IMDS2013: a Crescente Ocidentalização da Indústria Naval Russa PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Sunday, 18 August 2013 00:00

 

IMDS 2013

Introdução

Dias de céu azul e calor de 30ºC receberam este ano os visitantes da 6ª edição do IMDS – International Maritime Defense Show, realizado na cidade de São Petersburgo, Rússia. Este é um evento que pode parecer um pouco estranho aos olhos de um brasileiro, especialmente pelo fato de que ele existe primariamente, para divulgar as capacidades de uma indústria naval e aeronaval russa quase que totalmente estatal para seu principal cliente, o próprio governo russo.

No ano de 2013 não foi diferente, indústria naval russa se encontra ainda mais estatizada do que ela era há apenas dois anos atrás, uma vez que o modelo aplicado com muito sucesso na área aeroespacial russa, todo o complexo industrial/design militar naval agora se concentra debaixo da holding OSK.

Neste ano cerca de 500 companhias apresentaram seus produtos e serviços neste evento, incluindo nesse número empresas vindas de 30 países estrangeiros.

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Estabelecendo uma nova imagem para a indústria naval russa

A OSK (também conhecida fora da Rússia como “United Shipbuilding Corporation” -  USC – seu nome traduzido para o inglês), foi criada em 2007 e é hoje a maior companhia de construção e reparo naval da Rússia. O holding é composto de nove escritórios de projeto e de 39 estaleiros. A OSK atualmente é responsável por 80 por cento da indústria russa de construção naval e é totalmente controlada pelo governo da Federação Russa. Uma das últimas adições ao grupo OSK foram os estaleiros Severnaya Verf e Baltiskiy Zavod que, junto com o Severnoye Bureau faziam partes dos ativos do falido banco Mezhprombank.

Em meados de 2013 o ministério da defesa russo anunciou que a marinha russa tinha encomendado à indústria local 24 submarinos e 54 navios de superfície de diversas classes com entregas previstas até 2020. O próprio Vladimir Putin, Presidente da Rússia, comentou em 2012 que a aquisição de novos navios militares e submarinos seria uma das prioridades do seu governo na próxima década. Para isso o governo russo alocou cinco trilhões de Rublos (166 bilhões de dólares) ou cerca de um quatro de todo o orçamento de aquisição de armamento previsto até 2020 para esta finalidade.

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Os resultados concretos, no entanto, têm ficado aquém do esperado pelo governo, com uma série de programas sendo vitimas de atrasos e de aumentos de custos imprevistos, umas das questões que causou bastante atrito entre a administração anterior da OSK e o Ministério da Defesa e outras áreas do governo foi a insistência de seu diretor em mencionar na imprensa hipotéticos programas de navios-aeródromo e de grandes navios escolta movidos a propulsão nuclear quando isso, em momento algum, fez parte dos planos da marinha para o período que ia até 2020.

Este tipo de notícia causava turbulências internas na Rússia e também no plano exterior obrigando a repetidos desmentidos oficiais. Para se ter uma ideia da seriedade desta situação o próprio vice primeiro ministro Dmitry Rogozin foi incumbido por Putin de ordenar os negócios. Para contornar isso Vladimir Shmakov, um executivo de fora do sistema,  veio da principal fábrica de tanques da Rússia a Uralvagonzavod e foi colocado no comando da OSK.

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O dia 25 de janeiro de 2011 marco a assinatura do contrato entre o Ministro da Defesa francês, Alain Juppé e o Vice Primeiro Ministro russo, Igor Sechin para a compra de dois navios franceses de múltiplos propósitos da classe Mistral, e o anuncio pegou a indústria russa de surpresa que combateu o quanto pude esta intenção.

A mensagem, no entanto era clara, as empresas russas precisavam interagir com empresas estrangeiras do mesmo setor para aprenderem a ser mais ágeis e mais competitivas globalmente. O desafio não era o de se “aprender a fazer navios modernos”, mas o de “aprender COMO fazer navios de uma forma moderna e eficiente”. Dois anos depois os dois navios deste contrato estão em processo de construção na França, mas, muitas dúvidas persistem sobre o interesse do governo russo de contratar a conversão de opções para construção dos dois outros Mistral a serem construídos quase que totalmente na Rússia.

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Dentro da nova administração centralizada a OSK está trabalhando para consolidar uma nova fase onde a engenharia russa é identificada globalmente como um serviço de qualidade superior. Adicionalmente, a holding trabalha ativamente para fazer com que as diversas empresas atuem de maneira sinérgica cada uma agregando seu conhecimento específico e seus meios particulares para a realização dos contratos com a marinha russa e também naqueles destinados à exportação.

A nova geração de navios de escolta? “22350”, “11356” e “20380”

O vácuo produzido pelo fim da União Soviética somado ao período Yeltsin fez com que a frota russa atual fosse composta por poucos navios já em estado de obsolescência. Para corrigir este quadro a marinha russa deu a partida em três novas classes que serão o coração de sua nova frota de superfície no futuro.

A fragata classe Admiral Gorshkov (Projeto 22350) é a maior dessas, deslocando 4.500 toneladas a plena carga. Em 2006, data do início da construção da primeira unidade, fazia 15 anos que nenhum navio deste porte ou maior era construído num estaleiro russo. A versão destinada à exportação foi chamada pela OSK de Projeto 22356. No total navios desta classe seis foram encomendados ao estaleiro Severnaya Verf, com a primeira unidade concluindo os testes de aceitação para ser comissionada ainda em 2013, e com a segunda prevista para segui-la em 2014. As principais características dessa fragata são:

Comprimento: 130 metros

Boca: 16 metros

Calado: 4,5 metros Velocidade máxima: 29 nós

Complemento: 210 militares

Armamento: canhão principal Arsenal A-192 de 130-mm; lançador Vertical UKSK com 8 mísseis antinavio 3M55 Onyx  (NATO: SS-N-26) ou Kalibr (versão naval do Klub) (NATO: SS-N-27); 8 mísseis antisubmarino Medvedka-2 (SS-N-29; 24 mísseis antiáereos Uragan (versão naval do Buk) (AS-N-7) ou 36 Rif-M (míssil usado no sistema S-300); um helicóptero Kamov Ka-32.

Inicialmente a marinha russa previa que entre 30 e 40 destes navios seriam construídos, mas posteriormente os problemas no estaleiro Severnaya Verf fizeram que outros modelos de navios, produzidos por outros fossem considerados em vista de acelerar a atualização da marinha.

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Um exemplo disso foi a decisão do comando da marinha de encomendar ao estaleiro Yantar de Kaliningrad três unidades das fragatas 11356M (NATO Krivak IV), um modelo muito semelhante à fragata da classe Talwar construídas para a marinha da Índia.  O interessante é notar que esta classe indiana era uma versão muito modernizada da antiga classe de fragatas soviética Burevestnik (Krivak). Em setembro de 2011 um segundo lote foi encomendado ao mesmo estaleiro. Os seis navios serão operados na Esquadra do Mar Negro, que tem como características principais:

Deslocamento padrão: 3.850 toneladas (carga plena 4.035 toneladas)

Comprimento: 124,8 metros

Boca: 15,2 metros

Calado: 4,2 metros

Velocidade máxima: cerca de 30 nós

Complemento: 193 militares

Armamento: canhão principal Arsenal A-192 de 130mm; 4 mísseis antinavio Klub-N (NATO: SS-N-27); 1 sistema de morteiros antissubmarino RBU-6000; 2x CIWS Kashtan; 24 mísseis antiáereos Shtil-1 em lançador vertical 3S90; um helicóptero Kamov Ka-28 ou Ka-31.

A terceira classe de escolta em produção para a marinha russa é a da classe Stergushchiy ou Project 20380. A versão de exportação desta classe é chamada de Project 20382 ou alternativamente de Tigr. Nove destes navios foram encomendados ao estaleiro Severnaya Verf. O três navios que se seguiram ao cabeça de classe (Soobrazitelnyy, Boikiy, Sovershennyy, Stoikiy e Gromkiy) foram completados em um padrão melhorado conhecido como 22381 e de aí em diante os navios do Projeto 20385 fabricados em seguir passaram a ser construídos seguindo o padrão definitivo com a instalação do lançador vertical 3R-14 UKSK capaz de transportar e disparar todos diversos tipos de mísseis como os mísseis 3М-54E, 3М-14E, 91RTE2 (variantes do Klub) e BrahMos.

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A corveta stealth Boiky (532)

Esta corveta foi construída no Estaleiro Severnaya Verf em São Petersburgo. Sua quilha foi batida em 27 de julho de 2005, o casco foi lançado ao mar em 15 de abril de 2011 sendo finalmente aceita na Esquadra do Báltico em 14 de maio de 2013. Terceiro navio da classe Steregushchiy (Projeto 20381) a ter sido entregue à marinha russa a corveta Boiky, cujo nome é histórico na marinha russa remetendo aos tempos imperiais e quer dizer “Ativo” em português. Em termos de design exterior esta classe de corvetas não faz feio ao lado dos mais modernos destroieres holandeses.  Em breve ALIDE publicará um artigo completo sobre nossa visita à Stereguchiy, aguardem!

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O “gunship” Mahachkala

Nem só de grandes navio se faz a segurança de uma nação de 37,000 km de costas marítimas como a Rússia que apresenta uma grande variedade de teatros de operação possíveis. Dois em especial, o Mar Cáspio e o Mar Negro geram um número de requerimentos navais muito particulares. O Cáspio é um mar interior de água doce. Raso (média de 211 metros de profundidade) com 371mil metros quadrados de superfície e tem uma área pouco maior que o estado do Mato Grosso do Sul.  Ali é uma área politicamente “quente”, rica em petróleo, onde Rússia faz fronteira com o Irã e com o Cazaquistão, Azerbaijão e Turquemenistão, três das antigas repúblicas soviéticas. Para defender seus interesses nesta região a marinha russa conta com uma Flotilha do Cáspio e foi para ela que os navios dos projetos 21630 e sua versão ampliada e evoluída o 21631 foram desenvolvidos e construídos.

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O “projeto 21630” (classe Buyun) de canhoneiras (“gunships”) de 550 toneladas foi desenvolvido pelo escritório Zelenodolsk Design Bureau de Tatarstan, na Rússia e envolve a produção de três navios. O Mahachkala é o último deles em serviço na marinha russa. Os três foram fabricados pelo estaleiro Almaz Shipbuilding de São Petersburgo e seu nome foi dado em homenagem à capital do Daguestão russo. A propulsão é CODOD com dois motores diesel M507D de 8000 hp cada, movendo dois waterjets.

Já em termos de armamento estes navios contam com um canhão de 100mm A-190 na proa e dois reparos antiaéreos automáticos de 30mm do tipo AK-630. Mas a arma mais peculiar dos 21630 é o sistema de foguetes de saturação A-215 Grad-M com quarenta 40 foguetes de 122mm na popa. Dentro da doutrina russa o sistema Grad existe para ser empregado exclusivamente contra alvos em terra, grosseiramente comparando é como de um navio patrulha da classe Macaé da MB fosse equipado com lançadores do sistema Astros. A versão de exportação do 21630 é chamado de “Tornado”.

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Os navios do projeto 21631, conhecidos também como “Small Missile Ship” e como "Buyan-M", adicionam armamento mais pesado ao navio na forma de oito mísseis Kalibr (SS-N-27) instalados em um lançador vertical 14UKSK e dois lançadores quádruplos 3M-47 Gibka para mísseis Igla-1M. Os 21361 deslocam 949 toneladas com um comprimento de 74.1 m (contra 62m dos 21630), têm boca de 11m (contra 9.6m) e um calado de 2.6m (2m). Cinco navios desta nova classe se encontram em construção no estaleiro Zeledonolsk desde 27 de agosto de 2010.

Bem próximo do Mahachkala ficava uma lancha leve de desembarque (105t) Serna ou Projeto 11770E. Desenhado pelo Bureau de Design de Aerobarcos Alexeev, o casco destes navios faz deles um Surface Effect Ship (SES), um catamarã combinado com hovercraft. Disponíveis apenas na forma de maquetes. Este ano a lista de hoverctrafts militares mostrada na IMDS 2013 incluía o gigante Zubr (Projeto 12322), o modelo médio Murena (12061E) e o pequeno Chilim (20910).

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Os navios da guarda costeira e da guarda de fronteiras

As lanchas do projeto 12200 “Sobol” do estaleiro Almaz são usadas pela Guarda Costeira (“Beregovaya Okhrana”) da Rússia. Um navio deste estava estacionado no píer do Porto de cruzeiros de São Petersburgo a junto dele estava uma lancha Mangust do projeto 12150.

Os visitantes estrangeiros

Refletindo a dureza econômica destes tempos apenas três navios estrangeiros vieram a São Petersburgo neste ano, dois holandeses e um polonês. Este é o ano da Rússia na Holanda e o ano da Holanda na Rússia. Alguns dias antes a corveta stealth russa participou das comemorações dos 525 anos da Real Marinha dos Países Baixos e agora os holandeses devolveram a cortesia geopolítica enviando à Rússia a sua mais moderna fragata da classe De Zeven Provinciën, a HNLMS Evertsen (F805) junto com o submarino Delfijn (S808). Estes dois estavam atracados no píer principal do terminal de navios de cruzeiro, um a frente e outro a trás da corveta Boiky.

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A marinha da Polônia que enviou o navio ORP Arktowski e experimenta uma transição geopolítica radical: de membro do Pacto de Varsóvia por 35 anos, o país desde 1999 pertence ao seu grupo rival histórico, a OTAN e com isso vem trocando por completo seu material e suas doutrinas de emprego militar.

Uma linha de produtos competitiva e moderna

As classes de navio apresentados nesta IMDS são quase que todas projetadas posteriormente à queda da URSS. No estande do United Shibuilding Corporation, OSK, efetivamente o núcleo central da feira IMDS 2013, havia um corredor interior com muitas salas de reunião para a recepção das comitivas estrangeiras visitantes. Todos os modelos-chave da nova indústria estavam exibidos em forma de maquetes, começando pela representação do Navio Aeródromo (NAe) INS Vikramaditia com seus caças MiG-29K e helicópteros Ka-31.

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Este navio é a conversão profunda do antigo “Cruzador Pesado Porta aeronaves” da marinha soviética Admiral Gorshkov comissionado em 1987 e tirado de serviço após um acidente em 1996. Interessantemente junto com o NAe havia maquetes das instalações em terra para o treinamento de pilotos embarcados, mais um produto a ser vendido aos clientes dos navios Aeródromos russos.

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Uma das maquetes mostrava uma pista de decolagem com uma rampa “skijump” instalada no final de uma pista de asfalto, e outra apresentava uma pista equipada com um completo sistema de cabos de frenagem e espelhos de aproximação. Na época da URSS uma base de treinamento destas foi construída em Nitka, na península da Criméia, Ucrânia e entre a dissolução da URSS e 2012 quando foi assinado um protocolo entra a Ucrânia e a Rússia ela ficou absolutamente sem uso.

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Além dos modelos detalhados aqui existem muitos outros que ainda não passam de proposta. Evidentemente, nunca se deu tanta atenção ao visual dos projetos, são vários navios patrulheiros e lançadores de mísseis, todos muito modernos e de diversos portes, variando de cerca de 100 toneladas até 1.000 t, sempre com laterais retas como as usadas nos projetos stealth. Em termos de armamento, canhões e mísseis, estes são sempre os mesmos, assim o cliente pode escolher uma plataforma e só depois selecionar o tipo de armamento que tenha o desempenho e a faixa de preço que melhor lhe atenda. Hoje eles são não passam de desenhos de computador e de maquetes em escala, mas, em breve os projetos 22500, 1124, PS-500, 12300, 20970 e 22160 devem deixar de ser apenas números para passar a ser navios e lanchas à serviço da marinha russa e de seus clientes estrangeiros.

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Malakhit um dos bureaus especialistas em submarinos da Rússia

Se dois anos atrás visitamos os escritórios e descrevemos em detalhe a história e os produtos do Bureau Rubin, desta vez foi a vez de conversarmos com seu maior concorrente o Bureau Malakhit, também instalado em São Petersburgo.

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Segundo Alexander Terentov o bureau é especializxado em submarinos diesel elétricos de menos de 1000 toneladas de deslocamento, submarinos nucleares de ataque e submarinos especializados em pesquisa de grande profundidade. Atualmente a lista de produtos comercializáveis do Malakhit em oferta na feira incluiu os mini submarinos de 650 toneladas “P-550”, o “P-650E” de 760 toneladas, os ainda menores “Piranha” de 220t, o “Piranha-T” de 245t.

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Para as forças especiais realizarem suas missões em águas costeiras existe um veículo esquisito, quase que um carro submarino em formato de peixe o submarino-anão Triton-1 tripulado por apenas dois mergulhadores. Na feira foi exibida uma maquete de uma versão algo maior, o Triton-2, para seis mergulhadores de forças especiais.

No campo do resgate, a marinha que era dona do submarino chamado Kursk sabe bem o valor dos submarinos de resgate, o Malakhit apresentou publicamente o seu submarino de 37 toneladas do Projeto 18270 (Bester).

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A tradição do Bureau nesta área é muito longa, criado em 1948 eles têm a honra de ter projetado o primeiro submarino nuclear soviético, o Leninsky Komsomol. Bem mais recentemente o submarino nuclear de ataque INS Chakra, um SSN da classe Akula foi entregue recentemente à marinha da Índia é desenhado pelo Bureau Malakhit. O primeiro submarino alugado aos indianos era um classe Charlie (classe desenhada pelo outro projetista de submarinos).

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O mais novo submarino de ataque de propulsão nuclear lançador de mísseis de cruzeiro (SSGN) da Rússia classe Yasen, Projeto 855, é também produto do Bureau Malakhit. Três submarinos Yasen se encontram em construção, sendo que o primeiro deles, o Severodvinsk (K-329), se encontra realizando os testes pré-entrega. Os Yasen medem 111metros de comprimento e têm 12metros de largura, devendo substituir todos os submarinos de ataque Akula e Alfa na marinha russa. Segundo Terenov, atualmente todos os submarinos do Malakhite estão sendo construídos nos estaleiro Sevmash uma vez que o estaleiro Amur, localizado na costa do Pacífico, não está plenamente operacional.

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Uma das melhores características dos Yasen é o seu baixíssimo nível de ruído que o coloca como um dos submarinos nucleares mais inaudíveis do mundo. Em termos de armamento o Yasen tem os seus tubos torpedos apontados na diagonal para fora do casco ao invés de estarem na ponta da proa. Isso foi feito para acomodar o novo sonar esférico “Irtysh-Amfora”. Perto da vela o submarino há um lançador vertical em forma de cilindro de revolver para permitir o disparo de mísseis de cruzeiro como o Club e Brahmos.

Terenov explicou que “para a indústria naval a única maneira de contrabalançar o crescente custo dos novos modelos de submarinos é haver um forte aumento no ritmo da produção nos estaleiros o que geraria economias de escala como havia nos tempos soviéticos”. Ele completou o argumento contando que: “Hoje só existem dois submarinos lançadores de mísseis balísticos e um submarino de ataque prestes a serem entregues à marinha, o que é muito pouco tendo em vista o grande número de submarinos que foram retirados de serviço ativo nos últimos anos”.

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Os helicópteros navais da Kamov

Se os helicópteros de rotores coaxiais tem um especialista no mundo e este seria certamente o Bureau Kamov, agora parte do holding Russian Helicopters. Na lateral do Pavilhão 5 da Lenexpo havia dois Kamovs sendo exibidos aos visitantes, um helicóptero AEW (“Alerta Antecipado”) Ka-31 (o “90 vermelho”) e helicóptero de ataque Ka-52 (“97 amarelo”).

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O programa soviético em busca de uma aeronave AWACS naval começou pelo Antonov An-71 “Madcap” e seguiu posteriormente para uma aeronave totalmente nova, o Yak-44. Contudo, nenhum destes dois aviões entrou em produção o que demandou uma solução “tapa buraco” para a  proteção do Grupo Tarefa do novo navio-aeródromo Kuznetsov.

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O Kamov Ka-31 (OTAN: “Helix-E”) é uma evolução da plataforma básica do Ka-27/29 (“Helix-A/B”) com a remoção de todo o equipamento de guerra antissubmarino original e a adição de dois terminais de operador e da grande antena basculante do radar E-801M Oko sob a fuselagem. As turbinas são duas Klimov TV3-117VMAR de 1633 kW (2217.7 hp), uma versão de mais potencia do Klimov TV3 do Ka-27. Adicionalmente este modelo tem uma fonte de força adicional integrada (APU) e um sistema hidráulico duplicado. Seu desenvolvimento começou em 1980 mas, devido aos cortes orçamentários o modelo só foi completado e os testes realizados a partir de 1987. As marinhas da Rússia, a partir de 1995, e as da China (2013) e da Índia (2003) são, atualmente, as únicas usuárias deste modelo.

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O Ka-52 (NATO: Hokum-B) é um modelo ainda mais novo, a versão biplace com assentos lado-a-lado do monoplace Ka-50 (Hokum-A) que será usado embarcado nos novos navios de emprego múltiplo RFS Vladivostok e Sevastopol. De projeto francês, estes navios foram adquiridos em 17 de junho de 2011 pela marinha russa e se encontram em construção no estaleiro STX em Saint Nazaire, França com previsão de serem comissionados respectivamente em 2014 e 2015.

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Armamento russo para navios ocidentais

Um programa pouco comentado na mídia abriu todo um leque novo de possibilidades para a indústria russa: a modernização de meia vida das fragatas Van Speijk compradas de segunda mão da Holanda com a integração dos poderosos mísseis antinavio supersônicos russos Yakhont (NATO: SS-N-26). Estima-se que cada um destes mísseis tenha custado cerca de 1,2 milhões de dólares à marinha da indonésia, o numero de mísseis adquiridos não foi especificado. Num teste realizado em abril de 2011 um míssil Yakhont voou 250 Km em seis minutos e acertou o seu alvo com precisão, na fase final do seu ataque o míssil voou a baixa altura entre 5 e 15 metros do mar. Se este tipo de upgrade passar a ser mais comum no futuro as oportunidades comerciais para a indústria de sensores armas e componentes russos pode vir a ter um futuro glorioso.

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Navipartes para programas navais militares

Não basta que saibamos apenas construir os cascos de material metálico. O Brasil tem planos importantes para desenvolver vários segmentos da indústria naval militar em todos estes casos é indispensável à associação das empresas nacionais com empresas estrangeiras que possam facultar nosso acesso às tecnologias construtivas mais modernas.

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Tudo, desde radares, sensores para guerra eletrônica, interferidor eletrônico até motores elétricos. De válvulas hidráulicas às pneumáticas, etc. Todas estas tecnologias os russos tem para oferecer no mercado mundial. Até mesmo um submarino nuclear de ataque inteiro eles alugaram para a Índia para que este país pudesse desenvolver sua própria doutrina operacional em duas ocasiões distintas.

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A Índia junto com a China são inegavelmente os grandes exemplos da vontade russa de compartilhar seu know-how com outros países, a grande diferença no entanto é que ambos os países compram bilhões de dólares por ano deles, o que não é nem de perto a situação. Talvez o grande desafio para o Brasil, no final, seja conseguir escolher quais destas tecnologias e produtos são os mais interessantes para nossas necessidades militares e para a “profundidade” dos nossos bolsos.

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Tecnologia avançada de materiais

Durante a Guerra Fria a URSS desenvolveu muitos materiais avançados e exóticos. Um fruto desta pesquisa foi o casco de pressão feito totalmente de titânio no submarino da classe Alfa. Foi o mais rápido submarino da história. O Centro Estatal de Pesquisas Krylov de São Petersburgo fabrica três modelos de coberturas anaecóicas feitas de borrachas especiais. O modelo Groza 1 isola vibrações produzidas nos motores do mundo exterior. A placa Groza 2, ao contrário, dispersa ao máximo as ondas de sonar lançadas pelos submarinos e navios de escolta inimigos, dificultando a identificação positiva do submarino. Finalmente, o modelo Groza 3 combina ambas as características anteriores num único material que é fornecido em espessuras diferentes de acordo com a necessidade do cliente.

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Uma área particularmente bem representada na feira deste ano foi a de estruturas feitas em material composto multicamadas para construção naval. Seções inteiras de casco estavam em exibição demonstrando o domínio russo desta tecnologia. Em alguns exemplos mostrados no Stand do Centro Krylov pode-se ver ainda a montagem de casco e painéis internos feitos de um revolucionário sanduíche de materia "core" unidos por uma camada corrugada de fibra de vidra e resina no seu interior. Este material parece um verdadeiro mosaico de pequenos pedaços de “core material” embalado por dois painéis finos de fibra em uma matriz de resina.  Sua principal vantagem reside na redução dos painéis tranversais do casco o que aument aa área disponível para uso no seu interior. Ao seu lado no stand foram mostrados ainda dois segmentos de painéis reforçados feitos de chapa fina de alumínio que oferecem alta rigidez e baixo peso, ao mesmo tempo, aumentando o número de opções para os projetistas russos.

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Armamento naval

Muitos produtos estavam sendo apresentados na feira, alguns deles sem similar nas demais indústrias militares. A variedade e a criatividade da indústria russa é bem conhecida na fase atual uma área está sendo melhorada, os lançadores. Até aqui cada novo sistema de mísseis vinha junto com um lançador que apenas lhe servia. A marinha russa demorou a seguir a marinha americana na opção por lançadores verticais comuns capazes de transportar e disparar mísseis de variadas finalidades e origens.

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Mísseis: Antinavio Klub e Uran

Baseados em terra: Klub-M e Bal-E

A defesa contra grupos tarefas anfíbios sempre foi um ponto central das defesas russas desde a época soviética. Atualmente dois sistemas distintos ocupam este nicho e são ofertados para a exportação os Klub-M e os Bal-E.

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O sistema Klub-M é integrado sobre o chassi MAS 9730 de quatro eixos um com lançadores que se erguem 90 graus para lançar os mísseis antinavio e de cruzeiro da família Klub.

Exibidas em tamanho real durante a IMDS, as baterias do sistema Bal-E são compostas por até quatro lançadores auto propelidos, até quatro veículos transportadores e recarregadores para mísseis Kh-53 (NATO: SSC-6 Switchblade para a versão costeira), radares e por até dois veículos de comando e controle transportados por grandes e robustos caminhões off-road MAS 9730.

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Uma bateria pode disparar simultaneamente de até 32 mísseis. Um segundo tiro idêntico a esse já poderia ser feito em apenas 30 a 40 minutos após o primeiro. O Kh-53 foi informalmente apelidado de “harpoonsky“ por sua semelhança exterior com o conhecido míssil americano antinavio, e seus alvos podem estar localizados a até 120 quilômetros da costa. Os veículos carregados tem um alcance de mais de 850 quilômetros a uma velocidade máxima de 60 km/h na estrada pavimentada e de 20 fora dela.

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O sistema de mísseis Klub-K (Conteinerizado)

A linha de mísseis Klub já era bem estabelecida quando apareceram as primeiras imagens se uma instalação inédita dos mísseis dentro de contêineres padrão ISO, a versão “K”. Esta novidade da empresa russa Concern Agat causou de imediato grande preocupação e desconforto nos círculos de analistas EUA e na OTAN já que estes contêineres poderiam ser transportados de forma completamente discreta em navios civis que com eles passariam a ser uma terrível arma de primeiro ataque.

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A grande razão do sucesso do contêiner ISO é a facilidade em que ele pode ser transportado pelos mais diversos modais. Sendo assim o sistema Klub-K pode ser empregado sobre carretas de caminhões e/ou sobre vagões porta contêineres das ferrovias multiplicando quase que infinitamente o número de locais de onde um ataque poderia ser efetuado. Outra característica importante deste modelo é que ele caso os contêineres sejam instalado em terra, em pátios de contêineres no seu próprio país ou até em um país neutro ou inimigo, eles poderão ser disparados, em total surpresa, contra navios militares ou alvos em terra de alto valor.

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Finalmente armas escondidas como o Klub-K ainda dificultam sobremaneira aos países inimigos a capacidade de precisamente contabilizar o número de meios militares disponíveis aos seus rivais geopolíticos o que inevitavelmente aumenta a “nuvem de incerteza” e o grau de desconfiança existente entre ambos ao mesmo tempo em que serve como um quase que perfeito sistema de dissuasão.

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Países que por ventura se considerem sob ameaça de intervenção militar estrangeira como Irã, Síria e Coréia do Norte seriam, sem dúvida, potenciais beneficiários destes sistemas de armamentos “discretos”. Não existem, no entanto qualquer informação de que este tipo de sistema tenha sido vendido a estes países. Os contêineres podem ser equipados com mísseis antinavio dos tipos - 3M-54KE, 3М-54KE1, Kh-35UE ou alternadamente com mísseis de cruzeiro contra alvos em terra dos tipos 3M-14KE e Kh-35UE.

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CIWS

Para a defesa aproximada de navios contra mísseis que voam rápido quase ao nível do mar a Nudelman Precision Engineering oferta o sistema Palma, composto de sensores óticos integrados a um par de canhões de barril rotativo (“Gatling”) AO-18KD de 30 mm que disparam até 10000 tiros por minuto, opcionalmente pode ser adicionado até quatro casulos cilíndricos com mísseis antiaéreos Sosna-R de curto alcance. Segundo o fabricante, os canhões cobrem um kill zone entre 200 e 4000 metros e o dos mísseis fica entre 1300 e 10000 metros de distância. Cada míssil dentro do seu casulo de transporte/armazenamento pesa não mais que 36 quilos.

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Outro fornecedor deste segmento é a KBP Instrument Design Bureau responsável pelo sistema de defesa aérea combinado canhão-míssil (NATO: SA-22 Greyhound) Pantsir-M (ME para exportação), a versão naval do Pantsir-S1 que o Brasil comprou recentemente. Segundo nota da Jane’s de julho deste ano o Pantsir-M deve substituir o sistema de defesa aproximada de canhão e míssil mais antigo Kortik/Kashtan (SA-N-11 'Grison') nos navios russos.

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Entre os navios a receberem o Pantsir estariam os cruzadores Admiral Nakhimov e Pyotr Velikiy , o navio-aeródromo Admiral Kuznetsov, o navio de desembarque Admiral Chabanenko e as fragatas Neustrashimy e Yaroslav Mudryy. A versão naval do Pantsir, no entanto, trocou os seus dois autocanhões duplos da versão original de terra por dois canhões rotativos AO-18.

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Muitas empresas com tecnologia de ponta

Outro tipo de componente que pode ser útil para diversos dos desenvolvimentos brasileiros na área de defesa é a completa linha de giroscópios “ring laser” e “micromecânicos” da empresa Elektroprobor. Sistemas óticos de pouso como o Luna-3E já são exportados para a indústria naval da Índia. Para controlar a assinatura magnética de seus navios a indústria russa oferece um compacto sistema embarcado de desmagnetização do casco (“degaussing”) que é controlado por um intuitivo terminal dedicado com painel e interface digitais.

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A área de mergulho foi amplamente representada por empresas dedicadas a fornecer desde tanques de descompressão até roupas de mergulho livre, tanque de scuba, aparelhos de respiração em circuito fechado (“rebreather”) e equipamento completo para escafandristas.

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Brahmos: meio indiana, meio russa

Frequentadora assídua das feiras LAAD no Rio a empresa russa-indiana Brahmos estava presenta como exibidora na IMDS. Joint venture criada para o desenvolvimento de uma linha completa de mísseis de cruzeiro passíveis de ser lançados desde veículos em terra, de navios de superfície e de submarinos. Evolução do míssil russo P-800 Onix (Yakhont para exportação) da empresa NPO Mashinostroyeniya. Esta empresa russa é dona 49.5% da Brahmos Aerospace enquanto os demais 50.5% das ações ficaram nas mãos do Defence Research and Development Organization (DRDO).

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O míssil Brahmos voa a Mach 2,8 transportando um carga explosiva de 300 Kg à uma distância de 290 Km. Desde 1995 a Rússia é signatária do acordo internacional chamado Missile Tecnology Control Regime (MTCR), fato que explica o alcance do míssil Brahmos. A Índia, por sua vez, não é signatária dele ainda. Em 1982 os signatários concordaram com impor limitações às exportações de UAVs que excedessem esta limitação de 300km de alcance. Na IMDS havia uma maquete em tamanho real do míssil e de seu contêiner na exposição exterior e maquetes de seu emprego no stand. Esta parceria é usada pelos russos para comprovar que suas empresas tem tanto condição quanto interesse em desenvolver parcerias de transferência de tecnologia com outros países na área de defesa.

Os Europeus apostam no mercado russo

A empresa francesa DCNS é conhecida no meio naval industrial como aquela que conseguiu o “impossível”. Como mencionado antes, ela teve sucesso em vender para a marinha russa dois de seus navios de múltiplos propósitos da classe Mistral. Este feito notável representou a primeira venda de navios ocidentais os russos desde a segunda guerra mundial. A reboque desta venda vários fabricantes de componentes navais ocidentais se encontraram vendendo seus equipamentos e sistemas para os russos.

Neste ano a empresa francesa mostrou uma maquete da FREMM, o mais avançado navio militar francês. Este detalhe leva obviamente à pergunta (sem resposta): ”Se marinha russa quisesse futuramente comprar navios deste tipo será o governo francês toparia”? Aparte disso a ampla presença de comitivas estrangeiras vindo de países na África, Ásia e até da América do Sul, no entanto, poderia melhor explicar a presença da FREMM por aqui.

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O trabalho da DCNS neste momento é tratar de convencer aos seus clientes russos que a opção pelo terceiro e quarto navios deve ser assinada o quanto antes, como forma de promover o desenvolvimento da indústria naval local e para manter esta relação internacional ativa. Os dois mistrais russos deverão ser construídos no Novo Estaleiro do Almirantado que está em construção na ilha Kotlin, próxima à cidade de Kronshtadt no golfo da Finlândia.

A empresa alemã de motores MTU veio novamente a São Petersburgo com uma grande maquete do seu motor naval 1163-04, um motor da mesma família selecionada pela Marinha do Brasil para a Corveta Barroso. O executivo da MTU Giovanni Spadaro, contou a ALIDE que sua empresa entrou na Rússia em 2011, um de seus “países foco”, através de uma Joint Venture focada no mercado ferroviário com o grupo local Transmashholding.

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No segmento naval, existem muitos projetos de sucesso mas, ele pode apenas comentar sobre os barcos da guarda costeira da classe “Mangusta” foram os primeiros navios russos a usar motores MTU. Ele disse ainda que “a MTU por si não fabrica geradores elétricos mas, que eles os compram de terceiros e os vendem aos clientes como parte de módulos integrados de propulsão naval conteinerizados.” Até onde ele sabe não houve qualquer reclamação do governo americano em relação às vendas de motores alemães aos russos. Na estrutura da MTU a Rússia faz parte dos mercados de crescimento junto com Brasil e Índia entre outros.

O grupo Atlas Elektronik da Alemanha veio à IMDS em busca de oportunidades para parceria com empresas russa, segundo o executivo Helmut Damke “aparentemente existe um gap tecnológico entre a tecnologia ocidental e a russa”. Segundo ele num ambiente complexo de guerra, como deve ser o do futuro, esta diferença pode vir a ser significativa. Danke completou dizendo que: “A Atlas está aqui como parte de sua estratégia de globalização atualmente todas as empresas precisam estar por toda parte”.

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“Estamos em todos os países, é uma evolução natural do marketing de produtos navais” disse Loïc Mouton da Thales. “Estamos atuando na Rússia desde 2005 e a IMDS é indispensável para encontrar com os clientes, parceiros e com os concorrentes. Atualmente nossos sistemas optrônicos [os Catherine-FC] já foram integrados aos tanques russos destinados à Índia. Nosso objetivo é promover nossas soluções uma vez que hoje não existem mais mercados inacessíveis, com a exceção de Irã, Coréia do Norte e, possivelmente a China”.

A Thales é pesadamente envolvida na venda dos Mistral para a Rússia uma vez que diversos sistemas da empresa estão neste navio. Para Loïc: “ainda é prematuro falar sobre o segundo lote de navios de múltiplo emprego para a Rússia. Na verdade, a decisão sobre eles foi apenas adiada, eles foram não cancelados. Acredito que a indústria russa terá que ‘digerir’ os dois primeiros navios antes de que possamos falar sobre o terceiro e quarto. Mas eu sigo otimista neste tema.”

O estaleiro alemão Lürssen decorou seu stand na feira com uma grande maquete-quimera composta da proa de uma fragata e da popa de um iate de luxo. Bero Brinkmann, gerente de vendas da empresa, brincou dizendo que “a maquete sempre faz muito sucesso nas feiras, mas eu me surpreendo em ver quantas pessoas realmente acham que aquilo, por mais absurdo que possa parecer, é um produto real”. Bero contou que: “Isso é apenas nossa forma artística de expressar os mercados em que atuamos, o militar e o dos navios civis de luxo. Mas, a venda dos Mistral provou que negócios militares com a Rússia são, sim, possíveis”.

E ele seguiu explicando: “Nosso foco aqui está nos navios de apoio à esquadra (Fleet Support Vessels) da classe Berlin. Além dele estamos mostrando a fragata da classe 125 com um olho na oportunidade representada pelas diversas delegações nacionais”. Perguntado sobre a viabilidade de se equipar projetos alemães com componentes russos para exportação ele disse que “até então o inverso tem sido mais prevalente, a inserção de componentes ocidentais em navios russos.” Esta foi a primeira vez que a Lürssen participou da IMDS.

Existe alguma sinergia no segmento naval entre o Brasil e a Rússia?

A ambição da construção naval brasileira é grande, começando com o programa recomposição da frota da Transpetro e seguindo agora com o Programa de Articulação e de Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB). Se a construção dos estaleiros por todo o país foi a resposta inicial da indústria brasileira a este desafio, o momento agora é o de tratar de desenvolver uma nova indústria de componentes e sistemas para estes navios e posteriormente para a exportação. Só assim uma maior percentual do valor agregado destes navios passará a ser apropriado pela indústria nacional.

A identificação e a obtenção de parceiros capazes de realizar a tão desejada transferência de tecnologia é um desafio, desafio este bem dentro das capacidades tecnológicas das empresas russas. Empresas estas que, neste exato momento também estão em busca de parceiros e de programas de construção naval pelo mundo para estimular sua produção. Estritamente no segmento militar levando em conta o estágio avançado dos programas Prosuper e das novas Corveta Barroso modificada, parece difícil imaginar que a marinha venha a optar futuramente por comprar navios de escolta de projeto russo. Agora a oportunidade de nos interessarmos por software, radares, mísseis, tecnologia de construção com materiais avançados, bombas hidráulicas, motores é outra coisa muito diferente. A Odebrecht como parceira brasileira da Rosoboronexport, o órgão oficial russo para a exportação de material de defesa, tende a ser um dos canais naturais para a chegada destas tecnologias ao nosso país.

Conclusão:

Dá para ver nesta feira que a indústria naval russa já deixou o seu “vale das sombras da morte”. O governo ainda não está plenamente satisfeito com o ritmo e com o custo da produção nacional, mas os contratos de longo prazo já foram colocados. E a devida pressão política esta fazendo seu efeito. A despeito da crise global que recentemente tem focado mais os países em desenvolvimento do que os desenvolvidos a presença de visitantes militares vindo do Chile, do Peru e da Venezuela demonstra que a América do Sul pode estar se progressivamente abrindo a esta nova parceria com os russos. Isso para sua indústria representa uma importante nova fronteira para suas exportações. A Marinha do Brasil, por sua vez havia decidido mandar Oficiais da Comissão Naval Brasileira na Europa, baseada em Londres, para ver a feira mas, problemas administrativos de última hora impediram esta viagem, relegando à Adidância de Defesa brasileira a tarefa de preparar um relatório completo.

P.S.: A beleza russa

Não dá para falar de uma feira na Rússia para mostrar alguns bons exemplos da verdadeira “arma secreta dos russos”... As meninas vestidas de Paquitas apenas faziam parte do cerimonial de abertura oficial da feira e não pertencia a nenhuma força armada.

Last Updated on Tuesday, 20 August 2013 15:46
 

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