O 525o aniversário da Real Marinha dos Países Baixos PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Sunday, 18 August 2013 00:00

 

 

Em 2013, a Real Marinha Dos Países Baixos comemorou seu 525º aniversário, um número impressionante que apenas para termos uma rápida perspectiva é nada menos que 2,75 vezes mais tempo do que os 191 anos da Marinha do Brasil. Nos dias 20 e 21 de junho, ALIDE foi à Base Naval de Den Helder na costa holandesa para conhecer esta marinha da OTAN e os seus navios mais importantes.

No princípio

A publicação pelo Imperador Maximiliano da casa Habsburgo de um decreto chamado de “Ordinance on the Admiralty” em 1488 criou o primeiro “Almirantado”, uma organização naval permanente, no território dos Países Baixos. A defesa do interesse nacional exigia uma capacidade de defesa marítima. Este decreto visava à formação de uma marinha única a partir das diversas forças navais existentes nas diversas províncias semi-independentes que existiam ali, sendo a partir deste momento que os holandeses passam a contar a data de formação de sua própria marinha. Estas forças navais pré-existentes tinha um comando fragmentado e em muitos locais eram até mesmo privadas não hesitando em atuar contra piratas, corsários e mesmo contra concorrentes estrangeiros. O comércio e a navegação se tornaram a base da supremacia econômica da República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos. Os séculos XVI e XVII são chamados de o “período de ouro” da história dos Países Baixos.  Foi então, a partir de 1597, sua Marinha passou a ser constituída por cinco Almirantados, cada um com seu própria base naval e arsenal. Eles eram localizados em Amsterdam, Rotterdam, Friesland, Zeeland e uma última do Noorderkwartier.  A fase seguinte foi a centralização criando a fundação da morna marinha dos Países Baixos. No entanto, foi apenas no ano de 1813, ao final da “Era Francesa” que esta marinha unificada ganha a figura da coroa e passa a ser oficialmente entitulada de “Real”. O nome oficial atual, “Koninklijke Marine” (Real Marinha), foi adotado em 1913 pelo Rei Willem II. Refletindo a necessidade de uma grande interoperabilidade dentro da estrutura da OTAN e tendo em vista o reduzido número de pessoas que falam holandês atualmente, não é difícil imaginar o porque desta marinha seja chamada universalmente por seu nome traduzido para inglês: Royal Netherlands Navy.

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Neste ano, para marcar bem a data do seu 525º aniversário, as festividades de dois grandes eventos navais anuais foram combinados na mesma data: o “Marinedagen” e o Sail Den Helder ocorreram da quinta-feira, dia 20 de junho, ao domingo dia 23. Os Marinedagen, os Dias da Marinha, são dedicados aos veteranos do serviço Naval.  A quinta-feira foi um evento mais fechado, dedicado exclusivamente aos militares veteranos de todas as idades e aos seus familiares. Foi uma grande e emocionante celebração onde o país agradece a dedicação destes veteranos na defesa do país ao longo dos anos. Os Marinedagen também existem para mostrar ao público holandês em geral como é a vida no mar e o que faz viver e trabalhar no mar uma opção tão fascinante para tanta gente. Os três dias seguintes foram de “portões abertos”.  O Sail Den Helder, ao contrário, é uma reunião internacional de veleiros (os chamados “Tall Ships”), dos mais diversos portes, na principal base naval holandesa. Segundo os organizadores, em 2013 um total de 330.000 visitantes prestigiaram o evento, 160.000 deles apenas no domingo. Este foi um número muito bom considerando o clima ruim que esvaziou parte do evento da sexta feira. Um céu permanentemente encoberto, uma chuva fina, porém constante, e um frio atípico para o final de junho na Europa deixaram uma parte dos visitantes em suas casa.

A Base Naval

Apenas cem quilômetros ao norte de Amsterdam, a cidade de Den Helder, desde 1947 abriga a a principal instalação naval do país. Den Helder é localizada bem no extremo da península New Holland, na boca do Mar de Wadden o grande mar raso existente entre as Ilhas Frísias e o continente. Através de eclusas do dique Afsluitdijk, mais ao sul, se tem ainda acesso ao lago IJselmeer e à maior parte do território dos Países Baixos. De frente a Den Helder, do outro lado do canal, fica a Ilha Texel.  A Base Naval é a sede do Naval Squadron com todos os navios de escolta, os navios de apoio, e os navios de desembarque anfíbio; do Submarine Service, do Mine Detection and Clearing Service e do Hydrographical Survey. Um arsenal completo existe na sua extremidade leste, com um grande dique seco coberto e um galpão fechado de manutenção de submarinos cujo acesso de dá via um sinchrolift que é empregado para retirá-los e recolocá-los na água. Também nesta base está o Duik Medisch Centrum (Real Centro Médico de Mergulho dos Países Baixos) e a Defensie Duikschool (Escola de Mergulho) que dispõe de um treinador de mergulhadores próprio com muitos metros de profundidade.

Os veleiros

O Sail Den Helder fez parte do calendário de verão dos grandes veleiros internacionais, assim, os navios que participaram do evento “Armada Rouen” realizado entre os dias 6 e 16 de junho puderam também participar deste. Estiveram presentes os seguinte veleiros (os veleiros civis foram identificados por sua bandeira):

Belém (FRA), Belle Poule (FRA), Cisne Branco (Marinha do Brasil), Cuauhtemoc (Armada do Mexico), Dar Mlodziezy (POL), Eendracht (HOL), Etoile du Roy (FRA), Falken (Marinha da Suécia), Gulden Leeuw (HOL), Götheborg (SUE), Hydrograaf (HOL), ORP Iskra (Marinha Polonesa), Jantje (HOL), Juan Sebastian de Elcano (Armada de Espanha), Kamper Kogge (HOL), Kaskelot, Lisa von Lubeck (ALE), Mir (RUS), Morgenster (HOL) , Mercedes (HOL), Pedro Doncker (HOL), Phoenix (RUN), Rupel (BEL), Santa Maria Manuela (POR), Sagres III (Marinha Portuguesa), Sedov (RUS), Shabab Oman (Real Marinha de Oman), Shtandart (RUS), Stad Amsterdam (HOL), Tres Hombres (HOL), Zr. Ms. Urania (Real Marinha dos Países Baixos) e Statenjacht 'de Utrecht' (HOL).

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Vários destes navios se encontravam desde a quarta-feira ancorados próximos à ilha Texel e uma formação encabeçada pelo veleiro “Stad Amsterdam” (com os convidados VIP), seguido pelo Navio Patrulha Oceânico “Zeeland” (trazendo os convidados da Real Marinha Dos Países Baixos), o “Gulden Leeuw” (com os convidados da província Noord Holland e do conselho da cidade de Den Helder) e o “Mercedes” (com os convidados do Sail Den Helder). O desfile naval ocorreu pela manhã com a imprensa local e ALIDE, único representante da imprensa internacional, acompanhando a inspeção real a bordo do navio oceanográfico HNLMS Snellius (A802). Este navio mede 80 m de comprimento, tem uma boca de 13 m e um calado de 4 m. Ele foi construído em 2003 pelo estaleiro Damen Schelde Naval Shipbuilding na cidade holandesa de Flushing.

A Marinha do Brasil no Sail Den Helder 2013

Além do veleiro Cisne Branco (U20) e de sua tripulação a Marinha foi representada pelo pelo seu Comandante o Almirante Moura Neto. Para o Cisne Branco esta visita foi como uma volta ao “ninho” uma vez que ele é uma “legítima ave holandesa”, tendo sido construído pelo estaleiro Damen entre os anos de 1988 e 2000. Ele substituiu o antigo Navio Veleiro Guanabara na Marinha do Brasil que acabou o vendendo à marinha Portuguesa com o nome de Sagres III. O Sagres também tomou parte deste evento. A última vez que o Cisne Branco esteve em Den Helder foi em 2008, durante a etapa das corridas de veleiros daquele ano.

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Desta vez, o Almirante Moura Neto recebeu o Comandante da Real Marinha dos Países Baixos, Vice-Almirante Matthieu J. M. Borsboom, e o Comandante do Navio-Veleiro “Stad Amsterdam” Andi Manser. Este navio foi construído na mesma época e pertence à mesma classe do “Cisne Branco". Dando continuidade à Comissão “Europa 2013”o Cisne Branco seguiu de Den Helder para Oslo na Dinamarca.

Os outros visitantes

Além dos grandes veleiros houve a visita de alguns navios modernos de marinha amigas entre eles a fragata belga Leopold I (F930), um navio que anteriormente serviu na Marinha Dos Países Baixos com o nome HNLMS Karel Doorman (F827). A fragata belga Louise-Marie - F931 - (a ex-Willem van der Zaan - F829) outro navio da mesma classe vendido pelos holandeses aos belgas em 2005, também está passando por esta profunda modernização. O outro navio belga presente era o caça-minas da Classe Tripartite Narcis (M923). A Marinha alemã mandou o FGS caça-minas da classe Frankenthal, FGS Sulzbach-Rozenberg (M1062), que abrigava a contrabordo o caça-minas britânico HMS Blyth (M111), um dos sete navios da classe Sandown.

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2013 é o “Ano da Holanda na Rússia” e simultaneamente o “Ano da Rússia na Holanda”. Por isso, atracado no mesmo píer do navio de pesquisa oceânica holandês HNLMS Luymes (A803), estava a RFS Steregushchiy (530). A mais nova corveta russa e especialmente suas linhas stealth, chamou muita atenção de todos aqueles veteranos que passaram suas carreiras todas se preocupando unicamente em combater os navios e submarinos soviéticos. As maiores filas de visitantes sem dúvida se formaram aqui.

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Vários navios da Real Marinha dos Países Baixos se encontravam na base naval e alguns destes foram abertos à visitação pública. Havia muita variedade para o deleite dos veteranos e entusiastas, desde o pequeno caça-minas Tripartite HNLMS Makkum (M857), ao gigante navio de desembarque-doca HNLMS Rotterdam (L800) e o seu quase-gêmeo, o HNLMS Johan de Witt (L801). Diferentemente do Rotterdam, este último desloca mais é maior e tem nas laterais quatro turcos (guindastes) para a colocação na água de lanchas de desembarque LCVP Mk V (c) de 28 toneladas plenamente carregados. Estas lanchas de desembarque são semelhantes àquelas usadas belos britânicos no seu LPD HMS Ocean. Podiam ser vistos ainda em Den Helder três dos quatros navio de Patrulha Oceânicos da Classe Holland: o P841 Zeeland, que participou do Desfile Naval, e os Friesland (P842) e Groningen (P843), destes apenas o Friesland ainda não recebeu o seu mastro integrado Thales I-Mast 400. Entre os submarinos estavam na base o HNLMS Walrus (S802) e o Bruinvis (S810). O navio tanque HNLMS Zuiderkruis (A832) já fora de serviço desde o ano passado deve ser desmantelado ainda neste ano. A fragata holandesa da Classe M Van Amstel podeia ser visto ao lado do Zuidercruis se encontrava em meio ao seu programa de modernização de meia vida. Este programa envolve muitas mudanças incluindo a troca do mastro tradicional por um novo mastro integrado (com o radar Seastar e o sistema ótico Gatekeeper) e a expansão do seu convoo, para operar bem mais pesados Eurocopter NH-90. Da principal classe de escoltas atuais via-se o próprio De Zeven Provinciën (F802), o primeiro navio desta classe, e o De Ruyter (F804) que recém retornou de quatro meses nas costas da Somália e Golfo de Aden onde foi substituído pela fragata M-Modernizada Van Spijk realizando pela primeira vez a missão antipirataria Atalanta da EU NAVFORCE.

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Uma característica interessante desta comemoração militar holandesa, algo até certo ponto impensável aqui no Brasil, é o fato de que no fim de semana a base militar permaneceu aberta todos os dias até as 23:00, com direito a grande show de fogos de artifício e música eletrônica comandada por famosos DJs....

A complexa vida “militar” do novo rei, o convidado de honra.

Este foi o primeiro evento militar público do recém-coroado Rei Gulherme-Alexandre e havia uma grande curiosidade entre os organizadores para saber qual uniforme que ele usaria nesta ocasião, especialmente por ele ser o primeiro rei daquele país desde a morte de Guilherme III em 1890. O novo Rei fez seu serviço militar na Marinha e passou à reserva em 1988 como Segundo Tenente. Peculiarmente o Rei passou a ser, então, simultaneamente reservista da marinha, do Exército, da Força Aérea e do Corps de Maréchaussée, organização única de polícia Militar do País. Na reserva ele foi sendo promovido com o passar dos anos até Comodoro (Almirante uma estrela), Brigadier General (General uma estrela), Squadron Leader (Tenente-Coronel Aviador) e Brigadier General (General uma estrela). Ao assumir o trono, Guilherme-Alexandre automaticamente deixa as forças armadas e passa a vestir um uniforme próprio sem indicação de posto, apenas com indicativo na manga do brasão real. A comemoração deste ano incluiu uma parada naval onde o Rei abordo do veleiro civil Stad Amsterdam passou em revista todos os navios participantes na comemoração, holandeses e estrangeiros. Os Comandantes das marinhas amigas e os oficiais que os representaram acompanharam o Rei Guilherme-Alexander a bordo do seu navio. Um dos efeitos negativos de um rei substituir uma rainha neste país ocorrerá justamente na nomenclatura dos navios da Marinha. Diferente do inglês, onde a sigla HMS (His/Her Majesty`s Ship) serve indistintamente para soberano ou soberana, em Holandês a sigla feminina “Hr. Ms” (Harer Majesteits) terá que ser trocada em todos os navios para “Zr. Ms.” (Zijner Majesteits), seu equivalente masculino. E já se sabe que a próxima na linha de sucessão do trono dos Países Baixos é a FILHA do atual rei...

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Como o Comandante da MB, Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, já se encontrava na Europa para outros compromissos ele aceitou o convite do Comandante da Marinha Real dos Países Baixos e participar pessoalmente do evento.  Esta visita serviu para que o Almirante Moura Neto pudesse conhecer pessoalmente o mastro integrado I-Mast da empresa holandesa Thales Nederland. Este mastro está sendo estudado pela Marinha para ser colocado nas novas corvetas da Barroso Modificada que serão construídas em breve no Brasil.

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Para a fabricante holandesa Damen esta foi uma oportunidade de ouro para apresentar ao almirante brasileiro os Navios Patrulha Oceânico da classe Holland e a sua oferta de fragata no programa Prosuper brasileiro, a fragata De Zeven Provincien.

Um show dentro da bacia da base naval de Den Helder

Coreografada como se fosse o clímax de um filme de ação hollywoodiano, a representação de um processo de inspeção de um navio “suspeito” por militares da Marinha dos Países Baixos no interior do Marinehaven Willemsoord foi um dos pontos altos da exibição do Marinedagen. O navio Castor representou o papel do navio suspeito e em poucos minutos lanchas infláveis de casco rígido se aproximaram dele e abordaram rapidamente e tomaram o navio pela popa. Já sem seus “passageiros” as lanchas se afastaram e mantiveram o navio sob a mira de atiradores em seu interior. Enquanto isso no céu um grande helicóptero NH-90 descrevia orbitas apertadas a baixa altitude simulando a cobertura aérea necessária para a proteção do Grupo de Vistoria e de Inspeção (GPI) que estava em ação a bordo do Castor. O público de todas as idades ficou deslumbrado.

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Os Ocean Patrol Vessel (OPV) da classe Holland

Um dos maiores destaques do evento comemorativo foi justamente a nova classe de navios patrulha da Marinha dos Países Baixos. Os OPV da classe Holland são grandes, bem grandes. Com 3700 toneladas, eles têm o mesmo deslocamento plena carga de uma fragata classe Niterói da Marinha do Brasil. Esta particularidade tem uma explicação operacional/geográfica. A área oceânica mais critica para a marinha holandesa hoje em dia não fica na Europa, mas no Caribe nas águas das ilhas tropicais holandesas: Aruba, Bonaire, Curaçao , Sint Maarten, Saba, e Sint Eustatius. Ali é o local onde ocorre a maior parte do maior tráfico de drogas e de pessoas do planeta e contra isso a Real Marinha dos Países Baixos precisou colocar meios de patrulha naval consistentes com estas ameaças. Ao optar por um navio de muito maior porte, passa a não ser necessário manter uma grande e bem equipada (e cara) base naval no Caribe, uma vez que os novos navios tem tamanho para realizar com facilidade o trânsito entre a Europa e o Caribe, ficando por lá em patrulhas de maior duração. Mas como poucas Marinhas tem requerimentos tão específicos como estes, a tendência é que os Navios de Patrulha Oceânica em sua maioria não passem das 2000 toneladas, como é o caso dos navios da classe Amazonas da Marinha do Brasil. Se em termos de armamento, os Holland são claramente um navio para missão “policial”, na área de sensores eles viraram uma verdadeira “vitrine” da alta tecnologia holandesa. Com 11 metros de altura o I-Mast 400 criado pela Thales Nederlands inovou ao colocar em um único módulo estrutural todo um conjunto de radares não-rotativos, IFF, antenas de comunicação e sensores óticos/IR que, ao mesmo tempo em que reduz o custo de manutenção, oferecem uma visão do ambiente ao redor do navio única para esta classe de navio. Para completar, como o seu passadiço é altamente automatizado o navio pode tripulado por apenas um militar o que reduz fortemente a demanda por tripulantes. O grande convoo permite a operação segura de aeronaves de maior porte como o NH-90 e o o SeaHawk que vêm substituindo nas marinhas aeronaves anteriores como o Esquilo e o Super Lynx. Durante este evento o HNLMS  Holland já se encontrava em serviço no Caribe.

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Os navios hidrográficos holandeses

A Real Marinha dos Países Baixos opera dois navios oceanográficos modernos, o HNLMS Stellius (A802) e o HNLMS Luymes (A803). A principal tarefa destes navios é obtenção de dados atuais sobre o solo marinho que permita ao Serviço Hidrográfico holandês atualizar regularmente suas cartas náuticas. Estes são navios muito eficientes e demandam uma tripulação muito enxuta. Os sensores que precisam ser colocados na água o são através do emprego de dois arcos grandes. Um deles fica na popa e o outro fica na lateral direita da proa do, ambos se dobram para fora da amurada. Depois deste movimento, do arco os cabos de ação são soltos lentamente e os sensores são colocados n’água. O guincho do arco de ré é capaz de puxar até três toneladas. Adicionalmente existe um guindaste mais pesado na proa para movimentar cargas entre o cais e o convés do navio. Ambos os navios foram construídos e equipados pela Damen em seu estaleiro de Vlissingen na Holanda, mas os blocos estruturais dos cascos foram fabricados na Romênia. O Snellius (número de casco 391) foi construído em 2003 e Luymes (392) em 2004.

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Estes navios realizam sondagens hidrográficas para demandas militares e também civis. A marinha holandesa faz estas pesquisas em todo o setor holandês da plataforma continental europeia do Mar do Norte e também nas águas ao redor da Antilhas Holandesas e de Aruba. Os jornalistas que cobriram o desfile naval estavam a bordo do Snellius.

Características técnicas

Deslocamento:  1,875 toneladas

Comprimento  75 metros

Boca: 13.1 metros

Calado:  4 metros

Propulsão  1,150 kW (1564 diesel/electric)

Velocidade:  12 knots

Tripulação:  18

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Por estar no seu quinto século de existência a Real Marinha dos Países Baixos se acostumou com a inevitabilidade das mudanças. Ela nasceu uma marinha Imperial dos Habsburgos, virou a marinha da republica holandesa, duzentos anos atrás passou a ser a “Marinha Real” passou pela Primeira e Segunda Guerra Mundial e passou cinquenta anos no contexto de uma provável invasão relâmpago dos soviéticos. Hoje a Real Marinha dos Países Baixos tendo especialmente em vista a importância econômica de seu megaporto Rotterdam, o maior da Europa, participa intensamente dos esforços europeus e da OTAN para limitar os danos da pirataria no chifre da África assim como o esforço antitráfico de drogas no Caribe. A atual crise econômica parece afetar mais e mais longamente a Europa do que aos demais continentes. Assim mesmo a Real Marinha, com a chegada em breve do novo Joint Support Ship (JSS), o grande navio logístico Karel Doorman, completa seu processo de renovação de meios, montando uma frota mais perfeitamente alinhada com as novas demandas. O número total de navios vem encolhendo mas, as novas unidades são muito mais capazes do que aquelas da geração precedente. Para isso ela conta com o apoio e a parceria da indústria naval e eletrônica local que uma vez que o cliente local esteja plenamente atendido precisarão com o máximo afinco obter novos negócios no exterior. Em busca de menores custos industriais, o grupo Damen adquiriu um estaleiro na Romênia e assim o vem usando para permanecer competitivo. Todo o casco e a superestrutura do novo JSS foram feitos em Galati, na Romênia, com apenas a instalação dos sistemas complexos do navio ocorrendo na Holanda. É neste contexto de redução de encomendas domésticas e de imensa concorrência internacional que o programa Prosuper, entre outros pelo mundo, não sai da cabeça dos holandeses.

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Last Updated on Tuesday, 20 August 2013 01:25
 

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