O 1o centenário da Real Marinha Australiana Pt.1 PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 21 January 2014 16:50

 

O primeiro centenário da Real Marinha Australiana

 

A Austrália realizou um grande International Fleet Review entre os dias 3 e 11 de outubro de 2013 como forma de comemorar o primeiro centenário da sua marinha. Se fizeram presente 53 navios de todo o mundo, incluindo 16 navios a vela e navios militares de 13 países além dos da Esquadra Australiana.

No dia 4 de outubro de 1913 sete navios entraram no porto de Sydney, maior cidade da Austrália ostentando a bandeira da Royal Australian Navy pela primeira vez na história. Para esta comemoração os Australianos prepararam simultaneamente um International Fleet Review, uma parada naval, dois exercícios navais de grande porte, uma exposição internacional, uma conferência dedicada aos temas navais, militares e civis e um espetacular show de fogos de artifícios.

Para Base Militar esta foi a oportunidade de ouro para em uma única viagem conhecermos, não apenas a Marinha da Austrália, mas também as de seus vizinhos das regiões do Pacifico ocidental e do Oceano Índico. A Marinha do Brasil chegou a ser convidada para mandar um navio, mas o grande ritmo de operações deste ano associado à indisponibilidade de parte da frota de fragatas e o longo tempo de uma viagem até a Austrália nos fez ter que declinar do convite. Venha conosco ver de perto esta grande festa!

 

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Dois “partos” bem diferentes

Ao contrário do Brasil que virou um país plenamente independente de sua metrópole ainda no início do século XIX, a Austrália, a despeito de ser um país independente, até hoje, tem a Rainha britânica Elisabeth II como sua monarca constitucional. Com um território de 7.692.024km2 e uma população muito reduzida (estimada em apenas 23.412.735 habitantes em 2013) a Austrália sempre conviveu com uma atávica preocupação com invasões estrangeiras.

No início do século XIX a maior ameaça percebida no país vinha do Império Russo, então mergulhado em expressivas expedições navais oficiais que mapearam em detalhe as costas, oriental e norte, da Rússia.

Sob o comando do Almirante Fabian Bellingshausen os russos acabaram indo até mesmo ao longínquo continente da Antártica, sendo eles os primeiros seres humanos a observá-lo diretamente. Posteriormente, na primeira metade do século vinte coube ao Império japonês assumir o papel de “ameaça da vez”. Nas primeiras décadas do século XXI esta “ameaça” se divide, por um lado, entre as massas de imigrantes ilegais miseráveis da Indonésia e Malásia, e por outra, na crescente marinha moderna da China vermelha. Ainda que nenhum destes “medos” tenha jamais se concretizado, os Australianos no governo e fora dele continuam acreditando piamente que sem uma defesa potente, em muito pouco tempo o país seria praticamente “roubado“ deles por estrangeiros que não por coincidência seriam sempre muito mais numerosos que os australianos brancos.

 

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De cinco colônias britânicas, forma-se uma nação

Nas suas primeiras décadas de existência as cinco colônias (“Dominions”) que formariam a Austrália (New South Wales, Queensland, Northern Territories, South Australia e Western Australia) tinham seus próprios navios militares incumbidos de manter a ordem no mar aproximado.

No ano de 1901 estes navios viriam a ser combinados em uma única estrutura (as chamadas “Commonweath Naval Forces”) em seguida à criação da Australian Federation. Para além destas limitadas forças locais, a Austrália assinou ainda um acordo que a manteria sob a proteção militar da Royal Navy (RN) britânica em troca de um tributo ao Império.

Na aurora do século XX a marinha mais poderosa do mundo era um escudo de abrangência global que (ainda que cada vez mais apenas nominalmente) defendia todos os territórios do antigo império colonial britânico. Sydney, a maior cidade da Austrália, abrigava um “Australasian Squadron” da RN. Em termos geopolíticos, sua principal finalidade na virada do século XX era a de se contrapor aos navios do Esquadrão Extremo Oriente da Reichsmarine do Império Alemão baseados em Qingdao, na China. Não bastando o desconforto óbvio com o alto valor dos pagamentos exigidos pelos “serviços“ da Royal Navy, havia na Austrália uma profunda sensação de insegurança. Eles cada vez mais duvidavam da determinação dos britânicos em sustentar seu lado do acordo, caso a situação se complicasse contra os alemães lá na Europa.

Em agosto de 1908, a feérica visita à Austrália da “Great White Fleet” americana exacerbou ainda mais os já complicados ânimos existentes entre os australianos e o Admiralty britânico. Este, surpreendentemente, nem mesmo foi alertado ou consultado pelos políticos australianos sobre esta visita importantíssima internacional.

 

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De cinco: uma!

No dia 4 de outubro de 1913 uma frota nova de navios recém-construídos nos estaleiros do Reino Unido entrou pela primeira vez na baía de Sydney. O primeiro grupo naval encomendado especificamente para a nova marinha da Austrália era composto do “battle cruiser” de 19200 toneladas HMAS Australia, dos dois “protected cruisers” da classe Chatham de 5600 toneladas de deslocamento, HMAS Melbourne e HMAS Sydney, o HMAS Encounter, e os contratorpedeiros da classe River HMAS Warrego, HMAS Parramatta e HMAS Yarra. Todos estes navios, com a exceção do Warrego, foram construídos no Reino Unido. Em 1914 esta frota inicial seria completada pela aceitação de dois então modernos submarinos, também de origem britânica, o AE-1 e o AE-2.

Poucos meses depois deste dia comemorativo, participando da Primeira Guerra Mundial, a Real Marinha Australiana já se encontrava envolvida na exitosa campanha para capturar os territórios alemães no Pacifico (Nova Guiné e Samoa) e já em novembro de 1904 o HMAS Sydney fez história ao afundar o “commerce raider” SMS Emden da Marinha Imperial Alemã no que veio a ser conhecido como a Batalhas das Ilhas Cocos. Em seguida a este evento Marinha Australiana iria colecionar um grande número de combates no mar ao longo da primeira e da segunda guerra mundial.

 

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Os veleiros

Não existe festa no mundo naval que não conte com a presença dos grandes veleiros, verdadeiros ícones da era romântica da navegação transoceânica, o importante período entre os séculos XV e XIX. A Austrália moderna é, como o Brasil, um país principalmente de imigrantes e foi justamente neste período em que ela foi progressivamente sendo “descoberta” por navegadores holandeses, espanhóis e britânicos. No dia 3, véspera do dia da comemoração maior entraram na baía de Sydney 17 grandes veleiros todos australianos com a exceção de três holandeses e um britânico. Enquanto alguns destes eram réplicas modernas de navios clássicos, outros eram mesmo navios do início do século XX totalmente reconstruídos.

HMAS Perth e os demais navios da Marinha Australiana

Naturalmente, a maioria dos navios presentes no IFR eram australianos. O navio tanque Success, o submarino classe Collins Farncomb, as fragatas OHP Sydney (FFG 03) e Darwin (04), as fragatas MeKo 200ANZ da classe ANZAC: Parramatta (FFH 154), Stuart (FFH153). Grande destaque teve a primeira fragata MeKo modernizada a HMAS Perth (FFH 157) que antes da entrada em serviço dos novos navios anfíbios da classe Canberra e dos novos destroieres classe Hobart é o navio mais moderno da marinha da Austrália. Com esta modernização o navio passou a ser o primeiro equipado com o novo radar AESA CEAFAR, de uma tecnologia avançadíssima, e totalmente desenvolvido no país. Nesta edição publicamos em outro artigo a história completa deste novo sistema. O coquetel oficial da Marinha Real Australiana no IFR foi realizado no convoo da Perth com o navio atracado no histórico cais de Barangaroo.

 

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Desfilando para um príncipe

A cerimônia do Fleet Review foi marcada pela presença da Sra Quentin Bryce, Governadora Geral do Commonwealth da Austrália e representante da Sua Majestade a Rainha Elizabeth II no país além de Sua Majestade, o (Segundo-Tenente da RAF) Príncipe Harry, quarto na linha de sucessão do trono britânico. Harry, solteiro ainda, deixou as jovens australianas encantadas com seus sorrisos e seus uniformes militares reais. Ambos acompanharam o evento a bordo do navio oceanográfico de 2550 toneladas, o HMAS Leeuwin (A225), ao lado de dezenas de outros convidados VVIP. Muitas famílias vieram até a Base trouxeram suas crianças para através das grades da Base Naval ver o embarque do jovem nobre. O cais principal da Base Naval Garden Island, o Arsenal de Marinha deles, foi de onde suspendeu o Leewuin. Ao lado dele estavam vários navios como o Success, o Cantábria o Endurance, o HMAS Stuart e o Tobruk (L 50) estavam atracados e abertos à visitação no mesmo local.

Os “miúdos”

O Pacífico Sul se constitui numa das áreas estrategicamente mais importantes para a Austrália. Diferentemente do sudeste asiático, ele é composto primariamente por um oceano verdadeiramente imenso coalhado arquipélagos e ilhas onde existem remanescentes de colônias de potências do século XIX junto com jovens nações com populações pequenas, instituições políticas frágeis e economias diminutas. Dentro desta realidade as marinhas e guardas costeiras destes novos países não operam nada maior que navios de patrulha.

O estaleiro Australian Shipbuilding Industries construiu e o governo australiano doou 22 patrulheiros de 162 toneladas para doze países da região. Destes Pacific Class três vieram à Sydney para a comemoração Tonga - Voea Savea (P203), Papua Nova Guiné - HMPNGS Rabaul (P01) e Micronésia - FSS Micronesia (02), infelizmente estes navios para nós tão exóticos ficaram fundeados do outro lado da Ponte do Porto de Sydney e não foi possível os fotografar para esta matéria. O programa industrial durou de 1985 até 1997 e segue hoje com um programa de manutenção desta frota que é unicamente dedicada ao combate da pescaria ilegal e de patrulha marítima nas ZEEs destes pequenos países. Inegavelmente, este é o mais profundo e caro programa de intercambio geopolítico da história da Austrália.

 

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SPS Cantábria

A ligação entre as marinhas da Austrália e da Espanha não poderia ser mais forte do que é neste exato momento histórico. Depois da seleção do projeto do LHD Juan Carlos I e de uma versão melhorada da fragata Álvaro de Bazán, ambas classes criadas pela Navantia, para servirem na Marinha da Austrália, a Marinha Espanhola veio a ceder o seu mais novo navio tanque/logístico para operar na RAN durante nove meses. Este período concluiu no dia 1º de novembro de 2013 quando o Cantábria suspendeu para voltar à Europa.

Esta decisão inovadora derivou de dois fatos desconectados, primeiro a necessidade de o HMAS Success ser colocado em manutenção prolongada e por outro lado o forte corte orçamentário na Espanha que deixaria a maioria de seus navios praticamente parados por meses nos portos durante todo ano de 2013. Por este acordo o navio espanhol, com toda sua tripulação, teve seus custos completamente pagos pelos australianos enquanto ele serviu nesta missão especial na Oceania. Como treinamento para os tripulantes espanhóis esta foi uma oportunidade única nas suas carreiras, pois puderam, num total de 58 Transferências de Óleo no Mar (TOM) operar pela primeira vez com navios de marinhas que definitivamente não são usuais lá na região da OTAN.

Uma vantagem adicional deste acordo é que como o Cantábria apresentava uma série de sistemas internos que também comporão as duas novas classes “espanholas“ da RAN, os 234 militares australianos aproveitaram a visita do Cantábria para poder desde já se familiarizar com estes sistemas bem antes de seus navios serem efetivamente colocados em serviço. Os 20000km da viagem de volta foram cobertos em 41 dias de mar. A Navantia está oferecendo um navio da classe do Cantábria na sua proposta para atender o contrato Prosuper da Marinha do Brasil. Por esta razão, ALIDE visitou o Cantábria no porto espanhol de Ferrol e o descreveu por completo para seus leitores, não deixem de ler.

http://www.alide.com.br/joomla/component/content/article/98-edicao52/3050-navantia-ferrol-o-berco-das-fragatas-f-100-e-dos-bpes

Além do HMAS Success , a Royal Australian Navy tem outro navio tanque em atividade, o HMAS Sirius. No entanto, por ele ser baseado na costa oeste do país, se fosse mandado para Sydney, no lugar do Success ele acabaria desfalcando a operação dos navios desta Esquadra, configurando-se num clássico caso de ”cobertor curto”.

 

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Três gigantes marítimos de uma Ásia na ascendente...

Este evento ainda traria a Sydney navios de três dos mais importantes players navais do momento, Índia, China e Japão. A Indian Navy veio com um dos seus mais modernos navios, a fragata INS Sahyadri (F-49), terceiro navio da classe de fragatas stealth “P-17”, uma nova linha 100% projetada na Índia. Esta classe é também conhecida mundialmente como Classe Shivalik em função de seu primeiro navio. A construção da Sahyadri no estaleiro indiano Mazagon Docks se iniciou em 2003 e se encerrou em 2011. Este imponente navio de 6200 toneladas faz parte do Eastern Naval Command, e tem sua sede na base naval de Vishakapatnam.

O navio é uma ousada combinação de sensores e armamentos de procedência russa, ocidental e indiana. Os motores a diesel são franco-alemães e as turbinas são LM2500 americanas, os radares principais  são russos e israelenses, os mísseis anti-navio podem ser Klub (russos) ou Brahmos (indiano). Por sua vez os mísseis antiaéreos são o Barak-1 israelense e o Shtil-1 russo. O canhão de proa é um Oto Melara fabricado sob licença na Índia. Este alto grau de complexidade serve para comprovar que para os indianos as duas áreas mais importantes da sua indústria naval são a construção dos cascos e das superestruturas (stealth) e a área de integração de sistemas complexos. Este segmento em especial lhes tem proporcionado bastante sucesso tanto na construção de navios novos quando na modernização de meia vida das classes mais antigas. Mas, o mais importante é que, a Marinha fica absolutamente livre para escolher entre os inúmeros fornecedores internacionais de qualquer componente para os seus futuros programas navais.

 

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Grande rival geopolítica e preocupação número um dos almirantes indianos a Marinha do Exército de Liberação Popular chinês, a despeito de a China ser atualmente a maior parceira comercial da Austrália tendo em vista sua relação politica bem menos próxima distante da Austrália que a Índia optou por trazer à comemoração uma fragata Type 052 (classe Luhu na OTAN) bem mais antiga que a P-17, a Qingdao (113).

Talvez por questões de segurança, tanto o navio indiano quanto o chinês ficaram fundeados quase no lado oposto da baía de Sydney, longe dos demais navios.

Fundeado ao lado do Qingdao, do outro lado da baía de Sydney, o destróier japonês Makinami (DD-112) representou no IFR um país que se hoje é um aliado dos australianos, por quase toda a primeira metade do século XX era uma fonte de preocupação e de suspeitas. Este navio pertence à classe destróieres Takanami onde ele foi o terceiro de cinco construídos. Os destróieres Takanami são versões atualizadas da classe Murasame que o precedeu. Com 4650 toneladas vazio e 6300 plenamente carregado, este navio na esquadra japonesa fica posicionado abaixo dos grandes navios AEGIS das classes Kongo e Atago (9500-10000 toneladas) e acima dos navios menores como “destróieres de escolta” (2550 toneladas).

Os mísseis de defesa aérea empregados são os Raytheon Evolved Sea Sparrow (ESSM) e para enfrentar os submarinos inimigos o navio de vale do VL ASROC (RUM-139) da Lockheed Martin, um torpedo leve Mk.46 instalado como primeiro estágio de um foguete disparado verticalmente. Estas duas armas são transportadas e disparadas de um lançador vertical universal Mk 41 de procedência americana. Seguindo uma política de desenvolvimento autóctone os mísseis antinavio são Mitsubishi Type 90 SSM-1B. O canhão de proa é um OTO Melara 127mm 54cal de tiro rápido. Dois sistemas de defesa de curto alcance Phallanx (Gatling 20mm) completam a defesa de tubo do navio.

Numa época em que o custo de operação é cada vez mais importante é curioso notar que nesta classe a propulsão é COGAG usando as quatro turbinas simultaneamente nas maiores velocidades. São duas LM-2500 fabricadas sob licença no Japão pela Ishikawajima Harima e duas Kawasaki Rolls-Royce Spey. Para navegar a baixas velocidades o navio passa a se mover unicamente sob o efeito das Spey. Esta turbina é uma derivativa naval da propulsão usada no Brasil pelos caças de ataque AMX da FAB.

A ré fica um convoo com hangar para um único helicóptero SH-60J(K) Seahawk. A porta do hangar, por exemplo, é um traço peculiar deste projeto por ser assimétrica, dividida em dois painéis separados de larguras diferentes

 

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Os “furões” russos...

A Marinha Russa foi umas das que mais gerou expectativas com o anuncio de que viriam prestigiar o IFR. Segundo a documentação emitida pela organização do evento o grupo tarefa russo seria composto do cruzador Varyag (da classe Slava), navio tanque Boris Butoma do rebocador oceânico Fotiy Krylov.

No entanto no dia 24 de setembro os eventos ao redor de uma possível intervenção ocidental na Síria fizeram os russos optarem por deixar o Varyag em Vladivostok mandar três navios a mais ao Mediterrâneo oriental (O cruzador de mísseis Moskva, o destróier Smetlivy e o navio anfíbio Nikolai Filchenkov).

Os cruzadores da classe Slava são navios militarmente impressionantes apresentando imensos e característicos lançadores inclinados para 16 mísseis antinavio supersônicos pesados P500 Bazalt (ou talvez o ainda melhor P-1000 Vulkan) e também oito lançadores óctuplos de mísseis antiaéreos e longo alcance S-300 Favorit.

...e os acidentados canadenses.

A marinha canadense se comprometeu a enviar à Austrália seu principal navio da Esquadra da Costa Oeste, o HMCS Algonquin, e o navio tanque HMCS Protecteur o acompanharia. No entanto em 31 de agosto de 2013 estes dois navios colidiram entre si deixando o destroier canadense fora de serviço por muitos meses, o que efetivamente impediu a participação canadense nesta festa.

Atualmente a Marinha está tentando viabilizar a recuperação do HMCS Algonquin, mas fontes dão conta de que os danos no casco do navio são extensos e os custos de reparo seriam muito elevados. O que leva a crer na retirada de serviço.

 

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Os “perdidos”

Da mesma forma que se fizeram presentes na comemoração dos 200 anos do almirante Tamandaré em 2007 no Rio, uma vez mais a Marinha Nigeriana desafiou o bom senso e a segurança de seus tripulantes para trazer à Austrália seu “novo” navio o NNS Thunder (F90). O “Trovão”, curiosamente, é o nome de dois diferentes navios nigerianos. Aradu (F89) o nome da fragata Meko 360 nigeriana também significa trovão na língua local.

Este é um navio grande, deslocando 3150 toneladas, quase o mesmo que uma fragata Classe Niterói. A despeito do seu imponente tamanho, este navio na verdade não passa de um Navio Patrulha Oceânico clássico, sem mísseis antiaéreos ou anti-navios, seu único armamento sendo um canhão OtoBreda 76mm na proa e metralhadoras de defesa de ponto no porto. Uma das peculiaridades técnicas desta classe é que ela é uma das pouquíssimas que usa as turbinas navais Pratt &Whitney FT4A-6 ao lado de um par de motores diesel Fairbanks-Morse.

Sem que a razão geopolítica por trás desta viagem à Oceania estivesse realmente clara, o NNS Thunder enfrentou uma longuíssima viagem pelos oceanos Atlântico Sul e Índico. Foram cerca de 20000km em cada direção onde os nigerianos realmente testaram a resistência do antigo cutter de longo alcance (WHEC – High Endurance Cutter) da classe Hamilton que eles receberam da Guarda Costeira americana em 13 de maio de 2011.

Um exemplo dos sérios problemas de adestramento vivenciados pela Marinha da Nigéria foi a colisão do NNS Thunder, durante o dia e num estuário de um rio, com um navio de apoio a plataforma da petroleira francesa Total. O acidente ocorreu no dia 19 de março de 2012, menos de um ano de sua aceitação pela marinha daquele país africano. A despeito do seu bom estado de manutenção na época da transferência para a Nigéria, na Coast Guard americana o navio teve uma longa carreira operacional que durou 43 anos.

A aposentadoria desta classe na Guarda Costeira Americana ocorre após sua substituição pelos novíssimos National Security Cutters (NSC), o que está permitindo que eles sejam eventualmente distribuídos como “presente” para uma série de “marinhas amigas” dos EUA.

A Marinha de Bangladesh recebeu uma unidade e a das Filipinas, por sua vez, já recebeu dois outros navios desta classe e já disse que quer mais quer mais deles. Se mantida esta política americana de doação de antigos meios navais isso sem dúvida irá restringir a oportunidade de venda de OPV’s brasileiros para a África.

 

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A periferia do Mar do Sul da China: Indonésia, Malásia, Cingapura e Brunei

Uma das áreas com maior potencial de desenvolvimento de uma crise armada ou mesmo uma guerra nos próxima década no mundo é o chamado Mar do Sul da China. O mar cercado pelas costas da China, Vietnam, Tailândia, Indonésia, Malásia, Brunei e Cingapura está sendo quase que totalmente “engolido” pela incrível pressão geopolítica da China, agora armada com uma das maiores e mais modernas marinhas do mundo.

Reivindicado com base em argumentos históricos chineses que remontam a mais de 4000 anos atrás além de ser uma área de grande quantidade de peixes com valor comercial este mar provavelmente abriga ainda muitas reservas valiosas de óleo e gás o que faz com que os demais países relutem muito a cedê-lo à China.

É neste ambiente que todos os países que se sentem coagidos pelos chineses e ao mesmo tempo não confiam plenamente nos EUA para defender seus interesses no mar acabem por optar pela aquisição de novos e mais modernos meios navais.

A Indonésia parece ter se desvencilhado do seu papel de vilão no caso da independência de Timor Leste e está vivenciando um período de boas relações com (quase) todos seus vizinhos da região. Participando da Força de Paz comandada pelo Brasil no Líbano a Marinha da Indonésia está em meio a um programa muito significativo de modernização de seus meios navais, especialmente com a recepção de suas quatro fragatas médias holandesas da classe modular SIGMA.

Em 2007 a Marinha da Indonésia encomendou quatro unidades da SIGMA 9113 (significando 91m comprimento e 13 de boca) que já foram todas entregues. Posteriormente duas outras variantes maiores (10514 – 105m x 14m) foram encomendadas em 2010 e 2013 mas ainda estão em produção. Presente em Sydney a fragata Sultan Iskandar Muda (367) é a terceira unidade do lote inicial desta classe com linhas stealth.

Em termos de defesa aérea (unicamente de ponto) a configuração deste navio é simples para os dias atuais, apenas duas unidades quádruplas Tetral equipada com mísseis leves MBDA Mistral guiados por sistema infravermelho.

 

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A fragata KD Jebat (F29) representou a Marinha da Malásia no International Fleet Review. Um navio de projeto e construção inglesa de 2270 toneladas. O projeto original era do Estaleiro Yarrow, desde então absorvido pela BAE Systems era conhecido como F2000 e teve outras três unidades (as Nakhoda Ragam) vendidas para a Marinha de Brunei.

Após a construção do último navio e o pagamento efetuado, a Marinha do Brunei mudou de ideia e resolveu não colocar em serviço os novos navios culpando à sua “alta complexidade tecnológica”. Depois de anos na busca de um destino definitivo foi anunciado que estres três navios seriam adquiridos pela vizinha Indonésia.

Como as SIGMA da Indonésia, esta classe também não é equipada com turbina a gás dependendo dos seus dois motores a diesel para atingir velocidades máximas na casa dos 28 nós. A defesa aérea no entanto é muito superior por conta de 16 mísseis VLS SeaWolf, uma versão melhorada do míssil antiaéreo Sea Wolf usado nas nossa fragatas Greenhalgh.

Cingapura foi representada por um navio peculiar, o NDD Endeavour que com apenas 8500 toneladas de deslocamento máximo é capaz de desembarcar veículos tanto pela rampa de proa quanto pela de popa. Com uma pintura cinza chumbo, o navio tem um hangar para dois helicópteros médios e seu convoo robusto pode receber helicópteros do porte de um Chinook ou de um Super Puma.

No seu interior ele pode transportar e colocar em terra 18 carros de combate, 20 veículos variados e carga em geral. Em termos de tropa de desembarque ele pode transportar entre 300 e 500 militares. Na doca cabem duas lanchas de desembarque de 25 metros (FCU – Fast Craft Utility) e nos turcos das laterais vão outras quatro lanchas de desembarque rápido de 13m (FCEU Fast Craft Equipment and Utility).

Na Marinha de Cingapura estes quatro novos navios substituíram cinco navios da classe County (semelhante ao nosso NDCC Mattoso Maia). Diferente dos NDC da classe County, os navios desta nova classe não foram construídos para abicar na praia tendo que usar lanchas de desembarque pela sua doca ou as rampas quando atracado em um píer. Esta classe foi totalmente projetada e construída pelo estaleiro ST Marine em Cingapura sendo 40% maior que os County e também duas vezes mais rápido que eles. O primeiro navio desta classe foi comissionado em 18 de março de 2000 e o quarto em 7 de abril de 2001. A Marinha da Tailândia também recebeu um navio desta classe em 2012.

O pequeno, mas rico (pela produção de petróleo) Sultanato de Brunei trouxe o navio patrulha oceânico KDB Darulaman. Projetado e construído pelo estaleiro alemão Lürssen Werft três destes navios patrulham a ZEE do país. Os dois primeiros foram entregues em janeiro de 2011 e o terceiro no final deste ano.

Uma noite de “fogo amigo” em Sydney

Para a grande maioria dos moradores de Sydney, aqueles que normalmente nem notariam a presença dos muitos navios militares espalhados pela baía, o International Fleet Review de 2013 ficará marcado mesmo pelo belo e longo espetáculo de fogos de artifício que iluminou por completo, a noite da cidade no sábado, 5 de outubro. Ao longo de toda a orla da baía da cidade grupos de pessoas aguardaram, pacientemente, o por do sol para poder apreciar o evento.

Conclusão

As diferenças entre o Brasil e a Austrália são mais significativas no plano geopolítico militar do que no plano econômico e de comércios exterior. Ambos os entornos são calmos mas os australianos têm muito mais receios dos seus vizinhos do que nós jamais tivemos. A Austrália é um “aliado de primeiro momento” dos EUA e tende a mandar tropas e meios expedicionários para apoia-los em conflitos violentos mesmo fora da sua região, vide Iraque e Afeganistão recentemente.

Enquanto isso o Brasil, em sua postura de maior independência política, sempre prefere se limitar a participar de forças de paz sob a égide da ONU. Ambos os países acreditam na importância da indústria de defesa ser nacional mas na Austrália os produtos produzidos tendem cada dia mais a serem componentes de sistemas grandes a ser programas complexos com potencial de exportação ou de uso dual (civil/militar).

A despeito disso tudo, enquanto clara potência militar regional do Pacífico Sul e econômica na área de commodities global, a Austrália é efetivamente cortejada por todos seus vizinhos e também pelos grandes players globais ainda mais que o Brasil.

No final, o calcanhar de Aquiles da Austrália é duplo por um lado a pequena população a limita em termos de capacidade de explorar todas suas potenciais avenidas de crescimento. A falta de um ambiente industrial/econômico que agregue trabalho civil com custo competitivo para garantir a sustentação de sua avançada indústria de defesa nos períodos das inevitáveis crises econômicas setoriais.

No momento em que se encontra a Marinha do Brasil existe muita coisa que a Austrália poderia compartilhar conosco tendo em vista sua história militar e também sua grande experiência operacional. Se não fosse a imensa distância que nos separa... Na mão inversa, a Marinha da Austrália com seus cem anos de vida acaba tendo quase a metade dos nossos bem vividos 192 anos de mar, que a despeito de todas as limitações orçamentárias históricas no plano doutrinário ainda é um legado muito valioso que pode e deve ser compartilhado com as nações amigas como a Austrália.

Continue lendo a segunda parte dessa incrível aventura!


 

 

Não deixe de ler também os artigos sobre os novos navios espanhóis em construção para a Marinha da Austrália e também sobre:

 

 

A espetacular história da modernização do HMAS Perth e do se sistema de radar CEAFAR recentemente ofertado nas fragatas do programa Prosuper da Marinha do Brasil.

 

Last Updated on Tuesday, 28 January 2014 22:52
 

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