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A Estréia do Sexto General - A bordo do Gen Artigas
(ROU 04) |
Devido ao lançamento dos SeaWolf na véspera,
tivemos de acomodar num só dia a visita ao ROU Artigas
e ao ARA Almirante Brown. Para isso, novamente fizemos os dois
vôos bem cedo desde a Rademaker e chegamos em tempo para
tomar café da manhã na Praça d’Armas
com os oficiais do navio. Fomos recebidos pelo Oficial de Logística
CC Álvaro Rey e pelo imediato CF Otto Gossweiler.
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A Marinha do Uruguai participou de todas as
UNITAS até hoje e como é uma força enxuta,
é fácil encontrar oficiais e praças com quatro
ou mais passagens por este exercício. A despeito do seu
pequeno território, o Uruguai é um dos mais destacados
contribuidores para as missões de paz da ONU. Apenas para
a atual missão no Congo, o Exército Uruguaio enviou
2500 homens. Para se ter uma medida para avaliação,
esse número é o dobro do comprometimento humano
dos brasileiros no Haiti. Uma missão inusitada no Congo
é a de patrulha fluvial, onde as lanchas que eles usam
tiveram de ser levadas para lá de avião. Segundo
os CC Rey do Artigas: “É justamente nossa complexa
e rica matriz étnica, que faz com que nós sul-americanos
sejamos muito eficazes como soldados de forças de paz.
Por aqui não temos graves problemas raciais, religiosos
ou econômicos que nos conflitem com os povos locais.”
Justamente para apoiar esta presença
de militares uruguaios no exterior é que foi adquirido
este novo navio logístico. O General Artigas é a
mais recente adição à frota da Marinha do
Uruguai tendo sido vendido por meros US$700.000, ou seja, praticamente
doado. Em sua vida anterior, ele foi o Freiburg (A1413), um dos
oito Supply Tenders da Classe Luneburg (Type 701), na Marinha
alemã. Os navios da classe incluíam o Luneburg,
o Glucksburg, o Meersburg e o Nienburg . O Freiburg foi fabricado
no Estaleiro Blohm+Voss, em Hamburgo e entregue à Marinha
Alemã em 27 de maio de 1968. Todos estes navios foram comissionados
no ano de 1968 sendo construídos para apoiar a frota de
oito fragatas da classe Bremen (F122). Estes navios transportavam
desde víveres secos e congelados até 224 torpedos
e mísseis Exocet. O navio conta com um avançado
conjunto de guinchos, gruas, elevadores e transportadores de pallets
que permitem a transferência destas cargas de qualquer um
dos seus compartimentos de carga para os demais navios sem que
seja necessário estar no porto. Um destes elevadores pesados
sobe até o ponto mais alto exterior do convés para
ser finalmente transportado pelo guincho principal para outros
navios. Durante um overhaul profundo em 1982 o Freiburg foi alongado
em mais 14 metros, sendo o único navio desta classe que
sofreu essa modificação. Um de seus gêmeos
com o casco mais curto foi vendido ao Egito, dois foram para a
Colômbia e dois para a Grécia. O General Artigas
é capaz de transportar nos seus tanques, ao mesmo tempo,
700.000 litros de óleo diesel e 205.000 litros de Jet-A1
para os helicópteros. De carga, sua capacidade alcança
as 300 toneladas, mas parte do espaço de porões
será sacrificada em breve pela conversão de um dos
compartimentos de carga em camarotes para acomodar mais de 230
fuzileiros navais de cada vez.
A velocidade máxima do Artigas está
determinada em 17 nós, mas em serviço uruguaio o
máximo experimentado até hoje foi 15 nós.
Os sistemas de ar-condicionado foram modernizados e melhorados
pela marinha alemã para a execução de uma
missão na costa do Marrocos, sendo esta a primeira vez
que este navio operava em uma região mais quente do que
os mares do norte europeu. Este é o sexto navio uruguaio
a ostentar o nome de General Artigas, e esperam que ele ainda
deva ter entre 11 e 15 anos de operação econômica
pela frente. O imediato comentou que “Este navio é
bastante econômico, seus dois motores gastam apenas entre
10 e 12000 litros de diesel por dia navegado”. O complemento
normal do Artigas é de 15 oficiais e 92 praças.
Durante a UNITAS estavam com 10 oficiais adicionais de Estado
Maior e apenas 77 praças.
Embora os uruguaios tenham sua força
aeronaval há 80 anos, e que ao fim da II Grande Guerra
era provavelmente a mais avançada do continente, este é
apenas o primeiro navio da frota capaz de operar helicópteros
para pouso e decolagem. Ao chegar da Europa o navio foi direto
para a Região dos Lagos na costa do Rio de Janeiro para
começar o processo de qualificação do seu
convôo para uso dos helicópteros uruguaios. Para
isso, um número de elementos mais altos do que uns poucos
centímetros foram cortados e uma nova marcação
de pouso foi pintada conforme os padrões adotados pela
MB. Coube à Marinha do Brasil auxiliar a do Uruguai neste
esforço, inclusive, a MB doou um Helibras HB-355 Esquilo
bi-turbina para operação embarcado no Artigas. Aguarda-se
apenas os trâmites burocráticos para a entrega da
aeronave. A relação entre as duas marinhas é
forte e antiga. Os pilotos de asa fixa da Armada Uruguaia fazem
sua conversão para helicópteros na Base Aero-Naval
de São Pedro d’Aldeia, enquanto vários pilotos
da MB se formaram como pilotos de asa fixa no Uruguai. “Para
as nossas marinhas, o Mercosul existe muitos anos antes do início
do acordo comercial!” disse satisfeito o Capitão
de Corveta Álvaro Rey.
A maioria dos compartimentos ainda está
identificada por placas em alemão, isso só virará
espanhol com o passar do tempo. O navio conta com dois reparos
duplo de canhões de 40mm, um na popa e outro na proa, o
que não é pouco uma vez que não se espera
que um navio deste tipo navegue sem estar devidamente escoltado.
A ligação da Marinha Uruguaia com a Deutsche Marine
alemã já vem de alguns anos. Recentemente eles receberam
uma série de navios caça-minas que anteriormente
pertenceram à Marinha da Alemanha Oriental, antes da fusão.
Logo após o almoço chegou o Esquilo para
nos levar para o destructor argentino ARA Almirante Brown.
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