Os Radares britânicos da BAE Systems PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Thursday, 06 March 2014 14:08

Artisan, o radar britânico que quer vir para o Brasil

 

Segundo resultados de lucro divulgado em 2012, a gigante britânica BAE Systems já é a terceira maior empresa de defesa do planeta. Atuando nos mais diversos segmentos do setor incluindo como: navios, caças supersônicos, UAVs, sistemas de combates canhões, veículos blindados e muitos outros. Uma das especialidades menos visíveis neste imenso portfólio é a sua área de radares, uma área que neste momento atua no Brasil buscando oportunidades para seus produtos nos atuais e futuros navios da Marinha do Brasil.

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A Revista Base Militar visitou a fábrica de Cowes na Ilha de Wight, costa sul da Inglaterra, para conhecer toda esta linha de produtos e em especial o programa do radar Artisan que a BAE Systems está propondo para as novas corvetas e também as novas fragatas que fazem parte do PROSUPER.

 

Um nascimento tradicional e turbulento

O que hoje é o departamento de radares da BAE Systems é o fruto de um grande e doloroso processo de fusões iniciado em 1965 com a compra da Decca Radars pela Plessey Company. No ano de 1989, a também britânica GEC, concorrente local da Plessey juntamente com a empresa alemã Siemens, adquirir o controle da Decca/Plessey por dois bilhões de libras esterlinas, quase 8 bilhões de Reais em valores atuais. A “turbulência segue adiante com a decisão, em 1996, do “board” da Siemens em sair por completo do setor de defesa. Com isso, as atividades e produtos para o mercado de controle de trafego aéreo herdadas da Plessey passaram para o controle de sua “joint venture” com a francesa Thales e os demais produtos e serviços de cunho militar foram vendidos em bloco para a BAE Systems. Em 1998 a Siemens vendeu à Thales suas ações na “joint venture” entregando aquela linha completamente aos franceses.

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Comprovando a profunda instabilidade deste segmento industrial neste período a GEC criou uma joint venture com a holding estatal italiana Finmeccanica (dona da Alenia) para criar a empresa Alenia Marconi Systems (MAS) que acabou absorvendo também o negócio de sistemas de combate navais da então British Aerospace (BAe). A GEC, no entanto, resolveu também deixar o segmento militar e terminou passando toda sua divisão de produtos militares para a recém criada BAE Systems.

 

A MAS, contudo, existiu por um curto período de tempo até ser dissolvida pelos seus novos sócios, BAE Systems e Finmeccanica. Todos os ativos britânicos retornando, assim, ao controle exclusivo da BAE Systems. Hoje a área de “Torpedos, Radares e Manufatura” é uma das áreas especializadas existentes dentro de “Maritime Services” junto com serviços de suporte terceirizados. Atualmente cerca de 1000 radares militares fabricados pela Plessey e Marconi ainda estão em uso ativo ao redor do mundo.

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Atualmente a BAE Systems tem cerca de 40% de suas receitas de produtos e serviços vindo das forças armadas do Reino Unido com outros 45% vindo do mercado americano (número que reflete bem a recente bolha de gastos causada pelas guerras simultâneas no Iraque e no Afeganistão). O resto da receita da empresa (+- 15%) é oriundo de negócios com o resto do planeta.

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Uma das atividades em que a empresa vem se expandindo mais recentemente é a da terceirização de serviços logísticos para marinhas. Na Royal Navy britânica, o edifício conhecido como “100 Store”, localizado na Base Naval de Portsmouth, sozinho guarda e distribui 80% das peças de reposição dos navios e equipamentos desta força. O “100 Store” é operado por pessoal civil da BAE Systems.

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A divisão de Serviços Marítimos da BAE Systems é subdividida em:

 

Radares

· Artisan 3D, Sampson multi-function radar, Commander 3D Long Range Tactical Air Defense Radar e High Frequency Over-The-Horizon Surface Wave Radar (HFSWR)

Torpedos:

· Centre of Excellence for torpedoes, Sting Ray Mod 1 e Spearfish heavyweight torpedo

Treinamento e simulação para operadores de sistema de combate naval

· Maritime Composite Training System

Os requerimentos da Royal Navy

Para a marinha britânica a guerra das Falklands em 1982 revelou que foi uma experiência inesperadamente muito chocante e ao mesmo tempo transformadora ao expor seus navios como alvos de mísseis antinavio modernos pela primeira vez. A clara concretização dos devastadores efeitos desses armamentos sobre os escolta existentes então criou na força uma verdadeira obsessão, uma guinada, que gerou a fragata Type 23 e anos depois o destroier Type 45.

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Ambos os navios eram inegavelmente produtos topo de linha, mas, justamente por isso, seus custos de desenvolvimento e de operação se tornaram muito maiores do que a média dos navios concorrentes no mercado. A falta de contratos de exportação destes dois modelos britânicos enquanto sua linha de produção estava aberta comprova isso perfeitamente. Os requerimentos navais britânicos continuam sendo muito exigentes e a reduzida esquadra de fragatas e destroieres da Royal Navy atual apenas re-enfatiza a importância para a fortemente concentrada indústria naval local dispor de produtos que sejam efetivamente exportáveis. A fragata Type 26 pretende responder a estes desafios sendo a um projeto altamente modular e configurável capaz de com a máxima simplicidade e o menor custo alternar distintas configurações de propulsão, de sensores e de armamento.

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A área de radares britânica em função destas questões passou a valorizar profundamente esta capacidade de identificação, no menor tempo possível, do exato tipo de sistema, míssil ou aeronave, que ameaçava o navio no mar. Para atender a esta necessidade a solução foi aumentar a capacidade de processamento digital o que reduz a identificação positiva e dá alguns segundos a mais para que o Centro de Operações de Combate reaja com seus mísseis e canhões.

A ligação histórica da BAE Systems com a Marinha do Brasil na área de radares

A Marinha do Brasil se tornou uma importante cliente da indústria britânica de radares desde a compra das fragatas da classe Niterói e das corvetas Inhaúma. Esta ligação cresceu ainda mais com a aquisição das fragatas Greenhalgh (Type 22 Batch 1) em 1994. Na sua primeira configuração, antes do programa ModFrag de modernização, as Niterói utilizavam radares de busca aérea AWS2 e as corvetas brasileiras foram equipadas com sua evolução, o modelo AWS4. As quatro fragatas britânicas compradas usadas após a guerra das Malvinas, por sua vez, vieram equipadas com os mais modernos radares Marconi Type 967-968.

As linhas de produtos atuais

Type 997 Artisan 3D

Este é o produto mais recente da empresa britânica, desenvolvido para substituir o radar Type 996 como radar de médio alcance naval. O Artisan 3D é um sistema de radar multifeixo que aproveita parte das tecnologias criadas para o radar multifuncional Sampson, os radares terrestres de defesa aérea da família Commander e para o programa britânico demonstrador de novas tecnologias ARTIST (Advanced Radar Technology Integrated System Testbed).

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O Artisan é um radar que desde seu início faz parte do projeto Type 26, a fragata de nova geração da Royal Navy britânica. Para reduzir custos e riscos o radar foi escolhido também para ser inserido nas fragatas Type 23 no seu programa de modernização de meia vida. O navio Iron Duke, primeiro T23 a passar pela modernização e desde junho de 2013 ele já navega com o radar Artisan 3D no seu mastro.

No momento em que estas fragatas forem sendo dado de baixa, daqui a uns 10-15 anos, os radares (junto com lançadores de mísseis MBDA Sea Sceptor e alguns outros componentes) serão removidos delas e imediatamente recolocados nas Type 26 que entram em serviço no seu lugar.  Além de virar o radar padrão das fragatas o Artisan também foi escolhido pela Royal Navy para equipar seus dois novos navios aeródromos e também no porta helicópteros HMS Ocean e nos navios desembarque-doca Albion e Bulwark.

Nos NAes da classe Queen Elisabeth o Artisan 3D acumulará com a compilação do quadro tática a tarefa de controlar o tráfego aéreo (ATC - Air Traffic Control) ao redor dos navios. Para poder atuar nesta atividade de cunho totalmente civil alguns dos operadores do COC dos navios aeródromos britânicos receberão o treinamento completo necessário para poderem interagir e coordenar de forma transparente com os pilotos das aeronaves civis. Por falta deste treinamento, por ter menos operadores embarcados e por ter uma atividade muito focada na defesa aérea esta atividade não é realizada pelos Type 45 a despeito deles terem o poderoso radar Sampson.

Uma das maiores vantagens do Artisan 3D é o uso da um estabilizador eletrônico no lugar do sistema giroscópico mecânico tradicional usado nos Type 996. Navios balançam muito sob o efeito das ondas do mar e do vento, para permitir o uso de radares a bordo deles a forma foi criar um sistema que compensasse automaticamente todo este movimento. Este sistema precisa atuar nos vários eixos de maneira a permitir que a antena do radar pudesse estar na posição correta para receber o eco do pulso enviado anteriormente apurando com precisão a distancia e a direção onde o alvo se encontrava. Com o advento das antenas Phased Array toda essa compensação passou a poder ser realizada de maneira eletrônica e não mais fisicamente. Com o sistema de estabilização eletrônica foi resolvido um dos grandes desafios dos sistemas estabilizadores mecânicos, sua grande demanda de manutenção.

Na instalação inicial nas Type 23 o Artisan 3D usará o mesmo suporte compensado mecanicamente existente na instalação do radar 996. O sistema compensado eletronicamente, por sua vez, só será empregado posteriormente na fragata Type 26.

O Artisan 3D também difere visualmente de seu antecessor por ficar quase que completamente contido dentro de um casulo rotativo. A parte central deste casulo é feito de fibra de carbono e tem uma função estrutural, as faces frontais e traseiras são feitas de fibra de vidro reduzindo seu custo.

 

A abertura do novo radar, o seu ângulo de visada, é o dobro daquele verificado no seu antecessor e os processadores eletrônicos do Artisan ficam montados em prateleiras que ficam empilhadas num compartimento existente logo atrás da face da antena. Devido a sua localização 100% do sinal recebido pela antena é entregue aos processadores o que dá uma precisão muito maior sobre os sistemas que filtram parte do retorno antes de encaminhá-lo para o processamento.

O número de prateleiras de processador utilizado determina a potência final de cada radar. A antena do Artisan 3D é totalmente refrigerada a ar fato este que reduz substancialmente a demanda por água gelada do navio. Nos programas de modernização de meia vida isso pode vir a ser uma importante restrição para o uso de radares modernos da concorrência. Esta solução técnica faz com que praticamente todo o tratamento digital do sinal bruto do radar ocorra ainda na antena permitindo que muito menos dados tenham que ser trazido da antena para o interior do navio. Isso simplifica a instalação do Artisan em navios novos e especialmente em navios que passam por seu programa de modernização de meia vida. Por isso o numero e a também a bitola dos cabos é muito reduzido se comparado com os radares de geração anterior.

Neste produto a BAE escolheu usar o sistema “Radio Frequency over optics” para reduzir ainda mais o tamanho dos cabos. Outra vantagem desta configuração é que os pesados gabinetes de processamento de dados que colaboram para a problemática elevação do centro de gravidade dos navios que passam a ser muito menores e leves. No interior do navio o novo sistema de radar britânico usa apenas quatro gabinetes contra os sete gabinetes e meio necessários para o sistema 996.

 

O contrato de manutenção assinado entre a BAE System e a Royal Navy inova ao condicionar o pagamento não ao número de peças e componentes trocados mas ao grau de disponibilidade verificado no sistema. Com isso o fato do radar Artisan ter uma alta confiabilidade maior acaba se transformando indiretamente numa fonte extra de lucro para a empresa.

Ainda que para muita gente um radar rotativo possa parecer algo meio obsoleto diante do crescente número de instalações de quatro antenas Phased Array fixas os executivos da BAE lembram que cada uma das antenas fixas tende a pesar e a custar o mesmo que uma antena Phased Array rotativa de capacidade similar.

Dominick Morley, International Business Development Manager - Naval Radar da BAE Systems pergunta de forma retórica: “Em troca deste expressivo aumento de custos exatamente o que você obtém com as antenas fixas?” E ele mesmo responde: “em termos de capacidade de busca (surveillance), nada!”. Segundo ele, um radar de face única pesa cerca de 900 quilos enquanto o conjunto de quatro antenas fixas pode alcançar cerca de quatro toneladas.

Este peso todo combinado com a altura do mastro onde o radar fica se torna outra questão crítica. Ao colocarmos componentes pesados mais alto no navio o seu equilíbrio e seu comportamento no mar serão sempre os primeiros a sofrer.  Morley contou que o menor peso relativo do radar Sampson usados nos destroier Type 45 permitiu que ele fosse instalado 20 metros mais alto que os radares SPY-1 dos Arleigh Burke americanos.

Com o esfriamento da Marinha do Brasil em relação à solução Thales IMast que por muitos meses foi a favorita para equipar as futuras corvetas da nova classe “Barroso modificada” (CV3), uma nova atenção se dirige agora outros radares giratórios como o Artisan da BAE e o Smart-S Mk2 da Thales.

Sampson

Este radar antiaéreo foi desenvolvido originalmente para o programa de navios de escolta antiaéreo europeu que eventualmente gerou as duas variantes do destroier Horizon (França e Itália) e o Type 45 britânico. Como produto ele nasceu no período em que a empresa ainda pertencia à Siemens e se destaca por ter duas faces de radar APAR (Active Phase Array Radar) instaladas uma de costas para a outra, montadas sobre uma base rotativa. As duas faces são encobertas por uma cúpula esférica de material composto para que o vento no mar não influencie na velocidade de rotação do radar.

Esta configuração hibrida segundo a BAE Systems é bem mais leve que os agora tradicionais radares Phased Array com quatro faces fixas (tipo o SPY-1 do sistema AEGIS) o que lhe permite ser instalado em uma posição mais alta no navio expandindo significativamente o seu raio de visão contra alvos (mísseis antinavio) voando a baixa altura a altas velocidades.

Para testar o alinhamento do radar foi construída na fábrica de Cowes uma câmara anaecóica, ou seja projetada para conter os reflexos do radar, grande o suficiente para acomodar o Sampson completo.  Sintomático do grande número de cortes orçamentários realizados ao redor do mundo após a queda do Muro de Berlim este radar foi usado unicamente nos destroieres da classe Daring da Royal Navy, as Type 45, por isso apenas seis unidades deles foram construídos. Foi o Sampson que introduziu o sistema de estabilização eletrônica da antena na Royal Navy. Durante a Olimpíada de 2010 em Londres coube a um destroier Type 45 produzir a imagem aérea da defesa aérea integrada montada sobre a cidade.

Manutenção dos Type 996/AWS-9 da Royal Navy

Até que seja concluído todo o programa de modernização de meia vida das fragatas Type 23 britânicas a BAE System terá que continuar a realizar a manutenção destes radares até que todos sejam substituídos pelos novos Artisan. Segundo o pessoal da BAE devido à robustez do equipamento o processo de manutenção é relativamente simples envolvendo basicamente a remoção de ferrugem exterior, a repintura além da substituição de todos os rolamentos que por ventura estejam danificados no sistema de estabilização e de rotação da antena.

Upgrades dos radares 2D anteriores

Uma das áreas que mais interessa à BAE Systems na Marinha do Brasil é a oportunidade de se atualizar os radares AWS-2 e AWS 4 existentes nos navios da Esquadra com tecnologia nova do Artisan 3D. Olhando rapidamente e sem conversar com os oficiais do DGMM no Arsenal de Marinha esta oportunidade pode ser menos atraente do que imaginam os executivos da BAE System.

Os AWD-2 instalados nas Niterói durante sua construção já foram trocados pelos radares Selex ES RAN-20S e os Terma 'Scanter Mil' durante o programa de modernização ModFrag. Um destes radares britânicos antigos, no entanto, acabou sendo reinstalados em 2003 no veterano NDD Ceará enquanto o NDD Rio de Janeiro (já retirado de serviço) recebeu um AWS4. O programa ProAnf, concebido para a substituição destes dois NDDs por plataformas mais modernas, segundo disse o Comandante da Marinha em entrevista a Base Militar é uma das grandes prioridades da força, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade de uma modernização do AWS2 do Ceará.

As quatro corvetas da classe Inhaúma ainda preservam seus radares AWS-4 originais, porém o tempo que elas estão levando para sair de seus programas de modernização pode querer sugerir que a recuperação da capacidade operacional desta classe não seja atualmente uma das maiores prioridade para a MB.

No mercado internacional é possível especular com razoável certeza que o radar Artisan 3D será oferecido como upgrade para as quatro fragatas britânicas (T22 e T23) adquiridos pela Marinha do Chile recentemente. Por sua vez, os radares 996 das quatro Meko200TN-Track II da Marinha Turca já estão sendo trocados pelo radar Smart-S Mk2 da holandesa Thales, arquirrival da BAE Systems.

O programa de modernização dos radares 2D AWS2 e AWS4 mantém a antena original do radar mas troca os gabinetes de processador por um novo gabinete que abriga apenas uma dos módulos eletrônicos do Artisan junto com as fontes elétricas e os sistemas de compatibilização necessários para que tudo funcione com uma confiabilidade e um desempenho muito melhorados. Na hora em que se decida aposentar este radar modernizado seu componente mais caro, o módulo eletrônico, poderá ser reutilizado nos demais radares Artisan 3D da MB, sem qualquer problema.

Conclusão

Nestes tempos de vacas magras do mercado global as futuras encomendas de navios de escolta da Marinha do Brasil, PROSUPER e as novas corvetas, colocaram nosso país no topo da lista de mercados de interesse da indústria internacional de material militar.

A BAE Systems está chegando de mala e cuia ao Brasil em busca de todas as oportunidades que puder alcançar, e a área de radares, especialmente os navais, parece bem promissora. Os maiores obstáculos nos planos da empresa britânica não serão as empresas, Selex ES, Italiana e a franco holandesa Thales, empresas que já atuam no Brasil há muitos anos, mas sim a política de apoio à industria de defesa nacional com suas exigências de grande Transferência de Tecnologia.

Entre os potenciais parceiros brasileiros para qualquer programa de radares navais existe a Bradar, subsidiária da Embraer, a Iacit recentemente adquirida em parte pela Israel Aircraft Industries (IAI) e um novo player ainda não muito conhecido chamado Fundação Pátria.

A despeito de todas suas vantagens tecnológicas e operacionais, o modo como a BAE e suas rivais irão se combinar com estas empresas nacionais da área de radar pode ser, no final das contas, o único real determinante para escolher quem fornecerá os radares dos próximos navios de escolta da Marinha.

 

 

 

 

 

 

Last Updated on Saturday, 08 March 2014 16:12
 

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