Fridtjof Nansen: O escudo de Odin PDF Print E-mail
Written by Felipe Medeiros   
Monday, 25 June 2012 00:00

 

 

Fridtjof Nansen: O escudo de Odin

Com a iminente data da publicação do Livro Branco de Defesa e a expectativa do anúncio dos vencedores das principais licitações de cada Força (SIAAEB, FX-2 e PROSUPER) cresce a demanda por informações sobre os produtos de cada um dos contendores. ALIDE já trouxe aos nossos leitores informações exclusivas e matérias completas sobre vários dos candidatos a futuro navio de escolta do Brasil (confira nos links as nossas matérias sobre a Sachsen, Type 26 e F-100).

Desta vez, fomos à Noruega buscar informações sobre as particularidades das operações em ambiente Ártico e aproveitamos a oportunidade para conhecer a classe de fragatas Fridtjof Nansen, uma versão modificada da classe Álvaro de Bazán. Segundo algumas fontes, o projeto que os espanhóis da Navantia estão oferecendo à MB seria uma versão com características de ambos os modelos. ALIDE foi conferir de perto as particularidades desse projeto.

 

Fragata Fridtjof Nansen - Primeira de sua classe
Fragata Fridtjof Nansen - Primeira de sua classeFragata Fridtjof Nansen - Primeira de sua classe
Fridtjof Nansen (durante o Cold Response)
Fridtjof Nansen (durante o Cold Response)Fridtjof Nansen (durante o Cold Response)
Fragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof NansenFragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof NansenFragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof NansenFragata Fridtjof Nansen

Fragata Fridtjof Nansen - Vista lateral
Fragata Fridtjof Nansen - Vista lateralFragata Fridtjof Nansen - Vista lateral
Fragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof NansenFragata Fridtjof Nansen
Fragata Fridtjof Nansen - A partir da Popa
Fragata Fridtjof Nansen - A partir da PopaFragata Fridtjof Nansen - A partir da Popa
Fragata Fridtjof Nansen - A partir da Popa
Fragata Fridtjof Nansen - A partir da PopaFragata Fridtjof Nansen - A partir da Popa
Fragata Fridtjof Nansen - A partir da Popa
Fragata Fridtjof Nansen - A partir da PopaFragata Fridtjof Nansen - A partir da Popa

 

A classe Fridtjof Nansen

A FN desloca aproximadamente 5.200 toneladas, contra 6.300 da Álvaro de Bazán. O navio norueguês possui 134 metros de comprimento, 16,8 metros de boca e 7,6 de calado. Sua propulsão é do tipo CODAG (Combined Diesel and Gas); ela possui dois motores Bazán Bravo (de fabricação espanhola) e uma turbina LM2500, da General Eletric. Sua velocidade máxima é de aproximadamente 27 nós. Em cruzeiro, ela faz 16 nós. Nessa velocidade sua autonomia é de 4.500 milhas náuticas.

Sua suíte de radares inclui o AN/SPY 1-F, da Lockheed Martin; o Reutech RSR 210N, um radar de vigilância aérea utilizado principalmente para operações com helicópteros (tanto guiagem/controle de voo, quanto detecção) e o sensor eletro-óptico Sagem Vigy 20. Por ser uma fragata pensada para a guerra antisubmarina, a Nansen traz dois sonares: um sonar ativo MRS 2000 montado na proa e um excelente radar ativo/passivo rebocado, o Capta MKII V1, cujo corpo utiliza transdutores com tecnologia FFR para captação e transmissão de sinais, mantendo, todavia, um hardware compacto. Para guerra eletrônica, as fragatas contam com o radar tático CS-3701. Seus sistemas de contramedidas são as iscas DL-12T, da Terma, e as contramedidas para torpedos Loki, fabricadas pela QinetiQ.

O armamento das Nansen compõe-se de um canhão Oto Melara de 76mm, dois lançadores duplos de torpedos Sting Ray, quatro metralhadoras Browning M2 (no calibre .50), dois lançadores quádruplos de mísseis NSM (Naval Strike Missile, fabricados pela KDA) e um VLS MK41 de 8 células equipados com o mísseis ESSM (Evolved Sea Sparrow Missile). A opção pelo Sea Sparrow, em lugar de qualquer um dos Standart, foi uma questão de quantidades. Cada SM ocupa uma célula inteira, ao passo que é possível colocar até 4 ESSM em cada uma das mesmas células, totalizando 32 mísseis à disposição do comandante do navio, em lugar e apenas oito.

Mais adiante discutiremos mais a fundo as diferenças entre as Álvaro de Bazán e as Fridtjof Nansen. Para fazê-lo, retomaremos vários aspectos do navio, da propulsão aos sensores, e explicaremos o porquê das diferentes opções feitas pelas marinhas da Espanha e Noruega.

O primeiro navio da classe foi lançado do estaleiro Navantia de Ferrol, em junho de 2004. As provas de mar da Nansen com o sistema Aegis e o novo radar SPY-1F começaram em outubro de 2005. A Nansen foi comissionada em Ferrol, em abril de 2006 e chegou a Oslo, Noruega, em junho de 2006. O lançamento do segundo navio, Roald Amundsen, foi em maio de 2005 e seu comissionamento ocorreu em maio de 2007. O Sverdrup Otto (F 312) foi lançado em maio de 2006 e comissionado em abril de 2008. Helge Ingstad (F 313) foi lançado em Novembro de 2007 e comissionado em setembro de 2009. O último navio, Thor Heyerdahl (F 314), foi lançado em fevereiro de 2009 e comissionado em janeiro de 2011. Todos os navios da classe foram batizados em homenagem a renomados exploradores noruegueses, todos eles bastante conhecidos do norueguês médio, até aonde ALIDE conseguiu averiguar.

 

Fridtjof Nansen - Guindaste recolhendo uma RHIB
Fridtjof Nansen - Guindaste recolhendo uma RHIBFridtjof Nansen - Guindaste recolhendo uma RHIB
Fridtjof Nansen - Guindaste recolhendo uma RHIB
Fridtjof Nansen - Guindaste recolhendo uma RHIBFridtjof Nansen - Guindaste recolhendo uma RHIB
Fragata Fridtjof Nansen - Detalhe da vela
Fragata Fridtjof Nansen - Detalhe da velaFragata Fridtjof Nansen - Detalhe da vela
Fragata Fridtjof Nansen (durante o Cold Response)
Fragata Fridtjof Nansen (durante o Cold Response)Fragata Fridtjof Nansen (durante o Cold Response)
Fridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen atracada em BergenFridtjof Nansen atracada em Bergen

Fridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen atracada em BergenFridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen atracada em BergenFridtjof Nansen atracada em Bergen
Portinhola para homogeneizar o casco
Portinhola para homogeneizar o cascoPortinhola para homogeneizar o casco
Fridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen atracada em BergenFridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen - Lateral da superestrtura
Fridtjof Nansen - Lateral da superestrturaFridtjof Nansen - Lateral da superestrtura

 

A antecessora: A classe Oslo

A classe que antecedeu as Nansen na Real Marinha Norueguesa foi a classe Oslo, em serviço desde os anos 60.  As Oslo eram uma versão modificada dos contratorpedeiros americanos classe Dealy. Tratava-se de uma classe de baixo deslocamento (2.100 toneladas), construída na Noruega com apoio técnico e financeiro dos Estados Unidos. Os EUA, por sinal, financiaram cinquenta por cento do custo de construção das Oslo, baseados no MDAC (Mutual Defense Assistance Act), assinado pelo então presidente Harry Truman como parte de Doutrina de Contenção ao Comunismo.

Os cinco navios da classe foram construídos entre 1964-65 e comissionados entre 1966-67. A partir de 1979, as Oslo passaram por um extenso processo de modernização para que se capacitassem a disparar mísseis Penguim e Sea Sparrow. Elas também receberam o lançador de torpedos Mark 32 (capaz de disparar torpedos Mark 44, 46, 50 e 54). Essas fragatas passariam por uma modernização nos anos 80, esta, todavia, foi mais direcionada para um upgrade em seus sistemas de comunicação.

Em 1994, a F300 (fragata Oslo, a primeira da classe) sofreu uma falha no motor que sobrecarregou as caldeiras e provocou um rompimento no casco. Naquele momento, o navio estava atravessava uma tempestade. O mar estava excepcionalmente agitado, de modo que a tripulação não conseguiu vedar a fissura no casco e conter a entrada de água, o que acabou fazendo o navio afundar. Para impedir que tal acidente se repetisse, ao longo de 1995 e 1996, as demais fragatas passaram por um novo processo de modernização. Elas receberam reforço na superestrutura e tiveram trocadas algumas partes das plantas de vapor.

Ficou claro, todavia, que as Oslo se aproximavam de seu ocaso e que a Real Marinha Norueguesa deveria começar a estudar um novo projeto para substituí-las. Em 1997 começaram os RFIs. O Congresso só viria a aprovar o contrato em 1999 e o pedido só seria feito oficial à Navantia em meados de 2000. As fragatas Oslo tiveram destinos variados. A Stavanger, segunda da classe, foi descomissionada em 1998 e usada como alvo para um torpedo disparado por um submarino classe Ula durante um SINKEX em 2001. Bergen, a terceira, foi tirada de serviço em 2005. Trondheim, quarta, foi descomissionada alguns meses à frente do cronograma devido a um incidente de pequeno porte que inundou alguns compartimentos inferiores, sem vítimas, todavia. A última Oslo, Narvik, passou, em 2007, a integrar o Museu da Real Marinha Norueguesa, na cidade de Horten, onde ela e suas congêneres haviam sido construídas.

 

Fridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen atracada em BergenFridtjof Nansen atracada em Bergen
Fridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1F
Fridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1FFridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1F
Fridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1F
Fridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1FFridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1F
Fridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1F
Fridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1FFridtjof Nansen - Detalhe do AN/SPY-1F
Fridtjof Nansen - Guindaste
Fridtjof Nansen - GuindasteFridtjof Nansen - Guindaste

Fridtjof Nansen - Guindaste
Fridtjof Nansen - GuindasteFridtjof Nansen - Guindaste
Fridtjof Nansen - Guindaste
Fridtjof Nansen - GuindasteFridtjof Nansen - Guindaste
Lançador do NSM (Instalação incompleta)
Lançador do NSM (Instalação incompleta)Lançador do NSM (Instalação incompleta)
Lançador do NSM
Lançador do NSMLançador do NSM
Lançador do NSM
Lançador do NSMLançador do NSM

 

Um complexo processo decisório

Cinco empresas atenderam aos Request for Information da Marinha Norueguesa: a alemã Blohm&Voss, oferecendo a Sachsen; a inglesa BAE Systems, com uma desenho misto da terceira geração da Type 22 com alguns elementos da Type 23; a holandesa Damen, com a Karel Doorman (que ALIDE já apresentou aqui); a Navantia, com a Álvaro de Bazán; e um consórcio de empresas norueguesas com um projeto batizado de Norescort.

Duas ofertas foram eliminadas após alguns meses de negociação, reduzindo a três o número final de contendores (é curioso, aliás, que o mesmo não tenha acontecido no Brasil com o PROSUPER). As fragatas Karel Doorman e Type 22 foram as primeiras eliminadas por uma série de motivos. O principal era o fato de que eram projetos já com alguns anos (as Doorman datam do início dos anos 90). Os militares noruegueses não consideraram essas plataformas modernas o bastante para fazer da RMN “a melhor marinha europeia”.

Ficaram a Sachsen, a F-100 e o Norescort. Pesou contra o projeto norueguês o fato de nenhuma das empresas envolvidas já ter estado envolvida com construção naval militar. Os militares noruegueses - justamente por serem numericamente muito pequenos - têm uma verdadeira obsessão por estarem sempre com “o melhor equipamento possível”. O risco do projeto do Norescort foi suficiente para que ele não fosse selecionado, a despeito de ter permanecido até o último momento na disputa. Partidários da Blohm&Voss argumentaram a empresa  tinha grande expertise em todas as áreas da construção naval militar e seria tecnicamente mais apta. Eles apontaram ainda que os alemães já possuíam tradição em projetar navios próprios, ao passo que os espanhóis, até então, haviam se restringido a construir fragatas baseadas em projetos estrangeiros. Navantia, por outro lado, trouxe para as negociações um argumento poderoso: era a única empresa capaz de entregar as cinco fragatas a serem pedidas dentro do prazo e do orçamento disponíveis.

Aqui é necessário entender algumas particularidades do funcionamento do Congresso norueguês no que tange a assuntos de defesa. Quando os parlamentares aprovaram o orçamento para a compra dos navios, também foram aprovados “pré-orçamentos” para as modernizações pelas quais as fragatas passariam. Basta olhar o caso das Oslo, que sofreram uma reforma a cada década. Acontece, porém, que os políticos noruegueses, a despeito de uma elogiável visão de longo prazo, muito raramente aceitariam deslocar recursos, digamos, da primeira modernização para o orçamento da compra. Assim, vários equipamentos foram instalados nas Nansen já pensados para serem trocados no futuro próximo. É o caso do VLS de oito células, que será trocado por outro com maior capacidade. Fica claro que essa não é a maneira mais eficiente de se fazer o navio, dado que se paga “duas vezes” por um produto e se deixa a embarcação fora de operação enquanto durarem os trabalhos no estaleiro. ALIDE questionou oficiais da marinha sobre o assunto, sua resposta foi algo com que os militares brasileiros podem se identificar: “Nós sabemos que essa não é a melhor maneira - a mais eficiente e econômica - de se fazer as coisas, mas é assim que elas funcionam. Não podemos dizer aos políticos o que fazer”.

 

Lançador do NSM
Lançador do NSMLançador do NSM
Lançador do NSM
Lançador do NSMLançador do NSM
Lançador do NSM
Lançador do NSMLançador do NSM
Fridtjof Nansen - Detalhe de seu nome
Fridtjof Nansen - Detalhe de seu nomeFridtjof Nansen - Detalhe de seu nome
Fridtjof Nansen - Proa a partir do Passadiço
Fridtjof Nansen - Proa a partir do PassadiçoFridtjof Nansen - Proa a partir do Passadiço

Canhão Otobreda 76mm
Canhão Otobreda 76mmCanhão Otobreda 76mm
VLS de 8 células
VLS de 8 célulasVLS de 8 células
Fridtjof Nansen - Exercício de tiro
Fridtjof Nansen - Exercício de tiroFridtjof Nansen - Exercício de tiro
Fridtjof Nansen - Exercício de tiro
Fridtjof Nansen - Exercício de tiroFridtjof Nansen - Exercício de tiro
Cápsulas dos projéteis
Cápsulas dos projéteisCápsulas dos projéteis

 

As polêmicas de um grande projeto

Desde antes de o contrato ser dado à Navantia, todo o processo de escolha de um novo escolta já vinha enfrentando críticas entre a mídia e os meios especializados na Noruega. Elas viriam a aumentar em número e intensidade quando os espanhóis venceram a licitação. As críticas giravam em torno de quatro pontos: a empresa escolhida pela marinha; os requerimentos operacionais do projeto; as capacidades (e não capacidades) do Aegis; e a sustentabilidade dos navios dentro da RMN.

A primeira controvérsia diz respeito à escolha da Navantia. Empresários alemães e noruegueses acusaram os estaleiros da empresa de serem subsidiados pelo governo espanhol e de usarem mão de obra terceirizada barata para achatarem o preço de seus produtos. Essas acusações esmoreceram na medida em que as fragatas passaram a ser entregues, mas ganharam novo fôlego por um breve momento em meados de 2005, quando um acidente vitimou quatro operários subcontratados que trabalhavam na construção da Roald Amundsen. Esse ocorrido, entretanto, não teve maiores consequências para o cumprimento do contrato.

A segunda controvérsia girou em torno dos requerimentos operacionais delineados pela Real Marinha. Segundo os críticos, as fragatas foram construídas com o propósito errado, já que a ameaça dos submarinos soviéticos não mais existia. Para seus detratores, a opção por um navio antisubmarino servia apenas para alimentar uma doutrina e mentalidade da Guerra Fria, não condizente com o novo momento vivido pelo Estado norueguês. De acordo com muitos desses críticos, teria sido melhor para a marinha investir em novas embarcações para sua Guarda Costeira.

Houve também críticas com relação ao Sistema Aegis. Muitos indivíduos, especialmente da Esquerda Socialista (um dos maiores partidos políticos da Noruega), manifestaram-se contra o emprego do Aegis porque ele representaria uma adesão aos conceitos norte-americanos de defesa. Sempre houve muita reticência, entre civis e militares do país, quanto a aderir ou não ao sistema euro-americano de defesa contra mísseis balísticos. Embora as alegações mais comuns no âmbito da OTAN sejam de que o escudo defenderia os países membros contra mísseis vindos do Oriente Médio, Moscou sempre mostrou desconforto quanto à existência dele. A delicada posição geográfica da Noruega e a busca por uma política externa mais “neutra” sempre a impediram de aderir completamente e de rejeitar totalmente a participação na arquitetura desse escudo. Os defensores do Aegis sinalizaram que nem o SPY 1-F nem os ESSM eram capazes de proteção contra mísseis balísticos. Alguns deles criticaram a marinha justamente por ter optado pelo SPY 1-F em lugar do SPY 1-D.

 

Hangar da Fridtjof Nansen
Hangar da Fridtjof Nansen Hangar da Fridtjof Nansen
Detalhe do HRS
Detalhe do HRSDetalhe do HRS
Cabine de controle de voo
Cabine de controle de vooCabine de controle de voo
Hangar - Interior
Hangar - InteriorHangar - Interior
Hangar - Cabine de controle
Hangar - Cabine de controleHangar - Cabine de controle

Símbolo informal do DAS
Símbolo informal do DASSímbolo informal do DAS
Passadiço
PassadiçoPassadiço
Passadiço
PassadiçoPassadiço
Passadiço durante uma operação
Passadiço durante uma operaçãoPassadiço durante uma operação
Passadiço durante uma operação
Passadiço durante uma operaçãoPassadiço durante uma operação

 

O último ponto de controvérsia, e um dos mais debatidos dentro da própria marinha, era a capacidade da marinha de operar os navios. As dúvidas não estavam na qualificação do pessoal, mas sim na disponibilidade deles para operar as Nansen. A RMN dispõe de 4.000 pessoas, quinhentas das quais na Guarda Costeira. Restavam, então, 3.500 militares para operar todos os navios da esquadra, dar conta das funções subsidiárias da força, exercer os cargos de Estado-Maior tanto na marinha quanto no Ministério da Defesa e compor os quadros das novas fragatas. Ao todo, as cinco FN demandariam 600 militares, ou 17% de todo o pessoal disponível da força. Houve quem dissesse que a marinha havia dado um passo maior do que as pernas, que ela não teria como tripular todas as fragatas e que deveria ter encomendado apenas três delas.

A resposta da Marinha Norueguesa a essas críticas foi precisa. Segundo os oficias, a opção pelos espanhóis foi o somatório de uma série de fatores, e não uma opção aleatória ou politicamente orientada. Requerer robustos sistemas para a guerra antisubmarina (ASW) era uma forma de tornar as Nansen o mais flexíveis possível, dado que o Aegis intrinsecamente trazia grandes capacidades de AAW e ASuW. Além disso, a atual geração de navios de escolta europeus (a Type 45, as FREMM italiana e francesa, Sachsen, Zeven Province e Álvaro de Bazán) é eminentemente antiaérea, o que deixa um vácuo dentro dos GTs multinacionais a ser preenchido por um navio de escolta ASW. Àqueles que criticaram escolha pelo Aegis, a marinha argumenta que ele era não apenas a solução mais barata disponível, como, paradoxalmente, a mais capaz. Sem precisar comprometer-se com a estratégia americana para Europa. Por fim, a experiência mostra que a marinha vem sendo bem sucedida em operar as Nansen sem comprometer suas demais atribuições.

Há que se entender, ainda, um aspecto da estratégia norueguesa no âmbito tático-operacional. As Fridtjof Nansen não são um prodígio como uma plataforma de armas, mas tem um excepcional conjunto de sensores. As Nansen funcionam muito bem como autonomamente na defesa da Noruega. Contudo, elas também podem ser empregadas baseadas mais em sua capacidade de detecção do que em seu poder direto de causar dano. Elas estendem os “olhos” dos militares noruegueses até o limite da região marítima que a marinha deve defender, aumentando muito o grau de “situation awareness” das Forças. Nesse cenário, quem efetivamente realizaria ataques seria a Força Aérea (utilizando seus F-16 e P-3 e, futuramente, o F-35). As Nansen, além de seu poder de detecção, também atuam como estações de controle de voo. Os militares noruegueses atingiram um grau invejável de interoperabilidade. Esse emprego conjugado das duas forças, todavia, só é possível devido às características do território norueguês (razoávelmente comprido para os padrões europeus, porém, muito estreito e com uma costa bem recortada e escarpada).

Fidtjof Nansen e Álvaro de Bazán: Dois exploradores, muitas diferenças

Já começamos a discutir as diferenças entre as duas classes quando expusemos as características gerais da Nansen. Vamos agora discutir mais a fundo os pontos que separam uma classe da outra e entender quais dessas diferenças se devem a questões orçamentárias e quais decorrem de requerimentos operacionais singulares.

Comecemos pelo armamento. O canhão da Nansen é de 76mm, contra o de 127mm da Álvaro. Por questões de doutrina, a RMN prevê o uso do canhão para apoio de fogo em situações muito restritas. Como a costa do país é muito recortada pela erosão glacial (que forma os fjords), as distâncias são muito pequenas, de modo que não há necessidade de canhões de maior calibre. Há um planejamento para que se troque esse canhão por outro maior, mas isso, por enquanto, não é considerado prioritário.

O VLS das Nansen conta com 8 células, em lugar das 48 da F-100. Essa diferença se deve às particularidades do processo de elaboração de orçamento do Ministério da Defesa e do Congresso noruegueses, conforme já explicamos. À época da construção das Nansen, não havia dinheiro para um Mk 41 maior. Dentro de mais alguns anos, o Congresso liberará a verba para a ampliação do número de células. A informação sobre qual será o número final de células é ainda reservada, mesmo porque, até onde apuramos, não há consenso sobre quantas células adicionais o lançador receberá. As estimativas informais dos oficias ouvidos é de que totalizarão entre 16 e 24 células, contando as oito atuais.

As Nansen também contam com oito mísseis NSM, fabricadas pela Kongsberg, disposto em dois lançadores quádruplos posicionados atrás da suoperestrutura onde ficam montados os radares Lockheed SPY-1F. Nem todas as fragatas da classe já contam com o míssil anti-superfície. Quando elas foram construídas, o desenvolvimento dele ainda não estava concluído. As Nansen vão agora, rotativamente, ficar atracadas a fim de receberem os lançadores e um novo sistema de comunicação por satélite. É necessário ressaltar que já estava previsto que as FN seriam equipadas com os NSM tão logo se concluísse seu desenvolvimento, de modo que elas já saíram de Ferrol preparadas para recebê-los.

A última diferença, no âmbito do armamento, é a ausência de um CIWS. Foi uma determinação dos políticos noruegueses não aprovar a compra de Close-In Weapon System. “Nós vamos lhes dar o melhor sistema de defesa antiaérea do mundo, então não vamos lhes dar um CIWS”, teriam sido as palavras da classe política, segundo um oficial norueguês. No topo do hangar, há dois “canhões” onde normalmente ficam os CIWS. Eles são, na verdade, bombas de espuma utilizadas para erradicar um eventual incêndio no convoo.

 

Console de controle do Bow Thruster
Console de controle do Bow ThrusterConsole de controle do Bow Thruster
Praça d'Armas
Praça d'ArmasPraça d'Armas
Bar dos Oficias
Bar dos OficiasBar dos Oficias
Camarote de Sargentos
Camarote de SargentosCamarote de Sargentos
Camarote de Oficias
Camarote de OficiasCamarote de Oficias

Camarote de Oficias
Camarote de OficiasCamarote de Oficias
Banheiro (padrão em todos os camarotes)
Banheiro (padrão em todos os camarotes)Banheiro (padrão em todos os camarotes)
''Entertainment Room'' dos marinheiros
''Entertainment Room'' dos marinheiros ''Entertainment Room'' dos marinheiros
Consultório médico
Consultório médicoConsultório médico
Sala de cirurgia não preparada
Sala de cirurgia não preparadaSala de cirurgia não preparada

 

Do ponto de vista dos sensores há uma grande diferença. A Nansen utiliza, como centro de seu Aegis, o SPY-1F, em lugar do SPY-1D. A versão “F” é menor e mais leve do que a original. Isso era um requerimento da Marinha Norueguesa, que precisava de um navio de perfil mais baixo, pois seu litoral, em função de ser “recortado”, conta com várias pontes ligando as ilhotas entre si e à parte “continental” do país. É impossível deixar de se perguntar se o SPY-1F é menos capaz que o SPY-1D. Os oficiais noruegueses foram unanimemente enfáticos em dizer que não. Para eliminar quaisquer dúvidas, ALIDE questionou um funcionário da Lockheed Martin a respeito. Ele nos disse: “Em termos de capacidade de detecção e de engajamento simultâneo de alvos, as duas versões se equivalem. A diferença é que o SPY-1F tem um alcance menor do que a versão “D”. Essa diferença, porém, só torna o “F” inapto para defesa balística. O alcance dele continua equivalente à zona de efetividade dos melhores mísseis anti-superfície disponíveis hoje. O “F” daria o alerta de mísseis um pouco depois do que um “D” o faria, mas não é uma diferença que comprometa o tempo de reação do navio e nem sua capacidade de proteger uma força tarefa marítima”.

A outra diferença no âmbito dos sensores é a presença do sonar rebocado passivo/ativo Capta MKII V1, sobre o qual já falamos. A opção por dois sonares, em lugar de apenas um – ativo - como na F-100, foi um requerimento da RMN para incremento das capacidades ASW da Nansen.

Estruturalmente, há muitas diferenças entre as duas classes. Além da altura do mastro integrado, que já comentamos, as Nansen também são mais curtas: possuem 134 metros de comprimento (contra 146 das F-100); 16,8 de boca (contra 18) e, principalmente, um calado muito maior, 7,6 metros (contra 4,75). Essas diferenças são explicadas pelo ambiente Ártico. Um navio de gelo que opera no extremo norte precisa ser mais manobrável e ter um grau de robustez que lhe permita quebrar uma camada de gelo com espessuras medianas. Daí o calado maior. Para aumentar a manobrabilidade do navio em um ambiente repleto de gelo e numa costa pedregosa a acidentada, os noruegueses requereram, também, a instalação de um Bow Thruster (inexistente nas Bazán). ALIDE ouviu de um oficial que há outro motivo - mais anedótico – para o Thruster. Segundo esse oficial, que comanda uma Nansen, os comandantes noruegueses só são vistos como verdadeiros homens do mar por seus congêneres se conseguirem atracar um navio sem a ajuda de rebocadores. “É uma espécie de piada interna e um motivo de brincadeiras entre a gente”.

Outra diferença entre as duas classes é o hangar. O das FN é nitidamente menor. Era uma questão de tornar o navio mais compacto, para operações no Ártico. É evidente que isso gera um problema para o DAE, que dispõe de “literalmente, um palmo de cada lado para colocar o helicóptero para dentro”. Outra diferença que afeta as operações aeronavais, é o fato de as Fridtjof Nansen não disporem de um RAST com um sistema de tração como o das F-100. O piloto deve pousar a aeronave sem auxílio mecânico e só então prendê-la aos espigões que ficam no centro do convoo. As Nansen não receberam o RAST por dois motivos: o primeiro foi o preço, embora não fosse o mais caro dos equipamentos, não havia propriamente uma folga de orçamento e outros elementos eram prioritários; o segundo motivo era estrutural, acomodar o RAST e o sonar rebocado exigiria o alongamento da popa do navio, o que colidiria com as outras adaptações feitas em nome da robustez e manobrabilidade.

 

Sala de cirurgia preparada
Sala de cirurgia preparadaSala de cirurgia preparada
Equipamento médico
Equipamento médicoEquipamento médico
Leitos para internação
Leitos para internaçãoLeitos para internação
Leitos para internação
Leitos para internaçãoLeitos para internação
Painel de controle da plataforma
Painel de controle da plataformaPainel de controle da plataforma

Central elétrica
Central elétricaCentral elétrica
Estrutura de lançamento do radar passivo
Estrutura de lançamento do radar passivoEstrutura de lançamento do radar passivo
Estrutura de lançamento do radar passivo
Estrutura de lançamento do radar passivoEstrutura de lançamento do radar passivo
Estrutura de lançamento do radar passivo
Estrutura de lançamento do radar passivoEstrutura de lançamento do radar passivo
Praça de Máquinas - Motores
Praça de Máquinas - MotoresPraça de Máquinas - Motores

 

Como as Marinha Norueguesa é responsável por uma área SAR muito grande, ela frequentemente deve prestar assistência a embarcações - pesqueiras e recreativas - vítimas de algum acidente. Não é incomum, também, que as pessoas vitimadas precisem de assistência médica emergencial. Como uma das hipóteses de emprego das Nansen é esse tipo de operação, elas foram equipadas com instalações médicas superiores à enfermaria das F-100. As FN dispõem de uma sala de cirurgia completa e quatro leitos para internação.

Por fim, a propulsão de uma e outra diferem bastante. As F-100 usam uma propulsão tipo CODOG (Combined Diesel or Gas), com dois motores e duas turbinas. As Fridtjof Nansen, conforme dissemos, usam CODAG, com dois motores e uma turbina e velocidade limite pouco inferior a 27 nós. A marinha norueguesa entendeu que não necessitava de velocidade limite na casa dos 30 nós. Ela simplesmente não compensava o gasto absurdo com combustível. Daí a opção em ter apenas uma turbina que, quando ligada, funciona em conjunto com os motores, ao contrário das F-100 que, como deve saber nosso leitor, desligam seus dois motores quando acionam as turbinas.

Outra notável diferença é no tamanho da tripulação. As F-100 operam em média com 201 militares, embora o número não seja fixo. Já as Nansen operam com 120 pessoas (e dispõem de acomodações para 146). Eles conseguiram essa redução significativa de pessoal por meio da automatização de vários sistemas. Contribuíram muito nesse aspecto as mais de 250 empresas norueguesas contratadas como fornecedoras, segundo previa o acordo de offsets. Essas companhias já traziam grande expertise na construção naval para o setor de óleo e gás, onde a automatização e consequente redução de pessoal embarcado são imperativos econômicos.

Por dentro, as duas classes são parecidas. As acomodações seguem o mesmo padrão, até a Praça d’Armas e os outros espaços comuns são muito parecidos. Ressalta-se apenas o fato de que os noruegueses privilegiam muito o conforto a bordo (mais até do que as outras marinhas europeias) e incluem espaços recreativos mais bem aparelhados. Além disso, a maior parte das acomodações, inclusive de marinheiros, são dívidas por dois ou três indivíduos. Só se tem camarotes com quatro ocupantes quando há 146 militares a bordo. A única consequência disso é que alguns oficiais mais modernos (normalmente do corpo de saúde, segundo disseram a ALIDE) acabam ficando em alojamentos abaixo da coberta.

 

Praça de Máquinas - Motores
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Praça de Máquinas - Turbinas
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Sala do Bow Thruster
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Sala do Bow Thruster
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Um exemplo a respeito de prioridades

A Real Marinha Norueguesa é bastante diferente da nossa quando comparamos o tamanho de sua tarefa, a dimensão de seu pessoal, os seus engajamentos atuais e a dinâmica de suas relações com seus vizinhos. As duas marinhas, porém, enfrentam problemas semelhantes quanto à defesa de campos de petróleo e restrições orçamentárias. Se há algo que o exemplo das Nansen ensina é que os recursos sempre estarão aquém do desejado. Nesse sentido, os órgãos decisórios devem saber elencar prioridades, tomar decisões difíceis e aceitar que nem tudo será como o Estado-Maior e o Almirantado querem que seja. Os noruegueses fizeram uma difícil escolha entre a velha dicotomia do “fazer pouco bem feito” ou “fazer tudo pela metade”. Certamente temos muito a aprender com as virtudes e vicissitudes dos noruegueses, quer pelo exemplo, quer pelo contraexemplo.

Last Updated on Wednesday, 26 March 2014 17:19
 

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