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Descobrindo as Américas, a bordo da Fragata Santa
Maria |
Para
conhecer a Armada Espanhola, seu navio e sua forma de encarar
as novas oportunidades e desafios do novo século visitamos
a F-81 por todo um dia. Foi nossa primeira visita durante o exercício
a um outro navio. Pela manhã, bem cedo o Esquilo do HU-1
que estava na corveta Jaceguai veio nos buscar para irmos à
Santa Maria. Nós éramos três jornalistas e
carregávamos câmeras e equipamentos relativamente
pesados conosco. Por questões de segurança foi decidido
que faríamos a transferência entre navios com dois
vôos, pois sem duvida o Esquilo operaria limitado três
passageiros a bordo além dos dois pilotos e do fiel. A
Marinha Espanhola participou desta UNITAS XLVII com dois navios,
a fragata OHP modificada (FFG) Santa Maria (F-81) e o navio tanque
Marques de la Enseñada (A-11). Os dois navios partiram
da Base Naval de Rota, perto da cidade de Cádiz na costa
atlântica meridional da Espanha, a oeste do estreito de
Gibraltar. Os navios vieram para o Rio com apenas uma breve parada
em LasPalmas, na ilha de Gran Canária.
| Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas. |
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A Santa Maria foi a primeira de seis unidades de fragatas
OHP fabricadas sob licença na Espanha pelo Estaleiro E.
N. Bazan (posteriormente renomeado para IZAR, e depois para Navantia).
O projeto original das fragatas Oliver Hazard Perry, das que a
US Navy chegou a ter 50 unidades, é de 1973, mas foram
suas variantes mais recentes que serviram de base para esse programa
industrial espanhol. A Santa Maria foi entregue à Armada
no dia 12 de outubro de 1986 seguida, uma por ano, pela Victória
(F-82) e pela Numancia (F-83). Num contrato adicional foram encomendas
mais uma unidade e depois mais duas: a Reina Sofia, (F-84, 1990)
a Navarra (F-85, 1994) e a Canárias (F-86, 1994). Normalmente
o ambiente de operação destas fragatas é
o Mediterrâneo , sendo uma viagem como esta uma ótima
oportunidade para conhecer novos mares. A Armada Espanhola no
entanto tem habito de cruzar os oceanos tendo por algumas vezes
participado de exercícios com a US Navy no Pacífico
ao largo da costa oeste americana, uma viagem nada desprezível.
Eu fui no primeiro vôo em direção
à Santa Maria e fiquei cerca de meia hora dentro do hangar
esquerdo aguardando o retorno do Esquilo. As OHP têm dois
hangares separados, cada um capaz de acomodar um SH-60 no seu
interior. Entre os dois, existe um longo corredor com paredes
blindadas que dá acesso ao convôo na popa. Neste
exercício o helicóptero espanhol viajou no Marques
de la Enseñada por isso, o hangar de boreste pode ser temporariamente
convertido em academia de ginástica para a tripulação.
Com a chegada dos demais jornalistas deixamos nossos coletes,
óculos e protetores auriculares num canto e fomos nos dirigindo
para o interior do navio. Em contraste com a Rademaker duas coisas
saltam aos olhos: os corredores são externos, sendo bem
perceptível a inclinação da parede externa
do casco e as suas inúmeras tubulações são
completamente pintadas num branco radiante e não no suave
cinza claro da Type 22. A principal área de circulação
interna é o “DC Deck”, o convés de Controle
de Avarias, o único convés que cruza o navio internamente
da proa até a popa. Todos os demais são interrompidos
em algum ponto ou então só permite circulação
plena pelo seu exterior.
Uma diferença entre as OHP americanas e as espanholas
está na distribuição dos camarotes uma vez
que enquanto na US Navy estes navio apresentam doze suboficiais,
na Armada Espanhola esse número alcança 26. Na Santa
Maria são no total 153 tripulantes dos quais 15 são
oficiais. Comparada com a F-49, a grande presença de mulheres
abordo também chama atenção, nesta missão
elas são 15 suboficiais e praças. Segundo o suboficial
Francisco “Paco” Galán, nosso anfitrião
a bordo, a entrada de mulheres a bordo não afetou negativamente
em nada o dia a dia do navio, sendo apenas necessária a
dedicação de um bloco de camarotes para uso exclusivo
das mulheres. O tamanho deste bloco praticamente define o tamanho
do complemento feminino. Na Armada as mulheres começaram
a ser aceitas há apenas 12 anos e já respondem por
cerca de 11% do pessoal e este numero só tende a crescer.
Numa data que ficará marcada na historia neste último
30 de setembro a primeira mulher foi designada capitão
de uma navio da Armada, o navio patrulha Laya (P-12).
A participação das mulheres nas Forças
Armadas é um tema interessante e que desperta visões
conflitantes por toda parte. Mas para “Paco” controverso
mesmo será a proibição a partir de 1°
de janeiro de 2006 do fumo no interior dos navios da Armada.
A Armada participou com suas OHP devarias crises importantes
incluindo Tempestade do Deserto, contra o Iraque em 1991, nos
Bálcãs e na Operação Liberdade Duradoura
(Enduring Freedom), a campanha aliada contra o regime Taliban
no Afeganistão, iniciada meses após o ataque ao
World Trade Center em Nova Iorque. No Golfo Pérsico os
deslocamentos oscilavam entre quatro e cinco meses. No caso mais
longo eram 15 dias de ida , quatro meses de patrulha buscando
remessas de armas e de produtos proibidos e quinze dias voltando
para a Espanha. Uma experiência real em ambiente de conflito
nada desprezível.
Vistas de fora as duas OHP presentes na UNITAS só
eram diferenciáveis pela existência do Mk 13 Standard
Missile Launcher (lançador de mísseis) na proa na
fragata espanhola. Este lançador inclui um braço
que ergue o míssil do paiol e o posiciona externamente
na direção ideal para o disparo. Os mísseis,
Standard (anti-aéreo) e Harpoon (anti-navio) ficam armazenados
verticalmente em dois círculos concêntricos num grande
cilindro rotativo sob o braço do lançador. Este
sistema em sua versão mais recente é capaz de carregar
e lançar um míssil a cada 7,47/7,82 segundos. A
US Navy está padronizando o uso dos lançadores verticais,
VLS, mais simples e confiáveis. Ao mesmo tempo a função
anti-aérea deixa de ser um foco das suas OHP devido à
ampla disponibilidade dos cruzadores e contratorpedeiros equipados
com o sistema AEGIS, exponencialmente mais capazes nesta função.
Contra submarinos, a Santa Maria dispõe de dois
reparos triplos lançadores de torpedos Mk 46 mod 2/5. A
defesa de curto alcance (CIWS) contra mísseis anti-navios
de baixa altitude é o sistema Maroka onde um agrupamento
de 12 canhões de 20mm dispara simultaneamente os projéteis
criando uma parede de fragmentos metálicos capazes de destruir
o míssil antes dele alcançar o navio. Complementando
o sistema de defesa a F-81 tem dois lançadores múltiplos
de “chaff”, um em cada lateral. Próximo à
montagem do Maroka, no topo da superestrutura se encontra o canhão
OTO Melara 76/62mm. Os radares embarcados são: o AN/SPS-49(V)4
para alvos aéreos e o AN/SPS-55 para acompanhar alvos de
superfície. O radar diretor de tiro é o Mk 92 mod
2. O sonar ativo do casco é um AN/SQS-56 e o rebocado (towed
array) é um AN/SQR-19 este sistema é otimizado para
operar em conjunto com os helicópteros SH-60B LAMPS III
carregados pela fragata.
Ao cruzarem a linha do Equador uma serie de eventos foram
realizados a bordo incluindo a troca do comando de cada unidade
dentro do navio para seu tripulante mais Junior por 24 horas.Oura
lembrança deste evento é a pintura do escovem na
proa de vermelho, detalhe que chamou a atenção e
atiçou a curiosidade dos tripulantes dos navios das demais
marinhas. Na Armada existe ainda outra tradição
“colorida”, pinta-se o escovem de azul sempre que
o navio cruza o circulo polar ártico.
Pelo fato do governo espanhol ser acionista na empresa
de comunicações satelitais Hispasat todos os navios
da Armada tem acesso à internet e telefonia ilimitada desde
qualquer parte do globo para suas casas. “Esse é
um conforto que sem dúvida é muito apreciado pelos
tripulantes, eu pessoalmente falo para casa todos os dias, eu
e minha família ficamos muito mais tranqüilos assim.”
, comentou Paco.
No final de 2006 a Santa Maria entrará em um processo
de manutenção prolongada de meia-vida até
lá eles querem visitar muitos outros lugares.
Na volta eles fariam uma para ainda no Brasil antes de cruzar
o Atlântico em direção a Rota, parariam em
Fortaleza, sem saber o que esperar realmente foram muito satisfeitos
ao descrevermos o tão especial que era o seu próximos
porto, eles estavam com sorte e nem sabiam. Buen viaje Santa Maria!