Royal Navy Submarine Museum - Gosport PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Thursday, 06 March 2014 13:57

 

As escuras profundezas dos oceanos representam no nosso inconsciente coletivo a mais perfeita imagem do local inacessível e 100% letal para qualquer um. No entanto, aparentemente contra qualquer aparente bom senso, aquela certeza inata de que devemos sempre buscar manter a máxima distância de lá, um grupo seleto de corajosos homens, voluntariamente, escolhe desafiar esse ambiente ameaçador no seu dia a dia e de lá, como mestres de um terrível leviatã bíblico atacar de surpresa trazendo consigo a morte e a destruição para os navios inimigos que ousarem singram a superfície dos seus mares.

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O Rio Solent separa Portsmouth, a sede da Esquadra Britânica, de Gosport. Esta pequena cidade foi por muitos anos a sede da Base Naval HMS Dolphin, berço da força de submarinos britânica, e hoje como memória deste importante legado abriga o Museu dos Submarinos da Royal Navy britânica. Este Museu é uma ótima oportunidade para entrar em contato com o perigoso e misterioso mundo dos submarinos, por isso a Revista Base Militar viajou 130 km ao sudoeste de Londres para mostrá-lo aos seus leitores. Aqui se pode aprender como que essas embarcações, que no inicio eram percebidas pelo almirantado britânico  como uma arma “desleal”, “não-britânica” e de pouca utilidade militar vieram a se tornar uma das mais letais e indispensáveis armas da história, sendo hoje um componente fundamental de muitas marinhas, como o é aqui no Brasil.

Chegando no Royal Navy Submarine Museum

A forma mais fácil de chegar lá é tomar um carro, trem ou ônibus de Londres até o centro de Portsmouth e, em seguida, apanhar o ferry para Gosport cujo bilhete de ida e volta custa apenas 2,90 libras. O ferry sai de 15 em 15 minutos e roda o dia todo. Dispense o taxi, pois da estação do ferry em Gosport até a porta do Museu é uma rápida caminhada de apenas 12 minutos, que já vale só pela vista da Marina Haslar. O Museu é composto por quatro edifícios separados, o primeiro, e mais antigo, é a Weapons Gallery, um galpão que abriga a coleção de armas, os torpedos, mísseis antinavio e balísticos que foram usados pelos submarinos da Royal Navy. Aqui também são mostrados dois torpedos tripulados capturados na Segunda Grande Guerra: um “Biber” alemão e um “Maiale” italiano. Um míssil de cruzeiro Tomahawk é exibido aqui ao lado de um míssil Polaris.

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Em seguida fica a coleção de veículos submarinos civis que em breve, por nada ter a ver com a Royal Navy, deve deixar o museu em busca de outra residência permanente. Existe aqui um gramado para permitir que crianças pequenas gastem sua energia excedente antes de entrarem nos salões do museu. Quase que como peça de arte moderna, um hélice de submarino lançador de mísseis balísticos Polaris da antiga classe Resolution “decora” este espaço. Seguindo adiante e virando à esquerda o caminho leva os visitantes na direção do Submarino HMS Alliance postado à sua esquerda e à direita ao edifício exclusivo construído para abrigar o submarino HMS Holland 1, o primeiro submarino a servir na Royal Navy. Logo em seguida, se encontra o John Fieldhouse Building, o prédio principal do Museu, com seu característico teto em forma de cúpula. Ali em dois andares ficam expostos o minissubmarino X-24, a Galeria Interativa de ciência e submarinos, e também as Galerias Históricas. Nestas últimas existem duas exposições permanentes, a primeira que traça a evolução dos “Pioneiros aos Piratas” e a segunda que descreve “o Submarino Moderno”.

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Uma das características mais notáveis do Submarine Museum é a sua interatividade. Na Galeria de Ciência é possível ver tocar, ouvir sons, vozes e ver ainda vídeos e animações virtuais. Um exemplo disso são os totens onde os princípios básicos da física que permitem o funcionamento dos submarinos como controle dos gases, o funcionamento de sonares,  radares e torpedos. O controle de flutuabilidade do submarino é ensinado através de um quiosque onde um sistema simplificado de tubos de ar demonstra como os tanques de lastro, enchendo e esvaziando, permitem que ele mergulhe e emerja livremente. Um dos locais que chama mais a atenção dos visitantes é o simulador de passadiço em tamanho real, e com ele é possível se sentir dentro de um submarino da segunda guerra e estar perseguindo um “U-boat” da Marinha Alemã, ou ate mesmo tomar parte de uma viagem de patrulha comum. Botões luminosos e efeitos sonoros dão o charme à coisa fazendo a experiência muito realista, cativante tanto para adultos quanto para crianças. Falando em crianças, aquelas em idade pré-escolar tem um espaço só para si onde podem ficar confortavelmente desenhando e vendo desenhos animados temáticos. Para os meninos um pouco mais velhos, existe uma exposição específica focada unicamente em como era nojenta a vida dos submarinistas até o advento dos submarinos de propulsão nuclear especialmente devido indisponibilidade de água fresca para permitir banhos diários para os seus tripulantes.

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A inevitável lojinha é compacta, mas, tem muitas peças de roupas temáticas bem bacanas, livros novos e usados sobre submarinos, e ainda objetos decorativos e souvenires do próprio Museu. Atrás do prédio principal fica a “Área de Lembrança”, uma longa parede que preserva para a posteridade o nome de cada um dos submarinistas britânicos mortos em combate.

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Preservados na Galeria Histórica estão várias das bandeiras piratas (os “Jolly Rogers”) usadas pelos submarinos britânicos ao longo da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. O submarino nuclear de ataque HMS Conqueror, famoso por afundar o cruzador argentino Belgrano na guerra de 1982 entre os dois países, também ergueu sua Jolly Roger ao retornar para sua base em Faslane, na Escócia. Ao lado da tradicional caveira e torpedos (no lugar dos ossos) cruzados havia bordado sobre o pano preto uma adaga indicando uma missão de lançamento de forças especiais em Grytviken, na ilha Geórgia do Sul e um perfil de navio marcando o ataque ao A.R.A. Belgrano.  Debaixo da caveira pela primeira vez havia um desenho de um átomo, indicando a forma de propulsão do submarino.

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O Holland 1

No final do século XIX, depois de muitos anos de tentativas infrutíferas, o advento de novas tecnologias e a perspectiva de uma nova guerra, convergiram para que os engenheiros navais voltassem seus olhos novamente para projetos de submarinos. A mais importante de todas essas evoluções tecnológicas sendo os motores a combustão, movidos a diesel e a querosene, substituindo o tradicional vapor.

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O engenheiro irlandês John Philip Holland foi um dos primeiros a conseguir casar essa nova forma de propulsão aos submarinos. O seu primeiro projeto, o “Holland I”, tinha alcance de 250 milhas (460km), carregava oito tripulantes, deslocando 123 toneladas e medindo apenas 19,46 metros de comprimento.  O uso de motor a combustão ao invés do tradicional sistema a vapor aumentou significativamente o raio de ação do submarino o produziu um nível de discrição muito superior, uma verdadeira capacidade “stealth” para os padrões da época. Maravilhados com as possibilidades e capacidades dos submarinos, os oficiais da Royal Navy fizeram o possível para manter os detalhes deste projeto em segredo.

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Em janeiro de 1900 o adido militar inglês em Washington, Charles Ottley, já tinha conhecimento do desejo norte americano de adquirir um submarino e o “Holland VI” foi o modelo escolhido.  O engenheiro irlandês foi levado para os EUA onde lá se estabeleceu. O governo norte americano em troca, concedeu a Holland as patentes sobre a tecnologia e ele acordou de produzir duas outras unidades idênticas ao Holland VI, que entrou em serviço como USS Holland, o primeiro submarino da US Navy. Com o dinheiro recebido, Holland construiu a empresa Electric Boat.

Em meados de 1910 a Marinha Real britânica possuía em operação o maior submarino do mundo, o Classe-D, lembrado em vários momentos dentro do museu, esse submarino tinha 49.7m de comprimento, deslocava 483 toneladas, um motor elétrico de 550 cavalos e outro a diesel de 1750cv e se movia a velocidades de 10 nós na superfície e cinco quando submerso.

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O HMS X-24

A estrela do prédio principal, o minissubmarino britânico X-24, parece um inseto gigante  totalmente pintado de negro. Ele mede 15,5 metros de comprimento com no máximo 1,68 metros de diâmetro e desloca 30 toneladas sendo tripulado por apenas quatro homens (comandante, piloto, mergulhador especialista e engenheiro). Os submarinos desta classe foram criados durante a Segunda Grande Guerra como ferramenta para permitir o ataque a navios atracados ou fundeados nos portos inimigos. Sua propulsão era composta de um motor diesel derivado daquele usado nos ônibus londrinos e de um motor elétrico. O primeiro teatro onde estes navios seriam a usados, a recortada costa norte da Noruega era onde estavam baseados alguns dos maiores navios da marinha nazista em operação contra a Royal Navy.

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Os “X-Craft” dispunham de duas “cargas laterais”, dois grandes compartimentos explosivos alijáveis, instalados nas laterais do casco. Estes precisavam ser largados fisicamente no fundo do mar, sob os navios inimigos, e explodidos posteriormente via um temporizador. Sem dispor de grande autonomia ou velocidade, estes minissubmarinos precisavam ser levados até a sua área de atuação sob reboque de submarinos maiores, como os das classes T e S. Em setembro de 1943, na sua primeira utilização num ataque, seis X-craft foram empregados no Fættenfjord perto da cidade de Trondheim no norte da Noruega. Destes, apenas dois conseguiram posicionar adequadamente seus explosivos, os demais sendo afundados voluntariamente pelos tripulantes, perdidos ou voltando para casa. Como resultado, o encouraçado Tirpitz, muito danificado, acabou ficando até pelo menos abril de 1944 fora da guerra.

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Dois veículos adicionais destes foram construídos para substituir aqueles perdidos na missão inicial. Ao X-24 preservado no Museu coube atacar o dique seco Laksevåg na Base Naval de Bergen que, devido ao um erro no posicionamento da carga explosiva no fundo do mar, escapou com danos mínimos. Em 11 de setembro daquele mesmo ano, o X-24 voltou a Bergen conseguindo, finalmente, afundar o tal dique seco. Na costa norte da França, em junho de 1944, o X-20 foi empregado para obter informações detalhadas sobre a área prevista para o desembarque anfíbio aliado na Normandia, e, posteriormente, ele e o X-23 atuaram como navios balizadores para apoiar o desembarque. Para operar no Oriente, após o fim da guerra na Europa, foi desenvolvida uma nova classe derivada, com desempenho superior, conhecida apenas como “XE”.

O HMS Alliance

Em 1940 a Marinha Real enfrentava nos mares o assédio da poderosa frota de submarinos da Marinha de Guerra Alemã, conhecidos como U-boats. Para responder a essa ameaça que ganhava proporções gigantescas foram feitas encomendas emergenciais de novos submarinos, dentre esses projetos estava a classe A (também conhecida como classe Amphion ou Acheron) da qual viria a fazer parte o HMS Alliance.

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Este submarino, por seu tamanho, é o exemplar mais importante da coleção do Royal Navy Submarine Museum e, sem dúvida, o mais impressionante. Seu projeto, contudo, já não mais visava atender os requerimentos ditados pela guerra no Atlântico, que naquela altura já tinha acabado, mas sim, a do Pacífico onde estava previsto que a Royal Navy auxiliaria a Marinha dos EUA na luta contra a Marinha Imperial Japonesa. Foi por isso que o desempenho do Alliance se destacava de seus predecessores permitindo-o permanecer por um longo período submerso. Os esforços dos construtores no estaleiro de Barrow-in-Furness da Vickers-Armstrong acabaram sendo parcialmente em vão, uma vez que seu lançamento ao mar ocorreu em 28 de julho de 1945 três meses após do fim da guerra na Europa, e quase dois meses antes do final definitivo da Segunda Guerra Mundial em 2 de setembro de 1945. Por isso é que ele só foi comissionado em 14 de maio de 1947 quando o governo britânico já tinha tido tempo de determinar suas necessidades navais para o período do imediato pós-guerra. Este prazo dilatado permitiu conduzir uma longa fase de testes com o navio possibilitando entender melhor as pendências para futuras correções estruturais que poderiam ser ainda feitas. Neste período o navio demonstrou ser capaz de permanecer 30 dias contínuos submerso, vindo até a profundidade de periscópio apenas para dar partida nos seus motores a diesel para recarregar as baterias e mergulhando em seguida.

Com os testes a Royal Navy pode criar um pacote de modernização muito mais extenso para o Alliance cerca de dez anos depois da sua fabricação. Nessa reforma, os tubos de torpedos foram substituídos por outros feitos de alumínio de maior diâmetro, além de outras modificações no formato exterior do navio melhorando sua hidrodinâmica (a diminuição da resistência da água ao movimento do submarino, acima e abaixo da superfície). A velocidade da embarcação quando submersa aumentou, diminuindo ao mesmo tempo a energia necessária para produzir a mesma velocidade, esta maior economia de combustível serviu naturalmente para aumentar mais ainda o alcance deste submarino.

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Em 1971 uma explosão nas baterias devido a um superaquecimento ocasionou a morte de marinheiros a bordo. De 1973 até 1979 o HMS Alliance passou a ser apenas um navio de treinamento para os marinheiros que cursavam a escola da base HMS Dolphin. Depois desse período o HMS Alliance foi rebocado ao Submarine Museum onde está exposto desde 1981, fora da água.

Quando ele for reaberto ao público vários de seus equipamentos eletrônicos e partes moveis poderão ser experimentados pelos visitantes sentindo-se assim como um tripulante de um submarino de que navega submerso.

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A despeito do interior do HMS Alliance ainda se encontrar em reforma fomos convidados por sua diretoria a visitá-lo ainda que incompleto. Antes desta reforma a corrosão em algumas partes da embarcação de quase 60 anos já estava muito séria. Principais culpados disso, os pombos e outras aves marinhas que naturalmente usam o seu casco para repouso. Por ser seus excrementos altamente corrosivos, eles têm danificando o exterior do navio, obrigando o Museu a eventualmente fechá-lo para reformas.

A criação do museu dos submarinos britânicos

O Royal Navy Submarine Service, informalmente conhecido como o “Silent Service”, foi criado no ano de 1901, em meados da década de 60 a quantidade de itens de valor histórico dentro da Royal Navy já era considerável o que fez com que o seu primeiro curador dedicado, Richard Compton Hall, fosse nomeado naquela época, ainda como parte da base de submarinos HMS Dolphin.

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A Royal Navy cedeu os edifícios e muitos dos artefatos a serem preservados. Foi nessa época que veio o X-24 e o Alliance que em 1973 encerrou sua carreira ativa como submarino de instrução e foi separado para se tornar uma peça do museu. A reforma completa deste submarino ocorreu em Southampton onde os tanques foram limpos de qualquer resíduo de combustível, as linhas hidráulicas drenadas e as baterias removidas. Este processo de preparação só foi concluído no final dos anos 70 com novas portas sendo cortadas no casco de pressão para permitir a entrada e a saída dos visitantes. Esta nova exibição foi inaugurada e finalmente aberta ao público em 1982. Por sua vez, os restos do Holland 1 foram encontrados no fundo do mar em 1980 e trazido ao Museu sendo instalado para exibição pública no ano de 2002 no seu edifício exclusivo, o Holland Gallery.

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A histórica base de submarinos HMS Dolphin foi fechada em 1998 suas funções e pessoal sendo transferidos para o moderno quartel general de Northwood perto de Londres. Os demais edifícios da antiga HMS Dolphin que porventura não fazem parte do Museu já foram transferidos para uso pelo Exército Britânico.

Era evidente que o HMS Alliance precisava ser restaurado depois de quase 30 anos em que ele ficou exposto aos elementos e ao desgaste gerado pelas visitas. “Seu estado era muito ruim”, disse o Comodoro Chris Munns, Diretor do Museu, “por isso precisamos realizar um programa de obtenção de recursos (´fund raiser´) visando uma meta ousada de 6,5 milhões de libras”. Não bastava a realização de jantares beneficentes (um jantar a bordo do navio histórico HMS Victory não rende mais do que 40.000,00 libras), o Museu teve que procurar diretamente o apoio financeiro de pessoas muito ricas que ao final doaram metade da verba necessária. A outra metade veio através da  Heritage Lottery Fund da National Lottery britânica, mas antes disto poder ocorrer, o projeto teve que ser planejado em um grau de detalhe e apresentado num Business Case com formato profissional que demonstrasse sem qualquer margem de dúvida a sua viabilidade econômica. O plano foi aceito e todo o seu progresso foi auditado regularmente pelos representantes do governo britânico. “Nosso museu custa 700.000,00 libras por ano para funcionar, mas nossas receitas com a venda de ingressos só alcança 250.000,00 por ano”, explicou Chris Munns, “o restante do nosso orçamento vem de uma complementação orçamentária (“ Grant”) do órgão governamental de apoio aos museus”. Desde 2013 o Submarine Museum passou a fazer parte do National Museum of the Royal Navy e, desta forma, a despeito de isso adicionar uma nova camada burocrática, temos agora uma capacidade maior de receber fundos do governo. Como vários outros museus europeus eles estão abertos para a realização de eventos corporativos nos seus salões o que, a despeito da falta de espaço disponível, consegue gerar anualmente cerca de 40.000,00 libras de receita adicional. “Nosso local é único e muito bonito durante o verão e para não atrapalhar a visitação eventos assim têm que ocorrer sempre à noite”, explicou o Diretor do Museu.

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Haverá um submarino nuclear no futuro do Museu?

Com vários submarinos nucleares britânicos já fora de serviço e entrando na fase de serem desmanchados, a pergunta-chave passa a ser: quais os planos do Museu para exibir um deles aqui junto ao HMS Alliance? O Comodoro explicou: “Cada um dos nossos submarinos de propulsão nuclear tem um ‘safety case’ nuclear individual que prevê um cronograma de inspeções regulares com respeito a potenciais vazamentos de radiação. Os reatores, ainda que estejam inativos, seguem radioativos e não foram removidos dos cascos por falta de verbas. Assim, para termos um submarino destes aqui no Museu acredito que o custo seja de pelo menos 20 milhões de libras e a briga com os demais museus por fundos deste porte é muito grande”.  E ele segue com sua análise: “Para proceder à remoção dos reatores o submarino precisa ser cortado e em seguida fechado novamente, exposto por tanto tempo a esta radiação a estrutura metálica fica contaminada de radioatividade residual que decai com o passar do tempo, antes disso não pode ser feito o desmanche”.

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Os cinco submarinos de ataque das classes Valiant e Churchill a priori seriam candidatos naturais a ser preservados, em especial o HMS Conqueror que fez história na Guerra das Falklands. Os planos atuais da Royal Navy prevêem que o HMS Conqueror seja desmanchado no máximo em cinco anos. Enquanto isso, o HMS Corageous, da mesma classe do Churchill e do Conqueror, na Base Naval de Devonport, já se encontra em processo de recuperação para ir para algum museu através de um esforço de voluntários. Ao contrário, o Conqueror está num estado muito depauperado o que tornaria sua escolha para preservação uma hipótese muito mais cara que a do HMS Corageous. Fora estes existem ainda os seis submarinos da classe Swiftsure cujo o primeiro foi retirado de serviço em 1992.

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Com o HMS Alliance fechado para reparos o público anual médio está na casa dos 45.000 visitantes, quando ele for reaberto esse número deve crescer em mais 10000 visitantes. O Museu tem planos para adicionar uma nova lanchonete/café dentro do edifício John Fieldhouse no futuro próximo. Duas ou três escolas visitam o Museu a cada semana, o que produz, por ano, um número de cerca de 4000 crianças de primeiro e seguindo grau.

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O surgimento e a evolução do submarino militar

Como o avião os submarinos também têm muitos “pais”. Desde o principio da navegação moderna estrategistas navais sonham com meios para conseguir ‘esconder’ suas embarcações dos olhos dos inimigos, porém, muito pouco se entendia na época sobre como um navio e seus tripulantes poderiam sobreviver embaixo d‘água. Esta história começa muito antes do engenheiro irlandês Holland conceber seu primeiro submarino, pois já entre 1620 e 1624 o engenheiro Holandês Cornelius Drebbel, trabalhando à serviço do Rei James I da Inglaterra construiu, testou e aprovou o primeiro submersível. A embarcação de Drebbel por não ser mais que um sino rebocado por um barco os testes dificilmente poderia ser caracterizada como um verdadeiro submersível. Mas ela foi essencial para a formação de conhecimento necessário sobre como se comporta um veículo que opera embaixo d’água.

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Contudo, vinte anos teriam que se passar até que em 1648 o Bispo John Wilkins de Chester na Inglaterra, enxergou o potencial total dessa tecnologia e quais seriam suas principais aplicabilidades, dentre elas a mais importante: a militar. Naquela época já era evidente que a capacidade de se tornar invisível aos olhos do inimigo, (o que hoje caman=os de “stealth”, era fundamental para qualquer estrategista.

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Em 1800 um inventor americano radicado na França, Robert Fulton, apresentou e demonstrou o primeiro submarino projetado com fins exclusivamente militares, o “Nautilus” sua função sendo a de posicionar minas no interior de portos inimigos. Nem Napoleão nem a Marinha Britânica depois de Trafalgar demonstraram interesse em desenvolver este conceito tão revolucionário.

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Apesar de pouco tempo após seus primeiros empregos no meio militar, em 1878 o estaleiro Cohran & Co, de Birkenhead na Inglaterra, construiu o Resurgam II, o primeiro submarino construído de placas de aço instaladas ao redor de uma estrutura central feita de madeira. Ele media 14 metros de comprimento, três metros de diâmetro, pesando 30 toneladas. Sua propulsão era a vapor e possuía um sistema de armazenamento que permita permanecer embaixo da água por até 4 horas.

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O sueco Thorsten Nordenfelt, tomou então a frente da tecnologia no período de 1884 a 1887 ao estudar o projeto inglês para entender os problemas do submarino, o calor intenso e instabilidade, desenvolvendo soluções que levaram ao desenvolvimento de submarinos armados com torpedos e voltados exclusivamente para o uso militar. O primeiro deles foi o Nordenfelt I, de 56 toneladas com um alcance de 240Km vendido à marinha grega, o II e III vendido aos Otomanos  e, o último, o Nordenfeld IV que já possuía 2 motores a vapor e dois lançadores de torpedos, que acabou sendo vendido (mas não pago) para a Rússia e  transformado em sucata alguns anos mais tarde.

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A partir de 1880 também ocorre a nova guinada tecnológica, a introdução da energia elétrica e de baterias nos submarinos. Isso ocorreu quase que simultaneamente na Inglaterra (James Franklin Waddington e, da dupla James Ash e Andrew Campbell), na França (Dupuy de Lôme e Gustave Zédé ) e na Espanha pelas mãos de Isaac Peral. No entanto nenhum destes projetos gerou um modelo operacional.

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O classe D que se seguiu ao Holland é muito representado em pinturas e outros momentos, mas a característica que mais chama a atenção nele, apesar do seu tamanho, ele apresentava três tubos de torpedos, dois na proa e um na popa, cada um podendo disparar até seis torpedos. Um poder de fogo monumental para os anos de 1910. E apesar da sua dificuldade de fabricação, oito unidades desse tipo foram construídas e postas em serviço pela Marinha Real.

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Apesar de toda evolução conquistada, os submarinos ainda eram armas meio desengonçadas com um vasto campo de possibilidades, mas que precisavam manter baixas velocidades quando navegavam submersos. Coube ao engenheiro escocês James Richardson, conceber um modo de manter o submarino em uma profundidade razoável e permitindo-o recarregar suas as baterias sem precisar emergir. Richardson havia criado o revolucionário snorkel, solução que só seria usada pela primeira vez em um submarino alemão. O alto almirantado inglês novamente não acreditou que esta fosse uma solução apropriada.

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O período da I Guerra Mundial despertou a criatividade para o emprego dos submarinos, e foram os ingleses os primeiros a imaginar um submarino capaz de transportar um hidroavião, emergir e promover um ataque aéreo contra um alvo específico. O submarino HMS M2 possuía uma catapulta a vapor e um tanque estanque para lançar apenas um avião, no entanto o submarino afundou acidentalmente em 1932.

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Ficha técnica

Royal Navy Submarine Museum

Haslar Rd, Gosport, Hampshire PO12 2AS, Reino Unido

Telefone: +44 23 9251 0354

Horário de abertura:

De novembro a março: aberto de quarta a domingo das 10:00 até as 16:30

Fechado nas segundas e terças (a não ser quando ocorrer feriados escolares nestes dias

De abril a outubro: aberto todos os dias de 10:00 até as 17:30

O museu fecha entre 23 e 26 de dezembro, 31 de dezembro e 1º de janeiro.

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Google Maps:  https://www.google.com.br/maps/dir/The+Royal+Navy+Submarine+Museum,+Haslar+Rd,+Gosport,+Hampshire+PO12+2AS,+United+Kingdom/Gosport,+Hampshire,+UK/@50.7872829,-1.1200032,2785m/data=!3m1!1e3!4m13!4m12!1m5!1m1!1s0x4874676ff2d7a04d:0xcc69c778b0316140!2m2!1d-1.122837!2d50.78814!1m5!1m1!1s0x487466142f9bda5f:0x5312889e08c5e933!2m2!1d-1.117547!2d50.794995

Last Updated on Saturday, 08 March 2014 12:54
 

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