famoso usuário no SST Concorde, projetado em conjunto pelos franceses e ingleses na década de 60. A única diferença está no fato que em sua aplicação naval a Olympus não conta com os pós-combustores que impulsionam o Concorde para as altas velocidades. Para a troca das turbinas, todo o módulo pode ser solto e içado pela tubulação de entrada de ar, sem que seja necessário fazer qualquer corte no casco ou na superestrutura do navio. O navio pode usar uma ou duas Tyne se não for preciso andar a mais do que 18 nós ou pode usar as duas Olympus simultaneamente para chegar rapidamente aos 29 nós. Obviamente tal performance cobra um alto preço em termos de consumo de combustível e só é usada em situações muito específicas. Muitas vezes o navio estará transitando com um tipo de turbina movendo a hélice de bombordo e o outro tipo movendo a de boreste, qualquer combinação é válida uma vez que isso permite que se faça manutenção em qualquer das quatro turbinas sem ter de parar o navio.

Lançador do missel Seawolf Exocet MM38 Postos de combate Esquema do COC da Fragata Rademaker

Nosso primeiro contato com o navio na Base Naval em Mocanguê, foi subindo pelo portaló e entrando pelo convôo. O hangar é amplo e comporta dois Westland Super Lynx simultaneamente no seu interior. No teto existe um trilho em forma de “U” invertido por onde caminha o guindaste para a retirada dos motores do helicóptero. Nas laterais existe um mezanino onde ficam armazenadas todos as peças de reposição embarcadas junto com o grupo aéreo do HA-1. Quanto mais longa e/ou distante a missão, mais componentes são carregados. Para ir ao Haiti, em 2004, um motor RR Gem adicional foi incluído neste conjunto. Apesar disso, um outro motor teve de ser transportado por avião ao Caribe porque dois dos três motores sofreram panes sob efeito do emprego acelerado durante aquela missão. Normalmente um caminhão parte de São Pedro d’Aldeia com estas peças pelo menos um dia antes da data de partida do navio. Ele é acompanhado por um ônibus ou van que leva os técnicos que estarão respondendo pela manutenção abordo. Quando os helicópteros pousam, neles vêm tão somente os pilotos e os fieis. Na Fragata Rademaker, o grupo aéreo embarcado incluía quatro pilotos e cerca de seis praças.

Fragata Rademaker num fim de tarde Super Lynx 4001 Girando Capitão-Tenente Antonio Augusto
No visual para o pouso à bordo No visual para o pouso à bordo No visual para o pouso à bordo OLP sinalizando para o piloto do Super Lynx

 

As lâminas do Machado de Batalha

 

Segundos antes do pouso Pousado Pousado Decolando

A F-49 Rademaker é uma Fragata multifunção capaz de enfrentar ameaças localizadas no ar e tanto na superfície como nas profundezas do mar. No ambiente antiaéreo ela conta com dois lançadores sêxtuplos de míssil GWS 25 mod 0 SeaWolf para defesa de ponto, um a vante e outro a ré, cada um cobrindo um hemisfério. Cada lateral possui um reparo de canhão Bofors de 40mm que foram retirados da Classe Niterói durante sua modernização, e uma metralhadora BMARC-Oerlikon GAM BO1 de 20mm. Mais a ré também existem duas metralhadoras de 0.50 polegadas apoiadas em pedestais. Canhões e metralhadoras podem ser usadas contra aeronaves e embarcações inimigas.

Veja o vídeo do lançamento do míssil Sea Wolf durante a UNITAS

Super lynx 4001 se aproxima para o pouso no fim do dia OLP sinalizando para o piloto Visão do convôo com a equipe do HA-1 fazendo manutenção na aeronave Super Lynx 4001 Visão do convôo com a equipe do HA-1 fazendo manutenção na aeronave Super Lynx 4001

Contra outros navios a principal arma é o míssil MM-38 Exocet, existem quatro lançadores na proa, porém estes mísseis estão sendo gradativamente substituídos pelos modernos MM-40. Completando, na altura do Convés Principal existe um lançador triplo de torpedos em cada costado. No entanto a arma mais letal contra os submarinos inimigos é o helicóptero AH-11A Super Lynx, que mesmo não tendo sonar, pode ser vetorado e lançar seus torpedos a grandes distâncias do navio. Adicionalmente o Super Lynx é uma poderosa plataforma de guerra eletrônica capaz de identificar alvos apenas pelas características de suas emissões eletromagnéticas (SigInt) sem que tenha de ligar seus sensores ativos e se expor ao ataque dos oponentes.

Equipe de operações aéreas da Fragata rademaker procurando FOD antes de iniciar as operações aéreas do dia Aeronave Super Lynx do HA-1 hangarada à bordo da Fragata Rademaker Oficias da Fragata Rademaker na Praça D'Armas Reunião de De-briefing das operações do dia conduzida pelo comandante da Fragata Rademaker, Capitão-de-Fragata Newton de Almeida Costa Neto
Cozinheiro da Fragata Rademaker preparando o Rancho Cozinheiros preparando o rancho Uma bela visão do efeito de 2 turbinas Olympus em linha levando a Fragata a 29 nós Uma bela visão do efeito de 2 turbinas Olympus em linha levando a Fragata a 29 nós

 

O CAVEX

Não são mísseis ou torpedos que afundam os navios na guerra, é sempre o incêndio descontrolado causado por estas armas que é o verdadeiro vilão. Num navio quase tudo é combustível, até mesmo as paredes metálicas. No dia XX assistimos bem de perto um exercício de CAV (Controle de Avarias) coordenado pelo CT Brandão, o CheMaq do navio. Para este exercício foi determinado que o “incêndio” aconteceria no rancho dos praças, localizado no convés 01, um abaixo do convés principal. Uma granada de fumaça dentro de uma lixeira foi usada para tornar o evento mais realista. A reação ao incêndio começa com um marinheiro que, entrando no ambiente, percebe o incêndio começando e, imediatamente, sai e começa a tocar o alarme. O primeiro grupo de bombeiros é o de “ataque”, o segundo, o de “proteção”. As mangueiras têm conectores traspassando as paredes, isso permite que se feche as portas para evitar que a fumaça se espalhe pelo sistema de ventilação do navio.

Capitão-Tenete Talita , meteorologista  à bordo da Fragata Rademaker, experimenta a máscara de evacuação rápida Granada de fumaça utilizada no exercício de incêndio à bordo Enfermaria da Fragata Rademaker Refeitório dos sub-oficiais no ínicio do exercício com a fumaça se alastrando
Tripulante já com a máscara  corre para dar o alarme de incêndio Equipe de CAV da Fragata Rademaker combatendo o incêndio Durante todo o exercício um homem da equipe de CAV checa o corredor para ver se não há outros focos de incêndio Praça simulando um ferido durante o combate ao incêndio
Equipe de CAV socorrendo o ferido Equipe de CAV descendo o ferido pela escada Equipe de CAV socorrendo o ferido Equipe médica prestando atendimento ao ferido

Após o fogo debelado, uma equipe de rescaldo é enviada ao local e ali permanece até que não haja mais nenhum perigo de reincidência de fogo.Para tornar o exercício ainda mais real, o CT Brandão, escolhe um praça para simular um tripulante ferido. A maca imediatamente é trazida pela equipe de CAV e o mesmo é levado através de outro piso para enfermaria, onde o Médico de bordo e sua equipe de enfermeiros já aguardava o ferido.
Uma experiência gratificante para nós, poder ver bem de perto um exercício vital para o navio, sendo conduzido e executado de forma profissional. Parabéns à Equipe de CAV!

Tripulação se preparando para faina de Light Line com o USS Ross Tripulação se preparando para faina de Light Line com o USS Ross USS Ross durante a faina de Light Line noturna Equipe do EGA Capitão-de-Corveta Josean preparando o missel Seawolf para lançamento do casulo nº 2 o mesmo que foi atingido pela ARA Sarandi no passado
Tripulação em postos de combate Lançador conteirando Lançador conteirando em busca do alvo Vista aérea da Fragata Rademaker pela popa
Vista da asa do Passadiço Imagem de outros navios Fragata Rademaker vista aérea Desenho fantástico feito por um tripulante da Fragata Rademaker alusivo a destruição do Drone na operação DRONEX

 

 

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