Fragata De Zeven Provienciën: A cartada holandesa no Prosuper PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Friday, 02 August 2013 15:08

 

A De Zeven Provinciën

Especializada na guerra antiaérea e no comando de Grupos Tarefas navais (LCF na sua sigla em holandês) as quatro fragatas de 6050 toneladas da classe De Zeven Provinciën são equipadas com mísseis americanos de longo alcance Raytheon RIM-67D Standard SM-2MR Block IIIA e de médio alcance RIM-162 Enhanced Sea Sparrow Missile (ESSM) disparados desde um lançador Mk-41 de 40 células. Controlando os dois sistemas de mísseis está o radar APAR (Active Phased Array Radar – Radar com matriz ) da Thales Nederland com suas quatro antenas fixas AESA (Active Electronically Steered Array - radar de varredura eletrônica ativa) na banda X. Além do APAR existe um radar rotativo de busca aérea 3D SMART-L operando na Banda D e um radar Scout LPI (sigla que quer dizer “baixa probabilidade de interceptação” em inglês) para busca na superfície. Os radares SMART-L estão, neste momento, sendo melhorados pela Thales Nederland adicionando o módulo “Extended Long Range”, que oferecerá um alcance maior e a capacidade de acompanhamento exo-atmosférico para permitir também a detecção das trajetórias de mísseis balísticos.

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O míssil antinavio desta classe de fragatas é o Boeing (ex-McDonnell Douglas) Harpoon, que é lançado desde lançadores próprios e não do Mk-41. Para a guerra anti submarina o navio recebeu um sonar de casco Atlas Elektronik DSQS-24C e dois lançadores duplo-tubo Mk-32 Mod 9 laterais para torpedos Mk-46 .

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O canhão de proa é o quase onipresente Oto Melara de 127mm/54 e ajudando na defesa aproximada existem dois sistemas CIWS Thales Goalkeeper com um canhão rotativo de 30mm. O Goalkeeper dispara 4200 tiros por minuto contra o míssil antinavio inimigo que se aproxima formando uma nuvem metálica defensiva até um alcance máximo de 1500 metros. Para identificar mísseis que voam rente ao mar os holandeses equiparam esta classe com um sistema eletro-ótico de longo alcance e de dupla frequência Sirius LR-IRST no alto do mastro. Complementarmente foi instalado um sistema de acompanhamento de alvos e de controle de tiro Mirador da Thales. Contra ameaças menores (assimétricas) existem ainda duas metralhadoras Oerlikon de 20mm, uma instalada em cada lateral do mastro principal. O sistema de guerra eletrônico embarcado é o Sabre da Thales que atua como ECM (Contra Medidas Eletrônicas) e como ESM (em português, MAGE - Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica).

A despeito da longa experiência da MB com mísseis da casa europeia MBDA a Damen, como vários outros participantes do programa brasileiro Prosuper, oferecem navios com mísseis de procedência americana. A oferta Alemã, a fragata Sächsen, usa o mesmo radar e os mesmos dois modelos mísseis americanos. Já os espanhóis, usam na sua fragata F-105 os mesmos mísseis, mas, no entanto, escolheram o poderoso radar SPY-1D (ou F) junto com o sistema AEGIS, todos da Lockheed, no lugar do radar europeu. Curiosamente o casco destas três fragatas foi desenvolvido conjuntamente como forma de cooperação visando a redução de custos industriais. Os sistemas de combate, sensores e armamento, no entanto, foram desenvolvidos e integrados independentemente.

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Na Holanda a classe De Zeven Provinciën usa o sistema de combate SEWACO XI desenvolvido pela Thales Naval Nederland. Parte do desenvolvimento deste sistema coube ao Centro para a Automação de sistemas de armas e de comando (CAWCS na sua sigla em inglês) da marinha local. No Brasil a marinha já indicou a todos os fabricantes que exigirá o uso de uma versão modernizada do seu sistema padrão SICONTA. A disposição dos terminais do Centro de Operações de Combate da De Zeven Provinciën é bastante convencional com uma longa linha de sete terminais disposta no seu centro com seus operadores sentados de frente para a parede do fundo onde ficam dois telões com imagens dos radares e listagens de “tracks” em acompanhamento. No seu centro se senta o comandante do navio e ao seu lado os controladores da Guerra Aérea, da Guerra de Superfície. No canto direito desta linha principal fica o controlador do helicóptero orgânico do navio.  Adiante desta linha, à esquerda, fica a “weapons desk”, os cinco terminais dedicados ao canhão, aos mísseis e à guerra eletrônica. Na mesma linha, mas bem do lado direito do COC, ficam três terminais para a “compilação dos quadros da superfície e subsuperfície”. No fundo do COC, à esquerda, em paralelo à orientação dos demais terminais ficam os quatro terminais de controle da rede de comunicação (“Comms Control”) .  É aqui onde são criados e mantidos a rede e os links de dados (Link 11 e 16, atualmente e, futuramente, Link 22) e de voz do navio com os demais navios do GT e com o comando em terra. Dois destes terminais são manejados por dois técnicos que unicamente trabalham para garantir sua operação. Um pouco mais ao centro ficam dois outros terminais dispostos em ângulo reto aos demais para outros dois técnicos do sistema.

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A operação do navio é altamente automatizada e, por segurança, todo ele é monitorado 24hs por dia por 36 câmeras de vídeo digital. O convoo e o convés são grandes e foram projetados especialmente para acomodar um helicóptero NH-90  de nova geração que está progressivamente substituindo os Westland Super Lynx na Marinha Dos Países Baixos.

Em termos de propulsão os navios tem um sistema CODOG (COmbinada Diesel Ou Gás) com duas turbinas Rolls Royce Spey SM1C (derivadas navais do motor usado no caça AMX) gerando cada uma 18,5MW (24,800 hp) e dois motores Diesel Stork-Wartsilla16V26 que juntos geram até 8,4MW. A velocidade máxima desta classe é de 30 nós, e a de cruzeiro é de 18 nós. O alcance máximo previsto é de 5000 milhas náuticas navegando a 18 nós. A propulsão usa uma caixa redutora, um leme e um hélice de passo variável em cada um dos dois eixos. A geração elétrica do navio cabe a quatro diesel geradores de 1,650 kW (2,210 hp) cada.

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Entre os modelos que disputam o Prosuper este programa foi um dos primeiros a entrarem em serviço. A própria fragata HNLMS De Zeven Provinciën teve seu casco batido em 1º de setembro de 1998, sendo lançado ao mar em 8 de abril de 2000 e finalmente comissionado na Marinha Real Holandesa em 26 de abril de 2002. O HNLMS Tromp (F803) foi comissionado em março de 2003, o HNLMS De Ruyter (F804) em abril de 2004 e o HNLMS Evertsen (F805) em junho de 2005. Estes navios medem 144,24m de comprimento, 18,8 m de boca e tem um calado de 5,18 metros.

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As próximas missões da fragata De Zeven Provinciën

No comando da De Zeven Provinciën desde o dia 3 de maio, o CF Ruud Schoonen, disse a ALIDE que “a despeito da sua fragata é um modelo que foi concebido para executar missões navais tradicionais ela tem se provado ser muito capaz nas novas missões (como o combate anti-pirataria) que surgiram no pós-Guerra Fria”. Segundo ele, a capacidade de “embarcar adequadamente um Estado Maior para o Grupo Tarefa e de lhes proporcionar um espaço de trabalho moderno com ampla capacidade de comunicação é uma das grandes vantagens desta classe de fragatas”. Ele contou ainda que uma “uma marinha pequena como a dos Países Baixos precisa ter vários navios que possam se alternar na missão de comando e não ficar dependente unicamente dos navios grandes como os LPDs (NDD - Navio Desembarque-Doca na terminologia da MB), por exemplo”. No outono, no lugar da De Ruyter lá na Somália será mandado o NDD Johan de Witt.

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Para ele, uma das razões pela qual esta classe de fragatas holandesas poderia ser boa para a Marinha do Brasil seria a sua multifuncionalidade. “Ela opera em todo o leque de missões, desde as assimétricas mais simples, até a defesa aérea de área completa de um Grupo Tarefa, com ou sem o Estado Maior do GT embarcado”, contou o comandante  Schoonen.

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A De Zeven Provinciën saiu de dois anos de manutenção e está se preparando para retornar à sua plena capacidade operativa. Na Marinha dos Países Baixos o primeiro estágio desta preparação é chamado de “Ready for Sea” (Pronto para o Mar, em português) seguido do “Safe to Sail” (Apto a navegar com segurança). Em seguida, vem o chamado “Ready for Exercise” (Pronto para Exercícios) culminando com o “Ready for Duty/Operations” (Pronto para serviço/operações). Para chegar nesta última etapa o navio terá que passar pelos seis meses do programa britânico de certificação do navio e da tripulação, o FOST (Flag Officer Fleet Training) no Reino Unido. “Uma das peculiaridades deste sistema é o fato dele ser “multithread”, ou seja, os desafios não são necessariamente sequenciais, ocorrendo muitas vezes simultaneamente. Isso obriga à tripulação a poder ter que combater incêndios (simulados, naturalmente), alagamentos e outras crises ao mesmo tempo”.

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O comandante holandês contou que na ida da De Ruyter para a Somália foi realizado pela primeira vez o deployment de um helicóptero NH-90 nesta classe de fragatas. “Helicópteros aumentam fortemente o alcance dos sensores do navio, e o NH-90, em especial, pode enviar dados táticos em tempo real para o Centro de Operações de Combate do navio”. Comentado sobre o tema recrutamento, Schoonen contou que “em geral neste momento o quadro não está complicado para a Real Marinha dos Países Baixos”, mas ressalvou que “existem áreas específicas, como a de engenharia, onde atrair talentos do mercado e, posteriormente, retê-los na vida militar é mais difícil”. Ele falou também que cerca de 25% das tripulações dos navios são compostas de mulheres e que elas estão plenamente integradas há anos nas forças armadas locais, onde existem inclusive generais mulheres, mas que na marinha ainda não foi promovida nenhuma mulher ao posto de Almirante. Mas ele explicou que diferente do que ocorrer em algumas das marinhas da OTAN, as mulheres na Real Marinha dos Países Baixos ficam sempre em camarotes exclusivamente femininos. Deployments de longa duração exigem esforços para a manutenção da moral da tripulação e um dos pontos mais importantes é o conforto. Nas fragatas De Zeven Provincien nove é o maior número de marinheiros que dividem um único camarote. Na data da nossa visita o navio ainda não tinha sido equipado com nenhum dos seus mísseis antinavio Harpoon. Como os destróieres Arleigh Burke americanos e as fragatas Lafayette francesas, visando reduzir o eco radar do navio, as De Zeven Provincien têm no seu convés principal longos tuneis laterais longitudinais encobertos por detrás das suas laterais planas.

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Conclusão

A despeito de ter sido um dos primeiros modelos de fragatas stealth de 6000 toneladas do ponto de vista meramente técnico as fragatas da classe De Zeven Provinciën são verdadeiramente impecáveis. Mas determinar sua verdadeira chance de ser futuramente adotada pela Marinha do Brasil exige responder duas importantes questões de cunho político e não-militar: primeiro, o quão interessante é para a Damen este programa brasileiro que pouco ajuda a manter os seus estaleiros holandeses em atividade?  E segundo, o quão dispostos estarão a Raytheon, e o governo americano em geral, a permitir uma efetiva transferência de tecnologia no campo dos mísseis para a indústria nacional?  Sem isso, não apenas a Damen, mas igualmente a Navantia, a Daewoo e o consórcio alemão (TKMS, Lürssen e Fassmer) poderiam ser obrigados a ter que a ofertar no Brasil versões 100% europeizadas (com mísseis MBDA) de suas fragatas operacionais, correndo assim o risco de passarem a ser por aqui vistos como ofertantes de meros “navios de papel”. A temática de ToT foi muito viva e ativa na cobertura da concorrência dos novos caças da FAB (F-X2). O quanto isso vai afetar ou não a concorrência para as novas fragatas da Marinha ainda é uma questão em aberto, mas será certamente um ponto muito crítico.

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Last Updated on Tuesday, 11 March 2014 23:22
 

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