A primeira Passex chinesa no Brasil PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 21 January 2014 16:56

 

Navios da Marinha do Exército Popular da China fazem primeira PASSEX com a Marinha do Brasil.

Entre 22 e 26 de outubro, três navios da Marinha Chinesa, o destroier da classe 052C Lanzhou (DDG 170), uma fragata Liuzhou (FFG-573) e o navio tanque Poyanghu (AO-882) visitaram o Rio de Janeiro em sua viagem aos países do cone sul da América do Sul. Esta viagem nunca havia ocorrido até hoje, e caso passe a ser rotineira pode ter repercussões geopolíticas muito amplas e interessantes.

A agência estatal de imprensa Xinhua, por sua vez, mencionou em um release que o objetivo desta visita era "incrementar o conhecimento mútuo, fomentar a amizade e aprofundar a cooperação" com os países visitados.

 

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A China vem fazendo uma aproximação contínua, e cada dia mais ousada, na direção dos principais países da América do Sul, uma região historicamente identificada como sendo o proverbial “quintal” dos EUA.

O gigante asiático demonstra uma fome aparentemente insaciável por commodities, produtos como minérios e alimentos, já é o maior parceiro comercial internacional do Brasil e tem desde 2005 um acordo de livre comércio assinado com o Chile. Os números são grandiosos, de 2000 até 2009 o comércio dos países latino americanos com a China saltou de 12 bilhões de dólares para estonteantes 118 bilhões. Um importante benefício do alto ritmo de crescimento da economia chinesa serviu para muito eficazmente proteger as economias de seus parceiros exportadores de commodities das maiores agruras da crise global iniciada em 2008.

Mas esta ligação tem tudo para crescer ainda mais. Por coincidência, no mesmo dia em que os navios aportaram no Rio de Janeiro, o leilão do mega campo de petróleo de Libra, no pré-sal, foi arrematado por um grupo de empresas internacionais que incluía as estatais CNOOC e CNPC, duas grandes petroleiras chinesas. Apenas esta nova fatia da fronteira energética brasileira promete reservas adicionais estimadas entre 8 e 12 bilhões de barris de petróleo, o que serviria para minimizar os receios chineses de desabastecimento energético da sua indústria pelas próximas décadas. Em troca das nossas commodities a China tem exportado para o Brasil bens de cada vez maior valor agregado, como eletrônicos e mais recentemente, automóveis.

 

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Mas nem só de commodities brasileiras reside a vantagem para o Brasil nesta parceria. No mundo tão high-tech dos satélites, Brasil e China já contam com uma cooperação científica importante em torno dos satélites. O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) que usam componentes oriundos dos dois países para realização de tarefas de monitoração da terra desde o espaço.

A aproximação com a indústria militar chinesa ainda não deslanchou ainda no Brasil, mas curiosamente, ela já anda bem mais estreita na Argentina de Cristina Kirchener. Lá, o Exército assinou recentemente um contrato para a fabricação sob licença do helicóptero médio/pequeno Z-11. Esta sendo uma versão praticamente que “clonada” do modelo Eurocopter AS350 Esquilo fabricado sob licença no nosso país pela Helibrás. Notícias ainda apócrifas na Internet inclusive apontaram para um pretenso interesse governamental de ter o caça sino-paquistanês JF-17 Thunder substituindo os diversos “sabores” de Mirage ainda em uso na FAA.

Mas para além de promessas e “possibilidades”, apenas os bolivarianos venezuelanos efetivamente compraram radares 3D de longo alcance JYL-1 no nosso continente até agora. Por outro lado, um claro “sucesso” chinês por aqui são as aeronaves de treinamento a jato Hongdu K-8W/VB nas forças aéreas da Bolívia e da Venezuela. Para exportar para o Brasil os chineses tem duas barreiras a superar. Em primeiro lugar a tradicional suspeita local sobre a robustez e qualidade da indústria chinesa e em segundo a garantida oposição americana a um aumento da relação militar entre os países da região e a China. A visita dos navios visava pelo menos tentar reverter os potenciais medos sobre o primeiro item, criando o espaço para uma primeira PASSEX sino-brasileira

 

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Segundo o almirante Paulo Cesar Mendes Biasoli, comandante da Segunda Divisão da Esquadra (ComDiv-2) e responsável pela organização do exercício com os chineses “desta vez não tivemos muito tempo para planejar este exercício. [A despeito dos navios terem deixado sua base no sudeste da China no dia 3 de setembro de 2013,] os primeiros contatos entre os dois países se iniciaram apenas no dia 26 de outubro através de um fax enviado pela  a Embaixada Chinesa em Brasília. Esta mensagem informava à Marinha da viagem dos três navios militares à América do Sul cobrindo um total de 28,000 milhas marítimas através do Oceano Pacífico e do Atlântico Sul via o Estreito de Magalhães. Os navios deveriam parar em Valparaíso, sede da Esquadra chilena, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Este fax expressava, ainda, o interesse deles de realizarem algum tipo de exercícios em conjunto com a MB”. O Estado Maior da Armada avaliou a ideia positivamente e repassou para o Comando de Operações Navais no Rio para saber se eles compartilhavam do interesse por esta oportunidade.

Contatado pela Marinha, o adido de defesa da China no Brasil explicou que os seus navios parariam no Rio de qualquer maneira, para reabastecer e para os tripulantes descansarem, assim não seria necessário qualquer mudança de rota deles para acomodar uma PASSEX com os brasileiros. O COM contatou as marinhas do Chile e da Argentina, via as nossas adidância navais para saber se nestes países haveria exercícios PASSEX também. A Marinha queria determinar se havia qualquer padrão a ser seguido nestes exercícios entre os três países sul-americanos e os chineses. E logo as informações chegaram indicando que com os chilenos o exercício PASSEX tinha transcorrido de forma muito simples: apenas a navegação em formatura e uma sessão de fotografia aérea. A primeira parada do GT chinês ocorreu entre os dias 6 e 11 de outubro no Chile e em seguida viria o Rio de Janeiro do dia 22 a 27 de outubro.

O passo seguinte envolveu um contato direto da ComDiv-2 com o comando do GT chinês no mar por e-mail (eles usavam uma conta Gmail!).  A Marinha do Brasil ofereceu aos chineses um verdadeiro “menu” de opções de exercício que envolvia desde uma simples navegação conjunta até um completo exercício de Maritime Interdiction Operation (MIO). Este tipo de exercício complexo envolveria a abordagem de um navio brasileiro por inspetores chineses numa lancha no alto mar, e vice versa, e talvez ainda uma demonstração de desembarque de tropas de forças especiais desde um helicóptero usando a técnica do “fastrope”. No entanto em sua resposta os chineses indicaram que prefereriam se ater a ambições mais contidas do que isso. Assim decidiu-se que a primeira PASSEX se limitaria à navegação em formatura e a um exercício de “light-line” com transferência de pequenas lembranças entre os navios seguido de uma Photex.

 

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Para Biasoli, “a maior dificuldade num exercício inédito como esse era justamente não dispormos de qualquer referência prévia para nos guiar”. Por isso, foi marcada uma reunião preliminar de planejamento entre o comando do GT chinês e o pessoal do ComDiv-2, assim que os navios atracassem no porto do Rio. Nesta oportunidade seriam combinados, principalmente, os sinais de guinada, para que tudo pudesse transcorrer na máxima segurança. No dia da chegada dos navios chineses, como cortesia, o 1º Distrito Naval mandou o NaPaOc Apa (121) para fora da Baía da Guanabara para recepcioná-los fora da Baía da Guanabara. Ao atracarem, o almirante Biasoli estava lá pessoalmente, no píer, junto com a consulesa da China no Rio, do segundo oficial da Embaixada da China e de representantes da Prefeitura e do Estado do Rio, para saudar o Contra-Almirante Li Xiaoyan, Vice Chefe do Estado-Maior-da-Esquadra do Mar do Su,l que estava com seu Estado Maior a bordo do destroier Lanzhou. Curiosamente, não havia ninguém do Ministério das Relações Exteriores do Brasil neste dia.

Já na primeira tarde, brasileiros e chineses se reuniram na fragata Liuzhou para, em inglês, tentar resolver todos os detalhes e “aparar as arestas” da primeira PASSEX. Foi organizada uma programação de visitas aos navios e o Oficial de Operações da Div fez a apresentação da PASSEX para o grupo de forma rápida e simples, “acertamos que seriam duas manobras e uma sessão de fotos” resumiu Biasoli. “Os chineses por sua vez demonstraram grande interesse em visitar os navios brasileiros. Os oficiais da Aviação Naval precavendo-se contra possíveis acidentes durante a PASSEX visitaram e avaliaram como “muito bom” o convoo dos navios chineses.

Logo em seguida, foi a vez dos aviadores chineses realizaram a visita recíproca numa fragata classe-Niterói. O grau de liberdade de movimento dos observadores que andaram nos navios da outra marinha foi devidamente definido e um documento sobre isso foi assinado sem que houvesse qualquer problema. Neste acordo foi combinado que os observadores estrangeiros realizariam suas atividades de dentro do Cento de Operações de Combate (COC) dos respectivos navios. Para esta função a MB designou dois oficiais, um do CASOP e outro do Camaleão. Por sua vez os chineses mandaram dois oficiais sendo que um deles era o imediato da fragata.

O almirante Ilques, Comandante do 1º Distrito Naval, visitou o destroier chinês visitando inclusive o passadiço e o Cento de Operações de Combate do navio, duas áreas excluídas da visita realizada pelos jornalistas. Nesta ocasião o COC estava com seus terminais apagados, mas os sistemas estavam alimentados. Um oficial brasileiro que participou desta visita ficou bem surpreso com a naturalidade dos anfitriões, dizendo que em momento algum se sentiu qualquer clima de segredos exacerbados e que as perguntas feitas foram todas respondidas.

 

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A todo o momento, os chineses declaravam “sua intenção de se aproximar do Brasil” e também que “eles reconheciam a crescente importância geopolítica do Brasil”. Curiosamente, o único vídeo que apareceu na TV chinesa sobre esta viagem foi feito no Rio de Janeiro. Comentavam os oficiais brasileiros que visitaram os navios chineses que uma parte importante desta viagem, além das questões geopolíticas e comerciais teria sido justamente determinar a qualidade e a precisão do serviço do sistema de navegação via satélite chinês nesta parte do globo.

O passadiço dos navios chineses pareceu “bastante seco” aos olhos dos militares brasileiros. O interior da fragata, então, “conseguia a façanha de ser ainda mais espartana do que o do destróier”. Os consoles “simples” do COC chinês chamaram a atenção devido a terem apenas uma tela, se assemelhando, desta maneira, ao exato padrão adotado na modernização ModFrag das fragatas Niterói. Um dos oficiais chamou a atenção para o fato de que “estes consoles aparentavam, inclusive, ter menos funções do que aquele usado nas Niterói”.

Os oficiais chineses comentaram com seus visitantes que sabiam que a MB está no meio de um programa de aquisição naval e demonstraram ter interesse em tomar parte. Por coincidência ou não, poucas semanas depois da visita em uma entrevista publicada no Jornal Valor Econômico em 14 de janeiro de 2014 o almirante Deiana, Diretor de Engenharia Naval da Marinha, revelou que a indústria chinesa seria autorizada pela Marinha do Brasil a mandar uma proposta tardia para a concorrência conhecida como PROSUPER.

 

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O Almirante Biasoli revelou a Revista Base Militar que a perspectiva deste exercício com os navios chineses deixou o pessoal da MB bastante empolgado: “Era um exercício com uma marinha diferente, com navios novos, uma marinha que queria mostrar uma imagem diferente”... explicou ele.

Concluídas as negociações, ficou decidido que a PASSEX duraria apenas um dia e que ocorreria entre as 10:00 e as 15:00 no dia da partida do GT chinês. No entanto, para aproveitar ao máximo esta oportunidade, ele acabou prolongado por mais duas horas até que chineses e brasileiros se separaram no mar. O navio tanque chinês não participou da PASSEX e todos os navios mantiveram durante o durante todo o evento uma velocidade tranquila de 12 nós.

Os chineses receberam os brasileiros “muito bem”. O coquetel realizado no navio chinês no porto do Rio contou com a presença de oficiais do 1º Distrito Naval, da esquadra e da DGMM. Foi um jantar “padrão” (nada de exotismos extremos) com muitas opções de pratos e todos comeram com prato na mão. Em meio disso houve ainda um número musical típico para os convidados e uma série de brindes realizados em homenagem ao Brasil.

 

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A PASSEX

No final, para Biasoli, “o resultado da primeira PASSEX foi muito bom”. Havia um certo medo em relação ao pouso cruzado de helicópteros e com os exercícios de “light-line” (transferência de carga leve entre os navios). O Cte. Malafaia, Oficial de Operações da Div-2, complementou dizendo que: “a experiência foi extremamente válida” e disse que “A perspectiva era boa, este foi um bom primeiro passo para [ser repetido] caso isso seja do interesse do Governo Brasileiro e das nossas marinhas amigas. Devido ao pouco tempo disponível para o exercício um submarino da classe Tupi estava previsto para participar da PASSEX, mas, no final, não teve como ser encaixar na programação.

Havia a intenção de se realizar um “cross-deck” com o helicóptero Z-9 chinês pousando na Constituição e o Esquilo do HU-1 pousando num navio chinês, mas devido ao mau tempo isso teve que ser cortado com os únicos pousos sendo realizados pelo helicóptero chinês ao devolver os observadores brasileiros e apanhar os seus próprios militares antes do GT seguir seu caminho para Buenos Aires. As nuvens pesadas também impediram a participação de um Sikorsky MH-16 Seahawk como “primeira vaga” da ameaça aérea, voando a baixa altura. Depois de muito esperar em voo sobre a costa carioca o Seahawk acabou tendo que recolher para a Base Aérea de Santa Cruz. Após seu ataque ele passaria à função de orientador para o ataque dos aviões a jato. Mais para o leste, foi o temor de que o clima fechasse as operações na Base Aérea de São Pedro d´Aldeia que fez com que o previsto “ataque” dos caças A/F-1 Skyhawk da Marinha também não ocorresse.

Mesmo assim, durante todo o exercício os operadores de radar chineses se destacaram por seu grau de participação passando seguidamente alarmes e contatos no ar e no mar para o COC da fragata brasileira.

Para os observadores brasileiros embarcados no navio chinês fora do COC este foi um perfeito dia de “choque cultural”, com prato de peixe sendo servido no café da manhã e pizza no almoço. Na Constituição, para não interromper os eventos da PASSEX foi decidido adiar o almoço para após o encerramento do exercício às 17:30. Para compensar foi servindo caldinho de feijão para tapar a fome dos tripulantes. No período da tarde o vento ficou mais forte deixando o mar ainda mais mexido. Segundo o almirante Biasoli, o mar alcançou o nível 5/6 (ondas de 2 a 4 metros) na Escala Beaufort de 12 pontos, sacrificando bastante as tripulações (e principalmente os jornalistas embarcados no NaPaOc Apa).

 

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O futuro das relações navais entre o Brasil e a China

“Não vejo hoje nenhuma estrutura na Marinha do Brasil que esteja pronta para poder engajar a China em termos de exercício regular” explicou Biasoli, e ele concluiu: “Nas nossas conversas os chineses indicaram que se fossem convidados eles teriam interesse em participar de uma Ibsamar ao lado do Brasil, Índia e África do Sul. Leia mais sobre a Ibsamar aqui (http://www.alide.com.br/joomla/component/content/article/106-ed-59/4378-ibsamar-2012).

Mas é importante notar que esta não foi a primeira interação naval entre os dois países, já que a Marinha do Brasil enviou um navio (o NDCC Garcia d’Ávila) às festividades dos 60 anos do exército da Libertação Popular da China em 2009. Esta história está aqui: http://www.alide.com.br/joomla/component/content/article/83-edicao-45/1075-chinex-a-aventura-do-ndcc-garcia-davila-do-outro-lado-do-globo

 

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Uma conexão “BRIC”

Criado pelo economista americano Jim O’Neill em 2001, a sigla BRIC representaria um conjunto de países grandes com grande potencial de crescimento econômico e geopolítico.  Desde então o acadêmicos fora e dentro do Governo Brasileiro buscam formas de aglutinar os interesses e objetivos nacionais dos países que compõe esta sigla: Brasil, Rússia, Índia e China. Diferente de outros agrupamentos de nações atuais as realidades de cada um destes quatro países tendem a ser mais diferentes do que semelhantes porém todos se beneficiariam de uma aumento da multipolaridade em detrimento de uma possível uni polaridade norte americana que se materializou no imediato período pós-Guerra Fria.

Esta busca por mais liberdade de ação e de oportunidades de crescimento acabou atraindo os países do BRIC a despeito de suas significativas diferenças internas.

Há quase uma década o Brasil e a Índia se exercitam militarmente junto com a África do Sul. A Rússia se esforça de toda maneira para transformar o Brasil em um cliente de seus avançados sistemas de armas, como já o são, há décadas, tanto China quanto Índia. Bem diferente dos demais colegas de BRIC o Brasil durante quase todo o século XX teve um alinhamento militar muito estreito com os EUA. No entanto recentemente, o governo passou a sentir que esta proximidade “ocidental” lhe estava limitando, ao invés de alavancar, no seu desenvolvimento e sua crescente relevância no concerto das nações.

Uma das claras vantagens em cooperar estreitamente com do grupo BRIC para o Brasil reside justamente no fato de que os três colegas não tem uma presença na nossa região que possa fazer sombra aos projetos brasileiros, muito diferente dos EUA e também dos principais membros da União Europeia. Porém o Brasil, com suas forças armadas modestas em tamanho e em modernidade tecnológica é o único membro dos BRIC que não dispõe de armamento nuclear, nem de mísseis intercontinentais para seu emprego. É sintomático que ao receber os navios chineses neste ano estejamos abrindo a porta para a aproximação militar formando uma crescente e continuada parceria de âmbito global e não mais limitada apenas ao plano regional.

No entanto, na costa da África, uma das nossas áreas de maior interesse geopolítico, a China é percebida por nós mais como competidor pelos negócios e oportunidades comerciais do que propriamente um parceiro de primeira hora. Quem sabe se com uma maior aproximação entre nossos países nos seja possível cooperar ao invés de ter que competir pela oportunidade africana. Esta parceria não será fácil, existem muitas diferenças entre nossas culturas, mas nenhum casamento é necessariamente fácil.

 

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O Destróier Lanzhou (DDG 170)

Esta classe teve seu design aprovado em setembro de 2001 e dois navios, Lanzhou(170) e Haikou (171) foram construídos pelo Estaleiro Jiangnan em Shangai. A entrade em serviço de ambos foi em 2005. A produção das unidades restantes foi iniciada em meados de 2012 pelo estaleiro Hudong-Zhonghua em Shangai com mais seis unidades encomendadas, porém a classe já esta a receber novas modificações sendo essa chamada de Type052D. O Lanzhou foi lançado no dia 29 de abril de 2003 e comissionado à Marinha em Julho de 2004.

O  Type 052C usa o mesmo esquetipo de propulsão do seu precursor o Type 052B, sendo que o seu irmão mais velho faz mistura de sistemas chineses e russos e Type 052C apenas sistemas chineses sendo o radar uma exceção. Seu Design visa cumprir o objetivo de defesa aérea e para isso faz uso de um Radar Type 348 AESA (Electronnically Scanned Array) e um lançador de mísseis vertical (VLS) HQ-9, que incorpora uma certa tecnologia S-300 dispostos em seis células e com alcance máximo de 200km em cada unidade.  Acompanhando o sistema anterior há o ststema de misseis anti-navio YJ-62 que diferente dos que equipam o Type 052B, que são quadrados, os que equipam esta versão são cilíndricos e os mísseis são guiados pelo sistema MR331 Mineral-ME, que tamb[ém é usado pelos míssel 3m80 d Moskit da classe Sovremenny de destroiers Russos.

A Arma Principal do navio é um canhào de 100mm batizado de Type 200 e derivado do francês Cresut-Loire T100C com um reparo (torreta) que diminui o eco do radar e é capaz de atirar 90 projeteis por minuto, tem como alvo principal misseis de velocidade reduzida, aeronaves e alvos de superfície e o armamento pode ser empregado automaticamente ou manualmente.

 

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Outros armamentos são duas metralhadoras de 30mm Type 730CIWS, uma a frente do passadiço e outra ré, pouco antes do hangar. Cada uma tem capacidade de tiro em torno de 4.600 a 5.800 Tiros por minuto.

Sobre sensores e radares o navio é equipado com o sistema Type 348 de fabricação nacional que adota a banda S. Esse equipamento foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológica e Eletrônica na província de Nanjing, Jiangsu.

Em se Tratando de UAV`s (VANT`s), uma propaganda veiculada em feiras de defesa chamou a atenção do por mostar que foi desenvolvido um kit para permitir que destroiers empregassem múltiplos UAV`s simultaneamente. Os desenvolvedores afirmaram, naquele tempo que seus sistemas poderiam facilmente dar conta do volume de dados que e necessário para se controlar um UAV. Para completar o Governo Chines divulgou uma variedade de fotos com UAV`s médios lancados de destroiers e dando destaque que ele poderia ser facilmente empregado pela classe atual.

A propulsão do navio fica a cargo da CODOG, consistindo de duas turbinas DA80/DN80 cada uma gerando 32.600 cavalos vapor, ou 24 MW. E dois motores a Diesel MTU 20V956TB92 cada um gerando 6700 cavalos-vapor ou 5MW, produzidos pela Shaanxi na china sob licençada MTU.

O DDG Lanzhou é permanentemente baseado na Base Naval da Ilha Hainan,onde fica a sededa Esquadra do Mar Setentrional.

 

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O progresso relâmpago da indústria naval militar chinesa

Neste momento o Governo Brasileiro se mostra determinado a relançar a indústria de defesa nacional revertendo uma tendência de abandono oficial durante os governos Sarney, Collor, Itamar e FHC. Tendo em vista nosso ousado plano de construção naval militar que visa atender aos ditames da Estratégia Nacional de Defesa pode nos ser muito útil estudar a estratégia industrial e a experiência dos chineses, na busca de valiosas dicas de como melhor chegar lá.

Até a década de 70, os estaleiros soviéticos foram a fonte primária dos navios da Marinha do Exército de Libertação Popular da China. A crescente industrialização chinesa, associada a um movimento de crescente distanciamento político entre os dois grandes países comunistas nesta década determinou a necessidade da marinha e a indústria naval chinesa desenvolverem suas próprias classes de destroieres e de fragatas daí em diante.

Quatro veteranos destroieres soviéticos compunham a força naval chinesa quando em 1967 foi tomada a decisão de segui-los com um desenvolvimento local equipado com mísseis anti-navio locais. A linha de destroieres da China é conhecida pelos designadores Type 05X. Projetado pelo Instituto 701, o primeiro Type 051 (também conhecido como classe Luda pela OTAN) foi colocado em serviço em dezembro de 1971. Desta classe saíram três lotes distintos (051, 051D e 051Z) totalizando 17 navios os sete mais recentes tendo sido renomeados como Luda II, III e IV, após terem sido modernizados, inclusive recebendo componentes ocidentais na década de 80seguem em serviço operacional.

Depois da classe Luda a Marinha Chinesa iniciou uma longa linha de modificações e de experimentações que produziu cinco classes de no máximo duas unidades (Luhai /051B, Luzhou/051C, Luhu/052, e Luhang-I/052B). Estas classes variaram em tipo de propulsão, deslocamento, sistemas e sensores ocidentais, russos ou chineses e em armamento. A única classe de destroieres não desenvolvidas na China a sera dotada pela sua marinha foram os quatro destroieres russos da classe Sovremennyi, duas unidades “padrão russo” recebidas em 2001/2002 e outras duas de uma versão melhorada 2005/2006. Este negócio foi fechado no momento mais crítico do período imediatamente posterior ao colapso da União Soviética tendo sido entregues com 100% de seus sistemas de origem russa. Além de ser um navio moderno estes destroieres deram à marinha chinesa e aos seus designers e estaleiros uma rara oportunidade “benchmarking”, de observar de perto as soluções empregadas pela indústria soviética/russa. Este foi um processo paralelo, mas muito semelhante ao que foi no mesmo período o contato dos chineses com os radares, sistemas de combate, turbinas a gás e mísseis ocidentais. Os Sovremennyi apresentaram ainda aos chineses o fabuloso míssil anti-navio hipersônico Moskit (SS-N-22 na terminologia da OTAN). O Moskit, com suas quatro toneladas e velocidade de Mach 2,5, é uma arma especialmente desenhada para afundar os grandes navios de desembarque e porta aviões nucleares dos americanos.

 

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Em meados da década de 2000 foram introduzidos na Marinha da China os destroieres da classe Luyang-II da qual o Luzhou (170), que veio ao Rio, é o primeiro navio da classe. Equipado com quatro radares AESA instalados nos cantos da superestrutura numa disposição semelhante àquela dos navios AEGIS americanos, esta classe pode carregar até 48 mísseis do novo sistema antiaéreo HHQ-9 como sua arma principal. Como de praxe na marinha da China duas unidades foram encomendadas e após os testes outras seis unidades teriam sido contratadas, mas, comenta-se na internet chinesa que ao menos um destes cascos seria completado como um Type052D ainda mais moderno.

As fragatas chinesas seguiram um caminho semelhante, porém limitado apenas pela menor área espaço disponível nos conveses exteriores e ao volume interno menor dos cascos. A primeira classe de fragatas chinesas armadas com mísseis foi a tipo 053 Jianghu. Trinta e um navios foram construídos, entre meados dos anos 70 e 1989, com cinco variantes distintas.

Além dos navios construídos para a Marinha Chinesa algumas 053H1 projetadas com ênfase na guerra de superfície foram exportadas para as marinhas de Bangladesh (1), Egito (2)  e Tailândia (2) nos anos 80 e 90. ALIDE mostrou fotos e comentou sobre este navio de Bangladesh, o BNS Osman (F18) na sua matéria sobre a Força Tarefa Marítima da ONU no Líbano. http://www.alide.com.br/joomla/component/content/article/98-edicao52/3161-unifil-maritime-task-force-o-brasil-como-player-no-oriente-medio

 

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Estes primeiros navios exportados, em geral, deixaram uma muito ruim impressão inicial nos seus clientes sobre a competência da indústria chinesa. No entanto, foi justamente este duro feedback crítico que permitiu à indústria naval se reinventar por completo e passar a produzir navios verdadeiramente de classe internacional. O resultado ao fim foi bom, pois alguns anos depois disso a Marinha Tailandesa voltou a comprar da China um novo par de fragatas “F-25T” (nome de exportação das 053 aumentadas). No ano de 2012 foi a vez da Marinha de Mianmar (a antiga Birmânia) receber dois navios usados da china da subclasse 053H1.

Em seguida às 053 iniciais vieram quatro classes bem mais modernas: as 053H2G e 053H3 (Jiangwei I e II) das quais foram construídos respectivamente 4 e 10 navios e as 054 e 054A (Jiangkai I e II) respectivamente 2 e 4 navios. As Jiangwei I foram as primeiras fragatas chinesas verdadeiramente multimissão. Com um casco alongado e armadas com o novo sistema de mísseis antiaéreos HQ-61 os navios desta classe foram adquiridos para substituir as já obsoletas fragatas 053K da geração anterior. Infelizmente o sistema HQ-61 deixou a desejar em relação à sua letalidade e o lote seguinte de fragatas foi equipado com o novo HQ-7 uma versão chinesa do sistema Sea Crotale francês. Dez navios da classe 05H3 (Jiangwei II) foram fabricados 1997 e 2005. Num início de preocupação com o controle do eco radar, a lateral central da superestrutura foi unida à borda do casco. No entanto o resto da superestrutura seguia sendo cheia de protuberâncias e cavidades. A Marinha do Paquistão adquiriu quatro unidades novas da fragata F-21P uma derivada direta da fragata 053H3, sendo que a última unidade foi fabricada integralmente no Estaleiro Karachi Shipyard and Engineering Works Limited via um contrato de transferência de tecnologia.

 

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A Fragata Liuzhou (FFG 573)

As fragatas stealth da Classe 054A (ou Jiangkai II segundo a nomenclatura da OTAN) são uma evolução da classe anterior Jiankai I da qual apenas duas foram construídas. Ela desloca 4,053 toneladas a carga plena e 3600 vazia, pouco mais que uma fragata classe Niterói. Os mísseis e sensores foram trocados na nova versão, mas o casco é exatamente o mesmo da anterior. Segundo o que se comenta na internet 16 unidades desta classe já estão em serviço faltando apenas mais quatro navios para completar o número desejado de 20. Esta classe tem uma propulsão CODAD, com dois motores a diesel apenas dispensando de vez a turbina a gás que virou padrão no ocidente. Estimativas ocidentais mencionam uma velocidade máxima de 27 nós.

A nova classe é muito bem armada com um lançador vertical (incrivelmente parecido com o Mk-41 americano) de 32 células usado para disparar o míssil antiaereo HQ-16 SAM. Este míssil antiaéreo parece ser uma cópia ou derivação do míssil naval para exportação russo Shtil-1 (SA-N-12). A meia nau ficam os quatro lançadores de míssil antinavio/ataque a terra do tipo C-803. Na proa fica um canhão anti navio/antiaéreo de 76mm de projeto chinês PJ26 para a defesa aproximada (CIWS) o navio usa dois canhões rotativos de 30mm com sete canos cada controlados por radar do tipo 730. Contra submarinos a fragata conta com dois lançadores triplos de torpedos de 324mm modelo YU-7 e também , logo atrás do canhão na proa ficam dois lançadores sêxtuplos de foguetes antisubmarino de 240mm do tipo 87 o helicóptero embarcado pode ser um Harbin Z-9C, como no navio que veio ao Rio, ou alternativamente um helicóptero para guerra antisubmarina russo Kamov Ka-28 'Helix'. A fragata Liuzhou foi lançada ao mar no dia 10 de dezembro de 2011 no Estaleiro Hudong em Xangai e entrou em serviço na Esquadra do Mar do Sul no dia 28 de dezembro de 2012.

O navio tanque Poyanghu (AOE 882)

Lançado em 1981 e colocado em serviço no ano de 1982, este era o mais antigo dos navios chineses participando desta viagem. Além disso, esta classe foi a primeira geração de navios tanques militares desenvolvida na China especificamente para apoiar o programa de testes no Pacífico Sul dos mísseis intercontinentais chineses. Quatros navios desta classe foram construídos no Estaleiro de Dalian no nordeste da China. Um deles foi vendido para a Marinha do Paquistão (o PNS Al Nasr) e um outro acabou dando baixa e foi transferido para transporte de combustível uma empresa civil.

Caminhando pelo seu interior o Poyanghu não parece ser mais do que um navio civil de sua geração, no exterior a tubulação exposta, o “mezzanino” com piso em treliça, os canhões de água/espuma para combate a incêndios e os portais para estiramento contínuo dos cabos de aço do sistema de reabastecimento são em geral muito semelhantes ao que existe nos navios ocidentais.

Curiosamente, o navio-tanque chinês não conta com nenhuma das tradicionais “búlicas” para apeiamento de helicópteros no piso de seu convoo. Isto é algo impensável em qualquer convoo de navio ocidental, independente de sua função ou tamanho. O convoo é amplo e permite o pouso de aeronaves grandes como o helicóptero Z-8 (versão chinesa via engenharia reversa do Aerospatiale Super Frelon francês), mas o navio (como os navios-tanque não tem um hangar para abrigar os helicópteros por maiores períodos. A propulsão fica a cargo de um único motor diesel Dalian-Sulzer 8RLB 66 de 15000 hp. Segundo o Naval Institute Guide este navio transporta 11.000 toneladas óleo combustível, 1000 toneladas de diesel, 200 água destilada para caldeiras, 200 toneladas de água potável e 50 toneladas de óleo lubrificante.

 

 

Last Updated on Tuesday, 28 January 2014 22:54
 

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