Hobart e Canberra: a vitória dupla da Navantia na Austrália PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 21 January 2014 16:49

 

Recentemente, o estaleiro espanhol Navantia chamou a atenção da indústria naval de defesa ao vencer em seguida dois grandes programas de construção naval na Austrália: o navio anfíbio LHD, com pequenas alterações de projeto e rebatizado para AustralianLDH ou, ALHD,  e o destróier antiaéreo AWD.

Revista Base Militar foi até a Oceania para conhecer de perto a história destes dois programas e entender o que eles têm de semelhante ou de diferente da situação brasileira. Especialmente queríamos ver o que estas duas vitórias ajudam a posição da Navantia no PROSUPER da Marinha do Brasil.

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Os programas históricos de renovação da esquadra australiana

Conforme mostramos na matéria dedicada ao centenário da Royal Australian Navy (RAN) no seu início os seus principais meios navais eram fabricados na indústria naval do Reino Unido. Naturalmente durante a Primeira Guerra e em Seguida na Segunda guerra essa indústria teve que se dedicar a fornecer navios para a Royal Navy britânica.

Sem essa garantia de entrega a indústria local passou a construir dezenas de navios para a marinha local. Ao final de cada destas Guerras havia uma natural pressão para reduzir os custos e muitos dos navios ativos eram dados de baixa. Além disso sob a mesma pressão por custos os navios então ociosos da Royal Navy eram oferecidos às marinhas da Commonwealth e assim a Austrália acabava fazendo um upgrade dos seus meios navais a custos mais favoráveis.

Na década de 1950, a Royal Australian Navy, RAN decidiu construir seis fragatas da classe River e encomendou quatro, mas, só construiu três, destróieres da classe Daring. Ambos eram projetos originalmente britânicos, e foram construídos nos estaleiros australianos de Cockatoo Island, em Sydney e Williamstown, em Melbourne.

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Posteriormente, os substitutos dos Daring, três destróieres da classe Perth, quebraram duas vezes este padrão histórico, primeiro, por serem versões da classe Samuel F. Adams americana, e segundo, por terem sido totalmente construídos nos EUA.

As classes seguinte de navios de superfície da Austrália foi a Adelaide o que manteve a ligação com os EUA inaugurada pelos destróieres classe Perth. Quatro das seis Oliver Hazard Perrys modificadas, para os requerimentos australianos foram fabricadas nos EUA e as duas finais foram  no estaleiro de Williamstown que hoje pertence à britânica BAE Systems.
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A despeito de toda essa experiência de construção naval não existe na Austrália nenhum programa de construção naval mais conhecido que o dos submarinos da classe Collins, e não por uma boa razão. Desenvolvido a partir de um modelo costeiro sueco e construído por um grupo sem qualquer experiência em construção naval o atual submarino australiano casou um casco novo com um sistema de combate americano e assim deu muita dor de cabeça à marinha nos seus primeiros anos de serviço.

O JP 2048: os novos navios anfíbios da Royal Australian Navy
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Vendo na primeira mão as limitações operacionais dos NDCC classe Kanimbla (idênticos ao nosso Mattoso Maia) e do NDCC Tobruk (semelhante ao NDCC Garcia d’ Ávila e Alte. Sabóia) na guerra civil seguida de crise humanitária do Timor Leste, o ministério da Defesa da Austrália deu partida num programa de reequipamento conjunto para atender às demandas da Marinha e do Exército da Austrália nesta área.

Os administradores do programa JP 2048 após investigar hipótese de toda parte do globo pré-selecionou dois modelo básicos para disputar este contrato. Em primeiro lugar, com 27000 toneladas havia o “Buque de Projección Estratégica” (BPE - Juan Carlos I) da Navantia, e por outro lado, uma versão de 24000 toneladas (2000 toneladas maior que o navio padrão da Marinha Francesa) do “Batiment de Projection et Commandement” (BPC – Mistral) projetado pela DCNS. Os dois fabricantes receberam o RFI em fevereiro de 2004. Depois de muitos estudos em 20 de junho de 2007 o BPE do consórcio Navantia-Tenix foi anunciado como vencedor sobre a dupla DCNS-Thales Australia.

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Segundo o cubano radicado na Austrália Marcos Alfonso diretor do programa ALHD na BAE “as especificações exigidas pela Marinha no edital da concorrência eram suficientes para o emprego de helicópteros a bordo, mas não para poder permitir a operação de aeronaves de asas fixas”. Ele disse ainda que no momento da preparação das propostas a BAE e a Navantia estudaram os benefícios e os ônus da remoção da rampa existente na proa do Juan Carlos espanhol. Mas a conclusão, é que isso apenas geraria mais uma demanda de desenvolvimento e testes estruturais que faria aumentar o custo do navio sem produzir qualquer retorno, além de suprimir um compartimento onde no navio espanhol fica a sala de ginástica da tripulação.

Alfonso explicou ainda que “os programas anteriores dos submarinos Collins e o das fragatas ANZAC apresentam um modelo mais semelhante ao que se busca hoje no Brasil: uma lógica ´pai-filho´ quando uma empresa estrangeira conceituada se associa a um estaleiro local para guiá-lo pela mão na fabricação local de uma nova classe de navio militar com o máximo conteúdo local. Aqui é mais uma parceria de iguais. Tanto o programa ALHD, quanto o AWD, têm um espírito distinto mais alinhado com os pensamentos dos partidos [neoliberais] que ocupam o governo australiano atualmente.

O casco do ALHD foi entregue à Navantia justamente porque fazê-lo na Austrália envolveria pesados investimentos que não teriam qualquer retorno uma vez que o país não é competitivo em termos de custos para a construção de grandes navios cargueiros comerciais. Concorrendo assim com indústrias navais da Coréia do Sul, Japão e China”. Somando-se a isso tudo a o número de novos empregos criados neste programa.

Como muitos dos navios militares atuais o navio australiano é construído não sob as regras MIL STD, mas sob as regras de construção naval civis do Lloyd`s Register britânico atendendo ainda aos requisitos da convenção de controle de poluição nos mares, a MARPOL, da International Maritime Organization, IMO.

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BAE Systems Australia – Williamstown

O Estaleiro de Williamstown em Melbourne remonta a 1858 quando foi construída ali uma carreira para manutenção naval, quinze anos depois foi adicionado um dique seco que operou até os anos 1890. A partir de 1903 é que se iniciou a construção naval no local. Depois de pertencer a vários donos, em 1942, durante a Segunda Grande Guerra, a Real Marinha Australiana nacionalizou o estaleiro transformando-o em “HMA Naval Dockyard, Williamstown”.

Na década de 90 e 2000 foram construídas aqui as duas fragatas classe Adelaide feitas no país, oito fragatas ANZAC australianas e também as duas ANZAC’s neozelandesas. O Arsenal militar existiu até fevereiro de 1988 quando foi então vendido pelo governo do país para a corporação Australian Marine Engineering Corporation (AMECON) empresa que apenas seis meses mais tarde foi absorvida pelo grupo Tenix.

Em 2008, logo após seu consórcio ter sido escolhido para fabricar a superestrutura e realizar a montagem final dos dois navios anfíbios porta helicópteros (LHD) da classe Camberra, a parte naval da Tenix incluindo aí o estaleiro em  Williamstown foi vendida por 775 milhões AUD, 665 milhões USD,  para a multinacional britânica BAE Systems.

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A BAE Systems Australia Maritime

“Como toda grande empresa a BAE Systems Maritime é muito diversificada operando primariamente em três segmentos de negócios. O Estaleiro de Williamstown se dedica à construção naval no programa ALHD, fabrica módulos estruturais para os destróieres antiaéreos AWD e realiza manutenção de navios militares como foi o caso recente do destróier inglês HMS Daring que passou por aqui na semana que antecedeu a comemoração dos 100 anos da Royal Australian Navy” contou Kelly Nutter, norte americano que responde pela Gerência Geral de Operações e Projetos no Estaleiro de Williamstown. “O estaleiro na costa Oeste fica em Henderson, perto da cidade de Perth e lá realizamos reparo naval, reformas profundas para navios militares e também civis, especialmente os das empresas do setor de óleo e gás. Em Sydney a empresa realiza atividades de “Through Life Support” (apoio e manutenção permanente para a frota da Marinha Australiana) atividades que, aqui no Brasil, cabem unicamente aos engenheiros e técnicos militares do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

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Nutter contou que: “como este estaleiro é bem antigo a disposição dos galpões e a largura das passagens entre eles não é a mais adequada para a construção modular moderna como seria se ele tivesse sido construído recentemente. Para este programa dos navios anfíbios tivemos que construir dois novos edifícios cobertos para a construção o ‘Module Hall’ e para o dos destróieres classe Hobart (AWD) mais recentemente fizemos um ‘Construction Hall’”.
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O Module Hall conta com duas pontes rolantes no teto, cada uma com capacidade de levantar até 80 toneladas. O Primeiro dos navios anfíbios já está com sua superestrutura instalada sobre o casco enquanto a BAE se encontra completando os módulos da superestrutura do segundo. Curiosamente, o HMAS Canberra, o primeiro navio da classe, levará o indicativo “L02” enquanto o segundo passará a ser o “L01”. Isso ocorrerá apenas para manter a numeração sequencial idêntica ao que era nas duas fragatas da classe Adelaide (OHP) já retirados de serviço.

Nutter chamou a atenção de que “os dois navios não são clones do Juan Carlos I espanhol as diferenças, em sua maioria internas, são o que se chama por lá de ‘australianização’ do navio”. Pela óptica da Navantia a superestrutura existente nos navios australianos é de uma configuração completamente nova. “Estas diferenças são ainda mais bem percebidas nas áreas de sistemas de comunicação e no Sistema de Combate do COC.” Disse o americano.

Em outras áreas do navio este efeito é mais sutil, como na cozinha, por exemplo. No navio espanhol ela é configurada para atender à dieta local, assim temos pães e vinhos ocupando um espaço importante. Na versão da RAN, estes dois alimentos acima estão sendo substituídos a bordo por cerveja e por comidas fritas. Pequenos detalhes como tomadas elétricas o acabamento dos compartimentos também mudaram.

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A grande alteração está concentrada nos sistemas de ar condicionado do navio que foram muito reforçados para compensar o calor predominante nas áreas de operação da Marinha Australiana. O hospital de bordo também mudou bastante recebendo equipamentos australianos no lugar daqueles usados na Espanha. Como alguns compartimentos da superestrutura foram alterados em forma e tamanho toda a rede de refrigeração e ventilação teve que ser reprojetada. Todas estas alterações foram resultado de dois contratos técnicos distintos, um para definição destas mudanças e outro para a redução de riscos destas alterações.

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“No meio do processo de preparação da proposta, junto com a Navantia, os executivos da Tenix notaram que muitas melhorias teriam que ser feitas no estaleiro caso eles ganhassem a concorrência” contou Mascos Alfonso.  Fazendo eco com Kelley Nutter, que disse: “A BAE trouxe para este estaleiro o investimento necessário para podermos crescer e para obtermos novos contratos.”

Para o gerente geral da BAE é bem fácil ver o efeito da curva de aprendizado dos trabalhadores no estaleiro: “na superestrutura do primeiro navio [o Canberra] muitas coisas tiveram que ser refeitas e/ou mexidas posteriormente, já no caso do Adelaide a construção está progredindo de uma forma muito mais suave. Inclusive, já pudemos pintar o designador ‘L01’, antes mesmo de soldarmos os diversos módulos estruturais na superestrutura do navio”.

Todos os espanhóis da Navantia residentes em Williamstown estão subordinados a José Manuel Gil, o Resident Team Leader e vice gerente do programa: “existem dentro do Canberra, todos os dias, cerca de 600 trabalhadores locais executando suas tarefas. A despeito desta escala, me surpreende que os compradores da BAE Australia escolham adquirir lá na Espanha, componentes pequenos que facilmente, e mais rapidamente, poderiam ser adquiridas no próprio mercado australiano. Nossos projetistas em Ferrol usam catálogos de peças espanholas ou no máximo européias. Acho que cada país deveria fomentar a sua própria indústria de pequenos itens no próprio país”.

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E ele continua: “o projeto de um navio é quase que um ‘ser vivo’, modernizações ao longo da vida operacional do navio, por exemplo, geram interferências entre os componentes velhos e os novos gerando problemas de obtenção de componentes. Pra isso é muito útil ter uma indústria nacional de peças de navios para se apoiar. Ainda na área de compras, como o progresso da informática é ditado pelo mercado, esta é a área que muda mais rapidamente. Por isso, estes itens serão sempre os últimos a serem comprados para serem colocados nos navios.”

E conclui: “Esta classe de navio é especial, para todos os efeitos ele é quase um transatlântico para 1500 pessoas, e esta característica vai fazer com que a Marinha da Austrália saiba o que fazer para entreter estas 1500 pessoas durante um período grande, digamos 20 dias, numa situação de resposta a emergência humanitária”.

Na visão de Marcos Alfonso da BAE “este programa para nós é único porque nosso estaleiro ganhou de uma só vez a oportunidade rara de estar exposto a um segundo grande construtor naval, a Navantia”.

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Surpreendentemente, o estaleiro de Williamstown não conta com grandes guindastes, ou mesmo, de um pórtico tipo Goliath para erguer os módulos estruturais. Para realizar esta função no caso dos ALHD Canberra a colocação dos blocos estruturais do navio é responsabilidade de um guindaste instalado sobre largata que é alugado apenas durante o período em que os blocos da superestrutura são carregados sobre o casco que veio praticamente completo do estaleiro de Ferrol no norte da Espanha. A BAE Systems durante o programa manteve entre 12 e 20 (com um pico de 30) pessoas na Espanha para acompanhar o processo de construção do casco dos navios e para aprender o que fazer para construir as superestruturas do outro lado do mundo.

O transporte do imenso casco foi um dos grandes desafios do programa. Desde o início estava claro que nenhum estaleiro local teria meios para realizar esta construção e de em seguida flutuar esse casco. A solução foi, então, focar no envolvimento da indústria local naquelas atividades industriais de maior valor agregado, como, por exemplo, a integração do novo sistema de combate para atender.

No entanto, para não deixar a indústria naval australiana de fora de um grande programa naval optou-se por realizar unicamente a construção da superestrutura do navio no país. No caso do Canberra a superestrutura é um módulo relativamente compacto e autocontido onde reside o conteúdo mais “hightech” do navio. Isso combina muito bem com as demais áreas de atuação da indústria australiana neste projeto, o sistema de combate e os sistemas de comunicação.

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Eficiência: uma nova forma de construir navios

Uma das mudanças profunda verificadas na chegada da BAE Systems ocorreu na área de revisão dos processos industriais. O time que trabalhava na Tenix era conservador e resistia a mudanças o que fazia com que o processo industrial fosse ainda mais complicado do que o necessário. Ao dar ouvidos a um engenheiro bem familiarizado com o estaleiro a nova administração aceitou reorganizar o chão de fabrica e redistribuir os postos de trabalho para ganhar eficiência, reduzir custos e aumentar produtividade na linha de tubulação.

Uma mudança cultural recém implementada é na área ambiental. Um sistema de oito tanques de água aquecida eram usado para limpar o óleo que é aplicado nos tubos retos na hora de serem dobrados. Três destes tanques, por exemplo, eram aquecidos de 80 graus centígrados e os demais a 40 graus por um boiler a óleo comprado nos anos 70. Só a ineficiência térmica deste boiler gerava custos de 180000 dólares australianos por ano para a empresa.

No lado do pessoal, ao invés de contratar gente “pronta” de fora, a BAE optou por passar a contratar apenas gente nova, recém saída da universidade, para poder treiná-los na sua própria cultura corporativa. Na hora de solicitar feed-back dos seus funcionários, a empresa optou por separar o pessoal por seu tempo na empresa, evitando, assim, que a maioria iniba a participação dos demais no processo de modernização da empresa. Um dos grupos destacado é daqueles com menos de cinco anos na empresa, o outro é dos que têm mais de 20 anos e finalmente opinam todos os demais funcionários.

Com as alterações introduzidas o trabalho manual dos trabalhadores foi reduzido, as ferramentas agora são de uso individual e ficam em carrinhos azuis. A produção agora é “just in time” com os tubos ficando prontos mais próximo da data de seu uso no navio em construção.

Existe um pequeno time de funcionários da Navantia em Williamstown que trabalham principalmente na facilitação da comunicação entre o estaleiro na Austrália e o da Espanha.
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SEA 4000 os três destróieres antiaéreos da classe Hobart

Os módulos estruturais dos destróieres foram divididos entre o estaleiro da ASC em Adelaide, o de Williamstown da BAE Systems e o Forgeacs nas cidades de Newcastle e Tomago. Para a BAE foram designados um total de 36 módulos, mas, devido a identificação de alguns problemas de qualidade de fabricação nos primeiros módulos entregues, foi tomada a decisão de cortar este número para 11. Uma vez que a empresa demonstrou que os problemas tinham sido devidamente corrigidos, o total de blocos estruturais a serem fabricados em Williamstown subiu novamente para 15. Para não gerar um atraso com este problema, seis dos blocos que seriam feitos na BAE foram repassados para a Navantia construir na Espanha.

O problema da BAE, que teve muita repercussão na imprensa local, decorreu da necessidade dela ter que construir os blocos dos AWD ao mesmo tempo em que trabalhava no programa ALHD, um esforço que sobrecarregou demais sua força de trabalho. “Nós nos propomos a ser o melhor estaleiro na Austrália, e para isso precisamos saber como aprender dos nossos erros”. Falou francamente Nutter.

A manutenção da demanda constante para a construção naval militar é um problema que assombra toda a indústria australiana neste momento. Existem vários planos para novos navios sendo pensados no governo, mas o período que vem logo depois do encerramento da construção dos módulos do AWD é conhecido por todos como o ´Vale da Morte´. “Para a BAE, em especial, esta questão pode determinar se o estaleiro de Williamstown seguirá existindo no futuro ou se será fechado definitivamente”, explica sombriamente Kelly Nutter.

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AWD Alliance: ASC e Raytheon – Adelaide

Na cidade de Adelaide, fica a sede do Air Warfare Destroyer Alliance organização que é responsável pelo desenvolvimento e construção de três novos navios de escolta de 6000 toneladas para a guerra antiaérea. O núcleo da Alliance é composto pela Defence Materiel Organisation, a empresa Australian Submarine Corporation como o construtor naval e a Raytheon Australia como a empresa responsável pela engenharia do Sistema de Combate dos navios. A equipe mais ampla ao redor da Alliance conta com a Royal Australian Navy (RAN), a Defence Science & Technology Organisation, o estaleiro espanhol Navantia, o estaleiro americano Bath Iron Works, a Lockheed Martin, a US Navy, a BAE Systems Austrália e o estaleiro australiano Forgacs.

O próprio CEO do consórcio, Rod Equid, apresentou o programa durante a visita da Revista Base Militar.  “Não existe capacidade de projeto de navios militares na Austrália, assim só nos resta comprar um projeto estrangeiro, exatamente como fizemos nos programas anteriores para construção naval na Austrália navio/tanque: HMAS Success e as fragatas ANZAC”. Para o executivo: “esta é uma atividade incrivelmente complexa, sempre produzindo poucas unidades e sempre precisando adaptar os modelos estrangeiros básicos para atender aos requerimentos exclusivos da Marinha da Austrália.

Esta área de design trás consigo uma questão crítica, não existe design perfeito. A busca incessante da perfeição no design aumenta os custos de tal maneira que eles começam a competir com os recursos necessários para a construção, o programa AWD é um exemplo bem assim. Desta vez optamos por uma parceria entre o governo e indústria. Nas experiências anteriores o governo ficava no meio toda vez que as empresas envolvidas no programa botavam a culpa dos atrasos uma na outra, exatamente o que ocorreu na construção do submarino Collins.
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Desta vez todos os participantes chave do programa AWD estão unidos por um único contrato. Isso faz com que a única forma de tudo dar certo é todas as partes estarem de acordo nas questões mais importantes. Aqui o orçamento é fixo assim não temos como brigar entre nós por maiores fatias do contrato, todos agora estão diretamente preocupados com questões que possam afetar o cumprimento dos prazos acordados. Atraso geram aumento de custos e o orçamento não crescerá.

Este modelo organizacional não é nenhuma novidade e nós nem mesmo criamos uma nova empresa para administrar todo o programa. É tudo feito unicamente através de contrato assinado entre as três partes e a divisão do trabalho entre as empresas está determinada. Todos os participantes tem o direito de influenciar o design do navio neste nosso modelo. Este modelo tem sido usado por exemplo na indústria de Óleo e Gás e em projetos de infraestrutura com sucesso.

O governo do estado de Victoria está usando este sistema nos seus contratos. Entendemos que este modelo compensa em parte a alta complexidade destes programas com muitos participantes, fazendo um ‘approach’ mais equilibrado e justo. O governo entende que a indústria tem o direito a ter lucro e como a margem da indústria é predeterminada, isso faz com que agora a relação entre indústria e governo tenha ficado mais clara.

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Foi estudada a criação do projeto de um novo navio para atender a este requerimento, mas, a perspectiva de fabricarmos apenas três ou quatro unidades fazia com que os custos ficassem absolutamente inviáveis. A solução de menor risco neste caso foi a de usar uma modificação de um projeto já existente, aquilo que chamamos de “MOTS” (“Military Off The Shelf”).

O governo escolheu a ASC e Raytheon apenas por seus méritos individuais. A Navantia que é o projetista do navio não faz parte do Air Wafare Alliance, mas com eles conseguimos uma relação muito boa e, nada antagônica (“adversarial”, no inglês original). Um exemplo disso foi quando descobrimos que por nosso deslize o projeto entregue pela Navantia previa o uso de hardware que não atendia ao exigentíssimo padrão MIL SPEC para o AEGIS.

Sistemas que funcionavam bem, porém eram muito sensíveis a variações no fornecimento de ar usado para a sua refrigeração. Com outra empresa isso poderia gerar uma briga, mas, eventualmente, o fornecimento elétrico do sistema foi redesenhado para contornar o problema.

A Navantia foi proativa nos fornecendo todos aqueles documentos, pela segunda vez, agora com as devidas alterações. No nosso sistema não importa qual é a parte ‘culpada’, o importante é colocar toda a nossa energia em consertar os problemas. Agora o governo sempre sabe tudo o que está acontecendo dentro do programa, não existe mais surpresas, pois o representante da Marinha dentro da Alliance é um Comodoro (almirante de uma estrela).

Esse oficial trabalha para o Defense Materiel Organization (DMO) que é a organismo do Ministério da Defesa Australiano incumbido de centralizar todos os processos de aquisição e de manutenção dos meios das três forças armadas do país. Toda a conexão do Ministério e das forças com a indústria de defesa nacional e internacional é conduzida pelo DMO. “O papel do DMO dentro da Alliance é chave para termos como dizer à Marinha que ela não pode ficar mexendo nas especificações dos programas. ‘Sucesso’ significa para nós entregar um bom produto para a Marinha, dentro do prazo e dentro do orçamento.

O governo australiano entende que a construção naval nem sempre é um processo perfeito. No nosso caso estamos com um retraso de 15 meses. Acho que empregar a palavra ‘atrasado’ é meio duro, talvez as premissas iniciais é que tenham sido otimistas demais. Como este é um programa previsto para durar 50 anos, que tão significativos são estes 15 meses?

Respondendo sobre o porquê de a Austrália não ter optado por desenvolver este projeto em conjunto com outros países, Rod Equid disse que: “O requerimento para o AWD era muito exigente e específico, por esta razão é que trabalhar com um parceiro internacional não nos parecia uma boa solução naquele momento”. Agora se você olhar com atenção vai ver que os programas multinacionais acumulam mais fracassos do que sucesso. A construção de navios durante um período de 10 a 15 anos, sozinhos, já é complexo o suficiente...

Sobre a possibilidade, após estes programas, de a Austrália, vir a exportar navios de guerra, Equid disse: “Nunca direi ‘nunca’, mas os navios construídos aqui jamais serão mais baratos que aqueles feitos na Espanha, isso devido ao menor custo da mão de obra lá na Espanha. A competitividade da construção naval australiana, desta maneira, depende muito do tipo de navio que se pretende construir. Temos como justificar a produção no país de navios de escolta complexos. Porém, no caso oposto, o de navios tanque/logísticos de baixo valor agregado, por exemplo, isso deixa de ser viável. Estes são produtos muito simples adequados a indústrias navais em países de mão de obra barata”. Neste caso o sobre preço (“premium”) a ser pago pela produção local no caso dos navios mais complexos é proporcionalmente menor do que o pago nos navios mais simples. Importante para a indústria local, no entanto é que no custo total por toda a vida do navio é maior do que unicamente o seu preço de aquisição.

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A versão do AEGIS que será empregada nos Hobarts terá pouquíssima diferença daquele usada nos navios da US Navy. Existem algumas mudanças, mas, elas são pequenas, como a Interface Tática Australiana (ATI). O ATI, chamado internamente do projeto de “Happy Box”, é um sistema de hardware e software que conecta o sistema AEGIS com o sistema de combate do navio. O sistema de combate foi escrito pela Raytheon Australia sendo responsável pelo disparo e controle dos mísseis e armas de tubo assim como pelo recebimento e consolidação dos sensores óticos e das antenas de guerra eletrônica.

O ATI está sendo desenvolvido para a Austrália pela firma norueguesa Kongsberg, após ela ter realizado o mesmíssimo trabalho para a Marinha norueguesa nas suas fragatas AEGIS F310. Os mísseis dos destróieres australianos serão comprados direto dos EUA via o sistema Foreign Military Sales.

Duas localidades foram designadas para apoiar do ponto de vista científico o programa AEGIS da RAN. Na Austrália, fica o laboratório da Raytheon em North Macquarry Park, subúrbio de Sydney e nos EUA a atividade é concentrada no AEGIS Test Facility da cidade de Moorestown, em Nova Jersey.

O destróier classe Hobart é uma modificação da fragata espanhola Méndez Nuñez (F-104) a penúltima a ser entregue à Armada espanhola. Este modelo disputou e venceu a concorrente proposta pelo bureau de projetos americano Gibbs & Cox uma versão de menor porte do DDG-51 Arleigh Burke americano. Para o executivo da AWD Alliance “o governo da época, inocentemente, concluiu que um navio menor, automaticamente, seria mais barato de adquirir e operar”.

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DefenseSA: um inovador modelo de Parceria Público-Privada focada área de defesa

O estaleiro onde os navios da classe Hobart estão sendo construídos não pertence a nenhuma empresa, ele é, na realidade a parte central de um programa do governo estadual da South Australia para capturar mais trabalho ligado à área de defesa. Este modelo inovador pode vir a ser replicado no Brasil uma vez que o comitê da industria naval de defesa da FIRAJAN está estudando os prós e contras deste sistema para fazer uma proposta ao governo federal e estadual.

Segundo Andrew Fletcher, Chief Executive do órgão DefenseSA do governo do estado de South Austrália, contou à Revista Base Militar que seu governo investiu cerca de 300 milhões de USD num terreno ao lado da fábrica da Australian Submarine Corporation no bairro de Osborne ao norte da cidade de Adelaide. Ali foi criado um pátio industrial cimentado dedicado para ser usado pela indústria de construção e reparo naval.

Todos os edifícios e galpões existentes ali foram construídos pelos locatários em troca de descontos no aluguel mensal. Para a indústria a maior vantagem de usar o Techport AS é justamente não ter que fazer grandes investimentos em um estaleiro no início de algum grande programa de construção, nem ter que tratar de se livrar do ativo imobiliário assim que o programa se encerrar. O Techport pode ser alugado inteiro ou em partes, assim os estaleiros só precisam alugar a área que realmente precisam sem ter que gerenciar eles mesmos os períodos de ociosidade do estaleiro alugando espaço para terceiros.

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Segundo Andrew Fletcher, South Australia é quase uma cidade-estado, Adelaide , a capital tem 1,3 milhões de habitantes enquanto a segunda maior cidade não passa de 20000 moradores. Diferente de outros estados australianos sua população inicial era de imigrantes não de presos e até a Segunda Guerra a economia do estado era toda baseada em agricultura, como trigo e ovelhas. Com a industrialização apareceram fabricas produzindo bens de linha branca, automóveis e têxteis. A recente abertura comercial da Austrália em direção aos países asiáticos fez com que estas indústrias encolhessem até fechar de vez.

Para reagir a esta perda o governo local tratou de buscar novas opções para gerar riqueza para seus moradores ao lado do agrobusiness. O programa conseguiu desenvolver uma série de vinhedos e vinícolas que hoje respondem por 60% do consumo local e cerca de 70% da exportação de vinhos australianos.

O investimento do estado em um programa prospecção mineral trouxe também as grandes mineradoras e das três minas pré-existentes foram identificados outros 50 locais potenciais de mineração dos quais 19 já estão produzindo. A área final de investimento do estado foi a de Defesa. Os primeiros testes nucleares britânicos foram realizados em uma área em South Australia e por isso tiveram que descontaminar toda a região antes de poder reutilizar a área de Maralinga dentro da Área de Testes de Woomera.

A base aérea de Edinburgh é um pólo importante no estado, mas uma das áreas mais importantes foi a decisão de 1987 de abrigar em Adelaide a planta industrial necessária para a construção dos submarinos Collins. Junto com os submarinos vieram as indústrias marítima, de Inteligência e vigilância além da de guerra eletrônica. Andrew sabe que os terrenos onde se encontram o estaleiro de Williamstown e o de Newcastle estão valorizados ao pondo de atrair a construção de prédios residenciais no seu lugar. Se isso vier a ocorrer, o estado de South Austrália, onde os terrenos são muito mais baratos, já estará pronto para acomodar as futuras atividades da BAE Systems.

O Governo do estado conhece e está totalmente comprometido em apoiar a indústria de defesa. Além da comunidade local ambos os partidos políticos que disputam o poder no estado acertaram entre si apoiar o programa de incentivo à industria de defesa. Finalmente, uma das atividades mais importantes feitas pelos políticos de South Australia é atuar coordenadamente no parlamento na Capital em prol dos programas de defesa que gerarão empregos e desenvolvimento no estado.

Para Andrew não é só a indústria que lhes interessa unidades militares também são cortejadas para se mudarem para lá. Segundo ele os ex-militares são ótimos cidadãos, são bons para a comunidade e são ainda bons líderes.

Nas universidades locais o estado promove os cursos das ciências exatas produzindo muitos alunos bons em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. E para encher estes cursos eles têm ainda uma campanha agressiva para tratar de convencer os pais de que estes conhecimentos são o único caminho para seus filhos terem uma boa carreira, segura e com boa remuneração.

Segundo ele o retorno desta iniciativa vem em três gerações. Já existe em Adelaide três campus de universidades estrangeira de destaque, a Carnegie Mellon americana a Cranford University britânica e o University College de Londres. Para viabilizar isso o estado cedeu edifícios e ainda facilitou o encontro destas universidades com as universidades australianas já existentes na cidade.

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No Techport de South Australia o HMAS Hobart já se encontrava montado sobre picadeiros quase completo no pátio com o bloco do bico da proa esperando a sua vez de ser adicionado ao resto do navio. O navio transportador que veio da Espanha com os módulos faltantes já tinha descarregado sua carga e destes apenas um pedaço do casco a ré ainda estava visível.

O navio é construído ao lado de um edifício que com vários andares e uma escada interna dá fácil acesso via pranchas removíveis a todos os conveses do navio em construção. Quando o casco estiver completado transportadores industriais com dezenas de rodas o levarão até o synchrolift da Rolls Royce que o colocará delicadamente na água.

Imediatamente depois disso, os primeiros blocos já unidos do segundo navio, que estava sendo montado logo atrás do Hobart, serão movidos adiante para ocupar o mesmo lugar onde até a pouco ele estava. O grande cais de acabamento ao lado deste elevador eletrônico conta ainda com um prédio dedicado unicamente às atividades de finalização da construção do navio.  Devido ao atraso verificado no início da construção, a produção dos blocos estruturais dos dois últimos navios vai ocorrer quase que em paralelo.

Situação geopolítica e filosofia industrial: Austrália vs. Brasil

No Brasil em geral se sente muito seguro em ralação a ameaças militares estrangeira, na Austrália, existe um medo universal da “iminente invasão de “bárbaros orientais” chineses e japoneses, um pânico que bordeja a paranóia. É evidente também que os governos brasileiro e australiano têm, neste momento, uma visão muito diferente sobre o que é o melhor caminho para modernizar suas marinhas com novos meios navais.

Enquanto o Brasil atrai indústrias de outros segmentos para entrarem na indústria de Defesa, a Austrália aparentemente reduz suas expectativas escolhendo nicho muito específicos onde eles consideram que podem ser competitivos industrialmente. As atividades coordenadas do estado de South Austrália deveriam ser o checklist padrão para todos os estados brasileiros, esta estratégia de união entre os interesses privados e públicos é um belo exemplo que deveria ser amplamente divulgado por aqui.

Outra divergência é a disposição australiana de montar uma parceria profunda com a indústria de defesa americana conceito que une quase todos os militares e políticos que estejam de alguma forma envolvidos com projetos nacionais de alta tecnologia militar.

Na Austrália os EUA são o super herói que vai chegar na hora do maior perigo, aqui, onde não precisamos ser resgatados de ninguém, eles são para muitos um Big Brother eletrônico sem qualquer temor de quebrar leis internas americanas e com absoluto e total desprezo por qualquer outra lei ou acordo internacional.

Quem sabe se os australianos resolverem olhar com mais atenção para nosso programa de submarinos  nucleares eles consigam achar por aqui um interlocutor mais ou menos do mesmo tamanho que eles e que possa, no futuro, virar um bom parceiro de longo prazo.

Last Updated on Wednesday, 29 January 2014 21:43
 

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