ATLASUR IX PDF Print E-mail
Written by Felipe Medeiros   
Saturday, 17 November 2012 03:19

 

Atlasur IX

Entre os dias 24 de setembro e 09 de outubro de 2012 aconteceu, ao largo da costa da sul-africana, mais uma edição do tradicional exercício IBSAMAR, entre as marinhas do Brasil, Argentina, Uruguai e, claro, do país sede, África do Sul.

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Um início tumultuado

Como já é praxe e por uma questão de segurança, os navios brasileiro, argentino e uruguaio fizeram em conjunto a travessia do Atlântico. Originalmente, os meios envolvidos seriam a corveta Barroso, a fragata Uruguay (antiga classe João Belo na Marinha Portuguesa, doada ao Uruguai em 2008 após a aquisição de duas fragatas Karel Doorman) e o contratorpedeiro La Argentina, da classe Almirante Brown. O CT, porém, teve uma série de problemas mecânicos – no funcionamento dos motores e na engrenagem redutora – que o impedia de sair sequer de Puerto Belgrano e por isso foi substituído pela corveta Spiro, um navio da classe Espora, ainda na etapa de planejamento.

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Em agosto de 2012 ocorreu, porém, durante exercícios na costa da própria Argentina, da Spiro atingir um banco de areia e sofrer um dano ostensivo, que acabou comprometendo sua aprestabilidade. Assim, a Armada Argentina teve que substituir pela segunda vez, e às pressas, (menos de um mês antes dos navios suspenderem) o meio que mandaria para a Atlasur. A designada foi a corveta Espora, a titular da classe. Em realidade, ela também não seria indicada, pois vinha apresentando problema no funcionamento de seus motores, todavia, em face da necessidade de não se ausentar da missão ela foi enviada.

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Esta decisão acabou se provando um erro grave. Fazendo um pequeno salto temporal; após o término da comissão, a Espora não pode retornar de imediato à Argentina, o que acabou atrasando também a volta do Uruguay, posto que seu comandante não queria fazer a travessia sozinho. Os argentinos permaneceram atracados na Base Naval de Simon’s Town por vários dias afirmando estarem passando por problemas de ordem mecânica. Nesse mesmo período, porém, o veleiro Libertad estava detido em Gana, como devem recordar nossos leitores. Muito especulou-se, na Praça d’Armas da Barroso, de que os argentinos teriam recebido ordens de não deixar o continente africano para dar à Casa Rosada mais uma opção ou instrumento de negociação.

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Essa teoria, porém, acabou provando-se falsa, posto que, não apenas a Espora não suspendeu imediatamente após a liberação do Libertad, como chegou a ser ela também cogitada como forma de pagamento aos credores da dívida argentina. As autoridades sul-africanas, todavia, recusaram-se a deter o navio (o que geraria um imbróglio jurídico ainda maior) e mantiveram-se neutras em meio às altercações. Finalmente, foi esclarecido que o problema da Espora de fato era nos motores e que a MTU havia se recusado a fazer o serviço de manutenção dos mesmos sem receber pagamento adiantado por ainda estar aguardando o pagamento relativo a serviços anteriores.

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É lamentável ver a complexa situação a que chegou um amarinha de tradição como a Armada Argentina. Ainda assim, nenhum desses problemas transpareceu durante a Atlasur IX, quando o navio operou perfeitamente, tendo participado plenamente de todos os exercícios realizados. Tornemos, então, a falar dele. A Barroso, a Uruguay e a Espora suspenderam do porto do Rio de Janeiro no dia 10 de setembro e chegaram à Simon’s Town no dia 23.

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Atlasur – Uma história longa. Um exercício maduro

A Atlasur é um exercício bianual que foi realizado pela primeira em 1996, quase 18 anos atrás, e seguiu sem interrupções. A edição 2012 foi, portanto, a nona. O CMG Marco Lucio, CGT (Comandante do Grupo-Tarefa) do exercício, falou à ALIDE sobre os objetivos do exercício e as dificuldades nele encontradas: “A Atlasur, após tantas edições, está hoje bastante madura. Ela parte do mesmo princípio de qualquer exercício multinacional e tem o mesmo objetivo: aumentar a interoperabilidade entre as marinhas participantes; desenvolver amizades e aumentar a confiança mútua. Diria que a principal dificuldade que se encontra aqui, que é a diferença material. Digo isso com todo respeito a nossos colegas uruguaios e argentinos, que são excelentes marinheiros e profissionais muito responsáveis e sempre atentos às questões de segurança, mas há uma diferença razoável de idade e geração tecnológica entre os meios brasileiros e sul-africanos e os dos nossos colegas sul americanos. Durante a etapa de planejamento conjunto nós temos o cuidado de adaptar toda e qualquer manobra realizada às capacidades de todas as partes envolvidas.”

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Após tantas edições, é possível que a Atlasur continue evoluindo? É bastante razoável pensar que após quase duas décadas ela encontrasse uma espécie de zona de conforto e se limitasse a “reproduzir” edições anteriores, sem adicionar manobras ou conceitos operacionais novos. O Comandante Marco Lucio afirma justamente o contrário: “O exercício segue sempre evoluindo. Esse ano, por exemplo, nós inserimos eventos de operações especiais à segunda fase. A marinha da África do Sul, particularmente, é bastante preocupada com operações antipirataria. Eles mantêm uma MEKO 200 full time em Moçambique para a Operation Copper (o SAS Amatola, o navio deles, aqui acabou de ser rendido lá). Por isso nós buscamos adicionar eventos que cubram esse aspecto também. Há uma preocupação constante em manter as forças prontas para responde às novas ameaças, sem jamais descuidar, todavia, de uma operação de guerra convencional”.

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E quanto ao futuro? “Tudo indica que o Brasil será a sede da edição de 2014, portanto ela deve refletir preocupações proeminentes dentro da MB. Vamos inserir exercícios de proteção a infraestruturas críticas, em geral, e a plataformas de petróleo, em particular, e de MIO (Maritime Interdiction Operation – Operação de Interdição Marítima), que é um tipo de operação em que a Marinha vem mostrando crescente interesse, especialmente na sua concepção mais atual, isto é, dentro de um GT multinacional e sob a chancela da ONU (desnecessário dizer, a participação e liderança do Brasil na Força Tarefa Marítima da UNIFIL é força motriz desse interesse)”. Quando questionado sobre a participação de meios de Fuzileiros Navais na Atlasur o CMG Marco Lucio afirma que: “Uma direção em que não vemos o exercício evoluindo é no das Operações Anfíbias. Fuzileiros Navais podem vir a ter participação em edições futuras no papel de Grupo de Reação a Ameaças Assimétrica ou como Destacamento de Abordagem e Inspeção (embora os MECs costumem cumprir esse último papel com mais frequência). É uma questão de cenário. Não vislumbramos nenhuma ameaça no Atlântico Sul, isto é, que mobilizasse Brasil, Argentina, Uruguai e África do Sul, que demandasse uma OpAnf clássica, como a tomada de uma cabeça de praia. Daí a Atlasur não incluir esse tipo de manobra”.

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O Brasil, antes de começar a operar com a marinha sul africana, já operava há muito com argentinos e uruguaios. Questionamos o CGT sobre as dificuldades de se começar a operar com uma nova marinha vis-à-vis os velhos conhecidos, as adaptações a serem feitas e as soluções encontradas. “A Armada Argentina é uma grande parceira da MB. Entre UNITAS e FRATERNOS já se foram mais de cinquenta anos de parceria. Aí não houve conflito. Eu pessoalmente não estive nas primeiras edições da Atlasur, por isso não posso falar especificamente das dificuldades que aqueles militares enfrentaram. A comunicação costuma ser um fator. Nossos oficias e operadores de rádio são treinados usando o inglês americano, com frequência operam em conjunto com a US Navy e se habituam a ouvir o inglês desse país. Como qualquer pessoa no mundo, aliás. O sotaque dos sul africanos é bastante característico, o que associado ao ‘chiado’ natural de comunicações por rádio torna a compreensão dos operadores um pouco difícil. Mas isso é mais uma questão de adaptação, não chega a ser um problema. A ‘guerra da fonia’ não é exclusividade daqui. Acontece com qualquer marinha do mundo, seja ela falante nativa de inglês ou não. Ademais, a Atlasur, eu diria, consiste de exercícios com grau médio de dificuldade. O FRATERNO, por exemplo, envolve manobras bem mais complexas. Por isso não diria que há dificuldades em operar com novas marinhas; é uma adequação que precisa ser aprendida, claro, mas o propósito de um exercício multinacional é justamente esse”.

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E quanto a outros países africanos, já houve convites há novas marinhas? “Não sei precisar se já houve convite formal a outras marinhas. Posso afirmar com toda certeza que a política do Comandante da Marinha é incentivar o “sim”, buscar ser o mais inclusivo possível nas relações com outros países africanos. A MB possui excelentes relações com as marinhas de Nigéria e Namíbia e está caminhando para novos entendimentos com as dos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Como disse, não sei se elas já foram convidadas a participar do exercício, mas sei que já tivemos oficiais convidados na condição de Observadores. Que uma ou mais delas participe do exercício é um passo seguinte natural, mas a decisão, claro, cabe a eles”.

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ASW é um aspecto importante da Atlasur. Esperava-se plena proficiência nisso de todas as marinhas envolvidas, durante a Guerra Fria que viessem a ter que combater submarinos soviéticos. Embora a URSS não exista mais e um novo espectro de ameaças tenha surgido, as manobras de guerra antisubmarino permanecem como uma das mais difíceis do teatro de operações naval, exigindo constante treinamento. A Atlasur IX contou com apenas um submarino, o SAS Queen Modjadji I, um IKL-209-1400, mesmo modelo da nossa classe Tupi. A MB destacou um submarinista como oficial de ligação no Queen Modjadji, que ficou bastante satisfeito por ter tido a experiência de ver como outra marinha opera o “mesmo” submarino. Segundo ele, a única diferença substancial observada foi em certos procedimentos de segurança, nos quais ele considera a MB mais rígida.

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Segundo o CGT, todos os navios participantes participaram dos exercícios antisubmarino. As principais manobras foram de detecção e ataque e de busca e ataque (SAD – Search and Destroy – como também são conhecidas). Ele ressalta, porém, que o GRUCON (Grupo de Controle) só consegue fazer uma boa avaliação desse componente a posteriori, durante as “Reuniões de Reconstituição”, quando se faz uma análise mais detalhada dos contatos indicados pelos navios envolvidos e se cruzam os mesmos com as posições que as embarcações ocupavam em determinada hora. Essa normativa básica é complementada por uma metodologia específica para determinar quem “ganhou a disputa”.

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Por ser já um exercício já bem intitucionalizado, a Atlasur dispõe de um Standard Operational Order (SOO-Atlasur), um manual de procedimentos que padroniza - entre outras coisas - instruções, códigos e o formato das mensagens. A SOO é baseada no Multinational Tactical Procedures (MTP), um guia de procedimentos da OTAN para operações multinacionais mistas (isto é, que envolvem países e membros e não membros da Aliança, ainda que, se ressalte, nenhum dos países da Atlasur seja vinculado a ela). Segundo o CGT, começa a transparecer a necessidade de se efetuar algumas atualizações nesse guia de procedimentos, como consequência natural das diferentes manobras que vem sendo incluídas nas últimas edições, sendo justamente esse um dos pontos em que o exercício pode evoluir.

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Diário de Bordo

A primeira fase da Atlasur foi bastante simples. Com “exercícios clássico, típicos de 1ª fase” como destaca o CMG Marco Lucio. Ela foi constituída de manobras táticas, passagem por corredor varrido, transporte de carga leve, VERTREP, “cross decking” dos helicópteros embarcados, tiro antiaéreo, manobras de guerra antisubmarino e um ADEX (exercício de defesa aérea) particularmente elogiado pelo militares participantes. Eles ressaltaram a excelente participação dos Hawks sul africanos, que fizeram diversos voos e sobrevoos em múltiplas altitudes e distâncias, dando aos operadores das armas antiaéreas de cada navio a oportunidade de “calibrar” suas pontarias para diferentes situações de ameaça aérea (lembrando que apenas o Amatola, da classe Valour, possui mísseis antiaéreos, o Umkhonto, ao passo que os outros navios envolvidos dependem ou de canhões ou de metralhadoras de grosso calibre para sua defesa antiaérea).

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A segunda fase do exercício partiu de Cidade do Cabo. Os participantes foram divididos em três partidos, representando cada um, um país: “Vermelho”, “Verde” e “Azul”. Dentro do cenário elaborado, o país Vermelho invadiu – utilizando forças terrestres superiores – o território do país Azul, sequestrou a família real junto a estadistas proeminentes do país e os isolou. O país Azul tinha a missão de neutralizar as defesas costeiras de Vermelho e recuperar a família real. O país Verde declarou-se neutro na disputa e alertou que não toleraria presença de meios das partes litigantes em seu território e águas territoriais (o que na prática servia para limitar ao norte a área do exercício). O país Vermelho era composto da Espora e da Uruguay, ao passo que a Azul coube a Barroso, o Amatola e o Queen Modjadji, além dos elementos de operações especiais. Essa assimetria de meios se deve ao fato de que Vermelho teve a iniciativa do ataque e foi definido como um país que dispunha de superioridade no poder terrestre.

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O primeiro dia da segunda fase começou com condições climáticas bastante hostis, algo nada surpreendente no antigo Cabo das Tormentas e que é na verdade um problema que afetou não só a Atlasur, mas também a Ibsamar, como nossos leitores verão no artigo sobre este outro exercício. O previsto é que a Espiro e a Uruguay suspendessem na parte da manhã e se posicionassem onde achassem mais conveniente para cumprir sua missão enquanto navios de Vermelho, nomeadamente, impedir que Azul usasse sua superioridade naval para influenciar os acontecimentos em terra. Os navios de Azul, por sua vez, suspenderiam à tarde para cumprir sua própria missão. As condições do mar, todavia, não permitiram que o planejamento fosse seguido à risca e os meios de ambos os partidos acabaram suspendendo juntos, já no início da tarde. Assim, quando o free play efetivamente começou todos ainda estavam dentro do horizonte visual um dos outros. O GRUCON decidiu, então, recomeçar o exercício na manhã seguinte, “do zero”. Que fique claro, isso foi no mar. Os elementos de operações especiais já tiveram uma missão a cumprir nesse primeiro dia. Dois militares voluntários (brasileiros) subiram uma montanha na entrada de Hout Bay, que é onde ficava o hotel em que a “família real” era mantida refém. Lá, eles permaneceram durante dois dias observando e reportando toda a movimentação na entrada na enseada que ligava Hout Bay ao referido hotel. A localização do “estadista” e sua “família” foi fornecida em um informe de inteligência simulado.

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No segundo dia, a “guerra” efetivamente começou. À Barroso coube a neutralização do Uruguay. O Westland Super Lynx orgânico decolou com uma diretriz clara, manter-se a duas milhas de distância de qualquer embarcação com o perfil do Uruguay ou da Espora, posto ser esse o alcance de suas defesas antiaéreas. O helicóptero fez um sobrevoo de aproximadamente uma hora sobre o mar com um olho na tela do FLIR e outro no telêmetro. Aqui cabe uma nota: mesmo no cenário da guerra moderna, onde predomina a tecnologia, um pouco de arcaísmo por vezes faz falta. Os pilotos lamentaram em mais de uma ocasião não terem trazido um binóculo. Aparentemente o FLIR é muito útil durante voos noturnos e particularmente bom para identificar navios inimigos, mas não é tão eficiente assim quando se precisa discernir um navio de outro baseado exclusivamente no perfil da superestrutura. Após mais alguns minutos de sobrevoo – e tendo quase entrado no raio de duas milhas das defesas da Espora – o Super Lynx identificou o Uruguay. Ele fez então uma volta se afastando do navio, reduziu drasticamente sua altitude e fez um voo tático rasante (aproximadamente 15 pés). Ao se aproximar dos uruguaios ele simulou o lançamento de um torpedo e retornou para a Barroso. O GRUCON então avaliou os dados fornecidos pelo Lynx para confirmar que o contato realmente era o Uruguay e, uma vez obtida confirmação, observou se este havia realizado alguma manobra no sentido de evadir-se. Ele, então, cruzou todos os dados e concluiu que o navio uruguaio havia sido posto fora de combate pelo ataque.

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No terceiro dia as condições climáticas, que tinham estado gentis no dia anterior, pioraram muito. Os ventos fortes impossibilitaram voos com segurança, o que eliminou a vantagem aérea possuída pela Barroso e pelo Amatola. Assim, brilhou quem não é afetado por tempestades na superfície, o submarino. O Queen Modjadji, silenciosamente, detectou a Espora e simulou seu torpedeamento; fato confirmado pelo GRUCON.

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Enquanto isso, um grupo de operações especiais rastreou e eliminou, fazendo uso de carga explosiva, o radar da bateria de mísseis costeira de Vermelho, neutralizando praticamente toda sua capacidade de influência na região marítima. Desta forma, o caminho, ficou totalmente aberto para o resgate da “família real”. Às 19:00 do terceiro dia, um grande grupo de operações especiais deixou Langebaan (cidade onde fica sediada a unidade de OpEsp da África do Sul, que cumpriu o mesmo papel para Azul no exercício). Eles embarcaram em um navio patrulha de pequeno porte e navegaram por três horas até a entrada de Hout Bay. O patrulha os deixou a três milhas (aproximadamente 5,4 quilômetros) da praia. Embarcam em quatro botes e, silenciosamente e sob a cobertura da escuridão, remaram até a praia. Enquanto isso, os dois militares que já estavam posicionados na montanha guardando a enseada se infiltraram no hotel e aguardaram a chegada dos outros operativos. Os quatro botes chegaram à praia, tomaram viaturas e se dirigiram ao hotel. Três horas se passaram desde que eles deixaram o patrulha. À 01:00 da manhã o grupo de operações de especiais de Azul iniciou, com a ajuda dos militares infiltrados, o assalto ao hotel. Eles resgatam a “família real” em uma ação rapidíssima e a trouxe de volta às viaturas, dirigindo até o ponto de extração, onde embarcam nos botes, dessa vez fazendo uso de seus motores para permitir uma fuga muito mais rápida. Ainda não havia amanhecido quando os mergulhadores de combate foram localizados pelo Amatola, que assim recolheu a “família real” de Azul. Levando-os a uma localidade segura. O resto do quarto dia foi dedicado à avaliação da ação dos elementos de OpEsp. Concluindo que os objetivos imediatos de Azul foram cumpridos, o GRUCON encerrou a segunda fase do exercício e os navios atracam na Base de Simon’s Town cedo no quinto dia.

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Mergulhadores de Combate treinaram na África do Sul

Uma equipe de mergulhadores de combate (EqMec) teve a oportunidade de participar das comissões Atlasur IX e Ibsamar III, a fim de manter o aprestamento dos meios envolvidos e a interoperabilidade entre os países participantes, permanecendo durante vinte e sete dias no 4° Regimento de Forças Especiais da África do Sul, localizado em Donkergat, na península de West Coast, na cidade de Langebaan, África do Sul. A EqMec era composta de sete militares (um oficial, seis sargentos e um cabo) sendo um comandante, um subcomandante, dois caçadores, um “breacher”, um granadeiro e um mestre de lançamento.



Além da EqMec, participaram desta comissão as seguintes unidades: uma equipe do 4° Regimento de Forças Especiais da África do Sul, que foi criado em 1978, é especializado em operações marítimas e possui experiência de combates anteriores em Moçambique, Angola e Namíbia, através de operações de sabotagem e reconhecimento. Uma equipe de operações especiais do Uruguai, a Seção de Reconhecimento (SECRON) dos Fuzileiros Navais (FUSNA), com experiência em missões de paz da ONU no Haiti, Congo, Camboja e Chipre. Duas equipes de operações especiais da Marinha da Índia, os Marines Comandos (MARCOS), com experiência em operações de combate à pirataria na região do Oceano Índico e no Golfo de Áden e no combate ao terrorismo internacional, decorrentes dos ataques terroristas à cidade de Mumbai, em novembro de 2008.


O 1º Tenente Spranger, comandante da EqMec, nos narrou sua experiência e impressões: “Desde o primeiro dia em que chegamos à África do Sul, fomos muito bem recebidos pelos sul-africanos. Começávamos a fazer as primeiras das muitas amizades que fizemos no período do exercício. Cabe aqui um parêntesis de que os operações especiais se entrosam facilmente uns com os outros, não importando a nacionalidade, a idade ou a patente. Não sei se ocorre o mesmo com as outras atividades, mas quem é um operações especiais sabe bem do que estou falando”.

Durante este período, as equipes da África do Sul, Brasil, Índia e Uruguai realizaram diversos tipos de treinamentos. Cada um dos grupos procurou mostrar seus procedimentos, métodos e equipamentos utilizados em determinados exercícios específicos e missões. Foram realizados exercícios de diversos tipos incluindo: assalto,  emboscada, reconhecimento, coleta de dados de inteligência, neutralização e destruição de instalações, resgate de pessoal, acompanhamento de alvos específicos, ataque mergulhado, ações antipirataria, tiro, tiro de precisão, combate em ambiente confinado, abordagem de navio em movimento, “fast rope”, demolição, lançamento de paraquedista em terra e na água, sendo realizados lançamentos semiautomático (gancho) e lançamento por comandamento (livre), diurno e noturno.

Foi seguido um programa de treinamento, elaborado pelo comando do 4° Regimento de Forças Especiais da África do Sul, em que os membros das equipes eram mesclados e cumpriam determinadas missões. “No início foram realizados exercícios mais básicos, de menor complexidade, e com o passar dos dias, conforme as equipes ficavam mais entrosadas, o grau de complexidade das missões aumentava, e em paralelo a isso, aumentava também o respeito dos estrangeiros com a EqMec”, nos conta o 1T Spranger. “O dia em que isso ficou mais evidente foi quando recebemos a missão de realizar um ataque mergulhado ao porto de Saldanha, onde havia embarcações atracadas que se encontravam “engajadas em pirataria”. Foram formadas duas duplas de mergulho: uma formada por mim e meu dupla Mec e outra formada por dois mergulhadores de combate sul-africanos.

Cada dupla faria seu próprio planejamento e atacaria um alvo cada. Fomos lançados na água praticamente no mesmo ponto, e a partir daí, cada dupla traçou seu rumo até o alvo e foi para o fundo. Chegamos ao alvo e realizamos o ataque. Retraímos para o ponto de recolhimento e regressamos para a base. Mais uma missão completada. Durante o debriefing, meu dupla e eu fomos perguntados a respeito dos nossos procedimentos e do nosso planejamento. Ficou claro para nós, que os nossos anfitriões estavam surpresos com o nosso desempenho na água em relação a dupla sul-africana. A cada exercício eles olhavam para nós com outros olhos, elogiando cada vez mais a nossa postura”.

Sobre a experiência como um todo ele afirmou: “Esta foi uma excelente oportunidade de operar na costa oeste da África, em uma área geográfica com características específicas em relação às condições meteorológicas, do terreno e com águas a baixas temperaturas, diferentes das encontradas no Brasil. Um aspecto importante foi a possibilidade de realizarmos todas as três fases das operações especiais (planejamento, ensaio e execução), onde eram considerados as características e os métodos de cada país. Além de contribuir para estreitar os laços com as nações participantes e aumentar a interoperabilidade entre os grupos de operações especiais, foi a primeira vez que uma EqMec operou com equipes de operações especiais da África do Sul e da Índia. Este fato foi comentado e enaltecido pelos militares das nações participantes e despertou o interesse daquelas unidades em conhecerem e operarem no Brasil em uma futura oportunidade”. Aguardaremos os possíveis desdobramentos dessa integração – inédita, como ressalta o tenente Spranger – para a comunidade brasileira de operações especiais. E que venham os africanos e indianos para o Brasil em edições futuras.


Conclusão

Fica claro que a Atlasur ainda não chegou ao limite de sua evolução enquanto espaço para treinamento e aperfeiçoamento de tropas. As manobras típicas de uma guerra convencional continuam acontecendo como jamais deveria deixar de ser. A Marinha do Brasil por sua vez presta especial atenção a isso. Ao mesmo tempo, ela não deixa de se atualizar e evoluir. A inclusão de um Destacamento MEC e de uma segunda fase formulada para utilizar em larga escala tropas de operações especiais é prova de que os planejadores da Atlasur estão atentos às necessárias e continuadas evoluções doutrinárias – que dão uma importância crescente à atuação desses grupos - que ocorrem nos EUA e na Europa em função de seus engajamentos pelo mundo afora. Isso tudo sem jamais perder de vista o cenário e a solução dos problemas característicos do Atlântico Sul, nossa principal zona de influência no mundo e foco maior das nossas preocupações.

Last Updated on Wednesday, 02 October 2013 12:12
 

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