INS Deepak - Um italiano recém chegado à Índia! PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Saturday, 17 November 2012 03:20

 

No exato momento em que a Marinha do Brasil se encontra, através do programa Prusuper, na busca de um novo projeto de navio-tanque (NT) para modernizar sua frota de superfície ALIDE aproveitou a realização de um exercício naval entre as marinhas do Brasil, Índia e África do Sul para analisar com atenção os navios da nova classe Deepak, recentemente colocada em serviço pela Marinha da Índia.

Introdução

Sonia Maino uma moça italiana morena e bonita, deixou a sua cidade nativa para fazer um curso de inglês na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, como tantos de seus conterrâneos. Lá, por coincidência, ela conheceu um rapaz chamado Rajiv e acabaram se casando. Por causa deste encontro fortuito, Sonia Maino acabou virando Sonia Gandhi e após o assassinato de seu marido em 1991, acabou virando a herdeira do clã político mais tradicional e poderoso da Índia. Em razão disso, já em 2010, ela era considerada por analistas internacionais como sendo a segunda mulher mais poderosa do mundo.

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Muito mais recentemente, outro “casamento” entre italianos e indianos também produziu “bons frutos”, só que desta vez isso transcorreu na área naval. O Navio tanque e logístico INS Deepak foi indubitavelmente um dos maiores destaques do Exercício Ibsamar realizado na costa da África do Sul na segunda metade de 2012. Um dos navios mais novos da Marinha Indiana, este moderno navio-tanque de casco duplo é capaz de atender aos mais exigentes requerimentos da legislação internacional de prevenção à poluição marítima –a chamada “MARPOL”. Ele desloca plenamente carregado 27.500 toneladas e, junto com seu gêmeo INS Shakti, pertence à nova classe Deepak.

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Escolhendo novos navios-tanque

A concorrência para a construção destes navios foi anunciada pela Marinha Indiana e logo em seguida empresas da Rússia e da Coréia do Sul se encontraram na disputa contra a Fincantieri neste contrato. Em outubro de 2008, a empresa italiana anunciou publicamente que havia vencido a concorrência. A proposta italiana previa a construção de cada navio em menos de dois anos, um cronograma, sem dúvida, bastante arrojado. O INS Deepak, o casco número 6186, foi construído no estaleiro de Muggiano (La Spezia) usando blocos estruturais fabricados em paralelo por outros estaleiros da Fincantieri. Inicialmente, o contrato foi orçado em 139 milhões de euros o que previa a construção de apenas um navio-tanque com uma opção para a construção de um segundo navio idêntico, caso a marinha Indiana assim desejasse. Efetivamente, um aditivo do contrato para a conversão da opção do segundo navio em encomenda firme foi assinado entre as duas partes em março de 2009. Diferentemente do Deepak, o INS Shakti foi construído em outro estaleiro italiano, o de Sestri Ponente [GE:  44°25'12.62"N   8°50'32.57"L], localizado perto de Gênova, há apenas 100 quilômetros na direção noroeste de Muggiano.

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Uma antiga ligação da Índia com a Fincantieri

Além dos navios tanque desta classe outro projeto indiano está sendo construído na Índia desde 2004 com consultoria técnica da Fincantieri. O importante programa “Indigenous Aircraft Carrier” (IAC ou “Porta Aviões de Projeto Nacional”), o novo navio aeródromo se encontra em andamento para a produção de duas novas unidades capazes de operar aeronaves de asa fixa de decolagem curta e pouso vertical de alto desempenho. A contribuição italiana, extendida através de vários contratos por tempo limitado subseqüentes, foi necessária para permitir aos indianos saltar de um projeto original de navio aeródromo (NAe) de apenas 20000 toneladas para um de 37500, e, em seguida, para outro navio maior (já chamado de INS Vishal) com 65000 toneladas. O Vishal, diferente do primeiro IAC será equipado com catapultas, possivelmente já do novo modelo eletromagnético que se encontra em testes neste momento nos EUA (EMALS). Devido à parceria inicial e profunda com os italianos se pode entender porque o IAC que será lançado ao mar em 16 de agosto deste ano se parece tanto com o NAe STOVL (sigla que quer dizer “decolagem curta e pouso vertical”, em português) italiano Cavour http://www.livefistdefence.com/2013/08/navy-schematics-of-1st-indigenous.html

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As características inovadoras dos novos navios-tanque

Olhando superficialmente, o design dos navios da classe Deepak pode parecer bastante convencional, mas como todos novos projetos de navios-tanque eles vêm um casco duplo de navio petroleiro, destacando-se, no entanto, pelo grande tamanho da superestrutura de um formato quase que cúbico e da instalação de um grande hangar e convoo à ré. Os dois conveses superiores da superestrutura abrigam dois passadiços; o da Força (a “Flag Bridge” onde ficarão o Almirante e seu Estado Maior) e o do comandante do navio logo abaixo. Isso permite que o navio possa ser usado também como navio de comando e controle em um Grupo Tarefa (GT) naval.  É só por isso que estes navios apresentam tamanha área exterior envidraçada, permitindo uma ampla e desobstruída visão de todos os aspectos da faina de Transferência de Óleo no Mar (TOM). Uma das características interessantes deste projeto italiano é que ele permite o reabastecimento simultâneo de até quatro navios.

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O grande volume da superestrutura, no entanto, gera seus problemas. Entre eles, segundo os pilotos brasileiros que pousaram nele, a existência de uma grande área de “sombra” de vento com uma zona de transição bastante abrupta quando o navio está se deslocando no mar. Isso é um dos fenômenos que pode atrapalhar a segurança na aproximação dos helicópteros que vem para o pouso, especialmente para pilotos que não estejam acostumados com este fenômeno.

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Na proa do Deepak existe um grande guindaste capaz de erguer cargas de até 30 toneladas. Este guindaste, ao menos em teoria, pode ser usado para movimentar cargas entre os navios do GT, até mesmo no meio do mar. A despeito de ter sido categorizado na Marinha Indiana como “Fleet Tanker” (Navio Tanque da Esquadra) os navios da classe Deepak são verdadeiros navios logísticos modernos podendo ainda levar, além das 15.000 toneladas de combustível (óleo Diesel e combustível de aviação) e água potável, outras 500 toneladas de carga sólida como munição, materiais e provisões. Ele também dispõe de espaço interno suficiente para a realização de missões humanitárias e de resposta a desastres naturais.

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A propulsão deste navio é composta por dois motores diesel 9,600kW que movem um hélice de passo variável instalado em um único eixo. Como é praxe atualmente, os seus motores são inteiramente controlados por sistemas digitais.

Como “offset”(contrapartida comercial) deste contrato por parte da Itália houve a instalação de equipamentos de interceptação e de interferência de sinais eletrônicos (a chamada Guerra Eletrônica) fabricados na Índia pela empresa local Bharat Eletronics Limited (BEL). Adicionalmente a BEL colocou no navio seu sistema de alça optrônica modelo Electric Opto Fire Control System e os despistadores de radares (“Chaff”) lançados por foguetes do modelo Kavach MOD II para completar sua defesa contra mísseis anti-navios inimigos.

Operacionalmente, o INS Deepak fica subordinado à Esquadra do Oeste na Base Naval de Karwar. Complementarmente o seu gêmeo,o INS Shakti (A57) foi entregue à Esquadra do Leste na base de Visakhapatnam.

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A experiência anterior da Indian Navy com navios reabastecedores

Antes da chegada dos novos NTs italianos a marinha Indiana dispunha de apenas dois NTs, o INS Jyoti (A58) e o INS Aditya (A59), cada um deles sendo o único exemplar de sua própria classe. O INS Jyoti, deslocando um total de 35,900 toneladas é, por enquanto, o maior navio da Marinha Indiana. Ele faz parte da classe Komandarm Fedko,tendo sido construído na Rússia em 1993 como um navio mercante civil, mas eventualmente adquirido e convertido em navio tanque pela Marinha da Índia apenas três anos depois. Por sua vez, o NT Aditya, deslocando suas 24.612 toneladas não era mais do que uma ampliação dos navios da antiga classe Deepak de 15.000 toneladas. Outros dois navios tanques indianos anteriores a estes eram os NTs desta mencionada classe Deepak anterior. Eles eram ainda movidos a vapor, tendo sido colocados em serviço entre os anos de 1967/1975 e já não se encontram mais em serviço.

As perspectivas futuras na Índia para este segmento

A chegada dos novos navios italianos evidencia a atual expansão dos interesses geoestratégicos da Índia que, depois de muito tempo concentrando-se quase que exclusivamente nas costas do Paquistão, agora abrangem doutrinariamente toda a extensão do Oceano Índico. Esta área de interesse nova é um quadrilátero com vértices no estreito de Ormuz, no noroeste; na costa leste da África do Sul, no sudoeste; na costa oeste da Austrália, no sudeste e no Estreito de Málaca, no nordeste.

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No primeiro exercício Ibsamar, realizado há apenas quatro anos, a Marinha Indiana foi representada por um destróier da classe Delhi e por uma corveta da classe Kora. Na falta de um Navio Tanque que os acompanhasse naquela ocasião, os dois navios, limitados pelo alcance do navio menor, chegaram à África do Sul somente após realizar algumas paradas intermediárias para reabastecimento.

A Marinha Indiana se destaca atualmente por abrigar um das maiores projetos de expansão naval no planeta. É até certo ponto surpreendente que um projeto relativamente simples como navio tanque tenha sido construído no exterior e não fabricado em um doa diversos estaleiros indianos. Mas também é verdade que neste momento, os principais estaleiros indianos, como o Mazagon Docks e o Garden Reach, ambos plenamente capazes de realizar esta obra, já se encontravam totalmente ocupados com os demais navios encomendados pela Marinha local.

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Fora os dois novos “Indigenous Aircraft Carriers” em construção no Estaleiro de Cochin, a chegada em breve do NAe Vikramaditya, adquirido aos russos, representa uma demanda crescente por mais navios-tanque. Continuando nesta direção em abril de 2013 foi publicado o edital de solicitação de informações (RFI – “Request for Information”) para a aquisição de cinco novos navios-tanque de 200m de comprimento e 40000 toneladas para a Marinha da Índia. Esta aquisição representará um grande salto adiante em relação às 27,500 toneladas de deslocamento máximo dos dois Deepak. Será muito interessante ver se os navios que se seguirão os dois novos Deepak serão fabricados na Índia ou no exterior. O certo é que a Marinha da Índia precisará de um número cada vez maior de navios auxiliares para sustentar a expansão nas operações de “Águas Azuis” de sua marinha, que serão, cada dia, mais numerosas e geopoliticamente significativas.

O sucesso da Fincantieri, nesta venda dos Deepak para a Índia pode muito bem abrir outras boas oportunidades de novos negócios ao redor do planeta. Inclusive no Prosuper da Marinha do Brasil.

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Nome Ident Base Lançado Colocado em Serviço Status

INS Deepak A 50 Karwar 12 Fev 2010 21 Jan 2011 Operacional

INS Shakti A 57 Visakhapatnam 11 Out 2010 01 Out 2011 Operacional

 

Especificações técnicas

Tipo: Navio Tanque de Esquadra

Deslocamento: 27,500 toneladas carga plena

Comprimento: 175 metros

Boca: 25 m

Calado: 9.1 m

Propulsão: Motor diesel de 10,000 kw

Velocidade máxima: 20 nós (37 km/h)

Velocidade de cruzeiro: 16 nós (28 km/h)

Autonomia: 12,000 milhas (19,000 km) a 15 nós (28 km/h)

Tripulação: 248

Last Updated on Friday, 27 September 2013 13:20
 

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