O BPC Dixmude e nova Missão Jeanne d'Arc PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 25 June 2012 00:00

 

Neste início de maio, os dois navios que juntos compõem a "Missão Jeanne d'Arc" de treinamento de aspirantes da Marine Nationale da França passou pelo Brasil em sua volta ao redor do continente africano. Esta foi a primeira vez que este cruzeiro de instrução passa por aqui sem o porta helicópteros que lhe deu o nome, o Jeanne d'Arc, aposentado em 2010. Para extrair o máximo desta oportunidade, fuzileiros navais brasileiros, que sofrem com a atual indisponibilidade de nossos Navios Desembarque-Doca, o Rio de Janeiro e o Ceará, embarcaram durante três dias para a realização de desembarques simulados na região da Restinga da Marambaia. Ao mesmo tempo, navios da Esquadra realizaram com a fragata Georges Leygues exercícios tradicionais de águas azuis ao largo da costa. Finalmente, a indústria francesa aproveita a oportunidade para mostrar aos oficiais da Marinha do Brasil o mais novo navio da classe Mistral, um dos candidatos mais próximos daquilo que o programa de modernização de meios navais brasileiros optou por chamar de "Navios de Propósitos Múltiplos".

 

No centro do brasão do navio fica o escudo da cidade Dixmude
No centro do brasão do navio fica o escudo da cidade DixmudeNo centro do brasão do navio fica o escudo da cidade Dixmude
O navio aeródromo Dixmude era um cargueiro convertido
O navio aeródromo Dixmude era um cargueiro convertidoO navio aeródromo Dixmude era um cargueiro convertido
O dirigível era reparação de Guerra entregue pelos alemães
O dirigível era reparação de Guerra entregue pelos alemãesO dirigível era reparação de Guerra entregue pelos alemães
O novo BCP Dixmude na costa do Rio
O novo BCP Dixmude na costa do RioO novo BCP Dixmude na costa do Rio
O novo BCP Dixmude na costa do Rio
O novo BCP Dixmude na costa do RioO novo BCP Dixmude na costa do Rio

A doca e o elevador são visíveis por trás
A doca e o elevador são visíveis por trásA doca e o elevador são visíveis por trás
No terminal de navios de cruzeiro do Rio
No terminal de navios de cruzeiro do RioNo terminal de navios de cruzeiro do Rio
...no dia 10 a partida foi logo após o nascer do sol.
...no dia 10 a partida foi logo após o nascer do sol....no dia 10 a partida foi logo após o nascer do sol.
As armas de auo desfesa ainda não instaladas
As armas de auo desfesa ainda não instaladasAs armas de auo desfesa ainda não instaladas
Os dois membros da Mission Jeanned Arc
Os dois membros da Mission Jeanned ArcOs dois membros da Mission Jeanned Arc

 

A grande alavancagem geopolítica dos novos Navios de Propósitos Múltiplos

Consequência direta da Estratégia Nacional de Defesa publicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de 2008, o Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB) desenvolveu um cronograma de reequipamento de meios de um porte jamais visto na história do país. Junto com dois novos navios-aeródromos, seis submarinos de ataque de propulsão nuclear e quinze novos submarinos de propulsão convencional, o PAEMB lista a seleção, a contratação e a construção em estaleiros brasileiros de quatro "Navios de Propósitos Múltiplos" (NPM) a serem entregues até o ano de 2028. Estes navios deverão poder atender às demandas futuras de guerra anfíbia da Marinha, transportando e operando helicópteros e lanchas de desembarque para o desdobramento de Fuzileiros Navais.

Adicionalmente, esta classe de navios é idealmente configurada para poder ser usado para responder rapidamente a eventuais situações locais e estrangeiras de calamidades humanitárias. Exemplos disso seriam aquelas verificadas no Oceano Índico em dezembro de 2004, no Haiti em janeiro de 2010 e no Chile logo depois em fevereiro do mesmo ano. Mais polivalentes que os Navios Aeródromos e nosso atuais Navios de Desembarque Doca (NDDs) e mais baratos do que um porta-aviões moderno, os NPM, por razões não especificadas, acabaram não sendo incluído no pacote inicial do reequipamento da Esquadra de Superfície, o chamado Prosuper.

Como a brasileira, diversas marinhas do mundo se encontram no processo de adquirir navios desta categoria. França (com os da classe BCP Mistral), Espanha (com o BPE Juan Carlos I), o Japão e Coréia do Sul (com o Dokdo) optaram por desenvolver domesticamente seus próprios projetos de NPM. Os dois modelos japoneses (Hyuga e Ise), no entanto, se destacam um pouco dos demais NPMs por não incluir no seu projeto uma doca na popa para operação de lanchas de desembarque. As marinhas da Rússia e da Austrália optaram por adquirir duas unidades cad,a da DCNS francesa e da Navantia espanhola respectivamente. Pelo que se vê nos relatos da imprensa mundial, este parece que ser um segmento de produto muito atrativo. Na fila para a compra de navios desta classe estariam o Brasil com quatro navios previstos, além de países tão diversos como Turquia, Suécia, África do Sul, Índia, Polônia, Canadá, Argélia e Malásia.

 

O canhão de 100mm do Georges Leygues
O canhão de 100mm do Georges LeyguesO canhão de 100mm do Georges Leygues
Georges Leygues: canhão e passadiço
Georges Leygues: canhão e passadiçoGeorges Leygues: canhão e passadiço
Sonar de profundidade variável
Sonar de profundidade variávelSonar de profundidade variável
Georges Leygues deixando o Rio
Georges Leygues deixando o RioGeorges Leygues deixando o Rio
Georges Leygues deixando o Rio
Georges Leygues deixando o RioGeorges Leygues deixando o Rio

Georges Leygues e o Pão de Açúcar
Georges Leygues e o Pão de AçúcarGeorges Leygues e o Pão de Açúcar
O tempo estava perfeito de manhã cedo...
O tempo estava perfeito de manhã cedo...O tempo estava perfeito de manhã cedo...
Dixmude visto da fragata Niterói
Dixmude visto da fragata NiteróiDixmude visto da fragata Niterói
Base Naval do Rio de Janeiro
Base Naval do Rio de JaneiroBase Naval do Rio de Janeiro
Base Naval do Rio de Janeiro
Base Naval do Rio de JaneiroBase Naval do Rio de Janeiro

O BCP Dixmude

 

Terceiro da classe de navios de desembarque doca de convoo corrido da classe Mistral, o L9015 Dixmude se caracteriza por ter sido usado pelo governo francês como um programa de retenção de mão de obra especializada na indústria naval francesa. O Livro Branco francês da Defesa de 2008 previa que o terceiro e o quarto BPCs só estariam em serviço no ano de 2020, mas para tentar amenizar os duros efeitos da crise mundial, o governo Sarkozy decidiu encomendar o terceiro navio antecipadamente com o seu trabalho de construção no Estaleiro STX se iniciando já em abril de 2009.

O comandante do navio, CMG Guillaume Goutay, apresentou seu navio logo no início da entrevista como sendo um "navio verde", algo bem em sintonia com a Conferência Rio+20 que tomou conta da cidade durante a visita deles aqui. Segundo ele, daqui para frente seu navio passava a ser o benchmark para todos os novos navios franceses neste quesito, entre outras coisas por dispor de um incinerador de lixo a bordo. Algumas novidades desta classe, como por exemplo os motores elétricos em "pods" (casulos) giratórios, ainda geram dificuldades pois são uma tecnologia nova dentro da Marine Nationale. Na área de propulsão, a Marinha Francesa tem hoje muita gente especializada em motores diesel, em turbinas e em plantas a vapor, mas em grandes motores elétricos não tem ainda. A velocidade máxima atingida pelo navio durante os testes de aceitação foi de 19,7 nós. Mesmo navegando contra um vento de 20 nós, o navio é capaz de manter uma velocidade de 17 nós avante. O Dixmude usa motores a diesel MAN que geram 6MW de potência no lugar dos motores Wärtsillä dos seus antecessores. Usados em conjunção com os casulos propulsores na popa, os dois bow thrusters podem manter o navio parado na mesma posição, mesmo submetidos a ventos de 25 a 30 nós.

 

Sede do ComenCh na BNRJ
Sede do ComenCh na BNRJSede do ComenCh na BNRJ
O assento do Comandante no passadiço tem apoio para laptop!
O assento do Comandante no passadiço tem apoio para laptop!O assento do Comandante no passadiço tem apoio para laptop!
GPS no Passadiço
GPS no PassadiçoGPS no Passadiço
Mais um GPS
Mais um GPSMais um GPS
Monitor de video circuito fechado no passadiço
Monitor de video circuito fechado no passadiçoMonitor de video circuito fechado no passadiço

Console radar do passadiço
Console radar do passadiçoConsole radar do passadiço
Sistema navegação com cartas digitais
Sistema navegação com cartas digitaisSistema navegação com cartas digitais
Checklists de procedimentos padrão no passadiço
Checklists de procedimentos padrão no passadiçoChecklists de procedimentos padrão no passadiço
Lista de callsigns do exercício
Lista de callsigns do exercícioLista de callsigns do exercício
Esquema de cobertura satelital
Esquema de cobertura satelitalEsquema de cobertura satelital

Outro ponto que ele salientou como uma característica diferencial do seu navio é a sua tripulação enxuta de apenas 180 oficiais e praças. "Um navio semelhante ao nosso na US Navy, por exemplo", disse ele, "precisa de uma tripulação muito maior, entre 360 e 600. Inclusive os navios da classe Wasp precisam de 1000 tripulantes!" Sorrindo ele lembrou que não era só o navio, mas também "os seus marinheiros, que tinham que passar a ser multi-função".

 

Perguntado sobre a velocidade de reação da propulsão elétrica ele disse que ela é muito ágil, que o navio é capaz de, saindo do zero, chegar a 19 nós em apenas 10 minutos e que pode manter esta velocidade por um bom tempo. A velocidade normal de deslocamento do Dixmude fica entre 15 e 17 nós, à velocidade de 19 nós ele passa a ter uma autonomia de 15 dias com a sua carga máxima de 22000 toneladas. Na velocidade mais econômica a autonomia é de 30 a 60 dias, o limitante sendo a capacidade da tripulação de suportar esse tempo todo. Recentemente, próximo a Abdijan, na Costa do Marfim, o Tonnerre ficou um total de 63 dias no mar com tropas embarcadas e com apenas um reabastecimento de óleo, comida e de água. Elaborando este tema, o comandante Goutay contou que os sistemas de osmose reversa do Dixmude produziram em cinco horas, durante noite em que ficou fundeado na Baía de Sepetiba, 30 toneladas de água potável.

 

Passadiço: parâmetros de navegação
Passadiço: parâmetros de navegaçãoPassadiço: parâmetros de navegação
Console de propulsão para os pods
Console de propulsão para os podsConsole de propulsão para os pods
Fortaleza de Santa Cruz na partida
Fortaleza de Santa Cruz na partidaFortaleza de Santa Cruz na partida
ALIDE no Passadiço superior...
ALIDE no Passadiço superior...ALIDE no Passadiço superior...
Saudades da Cidade Maravilhosa...
Saudades da Cidade Maravilhosa...Saudades da Cidade Maravilhosa...

Radar de navegação
Radar de navegaçãoRadar de navegação
Os pods produzem esteiras não alinhadas com o casco....
Os pods produzem esteiras não alinhadas com o casco.... Os pods produzem esteiras não alinhadas com o casco....
A assessessora de comunicação Social
A assessessora de comunicação SocialA assessessora de comunicação Social
O COC compacto do Dixmude
O COC compacto do DixmudeO COC compacto do Dixmude
Sistemas do COC
Sistemas do COCSistemas do COC

Uma história de bravura

 

Dixmude é a grafia francesa da cidade belga Diksmuide, localizada próxima à costa, na província de Flandres Ocidental. Em outubro de 1914, logo no início da Primeira Guerra Mundial, as tropas alemães e aliadas, após o fim da Batalha de Aisne na fronteira entre a Alemanha e a França, se deslocaram paralela e rapidamente na direção noroeste numa infrutífera tentativa de cada uma flanquear a outra. Na cidade de Dixmude, dois regimentos (6000 homens) de Fusiliers Marins franceses montaram junto a uma divisão de infantaria também francesa e com os resquícios do exército belga, uma barreira desesperada e no final fracassada que por alguns dias segurou os alemães nas margens do rio Yser. Isso foi, no entanto, o suficiente para que os aliados pudessem inundar os campos belgas bloqueando a mobilidade da máquina de guerra alemã até praticamente o final da Guerra.

Sem este "obstáculo" os alemães teriam facilmente tomado os portos franceses de Calais, Boulogne e Dunkerque no Canal da Mancha após varrer as tropas belgas de quase todo seu país. Sem estes portos, a capacidade dos britânicos de desembarcar suas tropas em apoio aos exércitos aliados teria sido muito comprometida. Apenas depois da tomada de Dixmude pelos alemães é que as trincheiras paralelas dos dois lados, característica mais marcante da IGM, passaram a se estender ininterruptamente desde a fronteira da Suíça, no sul, até a costa do Mar do Norte.

Esta história de auto sacrifício dos Fusiliers Marins é que fez com que o nome desta batalha fosse usado para batizar um dirigível entre 1920 e 1923 e depois um porta aviões de escolta da classe Charger que serviu na Marine Nationale entre 1940 e 1966.

 

COC: controle do desembarque
COC: controle do desembarqueCOC: controle do desembarque
Console do sistema SENIT
Console do sistema SENITConsole do sistema SENIT
Tela do sistema de vídeo interno
Tela do sistema de vídeo internoTela do sistema de vídeo interno
Esquemático de procedimentos de emergência
Esquemático de procedimentos de emergênciaEsquemático de procedimentos de emergência
Camarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarqueCamarote de oficial da tropa de desembarque

Camarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarqueCamarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarqueCamarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarqueCamarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarque
Camarote de oficial da tropa de desembarqueCamarote de oficial da tropa de desembarque
Esta alabarda simboliza a Missão Jeanne dArc
Esta alabarda simboliza a Missão Jeanne dArcEsta alabarda simboliza a Missão Jeanne dArc

O novo formato da tradicional Missão Jeanne d'Arc

 

Durante quase cinco décadas, a missão de levar os aspirantes da Escola Naval francesa para "ganhar o mundo" foi exclusividade do navio porta helicópteros Jeanne d'Arc e de seu "companheiro", o destróier Georges Leygues. Com a retirada de serviço do Jeanne d'Arc em 2010, a Marinha francesa decidiu atribuir esta importante missão aos três navios de projeção e de comando da classe Mistral (BPC). A cada ano um dos navios assume a responsabilidade de receber os novatos e sair para sua longa viagem, cada ano para um lado, Atlântico Sul e no ano seguinte em direção ao Oriente Médio e sudeste Asiático além das possessões francesas ultramarinas no Oceano Índico.

O Cmte Knapp, oficial encarregado dos cadetes e comandante da Escola, contou que "a Escola Naval francesa tem um curso para formação de Oficiais com duração de três anos, dos quais a Missão Jeanne d'Arc representa de 5 a 6 meses". Há vinte anos essa viagem durava sete meses. Neste ano a viagem envolve cem cadetes franceses e ainda quarenta outros cadetes estrangeiros e dez alunos da Escola de Suprimento Naval, que na França é um curso completamente independente e, assim, não frequentam a Escola Naval.

Especificamente para a realização da Missão Jeanne d'Arc - esta viagem de seis meses - o convés do Dixmude dedicado ao poderoso Centro de Comando e Controle foi totalmente reconfigurado, sendo convertido em salas de aula e em escritórios para o staff embarcado da Escola Naval. Provando sua imensa flexibilidade, ao retornar à França as divisórias e mobiliário serão desmontados e o Dixmude poderá assumir qualquer nova missão que lhe seja passada. No ano seguinte, um dos demais navios da classe Mistral assumirá a Missão Jeanne d'Arc, substituindo o Dixmude. Os navios da classe Mistral tem capacidade para abrigar até 650 militares, um número muito superior ao resultado da soma de tripulantes (180) e de oficiais alunos (120), lembrando que trinta dos oficiais-alunos se encontram sempre a bordo do Georges Leuygues.

 

Reunião matinal dos Fuzileiros brasileiros
Reunião matinal dos Fuzileiros brasileirosReunião matinal dos Fuzileiros brasileiros
Unidade de míssil anti-aéreo Mistral
Unidade de míssil anti-aéreo MistralUnidade de míssil anti-aéreo Mistral
Um dos CLAnfs brasileiros no Dixmude
Um dos CLAnfs brasileiros no DixmudeUm dos CLAnfs brasileiros no Dixmude
O EDA-R entra na doca do Dixmude justinho
O EDA-R entra na doca do Dixmude justinhoO EDA-R entra na doca do Dixmude justinho
Super Puma brasileiro no hangar do Dixmude
Super Puma brasileiro no hangar do DixmudeSuper Puma brasileiro no hangar do Dixmude

Brasão no hangar
Brasão no hangarBrasão no hangar
Brasão do esquadrão 22S do Alouette
Brasão do esquadrão 22S do AlouetteBrasão do esquadrão 22S do Alouette
Na Praça dArmas um mapa informal da viagem
Na Praça dArmas um mapa informal da viagemNa Praça dArmas um mapa informal da viagem
Um outro mapa bem mais sério que o primeiro!
Um outro mapa bem mais sério que o primeiro!Um outro mapa bem mais sério que o primeiro!
Lembrança do Rio
Lembrança do RioLembrança do Rio

Segundo o Comandante Guillaume Goutay, os alunos encontram nesta viagem uma marcante diferença geracional na tecnologia embarcada entre o Dixmude e o Georges Leygues. Ao contrário do que se pode presumir, inicialmente essa diferença é positiva pois colabora para que eles estejam preparados para trabalhar em qualquer navio operacional que lhes seja designado após a formatura. Segundo ele: "hoje ainda existem mais navios na Marinha Francesa parecidos com o Georges Leygues do que com o Dixmude". Um quarto dos alunos está sempre a bordo da fragata e o resto fica no Dixmude. Ao longo da viagem todos os alunos passarão algum tempo no Georges Leygues.

 

O Centro de Operações de Combate do navio francês (COC) é um compartimento "permanente". Ele fica contíguo, mas não faz parte da área reconfigurável de comando e controle da Força. Ele não é dos maiores já visitados por ALIDE, mas, para além das operações normais, seus consoles digitais são usados para colocar os aspirantes diante de uma variedade de ameaças e de cenários militares simulados, exigindo deles as habilidades que precisarão dispor quando estiverem atuando nas suas carreiras. "Não existe um quarto de serviço no COC que não envolva pelo menos um exercício simulado para os oficiais alunos", contou o a ALIDE 2o Ten Celso, da Marinha do Brasil. "O número de simulações a que somos submetidos aqui foi muito mais intenso do que o que vivenciamos durante a viagem no N/E Brasil, pelo menos três ou quatro vezes maior. O foco maior do treinamento dos franceses está em preparar o futuro oficial para ter a atitude certa na hora da ação, o que é muito além de meramente se prender a tradução das mensagens codificadas", completou ele. "Nesta missão, os franceses usam as regras ATP da OTAN, assim fala-se francês dentro do navio, mas, na fonia entre navios, a única língua é o inglês. Detalhe que gera um pouco de confusão pra quem não está acostumado" e o Ten Celso continuou: "como as operações aéreas aqui são uma parte importante da atuação do navio, pegar serviço no passadiço de aviação, interfaceando com os helicópteros, é outra oportunidade especial para os alunos. No U-27 Navio Escola Brasil não tem isso. Estou aprendendo muito nesta comissão".

Knapp concluiu: "Nossa filosofia é incluir na viagem dos cadetes experiências da vida real. Este navio se encontra no mar realizando uma missão operacional. Inclusive, uma das lições aqui é justamente como conviver com missões de longa duração que vão bem longe da França." Perguntado sobre de que maneira o oficial brasileiro atuava junto com os aspirantes franceses, Knapp contou que: "Ele faz parte integrante do grupo, realizando todas as atividade e provas junto com os demais colegas. No final, seu resultado nestas provas realizadas a bordo não tem qualquer efeito sobre a progressão dele na sua carreira no Brasil, razão pela qual a MB não nos cobra que lhes enviemos estes resultados de provas. Ele já é um oficial formado".

 

Na Praça dArmas
Na Praça dArmas Na Praça dArmas
Decoração da Na Praça dArmas
Decoração da Na Praça dArmas Decoração da Na Praça dArmas
Souvenirs de voyage...
Souvenirs de voyage...Souvenirs de voyage...
Quadrinhos não podem faltar num navio francês...
Quadrinhos não podem faltar num navio francês...Quadrinhos não podem faltar num navio francês...
Bolacha dos pilotos da Armée de Terre
Bolacha dos pilotos da Armée de TerreBolacha dos pilotos da Armée de Terre

Tanque extra removível do Puma no hangar
Tanque extra removível do Puma no hangarTanque extra removível do Puma no hangar
CLAnfs brasileiros na doca
CLAnfs brasileiros na docaCLAnfs brasileiros na doca
Portas laterais abrem para deixar sair os gases
Portas laterais abrem para deixar sair os gasesPortas laterais abrem para deixar sair os gases
Fuzileiros no CLAnf
Fuzileiros no CLAnfFuzileiros no CLAnf
LCU francesa
LCU francesaLCU francesa

A viagem de 2012

 

O Georges Leygues deixou a Base Naval de Brest no dia 27 de fevereiro, encontrando-se com o Dixmude no dia 5 de março, na base Naval de Toulon, onde todos os oficiais-alunos vieram a bordo. Aqui também embarcaram os 200 homens do Grupo Tático Embarcado (GTE), composto pelo 9o Batalhão do 2ème Régiment d’Infanterie de Marine, unidade que, peculiarmente na França, pertence ao Exército e não à Marinha. Uma decisão de 1901 retirou da Marinha Francesa as tropas de fuzileiros navais e as passou ao exército. Na França, a operação anfíbia denota uma especialização operacional e não uma ligação de subordinação com a Marine Nationale. Adicionalmente, desta vez embarcaram também um pelotão de cavalaria leve blindada do regimento de infantaria de carros de marinha (RICM) de Poitiers, de uma seção de morteiros de 120mm do 11o régiment d’artillerie de marine (11e RAMa) de Saint-Aubin-du-Cormier e de uma seção de "sapeurs de marine" do 6e régiment du génie (6e RG) da cidade de Angers.

O primeiro trecho da Missão Jeanne d'Arc ocorreu dentro do Mediterrâneo, com o primeiro exercício de desembarque anfíbio, o Pélican 126, executado nas proximidades da base aérea número 126 em Solenzara, na Córsega [GE: 41°55'28"N 009°24'22"E]. O grupo Jeanne d'Arc 2012 obteve sua qualificação anfíbia com este exercício.

O passo seguinte foi uma viagem sem paradas até Beirute no Líbano. Após alguns dias em terra, os navios franceses realizaram um exercício bilateral chamado de "Cedro Azul" entre os dias 13 e 17 de março em Jounieh [GE: 33°59'45.23"N 35°38'36.28"L], ao norte da capital libanesa. O desembarque anfíbio conjunto envolveu os infantes franceses e militares das Forças Armadas Libanesas, além de blindados de transporte de tropas M113 e três helicópteros Bell UH-1 daquele país. Na primeira fase, todos os passos foram realizados sem pressa, no dia seguinte o desembarque foi realizado como uma única sequência, mas num ritmo bem mais rápido. Segundo os franceses, exercícios regulares são indispensáveis para se poder ter uma boa compatibilidade entre as forças armadas de dois países diferentes.

O passo seguinte foi cruzar o Canal de Suez a caminho de Djibouti. Para um dos oficiais alunos a sua passagem pelo canal egípcio foi uma experiência muito impressionante: "havia muitos navios mercantes ali e a despeito da aparente vulnerabilidade do navio dentro do Canal de Suez, o tráfego aéreo civil sobrevoando na perpendicular o Canal é bem pequeno, o que reduz bastante o risco de ali ocorrer um ataque aéreo, por exemplo". No dia 23 de março, ao cruzarem o Mar Vermelho, antes de aportar na ex-colônia francesa no chifre da África, os dois navios franceses passaram um dia todo na companhia do navio tanque saudita Yunbou, com troca de tripulantes, pousos cross-deck das aeronaves e culminando com um a transferência de Óleo no Mar (TOM) simulada.

Entre os dias 25 e 29 de março, as Forças Francesas Estacionadas no Djibouti (forces françaises stationnées à Djibouti - FFDj) e os meios da Missão Jeanne d'Arc (incluindo oficiais alunos, marinheiros do BPC Dixmude, o grupamento tático embarcado (GTE) e o sub-grupamento aeromóvel (SGAM) embarcado do Armée de Terre) conduziram um exercício anfíbio de quatro dias que penetrou 75 quilômetros terra a dentro no Djibouti. Esta operação foi batizada "Dixmude de Aço". Naquele país desembarcam todos os veículos e os homens do GTE. Foi aqui, também, onde deixaram o Dixmude os "sub-tenentes" da Escola Militar de St-Cyr Coëtquida, tomando um avião que os levaria de volta à França.

 

Prontos para o desembarque...
Prontos para o desembarque...Prontos para o desembarque...
O EDA-R e a outra LCU aguardavam fora da doca....
O EDA-R e a outra LCU aguardavam fora da doca....O EDA-R e a outra LCU aguardavam fora da doca....
A porta da doca se ergue parcialmente entre as operações
A porta da doca se ergue parcialmente entre as operaçõesA porta da doca se ergue parcialmente entre as operações
Dois guindastes na doca se movem em trilhos
Dois guindastes na doca se movem em trilhosDois guindastes na doca se movem em trilhos
CLAnf entra de ré na LCU francesa
CLAnf entra de ré na LCU francesaCLAnf entra de ré na LCU francesa

Alguns fuzileiros brasileiros vieram na LCA com o CLAnf
Alguns fuzileiros brasileiros vieram na LCA com o CLAnfAlguns fuzileiros brasileiros vieram na LCA com o CLAnf
Gráfico mostrando local do exercício
Gráfico mostrando local do exercícioGráfico mostrando local do exercício
Os helicópteros resgataram pessoas na área à esquerda
Os helicópteros resgataram pessoas na área à esquerdaOs helicópteros resgataram pessoas na área à esquerda
Popa do Dixmude vista da LCU
Popa do Dixmude vista da LCUPopa do Dixmude vista da LCU
Lateral trazeira do Dixmude
Lateral trazeira do DixmudeLateral trazeira do Dixmude

 

Deixando Djibouti para trás, o navio passou todo o mês de abril realizando escolta de navios cargueiros na região do Golfo de Áden, sob o recém empossado comando francês da Task Force 465 dentro da operação Atalanta. Aqui coube ao Georges Leygues escoltar um navio do World Food Program da ONU até seu destino na costa africana. Além dos dois navios, a França ainda forneceu ao Atalanta um outro BPC, o navio comando e de reabastecimento A630 Marne, a fragata F713 Aconit e duas aeronaves: um patrulheiro Breguet Br.1150 Atlantic 2 e um avião radar Boeing E-3F (AWACS). Neste período, cerca de 20 comboios foram realizados. O Georges Leygues aproveitou este interstício para visitar as Ilhas Seichelles, onde participou de eventos de diplomacia naval e também de patrulhas antipiratarias nas águas da Zona Econômica Exclusiva do arquipélago.

Depois de tanto tempo no mar, o Dixmude e o Georges Leygues pararam em Mombasa, segunda maior cidade do Quênia, de 21 a 25 de abril. Enquanto alguns de seus membros ficaram na cidade, outros optaram por visitar as zebras, girafas e outros animais locais no parque de vida selvagem Tsavo na savana africana.

No dia 28 de abril, ambos os navios se destacaram da missão antipirataria e deixaram a Bacia Somaliana seguindo com sua missão de treinamento. Os cinco helicópteros embarcados no Dixmude contribuíram neste período com mais de 70 horas de vôo para a Atalanta. De 30 de abril ao dia 7 de maio, o Grupo Jeanne d’Arc fez uma escala na ilha de la Réunion, que é um departamento de além mar da República Francesa. Ali, os navios foram colocados à visitação pública e mais de 3000 pessoas, adultos e crianças, vieram a bordo para conhecê-los.

Cruzando o Cabo da Boa Esperança e deixando o Oceano Índico para trás, os navios se prepararam para visitar a Cidade do Cabo, na África do Sul, onde ficaram de 16 a 21 de maio. Nesta escala, o Secretário de Estado adjunto ao Ministro da Defesa francês estava na cidade e visitou os navios no meio de sua viagem de treinamento de longa duração. No próprio dia da partida, a fragata sul africana F145 Amatola se juntou ao Georges Leygues para realizar um exercício de escolta do Dixmude contra a ameaça de ataque por forças submarinas, papel este representado pelo submarino IKL-209 sul africano S103 SAS Queen Modjadji. Entre os franceses, a África do Sul, até agora um grande cliente da indústria alemã, já é reconhecida como sendo um dos mercados potenciais mais importantes no mundo para sua indústria de construção naval. Por esta razão o hangar do Dixmude foi convertido em "salão temporário de exposição" para os produtos e serviços da área de defesa francesa visando a aproveitar a vista dos almirantes e políticos sul-africanos ao navio.

Da África do Sul até o Rio de Janeiro foram mais 16 dias cruzando o Atlântico...

 

Ilha vista do nível do mar
Ilha vista do nível do marIlha vista do nível do mar
Dixmude fundeado na Baía de Sepetiba
Dixmude fundeado na Baía de SepetibaDixmude fundeado na Baía de Sepetiba
Dixmude fundeado na Baía de Sepetiba
Dixmude fundeado na Baía de SepetibaDixmude fundeado na Baía de Sepetiba
Tem experiências que o dinheiro não pode pagar...
Tem experiências que o dinheiro não pode pagar...Tem experiências que o dinheiro não pode pagar...
Outra LCU voltando ao navio para carregar mais tropas
Outra LCU voltando ao navio para carregar mais tropasOutra LCU voltando ao navio para carregar mais tropas

Franceses na LCU
Franceses na LCUFranceses na LCU
Popa do Dixmude
Popa do DixmudePopa do Dixmude
Dixmude
DixmudeDixmude
CLAnf na LCU
CLAnf na LCUCLAnf na LCU
CLAnf na LCU
CLAnf na LCUCLAnf na LCU

 

Os helicópteros embarcados no Dixmude

Um solitário Alouette III azul do esquadrão 22S/ESHE da base aeronaval de Lanvéoc/Poulmic da Aeronavale [GE: 48°16'52.96"N 4°26'33.62"O ] é a única aeronave naval a bordo do Dixmude. Ele cumpre o papel de aeronave de salvamento e está em voo no caso da realização de operações aéreas com o navio em movimento. Com o navio fundeado, essa tarefa é delegada às lanchas (RHIB) que normalmente apóiam a faina de um desembarque anfíbio.

Dois helicópteros SA330B Puma e dois SA342M Gazelles da ALAT (Aviação Leve do Exército Francês) são embarcados para permitir que o navio possa cumprir sua missão básica de projeção de poder sobre terra e também para familiarizar os alunos embarcados com seu emprego operacional desde o Dixmude. Os Puma são modelos bem antigos servindo basicamente como aeronaves de carga. Elas são usadas para levar grupos avançados e material de apoio como munição e alimentos para dentro do território por trás das linhas "inimigas". Os Gazelles, por sua vez, cumprem a missão dupla de escoltar os Puma anulando a ameaça de unidades em terra e também de ataque antiblindados se operado independentemente, função esta a mais característica para este modelo.

Os dois modelos de helicópteros camuflados pertencem ao 1o Regimento de Helicópteros de Combate da base de Phalsbourg/Bourscheid [GE: 48°45'50.80"N 7°11'59.27"L ] a 40 quilômetros de Strasbourg, no leste do país. Esta unidade deve receber já no início de janeiro de 2013 seus primeiros helicópteros de ataque Eurocopter EC665 Tigre, que após determinado momento substituirão por completo os Gazelle no Regimento. No navio francês, o Destacamento Aéreo Embarcado do Exército era composto por 9 pilotos, 29 praças e quatro oficiais de comando e controle. Estes helicópteros embarcaram em Toulon e desembarcarão em Brest na volta.

 

Guiando a LCU em direção à praia
Guiando a LCU em direção à praiaGuiando a LCU em direção à praia
Guiando a LCU em direção à praia
Guiando a LCU em direção à praiaGuiando a LCU em direção à praia
Mergulhadores franceses guiaram a LCU
Mergulhadores franceses guiaram a LCUMergulhadores franceses guiaram a LCU
Puma em vôo
Puma em vôoPuma em vôo
Fuzileiros brasileiros desembarcados na Ilha da Marambaia
Fuzileiros brasileiros desembarcados na Ilha da MarambaiaFuzileiros brasileiros desembarcados na Ilha da Marambaia

Desembarque do CLAnf
Desembarque do CLAnfDesembarque do CLAnf
CLAnf e LCU
CLAnf e LCUCLAnf e LCU
CLAnf e LCU
CLAnf e LCUCLAnf e LCU
Guiando a chegada da LCU
Guiando a chegada da LCUGuiando a chegada da LCU
Alguns militares franceses ainda usam titulos em arábico no uniforme
Alguns militares franceses ainda usam titulos em arábico no uniformeAlguns militares franceses ainda usam titulos em arábico no uniforme

 

O catamarã de desembarque anfíbio EDA-R e as lanchas de desembarque francesas

A doca do Dixmude, ou "radier" como ela é chamada em francês, pode receber dois catamarãs de desembarque EDA-R, ou, em seu lugar, quatro lanchas de desembarque do tipo LCU. O EDA-R (Engins de Débarquement Amphibie - Rapides) pretende ser uma opção ao bem conhecido e super-caro hovercraft militar americano de desembarque anfíbio para operações além do horizonte chamado LCAC - Landing Craft Air Cushion. Para o Cmte Knapp, o comandante da Escola embarcado: "o EDA-R não substitui as LCUs, os dois meios, na verdade, se complementam". Em meados de 2010, com exclusividade, ALIDE já havia andado no protótipo da EDA-R na baía de Toulon, [http://www.alide.com.br/joomla/index.php/capa/75-extra/1625-l-cat] o chamado L-CAT, mas é nítido que o novo modelo trazido no Dixmude é ainda maior e melhorado. O PAEMB prevê a aquisição de 8 unidades do LCAC, mas talvez os franceses consigam convencer a Marinha que sua idéia é mais adequada para nossa realidade.

 

Bolacha da Flotilha Anfíbia
Bolacha da Flotilha AnfíbiaBolacha da Flotilha Anfíbia
Esse CLAnf veio nadando...
Esse CLAnf veio nadando...Esse CLAnf veio nadando...
CLanf brasileiro chegando na praia
CLanf brasileiro chegando na praiaCLanf brasileiro chegando na praia
Anfíbio!
Anfíbio!Anfíbio!
EDA-R na Marambaia
EDA-R na MarambaiaEDA-R na Marambaia

EDA-R se preparando para abicar
EDA-R se preparando para abicarEDA-R se preparando para abicar
EDA-R se preparando para abicar
EDA-R se preparando para abicarEDA-R se preparando para abicar
Militares francesas na EDA-R
Militares francesas na EDA-RMilitares francesas na EDA-R
LCU com CLAnf
LCU com CLAnfLCU com CLAnf
CLAnf seguro entre as árvores
CLAnf seguro entre as árvoresCLAnf seguro entre as árvores

 

A "Passex" com a Marinha do Brasil

O Dixmude e o Georges Leygues entraram na Baía da Guanabara na manhã da terça-feira, dia 5 de junho, com visibilidade de apenas 3 milhas náuticas e chuva. Um clima absolutamente destoante da imagem "ensolarada" que a maioria dos franceses faz do Rio. Esta parada foi de descanso para a tripulação e trabalho redobrado para os cozinheiros e copeiros-arrumadores, que montaram várias recepções e cocktails para as tradicionais visitas de militares e civis brasileiros aos seus navios.

Uma Passex - "Passage Exercise" - é geralmente uma operação naval sumária, muito limitada e rápida. Mas não foi bem isso que ocorreu entre as marinhas da França e do Brasil neste ano. O exercício acabou sendo bastante grande e complexo, mas todo o seu planejamento foi conduzido pelas duas marinhas em apenas dois meses, e exclusivamente via e-mail. Segundo o Comandante Knapp, esta Passex com a Marinha do Brasil foi fruto da cultura deles de sempre tentarem "agarrar as oportunidades", a despeito de esta ser uma viagem de instrução. O cenário que se criou foi essencialmente aquele que melhor utilizasse cada um dos meios disponíveis durante a passagem dos navios franceses pelo Brasil.

O Dixmude foi o primeiro navio a deixar o Terminal de navios de Cruzeiro da Praça Mauá, bem no centro da Cidade Maravilhosa, pontualmente às sete horas da manhã da segunda-feira, dia 11. Como de praxe para os BPCs, a sua partida se deu de forma independente, sem precisar de qualquer tipo de apoio de rebocadores ou outros navios semelhantes. Inclusive, justamente aí reside uma das melhorias do Dixmude em relação aos seus dois antecessores na classe Mistral. Foi adicionado mais um "bow thruster", totalizando dois agora. Isso torna ainda mais fácil a saída do navio do porto. Logo em seguida, com o Dixmude ainda no través do Arsenal de Marinha foi a vez do Georges Leygues deixar o porto do Rio no seu rastro.

 

CLAnf seguro entre as árvores
CLAnf seguro entre as árvoresCLAnf seguro entre as árvores
Dois CLAnf na praia
Dois CLAnf na praiaDois CLAnf na praia
EDCG se aproximando do CADIM
EDCG se aproximando do CADIMEDCG se aproximando do CADIM
EDCG se aproximando do CADIM
EDCG se aproximando do CADIMEDCG se aproximando do CADIM
Palmeiras no CADIM
Palmeiras no CADIMPalmeiras no CADIM

RHIB do Dixmude
RHIB do DixmudeRHIB do Dixmude
RHIB do Dixmude
RHIB do DixmudeRHIB do Dixmude
Ilha do Dixmude com passadiço, passadiço superior e torre de controle na lateral
Ilha do Dixmude com passadiço, passadiço superior e torre de controle na lateralIlha do Dixmude com passadiço, passadiço superior e torre de controle na lateral
Helicóptero Gazelle
Helicóptero GazelleHelicóptero Gazelle
Sobre o cockpit o Gazelle tem um designador de alvos
Sobre o cockpit o Gazelle tem um designador de alvosSobre o cockpit o Gazelle tem um designador de alvos

A outra modificação efetuada neste último navio construído reside nas janelas de maior tamanho do Passadiço Superior/Passadiço da Força, compartimento super envidraçado que fica localizado bem sobre o Passadiço normal. Daqui se tem uma vista quase que panorâmica e desobstruída tanto para frente quanto para as duas laterais do navio. A idéia é que aqui que devem ficar os convidados e staff do Almirante embarcado de forma a não ocuparem espaço do pessoal no passadiço normal. Percebe-se que fora um terminal tático solitário já colocado no centro do espaço, ainda falta a instalação de outros sistemas e painéis diante das duas cadeiras que existem em cada extremidade.

 

O dia da partida escolhido para este exercício era tudo menos um dia qualquer, era a "Data Magna da Marinha", dia em que se comemora a vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo, durante a Guerra do Paraguai. Do outro lado da Baía, da Base Naval do Rio de Janeiro, partiram as fragatas Niterói e Greenhalgh, o submarino Timbira e o Navio Tanque Gastão Motta. Como é tradição nestes eventos, a sua saída se deu como se os navios tivessem que cruzar um canal varrido num campo de minas defensivo virtual. Às 10 horas, a fragata Niterói, ao deixar a boca da Baía para trás, embarcou para este exercício o Super Lynx AH-11A 4009. A Greenhalgh ficou para trás, fundeada diante da Escola Naval para participar da cerimônia oficial de comemoração deste dia. Às quatro da tarde a Greenhalgh suspendeu e seguiu para encontrar os demais navios fora da Baía, mas antes embarcando um Bell IH-6B JetRanger do Esquadrão HI-1. O evento comemorativo previsto para ocorrer no convoo da Niterói acabou sendo realizado no seu interior devido à mudança do tempo. Entre as 16 e as 19 horas o Super Lynx praticou o reabastecimento da aeronave em vôo (HIFR) e movimentação de carga do convoo (Pick up/VERTREP). Em seguida realizou vários circuitos de qualificação e requalificação de pouso a bordo, para que todos os pilotos do Destacamento Aéreo Embarcado estivessem preparados para os exercícios dos próximos dias.

 

Gazelle
GazelleGazelle
Alouette III da Aeronavale
Alouette III da AeronavaleAlouette III da Aeronavale
Helicóptero Puma
Helicóptero PumaHelicóptero Puma
Rebocando os helicópteros para os pontos no convôo
Rebocando os helicópteros para os pontos no convôoRebocando os helicópteros para os pontos no convôo
Puma decola do Dixmude durante o desembarque
Puma decola do Dixmude durante o desembarquePuma decola do Dixmude durante o desembarque

Gazelle em vôo
Gazelle em vôoGazelle em vôo
Popa do Dixmude
Popa do DixmudePopa do Dixmude
Brazão da EDCG Camboriú
Brazão da EDCG CamboriúBrazão da EDCG Camboriú
EDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiço
EDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiçoEDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiço
EDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiço
EDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiçoEDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiço

O Desembarque anfíbio no Centro de Avaliação da Ilha da Marambaia - CADIM

 

Quando os navios deixaram a Baía da Guanabara na manhã de segunda feira, dia 11 de junho, o sol brilhava forte e o céu estava azul. Defronte a Copacabana estava previsto o pouso no convés do Dixmude de um UH-14A Super Puma brasileiro do Esquadrão Pégaso HS-1, no entanto, devido a um alerta mecânico, a sua tripulação optou por regressar para a Base Aérea de Campos dos Afonsos onde este e um segundo Super Puma foram desdobrados para apoiar o programa de segurança da Conferência internacional Rio +20. Logo depois, o segundo UH-14 desdobrado decolou e em seguida pousou no navio francês. No través entre a praia da Barra e a Baía de Sepetiba, o sol sumiu e o tempo foi ficando cada vez mais encoberto.

A tarde do primeiro dia deveria ser usada para a realização de exercícios básicos preparatórios para o desembarque definitivo no dia seguinte, porém a chegada súbita de uma frente fria com chuva e rajadas de vento muito fortes de mais de 50 nós fizeram com que o comandante optasse por retirar o Dixmude de dentro da Baía, levando-o para algum ponto mais seguro no mar aberto. Assim, a primeira noite do exercício Passex foi passada unicamente dando voltas no mar e esperando a melhora do tempo.

O navio baixou ferros (âncoras) ainda de madrugada, fundeando no local planejado [23o 03.5S 044o 03.0O], a aproximadamente cinco quilômetros de distância da área de desembarque. O dia seguinte amanheceu com um céu azul perfeito e sem vento, cenário perfeito para um desembarque anfíbio.

O CADIM é um centro existente na Ilha da Marambaia para a realização de avaliação das competências operacionais das unidades anfíbias dos Fuzileiros. Ele não pretende de forma alguma substituir o Campo de Exercícios de Itaóca, no Espírito Santo, ou do Campo de Formosa, em Goiás. estes dois locais são várias vezes maiores que o CADIM e ficam mais longe de centros urbanos. Foi aqui mesmo na Ilha da Marambaia que, em setembro de 2010, a Marinha Real Britânica com seu porta-helicópteros, HMS Ocean, realizou um exercício com a Marinha do Brasil. Foi um exercício bem semelhante a este realizado agora com a presença do Dixmude. A diferença marcante entre os dois exercícios é que no HMS Ocean havia uma unidade de Royal Marines enquanto no navio francês só havia fuzileiros brasileiros.

 

EDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiço
EDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiçoEDCG Camboriú: desmontando o teto do passadiço
Bóia salva-vida
Bóia salva-vidaBóia salva-vida
Placa de dedicação da Camboriú
Placa de dedicação da CamboriúPlaca de dedicação da Camboriú
Fuzileiros brasileiros saem da EDCG para a doca do Dixmude
Fuzileiros brasileiros saem da EDCG para a doca do DixmudeFuzileiros brasileiros saem da EDCG para a doca do Dixmude
As EDCG são bem maiores que as LCU francesas
As EDCG são bem maiores que as LCU francesasAs EDCG são bem maiores que as LCU francesas

As EDCG são bem maiores que as LCU francesas
As EDCG são bem maiores que as LCU francesasAs EDCG são bem maiores que as LCU francesas
A EDCG Camboriú deixa a doca do Dixmude
A EDCG Camboriú deixa a doca do DixmudeA EDCG Camboriú deixa a doca do Dixmude
A EDCG Camboriú deixa a doca do Dixmude
A EDCG Camboriú deixa a doca do DixmudeA EDCG Camboriú deixa a doca do Dixmude
EDA-R na doca
EDA-R na docaEDA-R na doca
EDA-R no mar
EDA-R no marEDA-R no mar

O catamarã de desembarque EDA-R foi usado nesta ocasião apenas para levar um grande número de fuzileiros brasileiros do navio para a terra. Antes mesmo do almoço, os Puma franceses e o Super Puma brasileiro, escoltados pelos dois Gazelles, pousaram num campo aberto para o resgate de "não-combatentes de um país conflagrado", neste caso, da ilha da Marambaia (que simulava o terceiro país), levando-os para a segurança no Dixmude. Para dar mais veracidade ao treinamento, foi decidido que alguns dos "resgatados" teríam "doenças contagiosas" e que outros estariam feridos, necessitando de atenção médica urgente. Houve até mesmo casos de solicitação de embarque de "namoradas"/"esposas não-estrangeiras" (as consortes de cidadãos franceses ou brasileiros, mas que são cidadãs do terceiro país), para ver como as forças desembarcadas na Ilha se sairiam com esta classe de problema inesperado. Nesta ocasião foi impressionante ver a habilidade dos pilotos de Gazelle e, particularmente, a eficiência de sua padronagem de camuflagem para conseguir esconder o helicóptero em vôo pairado contra a mata de fundo.

 

O único navio da Marinha do Brasil na Baía de Sepetiba era a EDCG (Embarcação de Desembarque de Carga Geral) Camboriú (Classe LCU 1610/Guarapari) uma lancha enorme de 190/380 toneladas de deslocamento e rampa de proa que foi construído sob licença no Arsenal de Marinha. Na tarde do dia 12, um grupo de fuzileiros e os repórteres brasileiros embarcados foram transportados nela da Ilha até o Dixmude. Como havia uma corrente vazante que passava perpendicularmente à doca do navio francês, foram necessárias duas tentativas até que a EDCG pudesse entrar na doca. Uma característica interessante deste projeto é que o seu mastro dobra e o "passadiço" tem paredes e janelas removíveis para que seja possível reduzir a altura do navio permitindo sua entrada com segurança dentro dos navios de desembarque. A EDCG é muito maior que as lanchas de desembarque francesas do tipo LCU. Duas LCM cabem dentro da doca lado a lado, enquanto apenas uma EDCG consegue ocupar o mesmo espaço.

 

Fuzileiros deixam a EDA-R
Fuzileiros deixam a EDA-RFuzileiros deixam a EDA-R
CLAnf manobrando na doca do Dixmude
CLAnf manobrando na doca do DixmudeCLAnf manobrando na doca do Dixmude
CLAnf manobrando na doca do Dixmude
CLAnf manobrando na doca do DixmudeCLAnf manobrando na doca do Dixmude
Helicópteros visto da torre de controle
Helicópteros visto da torre de controle Helicópteros visto da torre de controle
Interior da torre de controle à noite
Interior da torre de controle à noiteInterior da torre de controle à noite

Esquemático do convôo na torre de controle
Esquemático do convôo na torre de controleEsquemático do convôo na torre de controle
Air Boss olhando para o convôo
Air Boss olhando para o convôoAir Boss olhando para o convôo
Gazelle preparando-se para decolar
Gazelle preparando-se para decolarGazelle preparando-se para decolar
Puma girando os motores
Puma girando os motoresPuma girando os motores
Gazelle e tripulante do convôo
Gazelle e tripulante do convôoGazelle e tripulante do convôo

Três CLAnfs brasileiros embarcados no Dixmude

 

Os três Carros Lagarta Anfíbios dos Fuzileiros Navais brasileiros foram carregados no Dixmude quando ele se encontrava atracado no Porto do Rio. Ao chegarmos no ponto do exercício de desembarque da Marambaia, eles foram usados de diversas maneiras para testar sua compatibilidade com a doca do Navio de Propósitos Múltipos francês. Uma característica interessante do projeto do Dixmude é que quando existem lanchas de desembarque e veículos com os motores ligados (e produzindo gás carbônico) as portas/rampas laterais são abertas um pouco para permitir a rápida dissipação deste gás venenoso. O primeiro dos CLAnfs deixou a doca dentro de uma das lanchas convencionais da Marinha francesa. A LCD navegou até uma pequena praia [GE: 23° 3'8.14"S 43°58'45.48"O], um ponto na costa nordeste devidamente demarcada e identificada pelos mergulhadores franceses. Segundo um destes mergulhadores, a tarefa de determinação da profundidade da areia, passo fundamental que antecede a abicagem da lancha de desembarque, foi surpreendentemente difícil devido à absoluta falta de visibilidade dentro da água naquele local.

O segundo CLAnf deixou em seguida a doca por seus próprios meios, navegando até o mesmo ponto de desembarque. O terceiro permaneceu no navio e não foi usado nos desembarques. Uma coisa que a Marinha do Brasil gostaria de ter podido testar nesta ocasião seria a saída de um CLAnf de dentro do catamarã EDA-R no meio do mar, mas o modelo atual não tem ainda esta capacidade. Como o Dixmude não voltaria mais ao Rio, na manhã da quarta feira os CLAnfs foram desembarcados na EDCG para que voltassem para sua base em São Gonçalo.

 

Gazelle e tripulante do convôo
Gazelle e tripulante do convôoGazelle e tripulante do convôo
O pulo do gato! Pro ar...
O pulo do gato! Pro ar...O pulo do gato! Pro ar...
Gazelles operavam dos dois pontos à ré
Gazelles operavam dos dois pontos à réGazelles operavam dos dois pontos à ré
Sobrevôo dos helicópteros treinando para o Photex
Sobrevôo dos helicópteros treinando para o PhotexSobrevôo dos helicópteros treinando para o Photex
Sobrevôo dos helicópteros treinando para o Photex
Sobrevôo dos helicópteros treinando para o PhotexSobrevôo dos helicópteros treinando para o Photex

Super Puma do HS-1
Super Puma do HS-1Super Puma do HS-1
Fiel do Puma francês
Fiel do Puma francêsFiel do Puma francês
Puma do exército francês
Puma do exército francêsPuma do exército francês
Alouette entrando no elevador lateral
Alouette entrando no elevador lateralAlouette entrando no elevador lateral
Movimentando o Alouette no convôo
Movimentando o Alouette no convôoMovimentando o Alouette no convôo

Enquanto isso no mar aberto...

 

As três fragatas e o navio tanque realizaram um percurso de formato oval que primeiro os levou para o sul e depois para nordeste, até finalmente retornar para a boca da Baía

A ação deste grupo começou mesmo na madrugada da segunda para a terça feira, quando os oficiais e praças de turno exercitaram a comunicação por meio de telégrafo luminoso e de guerra eletrônica. Na manhã do dia 12 foi realizado um exercício de transferência de carga leve (light line) e de manobras conjuntas como o "leapfrog" com o Gastão Motta. Perto da hora do almoço, o Alouette III do Dixmude visitou o convoo da Greenhalgh enquanto seu Bell Jet Ranger realizava operações de pickup no Navio Tanque Brasileiro. Pela tarde, entre 13:30 e 15:30, os Alouette, o Lynx e o Bell realizaram uma operação de cross deck com cada um pousando e decolando dos convoos de outros navios do grupo.

Com os navios mais familiarizados um com o outro, às 16h30 se iniciou na área identificada pelo nome "Pólux" um período de quatro horas de trânsito sob ameaça submarina. Para garantir a segurança do Tamoio, a Georges Leygues foi proibida de utilizar aqui seu sonar de profundidade variável DUBV 43C. Um P-3AM Órion da FAB participou deste exercício junto com os navios da Marinha do Brasil e da França.

Das 20h até as 22h30 houve o exercício de tiros contra granadas iluminadoras (GIL) na Área "Vega". A segunda madrugada da Passex foi o momento para se treinar a navegação sob ameaça de superfície. Aqui o NPa XXX foi usado simulando um Fast Attack Craft armado de mísseis antinavio. Este exercício se encerrou às 4 da manhã.

Na manhã do dia 13 foi realizado o exercício de tiro contra alvos de superfície. Aqui foi empregado o alvo chamado de "Jerimum Assassino" que foi criado para o recente teste do do Exocet MM40 remotorizado pela Avibrás. O nome é uma brincadeira sobre o apelido dado ao alvo inflável padrão da marinha americana, "Killer Tomato".

Amplo corredor interno do Dixmude
Amplo corredor interno do DixmudeAmplo corredor interno do Dixmude
2Ten Celso está representando a MB nesta viagem
2Ten Celso está representando a MB  nesta viagem2Ten Celso está representando a MB  nesta viagem
Ilha do Dixmude
Ilha do DixmudeIlha do Dixmude
Ilha do Dixmude
Ilha do DixmudeIlha do Dixmude
Dixmude
DixmudeDixmude

Dixmude
DixmudeDixmude
Dixmude num belo dia de sol
Dixmude num belo dia de solDixmude num belo dia de sol
Os pods giraram!
Os pods giraram!Os pods giraram!
Dixmude
DixmudeDixmude
Dixmude
DixmudeDixmude

Conclusão

A movimentação no último dia quase que se limitou unicamente aos navios que estavam no mar. A demonstração anfíbia se encerrou antes do meio dia e às três horas todos os navios já estavam juntos para a realização do Photex. O jornalistas nesta ocasião voaram num Puma francês, mas tiveram que deixar o evento no meio e antes de os navios terminarem de formar. No entanto foi possível ainda flagrar o Georges Leygues fazendo transferência de óleo no mar (TOM) sob "ameaça aérea" com o Gastão Motta, um procedimento prudente antes de iniciar sua partida em direção ao Golfo da Guiné na costa oeste africana. O Super Puma deixou o Dixmude e voltou para a Base Aérea dos Afonsos levando com sigo os membros do seu DAE. Às 18 horas, no ponto marcado [GE: 23o 15'.15S 042o 52'.5O] a Passex chegou ao seu fim. Os navios se separaram, com os brasileiros retornando para a entrada da Baía e os franceses seguindo na sua viagem. As fragatas Niterói e Greenhalgh só atracaram na Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ) na manhã do dia seguinte.

 

Dixmude
DixmudeDixmude
Dixmude Acelerando em frente
Dixmude Acelerando em frenteDixmude Acelerando em frente
Dixmude
DixmudeDixmude
O roteiro do Georges Leygues com os navios brasileiros
O roteiro do Georges Leygues com os navios brasileirosO roteiro do Georges Leygues com os navios brasileiros
TOM entre G. Leygues e Gastão Motta
TOM entre G. Leygues e Gastão MottaTOM entre G. Leygues e Gastão Motta

TOM entre G. Leygues e Gastão Motta
TOM entre G. Leygues e Gastão MottaTOM entre G. Leygues e Gastão Motta
TOM entre G. Leygues e Gastão Motta
TOM entre G. Leygues e Gastão MottaTOM entre G. Leygues e Gastão Motta
TOM entre G. Leygues e Gastão Motta
TOM entre G. Leygues e Gastão MottaTOM entre G. Leygues e Gastão Motta
Gastão Motta
Gastão MottaGastão Motta
G. Leygues fazendo um leapfrog com a Niteroi
G. Leygues fazendo um leapfrog com a NiteroiG. Leygues fazendo um leapfrog com a Niteroi

Ao deixar o Brasil os navios franceses devem fazer uma parada no Togo, se juntando por algum tempo aos demais navios franceses que compõem a operação permanente francesa no Golfo da Guiné. Esta operação se chama Corymbe e existe para garantir a paz e a ordem naquela região do globo e também para realizar diversas operações conjuntas com as marinhas locais. Com um foco adicional no treinamento dos marinheiros africanos, o Dixmude deve receber a bordo por alguns dias vários visitantes locais para que eles possam absorver o máximo de conhecimentos técnicos ao longo desta importante parceria internacional. De lá, o Grupo Jeanne d'Arc segue com paradas intermediárias em Dakar e, em seguida, em Lisboa, antes de se dirigir ao seu porto final, Brest, onde só chegará em 25 de julho.

 

Quase como uma referência literal à grande "festa ecológica" que acontecia no Rio ao redor da Conferência Rio +20, os navios da Passex passaram, na última tarde do exercício, ao lado de um grupo de mais de 100 golfinhos que, excitados, se refestelavam com um grande cardume a poucos quilômetros das praias cariocas. Um dos aspectos mais centrais ao conceito da Amazônia Azul, tão bem estruturado e divulgado pela Marinha do Brasil, reside na capacidade de termos uma Marinha que nos garanta o efetivo controle sobre os seus 4,5 milhões de quilômetros quadrados. Não só para podermos extrair seus recursos minerais e petróleo, mas também para proteger a vida marinha e guardar os nossos estoques de pesca. Se o programa de reequipamento da Marinha seguir no ritmo desejado e os esforços de despoluição fizerem efeito, em breve será realmente possível voltar a ver toninhas vivendo e brincando dentro da Baía da Guanabara, como já foi comum há décadas atrás. Isso, é claro, se todas as promessas da classe política forem cumpridas...

 

G. Leygues
G. LeyguesG. Leygues
Close do G. Leygues
Close do G. LeyguesClose do G. Leygues
Detalhe dos Exocet MM40 do G. Leygues
Detalhe dos Exocet MM40 do G. LeyguesDetalhe dos Exocet MM40 do G. Leygues
G. Leygues
G. LeyguesG. Leygues
Fragata Greenhalgh
Fragata GreenhalghFragata Greenhalgh

Fragata Greenhalgh
Fragata GreenhalghFragata Greenhalgh
Fragata Niterói
Fragata NiteróiFragata Niterói
Cerimônia da Data Magna da Marinha na Niterói
Cerimônia da Data Magna da Marinha na NiteróiCerimônia da Data Magna da Marinha na Niterói
Cerimônia da Data Magna da Marinha na Niterói
Cerimônia da Data Magna da Marinha na NiteróiCerimônia da Data Magna da Marinha na Niterói
AH-11A chega para pouso na Niterói
AH-11A chega para pouso na NiteróiAH-11A chega para pouso na Niterói

Fragata Greenhalgh
Fragata GreenhalghFragata Greenhalgh
Os Sikorsky S-90 são usados para transportar pessoal no Pré-Sal
Os Sikorsky S-90 são usados para transportar pessoal no Pré-SalOs Sikorsky S-90 são usados para transportar pessoal no Pré-Sal
Rio +20: Mais de 200 golfinhos se esbanjando num cardume
Rio +20: Mais de 200 golfinhos se esbanjando num cardumeRio +20: Mais de 200 golfinhos se esbanjando num cardume
ALIDE no Puma francês voltando para a BNRJ
ALIDE no Puma francês voltando para a BNRJ ALIDE no Puma francês voltando para a BNRJ
Passageiros desembarcados, retornando para o Dixmude
Passageiros desembarcados, retornando para o DixmudePassageiros desembarcados, retornando para o Dixmude

Adeus Brasil!
Adeus Brasil!Adeus Brasil!
Alô África!
Alô África!Alô África!
Au revoir Dixmude!
Au revoir Dixmude!Au revoir Dixmude!
Photex perfeita!
Photex perfeita!Photex perfeita!
Esta bolacha foi um sucesso, não restou nenhuma na loja...
Esta bolacha foi um sucesso, não restou nenhuma na loja...Esta bolacha foi um sucesso, não restou nenhuma na loja...

 

 

 

 

Last Updated on Wednesday, 27 June 2012 21:01
 

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