Real Marinha Norueguesa PDF Print E-mail
Written by Felipe Medeiros   
Friday, 08 June 2012 14:18

Real Marinha Norueguesa

Durante nossa viagem à distante Noruega, ALIDE buscou conhecer a Real Marinha Norueguesa; seus meios, suas instalações e um pouco do seu pensamento estratégico. A despeito de serem países muito diferentes social, política, cultural e geograficamente, a Noruega já enfrenta há seis décadas desafios muito semelhantes aos que o Brasil enfrentará no futuro próximo, quando começar a exploração do Pré Sal e aumentar sua presença na Antártica. Fomos conferir que lições (e contra-exemplos) os noruegueses, e sua marinha, têm para os brasileiros.

História

A memória dos noruegueses está repleta de histórias e imagens dos vikings, dos quais se fala com maior ou menor seriedade dependendo da ocasião. Não podemos falar, porém, que os exploradores do século VIII eram o início de uma “marinha norueguesa” devido à falta de uma organização institucional. Os historiadores locais situam no ano de 955, durante o reinado de Haakon I, a criação de sua marinha. Eles consideram que Haakon deu solidez institucional à marinha e a situou dentro uma estrutura estatal (ainda que de um Estado Medieval).

Quando a Noruega foi incorporada ao Reino da Dinamarca, em 1509, suas marinhas também foram unidas. A despeito de ser originalmente pequena e assim ter permanecido no decurso dos séculos XVI e XVII, a partir do século XVIII a Real Marinha Dano-Norueguesa cresceu em pessoal e número de navios. Em seu auge, ela teve em torno de 15.000 militares, dos quais aproximadamente 10.000 eram de origem norueguesa. A RMDN foi uma potência naval de sua época, participando ativamente da defesa e administração das colônias ultramarinas do Reino da Dinamarca-Noruega.

Bergen - Sede da Base de Haakonsvern
Bergen - Sede da Base de HaakonsvernBergen - Sede da Base de Haakonsvern
Bergen - Sede da Base de Haakonsvern
Bergen - Sede da Base de HaakonsvernBergen - Sede da Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern

Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de Haakonsvern
Caminho até a Base de HaakonsvernCaminho até a Base de Haakonsvern
Prédio do Estado Maior da Armada
Prédio do Estado Maior da ArmadaPrédio do Estado Maior da Armada

 

Os dois países permaneceram unidos até 1814, quando a Dinamarca, que avia se aliado a Napoleão, é derrotada. Como parte dos espólios, o Reino da Noruega foi incorporado à coroa sueca. Mesmo compondo a maior parte do efetivo, aos noruegueses foram deixados poucos e desgastados navios, tendo permanecido a maior e mais capaz parte da esquadra sob a coroa dinamarquesa. A união à coroa sueca durou até o ano de 1905, quando o rei da Suécia aquiesceu com a separação das duas coroas. O rompimento com a Suécia foi menos traumático, do ponto de vista material, do que o que havia ocorrido com a Dinamarca 90 anos antes. Os noruegueses ficaram com uma frota pequena, longe do estado da arte da época, mas nem de longe tão desgastada quanto a que lhes deixaram os dinamarqueses. Em resumo, no início do século XX a Real Marinha Norueguesa era reduzida, não muito moderna, porém tinha capacidade operacional para atender às demandas da época.

Durante a I Guerra Mundial a Noruega permaneceu neutra, o que, segundo os militares noruegueses, “acabaria por gerar uma falsa sensação de segurança pela qual pagaríamos caro na II Guerra”. Após o término da IGM, os partidos socialistas ganharam muito peso dentro do parlamento norueguês. Vários deles se opunham, por uma série de questões ideológicas, ao fortalecimento da marinha e das forças armadas como um todo. Por conta disso, os militares noruegueses estavam, sob todos os aspectos, bastante defasados quando começou a II Guerra Mundial. Novamente o Reino da Noruega optou pela neutralidade. Desta vez, porém, os alemães necessitavam de portos que não congelassem para ter uma saída mais confiável para combater no Atlântico Norte. Após a entrada da URSS na guerra, em 1941, esses portos ficaram ainda mais importantes, posto que seriam usados na tentativa de fechar a rota que abastecia os russos por Murmansk. Com a permissão da Suécia, tropas nazistas cruzaram seu território em abril de 1940 para invadir e posteriormente ocupar a Noruega. Após a entrada da URSS na guerra, em 1941, os portos noruegueses ficaram ainda mais importantes, posto que seriam usados como base por vários dos navios que se engajariam no esforço de fechar a rota que abastecia os russos por Murmansk.

Caminho para os diques
Caminho para os diquesCaminho para os diques
Caminho para os diques
Caminho para os diquesCaminho para os diques
Caminho para os diques
Caminho para os diquesCaminho para os diques
CB-90 durante o Cold Response
CB-90 durante o Cold ResponseCB-90 durante o Cold Response
CB-90 durante o Cold Response
CB-90 durante o Cold ResponseCB-90 durante o Cold Response

CB-90 em seu dique
CB-90 em seu diqueCB-90 em seu dique
CB-90 em seu dique
CB-90 em seu diqueCB-90 em seu dique
CB-90 em seu dique
CB-90 em seu diqueCB-90 em seu dique
CB-90
CB-90 CB-90
CB-90 de transporte de tropas
CB-90 de transporte de tropasCB-90 de transporte de tropas

 

O fim da II Guerra Mundial: A Guerra Fria e uma grande mudança de mentalidade

Em 1945, finda a guerra, a Noruega é desocupada. A experiência da ocupação e a extrema crise de abastecimento que afetou os noruegueses levaram a uma mudança drástica de mentalidade nos políticos, nos militares e na sociedade civil. Criou-se a consciência de que algo com aquilo jamais deveria acontecer de novo. O primeiro passo, claro, foi dado na esfera política. As classes dirigentes da Noruega abandonaram permanentemente a política de neutralidade que vinham tentando praticar desde o fim das guerras napoleônicas. Não sem motivo, ela é um dos membros fundadores da OTAN e um dos aliados mais fortes dos EUA dentro da organização. Assim, a partir dos anos 1950, começou a reconstrução da capacidade operacional da Marinha Norueguesa. Durante essa década, a RMN foi uma marinha de águas marrons, isto é, capacitada para operar somente em uma estreita faixa litorânea e em suas águas interiores. Data desse período a aquisição de muitos navios patrulha e lanchas missileiras. Ao longo dos anos 1960/1970, a Noruega recolheu grandes recursos dos programas de financiamento dos EUA para capacitação de seus aliados. Deles veio o dinheiro, por exemplo, para a construção da classe Oslo de fragatas. O resto do financiamento veio do dinheiro do petróleo, descoberto nos final da década de 60.

 

CB-90 de apoio médico
CB-90 de apoio médicoCB-90 de apoio médico
CB-90 de apoio médico
CB-90 de apoio médicoCB-90 de apoio médico
Varredor classe Alta
Varredor classe AltaVarredor classe Alta
Varredor classe Alta
Varredor classe AltaVarredor classe Alta
Varredor classe Alta - Detalhe do casco
Varredor classe Alta - Detalhe do cascoVarredor classe Alta - Detalhe do casco

Submarino classe Ula
Submarino classe UlaSubmarino classe Ula
Submarino classe Ula
Submarino classe UlaSubmarino classe Ula
Submarino classe Ula
Submarino classe UlaSubmarino classe Ula
Submarino classe Ula - Tubo de torpedos
Submarino classe Ula - Tubo de torpedosSubmarino classe Ula - Tubo de torpedos
Submarino classe Ula - Tubo de torpedos
Submarino classe Ula - Tubo de torpedosSubmarino classe Ula - Tubo de torpedos

 

Quando vieram as crises do petróleo, a Noruega se tornou o próspero país que é hoje. O dinheiro “extra” permitiu que o país, já na segunda metade dos anos 70, operasse uma força naval de águas verdes, isto é, capaz de defender os mares próximos ao seu território, nomeadamente o Mar de Barents, que defenderia com o apoio da US Navy, e o Mar do Norte, com as marinhas da Inglaterra e Dinamarca.

A RMN, desde então, sempre teve um cronograma de programas de modernização e/ou reaparelhamento de meios. Ele, com todas a agruras que não são estranhas aos militares brasileiros, foi seguido com relativa tranquilidade e atrasos de não mais do que dois ou três anos em relação ao previsto.

 

Submarino classe Ula - Acomodações
Submarino classe Ula - AcomodaçõesSubmarino classe Ula - Acomodações
Submarino classe Ula - Banheiro
Submarino classe Ula - BanheiroSubmarino classe Ula - Banheiro
Submarino classe Ula - Banheiro
Submarino classe Ula - BanheiroSubmarino classe Ula - Banheiro
Submarino classe Ula - Chuveiro
Submarino classe Ula - ChuveiroSubmarino classe Ula - Chuveiro
Submarino classe Ula - Cabine do comandante
Submarino classe Ula - Cabine do comandanteSubmarino classe Ula - Cabine do comandante

Submarino classe Ula - Cozinha
Submarino classe Ula - CozinhaSubmarino classe Ula - Cozinha
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response

 

Particularidades geográficas e seus reflexos nas determinações estratégicas

É bastante interessante ter uma perspectiva comparada sobre as disposições e determinações estratégicas que orientam as formulações da Marinha Norueguesa e compará-las com aquilo que pensamos sobre a defesa do Brasil.

O primeiro elemento que a RMN tem em mente é que a ZEE da Noruega é sete vezes o tamanho de seu território, por isso é essencial contar com uma força naval robusta e bem adestrada.

Com isso em mente faz-se a pergunta: como defender o país de um ataque soviético (já que essa foi a preocupação da marinha nessa nova fase pós II Guerra)? A Noruega continental faz fronteira com três países: Suécia, Finlândia e Rússia. A Suécia, a despeito de ter dado livre trânsito aos nazistas, era vista como uma aliada. Não se cogitava a possiblidade de que ela fizesse algo semelhante no evento de uma guerra contra a URSS. A Finlândia já nutria grande rivalidade com povos de origem eslava e havia lutado uma guerra própria - extremamente feroz - com os soviéticos durante o período da IIGM. Os militares noruegueses sempre consideraram “fechada” a passagem russa pelo território finlandês. Restava uma estreita e montanhosa fronteira terrestre entre Noruega e URSS, inviável para o trânsito de grandes contingentes. Por isso, a hipótese mais provável de um ataque à Noruega seria, acreditavam seus militares, um desembarque anfíbio de grandes proporções.

A costa norueguesa, todavia, também é muito peculiar. A erosão glacial “recortou” o litoral do país e formou os conhecidos fiordes, hoje uma atração turística. São centenas de “ilhotas” de topografia íngreme e escarpada. Qualquer navio de assalto (ou grupo deles) teria de ziguezaguear pelos fiordes até atingir uma cabeça de praia favorável ao desembarque. À luz dessa constatação, a RMN concluiu que a melhor maneira de defender seu território era usar uma estratégia de “hit and run”, isto é, usar barcos extremamente rápidos para atacar de surpresa um GT naval, causar grandes danos com um míssil ou torpedo e sumir pelos meandros dos fiordes, onde navios de escolta de maior porte não teriam condições de segui-los.

Como consequência dessas concepções, a Marinha Norueguesa elencou suas três prioridades: (1ª) Primeira, possuir grande capacidade de ASuW para prevenir um assalto anfíbio ao seu território em uma estratégia de negação do uso do mar; (2ª) segunda, estar apta a promover um esforço de guerra antisubmarina dentro de um GT multinacional, nomeadamente da OTAN, nos mares do Norte (contra submarinos convencionais) e de Barents (contra nucleares) – sua contribuição se centraria nas atividades de desminagem, embora não se limitasse a elas; (3ª) terceira, a RNM deveria ter condições de contribuir com a força aérea na defesa do território norueguês no evento de um ataque feito por aeronaves soviéticas. Embora a Guerra Fria tenha acabado essas concepções continuam influenciando, em maior ou menor escala, a configuração da Marina Norueguesa. Isso não é surpresa, haja vista que a geografia do país não mudou. Ademais, a Noruega ainda tem uma relação delicada com a Rússia. Iniciativas que buscam promover uma aproximação militar entre os dois países, como o exercício bilateral Pomor (confira aqui nossa cobertura do Pomor 2012) ainda são bastante recentes.

 

Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold Response
Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response
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Corveta Skjold no Cold ResponseCorveta Skjold no Cold Response

Corveta Skjold no Cold Response
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Corveta Skjold no Cold Response
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A Real Marinha Norueguesa nos dias atuais

A RMN tem um número variável de militares em serviço. Ele oscila entre 3.700 e 4.000, dependendo da quantidade de conscritos que o orçamento permite absorver em determinado ano. Desse total, aproximadamente 500 estão na Guarda Costeira, o que deixa um número bastante reduzido (entre 3.200 e 3.500) disponíveis para o cumprimento de todas as atribuições constitucionais da força.

Ainda assim o recrutamento de oficias e praças é relativamente fácil. Per Rostad, Capitão-de-Fragata encarregado do escritório de relações públicas, nos conta que “a Marinha é vista como um dos melhores educadores do país na área de náutica. A formação que damos aos nossos militares na área dificilmente encontra par nas instituições civis de ensino”. Todos sabem que a Noruega é hoje um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Há empresas do país atuando no setor de óleo e gás e no ramo de serviços off shore no mundo todo, inclusive no Brasil. O CF Rostad explica que “os profissionais egressos da Marinha são muito bem vistos pelas empresas. Eles vêm com uma excelente formação na área técnica. Motores, eletrônica, comunicações, navegação... absolutamente todas as áreas de que as companhias privadas de off shore precisam. Nosso problema não é ter jovens prestando concurso para a Academia Naval ou convencer o conscrito a cumprir seu serviço militar obrigatório na Marinha em lugar de prestar serviço comunitário. Nosso maior problema hoje é manter os militares na força após gastarmos verbas com seu treinamento. Por vezes as empresas pagam salários que nós não temos como equiparar”. Ao contrário do Brasil – que só tem dois centros de formação de oficias de marinha mercante, que são subordinados à marinha de guerra – a Noruega tem algumas dezenas de escolas civis desse tipo, que também oferecem qualificações para quem deseja trabalhar com petróleo e gás. Rostad continua: “Se eles fizessem esses cursos em uma instituição civil, teriam que arcar com seus custos. A marinha lhes dá uma educação melhor sem cobrar por isso”. Quando questionado sobre a gravidade do problema ele diz que “a situação não é tão ruim. Nós perdemos muitos conscritos após 3 ou 4 anos de serviço. Mas nós só absorvemos algo entre 8% e 10% do total jovens aptos para o serviço militar, se fosse realmente necessário negociaremos com o parlamento o aumento desse número. Além disso, o índice de evasão é substancialmente menor entre oficias.

ALIDE questionou o CF Rostad sobre o grau de consciência da população norueguesa a respeito das questões de defesa e quais os impactos da crise econômica de 2008 no orçamento. “Crise? Que crise?” sorri o bem humorado militar. “A crise econômica chegou com muito pouca força aqui. O governo administra um fundo nacional que reúne recursos vindos da exploração de petróleo. O uso feito desse dinheiro é muito responsável. Nosso governo administrou bem quaisquer efeitos da crise sem se tornar perdulário ou exceder um limite razoável de endividamento.” Ele prossegue: “É claro que gostaríamos de ter um orçamento maior, mas também não podemos reclamar do quanto recebemos. A minha geração – que está, digamos, por volta dos 40 anos – e todas as gerações anteriores cresceram sob a égide da Guerra Fria e ouvindo de nossos avós histórias das privações que eles passaram durante a II Guerra. Eu diria que o povo norueguês tem, sim, uma ‘cultura de defesa’. O contribuinte sabe que dinheiro gasto com as forças armadas não está sendo jogado fora (mesmo porque há vários mecanismos para que ele consulte os modos como o orçamento é gasto). Ele conhece e reconhece o papel das FFAA. É claro que há pontos de fricção. Há um debate constante entre gastos militares e gastos com bem-estar social e é óbvio que o contribuinte opta pelo segundo em detrimento do primeiro; mas até agora essa discussão não virou uma tensão. De modo geral o norueguês é ‘defense minded’ e isso se reflete em um orçamento satisfatório, ainda que não perfeito”.

 

Corveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de HaakonsvernCorveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de HaakonsvernCorveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de HaakonsvernCorveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold na Base de HaakonsvernCorveta Skjold na Base de Haakonsvern
Corveta Skjold - Entrada
Corveta Skjold - EntradaCorveta Skjold - Entrada

Corveta Skjold - Prancha
Corveta Skjold - PranchaCorveta Skjold - Prancha
Corveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - IlhaCorveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - Ilha e Canhão
Corveta Skjold - Ilha e CanhãoCorveta Skjold - Ilha e Canhão
Corveta Skjold - Canhão
Corveta Skjold - CanhãoCorveta Skjold - Canhão
Corveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - IlhaCorveta Skjold - Ilha

 

Ainda no esforço de comparar as Marinhas Norueguesa e do Brasil, buscamos aferir o grau de interoperabilidade entre os três ramos das FFAA do dois país e o que foi e vem sendo feito para aumentá-la. O CF Per nos conta que as forças armadas causaram uma mudança drástica de pensamento quando instituíram a Organização Central de Logística de Defesa Nacional, em 2003. “A partir da criação dela, passamos a ter oficias das três forças trabalhando de uma maneira que não acontecia dentro do Ministério da Defesa. A OCLDN unificou vários processos de compra que antes eram feitos por cada força, tanto de coisas mais simples, como alimentos, até sobressalente de meios comuns às três forças (como helicópteros). Habituamos-nos a trabalhar juntos a partir daí. Depois veio a própria necessidade operacional. Em forças de contingente reduzido, como as nossas, é inviável treinar um oficial da Marinha para pilotar um helicóptero só porque ele é o meio orgânico de uma fragata, ou ter um oficial do Exército pilotando uma lancha de ataque só porque o contingente embarcado vem da força terrestre. Eu diria que hoje a Marinha e a Força Aérea tem um nível altíssimo de interoperabilidade. Primeiro porque os pilotos de helicópteros usados em qualquer operação da Força de Defesa Norueguesa são egressos da Força Aérea. Segundo porque nós passamos a usar o poder dos radares Aegis e seus datalinks em operações com as aeronaves de patrulha deles (os P-3 Orion). Nosso nível de interoperabilidade com o Exército Norueguês é um pouco menor. Diria que também devido à (menor) demanda operacional. Interagimos bastante com oficias do Exército no nível de Estado-Maior, mas no tático operacional, nossas operações se limitam quase exclusivamente a pilotar os CB-90 em que eles embarcam”.

E quanto ao futuro dessa integração? “Ela tende a aumentar. Nós adotamos a abordagem da ‘guerra centrada em rede’ (networking-centric warfare, no orginal) que demandará um grau cada vez maior de interoperabilidade entre as três forças. No mais, os Serviços de Saúde das três forças estão quase totalmente integrados (com algumas exceções que tendem a desaparecer). O Serviço Clerical já é comum a todas as forças. Toda a atividade de inteligência e de estudos geográficos também. Por fim, a atividade de polícia militar (com o sentido de segurança de instalações) também está bem integrada. É difícil achar uma OM com militares de somente um dos três ramos e todas elas contam com pessoal do Exército, Marinha e Aeronáutica trabalhando juntos na parte de segurança, embora haja uma prevalência numérica do primeiro – mas isso é só o reflexo de ele ser o mais numeroso dos três.

 

Corveta Skjold
Corveta Skjold Corveta Skjold
Corveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - IlhaCorveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - IlhaCorveta Skjold - Ilha
Corveta Skjold - Lançador de míssil
Corveta Skjold - Lançador de míssilCorveta Skjold - Lançador de míssil
Corveta Skjold - Atracadas a contrabordo
Corveta Skjold - Atracadas a contrabordoCorveta Skjold - Atracadas a contrabordo

Corveta Skjold - Suíte de sensores
Corveta Skjold - Suíte de sensoresCorveta Skjold - Suíte de sensores
Corveta Skjold - Suíte de sensores
Corveta Skjold - Suíte de sensoresCorveta Skjold - Suíte de sensores
Corveta Skjold - Atracadas a contrabordo
Corveta Skjold - Atracadas a contrabordoCorveta Skjold - Atracadas a contrabordo
Corveta Skjold - Escape dos mísseis fechado
Corveta Skjold - Escape dos mísseis fechadoCorveta Skjold - Escape dos mísseis fechado
Corveta Skjold - Escape dos mísseis aberto
Corveta Skjold - Escape dos mísseis abertoCorveta Skjold - Escape dos mísseis aberto

 

A RMN e o desenvolvimento tecnológico na Noruega

A Real Marinha Norueguesa tem uma convicção muito forte no que tange à compra de produtos de defesa: Eles aceitam pagar mais caro pro um produto norueguês, desde que ele seja o melhor. Aparentemente a convicção de que os produtos noruegueses são os melhores também é bem forte.

Membros da Marinha e da indústria norueguesa sabem já há muito que a escala da demanda da RMN nunca seria grande bastante para sustentar uma base industrial de defesa que abarcasse todo o espectro de produtos demandados por uma força naval. Por isso, militares e empresários chegaram a um consenso, eles se dedicariam a produzir um único tipo de produto, mas produziriam o melhor dele no mercado; a escolha norueguesa foram os mísseis e a empresa escolhida foi a Kongsberg Defense & Aerospace.

A RNM precisava de um míssil antissuperfície, de baixa altitude e passivo. Exatamente para ser carregado por suas lanchas missileiras e desencorajar o ataque anfíbio discutido anteriormente. Ela gerou a demanda e financiou ao longo dos anos 60 a pesquisa que culminaria no lançamento do míssil Penguin. O Penguin é um sucesso de exportação. Ele teve várias versões posteriores, das quais a mais bem sucedida no mercado internacional é a lançada por helicóptero, atualmente utilizada por Austrália, Reino Unido, Turquia, Noruega (claro), Espanha, África do Sul, Suécia, Grécia e Brasil. Sua versão maior e mais moderna, o NSM, está equipando as fragatas Fridtjof Nansen e disputa seriamente o papel de míssil antissuperfície padrão a ser empregado por todos os usuários de caças F-35.

A Real Marinha também gera muita demanda da indústria nativa de construção naval. Praticamente todos os navios da marinha foram construídos por empresas norueguesas com a exceção de suas fragatas e submarinos, mas mesmo neles houve grande participação da indústria local (chegando a 50% de índice de nacionalização, em valor). Vários desses estaleiros atendiam originalmente a indústria de óleo e gás e adicionaram as embarcações militares a um portfólio civil já pré-existente.

 

Corveta Skjold - Passadiço
Corveta Skjold - PassadiçoCorveta Skjold - Passadiço
Corveta Skjold - Passadiço
Corveta Skjold - PassadiçoCorveta Skjold - Passadiço
Corveta Skjold - Praça d'Armas
Corveta Skjold - Praça d'ArmasCorveta Skjold - Praça d'Armas
Corveta Skjold - Praça d'Armas
Corveta Skjold - Praça d'ArmasCorveta Skjold - Praça d'Armas
Corveta Skjold - Praça d'Armas
Corveta Skjold - Praça d'ArmasCorveta Skjold - Praça d'Armas

Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas

 

A participação na Operação Atalanta

A RMN está envolvida na Operação Atalanta desde o seu início, em 2008. Sendo ela uma das principais operações navais do mundo, não poderíamos perder a oportunidade de conhecê-la melhor e saber como vem sendo a experiência da RMN com ela.

A primeira coisa que os noruegueses nos fizeram entender é que a Atalanta não é o mais longe em que a marinha já operou. Eles já foram à costa oeste dos Estados Unidos com a classe Skjold (falaremos melhor disso adiante) e já sustentaram uma “missão de presença” na Antártica para tentar fundamentar na ONU suas demandas territoriais sobre o polo sul. A RMN envolveu-se na Atalanta em detrimento da Ocean Shield e da Combined Task Force 151 por dois motivos. O primeiro foi cronológico, Atalanta foi a primeira dessas missões a ser organizada, e os noruegueses queriam engajar na região tão logo quanto possível. O segundo motivo era o fato de a União Europeia ter estabelecido um arranjo com um tribunal no Kenya para julgar os piratas somalis. Hoje, porém, a marina já estuda com muito cuidado a participação na Ocean Shield. Isso porque as regras de engajamento da Atalanta seriam muito limitadores e não estariam gerando o resultado esperado. Em suma, a RMN estaria em alguma medida “decepcionada”. Isso não é, todavia, definitivo. Até agora a Noruega tem mostrado um comprometimento respeitável com a operação, tendo mandado além das fragatas Fridtjof Nansen um P-3C que operou a partir das ilhas Seychelles.

Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - TurbinasCorveta Skjold - Turbinas
Corveta Skjold - Interior do Canhão
Corveta Skjold - Interior do CanhãoCorveta Skjold - Interior do Canhão
Corveta Skjold - Munição do Canhão
Corveta Skjold - Munição do CanhãoCorveta Skjold - Munição do Canhão
Lancha de patrulha durante o Cold Response
Lancha de patrulha durante o Cold ResponseLancha de patrulha durante o Cold Response

Lancha de patrulha durante o Cold Response
Lancha de patrulha durante o Cold ResponseLancha de patrulha durante o Cold Response
Lancha de patrulha durante o Cold Response
Lancha de patrulha durante o Cold ResponseLancha de patrulha durante o Cold Response
Lancha de patrulha durante o Cold Response
Lancha de patrulha durante o Cold ResponseLancha de patrulha durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold ResponseFridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold ResponseFridtjof Nansen durante o Cold Response

A RMN goza do fato de o seu engajamento na operação ser algo consensual dentro do país. O único problema levantado é o tempo desse engajamento. A missão não tem data estabelecida para acabar, e isso se aplica à participação norueguesa. Naturalmente isso causa muito incômodo entre alguns políticos e mesmo certos militares, mas não é nada que tenha ameaçado, até o presente momento, a disposição do país em fazer parte do esforço internacional antipirataria. Interessada em entender o rigor das patrulhas na Atalanta, ALIDE perguntou quanto tempo o navio ficava no mar e de quanto tempo dispunha a tripulação para descansar em terra entre uma patrulha e outra. Foi-nos respondido que essa era uma informação classificada, mas que os navios tinham autonomia de comida e combustível para permanecer até trinta dias no mar. Os principais portos usados para recreação eram Salalah, em Oman, e Mumbasa, no Kenya. Mas os navios também passaram alguns dias atracados em portos no Djibouti e nas Seychelles.

Após visitar a fragata União no Líbano e descobrir com a Marinha do Brasil enfrentou os empecilhos logísticos de sustentar uma operação tão longe de casa, ALIDE buscou descobrir quais as soluções encontradas por outras marinhas para problemas análogos. A Marinha Norueguesa abordou a questão com um engenho muito simples. Usar linhas de transporte marítimo civil. Conversamos com a tripulação da Nansen que tinha retornado da Atalanta. Seu Comandante nos contou que RMN busca comprar tanto quanto possível nos portos locais, comida principalmente. Sobressalente e outros componentes, por um motivo ou outro, considerados mais sensíveis são enviados através de agências transportadoras civis. Eles utilizaram a Wilhelmsen, uma fretadora norueguesa. O principal, nesses casos, é se certificar de que haverá sincronismo entre a chegada da carga e do navio ao porto. Segundo o Comandante da Nansen, a maior ‘defesa’ do material transportado é justamente são anonimato, ela “é só mais um contêiner em um terminal repleto deles. Foi a solução mais barata e segura que encontramos para abastecer nossos navios longe de casa e estamos muito satisfeitos com ela”. Somente itens muito sensíveis são mandados via aérea. A utilização de transportadoras civis não enfrentou nenhuma resistência por parte dos militares.

 

Fridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold ResponseFridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold ResponseFridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold ResponseFridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen e CB-90 durante o Cold Response
Fridtjof Nansen e CB-90 durante o Cold ResponseFridtjof Nansen e CB-90 durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold Response
Fridtjof Nansen durante o Cold ResponseFridtjof Nansen durante o Cold Response

Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50
Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50
Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50
Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50
Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50
Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50Fridtjof Nansen durante o Cold Response - Tiro com .50
Fridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de HaakonsvernFridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de HaakonsvernFridtjof Nansen na Base de Haakonsvern

 

A Guarda Costeira

Conforme já dissemos, a Guarda Costeira é uma entidade separada da RMN, ainda que subordinada a ela, que conta com aproximadamente 500 pessoas (tanto nas funções de planejamento quanto na composição das tripulações dos navios). Embora a principal atribuição da GC seja a realização de operações SAR (das quais até maio já havia realizado oito), sua atividade mais comum é a inspeção de navios pesqueiros. A Noruega é um país que depende fortemente da pesca tanto para alimentação própria quanto para geração de divisas por meio da exportação. É essencial para a saúde da economia do país que esse extrativismo não seja predatório, “e de fato é um milagre que não o tenha sido até hoje”, como observou um colega jornalista do Barents Observer.

A Guarda Costeira obtém quase todo seu pessoal das escolas civis de ciências náuticas Alguns são egressos da marinha de guerra, que a deixam seduzidos por uma escala mais “gentil”: três semanas consecutivas em patrulha, três semanas em casa. O salário é o mesmo, consoante a respectiva patente. Como resultado, cada navio possui duas tripulações completas, incluindo dois comandantes e dois imediatos. Por conta disso a Guarda Costeira é vista como uma boa possibilidade de carreira e não necessita promover campanhas de recrutamento.

 

Fridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de HaakonsvernFridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de HaakonsvernFridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen na Base de HaakonsvernFridtjof Nansen na Base de Haakonsvern
Fridtjof Nansen - SPY-1/F
Fridtjof Nansen - SPY-1/FFridtjof Nansen - SPY-1/F
Fridtjof Nansen - Lançador de NSM
Fridtjof Nansen - Lançador de NSMFridtjof Nansen - Lançador de NSM

Fridtjof Nansen - Lançador de NSM
Fridtjof Nansen - Lançador de NSMFridtjof Nansen - Lançador de NSM
Fridtjof Nansen - Hangar e Convoo
Fridtjof Nansen - Hangar e ConvooFridtjof Nansen - Hangar e Convoo
Fridtjof Nansen - Convoo e HRS
Fridtjof Nansen - Convoo e HRSFridtjof Nansen - Convoo e HRS
Fridtjof Nansen - Passadiço
Fridtjof Nansen - PassadiçoFridtjof Nansen - Passadiço
Fridtjof Nansen - Passadiço
Fridtjof Nansen - PassadiçoFridtjof Nansen - Passadiço

 

Não se pode subestimar o tamanho da missão da GC. Além de uma ZEE naturalmente enorme, a Noruega detém ilhas que aumentam seu mar territorial e submeteu na Comissão de Extensão de Limites da Plataforma Continental um pedido para extensão de sua zona econômica exclusiva. Há centenas de plataformas operando nessa região, o que coloca aos noruegueses um desafio semelhante ao que o Brasil enfrentará com o Pré-Sal. Segundo o comandante do Senja, um NaPaOc classe Nordkapp “houve muita discussão sobre organizaríamos essas patrulhas. Depois de algum tempo chegamos à conclusão de que monitorar a atividade de extração de petróleo era impossível. Deveríamos nos focar em patrulhar a área em que essa atividade acontece. A intervenção em caso de acidente, por exemplo, dificilmente seria uma iniciativa da própria Guarda Costeira, ela responderia prontamente a uma solicitação, seja da petroleira, seja das autoridades norueguesas. Nossa atuação é baseada em uma ação de presença. Não há necessidade e nem condições materiais e de pessoal para se inspecionar uma a uma todas as plataformas. Já há vários de certificação fazendo isso antes de elas começaram a prospectar.

Finalmente, discutimos o afamado degelo do Ártico e as consequências que ele traria para o tráfego na região e, por extensão, para o tamanho da missão da Guarda Costeira. O Comandante respondeu que “até agora não houve mudança sensível. Para falar a verdade, as estimativas da marinha são de que o tráfego não vá aumentar tanto assim quanto algumas pessoas supõem. Após estudar a questão, a RMN concluiu que a Noruega não será gravemente afetada caso essa rota pelo Ártico fique mais degelada. Primeiro porque a rota pelo Ártico já existe; ela é possível pela existência de uma corrente quente (a Corrente do Golfo). É difícil imaginar que ela vá se tornar tão mais atrativa do que é hoje porque os principais custos continuarão os mesmos: as taxas de trânsito e o “aluguel” dos navios quebra-gelo. As autoridades russas continuarão cobrando pela passagem por suas águas territoriais. A faixa onde eles perdem esse direito é tão mais ao norte e o gelo tão mais espesso que ela pode se tornar inviável. Além disso, nas épocas mais frias do ano os navios mercantes ainda precisarão dos quebra-gelo dos russos, e continuarão tendo que pagar (caro) pelos seus serviços. Sim, é evidente que o degelo – se realmente ocorrer – deve aumentar o tráfego marítimo pela região, mas não deve ser um aumento que nos force a revolucionar nossa organização. Pelo menos de acordo com as estimativas atuais.

 

Fridtjof Nansen - Praça d'Armas
Fridtjof Nansen - Praça d'ArmasFridtjof Nansen - Praça d'Armas
Fridtjof Nansen - Bar dos oficias
Fridtjof Nansen - Bar dos oficiasFridtjof Nansen - Bar dos oficias
Fridtjof Nansen - Centro Médico
Fridtjof Nansen - Centro MédicoFridtjof Nansen - Centro Médico
Fridtjof Nansen - Centro Médico
Fridtjof Nansen - Centro MédicoFridtjof Nansen - Centro Médico
Fridtjof Nansen - Centro Médico
Fridtjof Nansen - Centro MédicoFridtjof Nansen - Centro Médico

Fridtjof Nansen - Central de Controle da Plataforma
Fridtjof Nansen - Central de Controle da PlataformaFridtjof Nansen - Central de Controle da Plataforma
Fridtjof Nansen - Painel elétrico
Fridtjof Nansen - Painel elétricoFridtjof Nansen - Painel elétrico
Fridtjof Nansen - Motores
Fridtjof Nansen - MotoresFridtjof Nansen - Motores
Fridtjof Nansen - Turbina
Fridtjof Nansen - TurbinaFridtjof Nansen - Turbina
Fridtjof Nansen - Turbina
Fridtjof Nansen - TurbinaFridtjof Nansen - Turbina

 

Peculiaridades

A Marinha Norueguesa tem duas grandes particularidades; a primeira é o seu sistema de promoção, a segunda é a preocupação com o a comodidade dos conscritos e dos militares de carreira em geral.

A carreira de um oficial “de escola”, isto é, egresso da Academia Naval é muito semelhante nas marinhas do Brasil e da Noruega. A carreira dos praças, porém, é algo completamente diferente. O marinheiro ingressa na força por duas vias; ou por concurso ou pelo serviço militar obrigatório. Em ambos os casos ele tem liberdade para assinar contratos de período variável com a força. Uma diferença fundamental é o número de patentes; são apenas quatro: marinheiro, cabo, sargento (sem distinção entre 3°, 2° e 1º) e suboficial. E eis o grande diferencial: alguém ingressa com marinheiro pode chegar ao posto de suboficial, dependendo da velocidade com que complete os cursos de carreira, pode chegar a suboficial em algo entre 6 e 8 anos! Não apenas isso, após atingir esse posto, com alguns cursos posteriores ele pode ser promovido a Segundo Tenente. Segundo o CF Rostad, por conta desse sistema “nós temos uma razão ‘oficias sobre praças’ muito alta em comparação com outras marinhas. Isso é reflexo, eu acredito, dos governos socialdemocratas progressistas que tivemos ao longo das últimas quatro ou cinco décadas, que achavam que as carreiras deveriam ser mais abertas e o nosso sistema de promoções mais flexível. O grande número de oficiais em relação a praças ainda não foi um problema para nós, mas acredito que é algo que deveremos que rever em breve (por questões orçamentárias)”.

 

Fridtjof Nansen - Radar passivo
Fridtjof Nansen - Radar passivoFridtjof Nansen - Radar passivo
Fridtjof Nansen - Bow Thruster
Fridtjof Nansen - Bow ThrusterFridtjof Nansen - Bow Thruster
Fridtjof Nansen - Bow Thruster
Fridtjof Nansen - Bow ThrusterFridtjof Nansen - Bow Thruster
Fridtjof Nansen - Bow Thruster
Fridtjof Nansen - Bow ThrusterFridtjof Nansen - Bow Thruster
Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira

Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira

 

A outra peculiaridade da RMN é a ênfase no conforto oferecido à tripulação e aos conscritos. O normal é que os jovens “pegos” pelo alistamento aos 18 anos ainda estejam cursando o ensino médio. Para evitar que eles parem de estudar no ano que servem, há um “Serviço de Bem-estar”, subordinado ao MD. Ele oferece uma série de facilidades para que o jovem siga acompanhando a evolução do currículo escolar, preste seus exames (se o desejar) e faça cursos e atividades extras. O Serviço de Bem-estar também provê os navios com “salas de entretenimento” onde os conscritos podem passar seu tempo livre. Essas salas contam com TV, computador com internet, telefone, vários filmes, séries e livros e consoles de última geração (PlayStation3 e/ou Xbox360). O Senja ainda dispunha das guitarras e bateria para os jogos Guitar Hero e Rock Band (muito populares entre os noruegueses). “Tudo para tornar o ano de serviço obrigatório o mais leve possível”, segundo o Major Ivar, membro do Exército Norueguês e oficial de ligação de ALIDE durante nossa estadia na Noruega.

A preocupação com o conforto da tripulação aparece em outros momentos. Vários dos navios da marinha contam com academias a bordo. Os de maior deslocamento chegam a contar com saunas! Os camarotes também refletem essa preocupação. Seu número de ocupantes geralmente é baixo; dificilmente se encontra um deles dividido por quatro militares. A maior parte deles tem dois ocupantes, quando não apenas um. Em certos navios da Guarda Costeira - dependendo da presença ou não de um DAE ou de mergulhadores de resgate – até mesmo os marinheiros mais modernos chegam a ocupar sozinhos um camarote. Outro ponto que chama atenção é a menor formalidade no trato com o Comandante do navio. Tanto na Guarda Costeira quanto na Marinha de Guerra o oficial comandante comia no mesmo rancho que os outros oficiais, se servia sozinho e dispensava aqueles pequenos rituais (ter todos se levantando quando ele adentra uma sala, por exemplo) que são tão comuns à nossa marinha.

Operações com navios da Guarda Costeira
Operações com navios da Guarda CosteiraOperações com navios da Guarda Costeira
Desembarque durante o Cold Response
Desembarque durante o Cold ResponseDesembarque durante o Cold Response
Zeven Province e P-3 durante o Cold Response
Zeven Province e P-3 durante o Cold ResponseZeven Province e P-3 durante o Cold Response
P-3 durante o Cold Response
P-3 durante o Cold ResponseP-3 durante o Cold Response
P-3 durante o Cold Response
P-3 durante o Cold ResponseP-3 durante o Cold Response

P-3 durante o Cold Response
P-3 durante o Cold ResponseP-3 durante o Cold Response
Grupo de OpEsp durante o Cold Response
Grupo de OpEsp durante o Cold ResponseGrupo de OpEsp durante o Cold Response
Entrevista sobre o C-130 perdido durante o Cold Response
Entrevista sobre o C-130 perdido durante o Cold ResponseEntrevista sobre o C-130 perdido durante o Cold Response
As gélidas paisagens da Noruega
As gélidas paisagens da NoruegaAs gélidas paisagens da Noruega
As gélidas paisagens da Noruega
As gélidas paisagens da NoruegaAs gélidas paisagens da Noruega

Organização atual

 

A Real Marinha Norueguesa, hoje, está assim organizada:

 

  • · Estado-Maior da Esquadra
  • · Esquadrão de Fragatas (Fregattvåpenet) – Dotado de cinco fragatas classe Fridstjof Nansen.
  • · Esquadrão Submarino (Ubåtvåpenet) – Dotado de seis submarinos classe Ula.
  • · Esquadrão MTB (MTB-våpenet) – Dotado de quatro MTBs classe Skjold.
  • · Esquadrão de Minas (Minevåpenet) – Dotado de quatro varredores classe Oksoy e cinco classe Alta.
  • · Grupamento de Operações Especiais (Marinens jegervåpen) – Dotado de vinte lanchas CB-90.
  • · Esquadrão Logísitico (Logistikkvåpenet) – Dotado do navio Valkyrien

 

Essas são as bases da Real Marinha Norueguesa:

 

 

  • Base de Haakonsvern, na cidade de Bergen. A principal base da marinha, onde se sediam o Estado-Maior da Esquadra e os Esquadrões de Fragatas, Submarinos, MTB e de Minas. É a base que ALIDE visitou.
  • Base de Ramsund, localizada entre as cidades de Harstad e Narvik. Sede do Grupamento de Operações Especiais e de parte dos CB-90 da RMN.
  • Forte de Trondenes, na cidade de Harstad. É onde fica o Comando da Patrulha Costeira, equivalente norueguês a uma tropa de fuzileiros navais e artilharia de costa – conta com aproximadamente 100 militares.
  • Base de Olavsvern, cidade de Tromsø. É uma base auxiliar da marinha; feita para dar apoio às operações que partem de Bergen rumo aos extremo norte.
  • Base de Sortland, na cidade homônima, se de Guarda Costeira. E Base de Karljohansvern, na cidade de Horten. Um grande centro de instrução.

 

Todas as escolas de formação, unidades operacionais, instalações administrativas e centros de manutenção da Real Marinha Norueguesa estão dentro de uma dessas bases.

 

 

 

 

 

Last Updated on Wednesday, 26 March 2014 17:17
 

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