Portugal e Bélgica no Obangame 2014 PDF Print E-mail
Written by Diego Vieira   
Tuesday, 08 July 2014 01:33

 

Obangame Express 2014 foi um exercício naval patrocinado pela US Navy para o treinamento das marinhas das nações do Golfo da Guiné. Neste ano o Navio de Patrulha Oceânica Apa (P-121) da Marinha do Brasil foi à Douala, na Republica de Cameroun, em maio desse ano onde ALIDE teve a oportunidade de acompanhar em primeira mão e ainda conhecer outros dois navios que também participaram deste exercício multilateral. Venha conhecer conosco o navio da Marinha Real Belga Godetia A960 e a fragata da República de Portugal Bartolomeu Dias F333.

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O Godetia A960

Mantendo a tradição de sempre respeitar os mais velhos, nesse caso, o bem mais velho, começaremos pelo A960 que é um projeto antigo cujo exterior não revela a impressão que tem ao conhecê-lo por dentro. Ainda que o Navio tenha sido construído em 1965 e obedecendo a uma logica ainda remanescente da II Guerra Mundial, o Godetia mostra que navios de apoio logísticos podem ser bem mais que meros cascos vazios.

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O Godetia é um navio sucessor de outro Godetia, o K226, uma embarcação amplamente utilizada durante a II Guerra Mundial para o transporte das tropas belgas pelo velho continente. Mas o Godetia atual é muito mais que um mero navio de transporte, como os próprios marinheiros dizem: ele é um navio de apoio logístico ampliado. Ou seja, ainda que capaz de realizar o transporte de tropas ele é também capaz de realizar procedimentos cirúrgicos pequenos e/ou emergenciais, algo que hoje qualquer navio pode fazer mas se observamos que a luz da época em que o Godetia foi construído isso era de fato uma característica inovadora. Este navio também é capaz de realizar a transferência de mantimentos, instalação de cabos de comunicação, e outras atividades que na década de 60 e 70 eram pouco triviais para qualquer marinha.

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Porém com o passar do tempo os cabos e o próprio hospital foram perdendo a forca estratégica imediata, e o Godetia passou por uma transformação na sua concepção, ele virou o navio de apoio às forças da antiga colônia do Reino da Bélgica e desde a sua grande reforma essa tem sido em grande parte a sua missão.

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Porem não se iludam os mais céticos que de imediato questionariam a importância de uma missão como essa. O Godetia não carrega armamento pesado, as mais visíveis sendo duas metralhadoras .50 na proa protegidas por sacos de areia, o que particularmente agrega um charme interessante ao navio.

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O Godetia passou por um grande programa de reaparelhamento dos motores recentemente, recebendo modernos motores Catterpillar, que diminuíram o consumo de óleo diesel e estenderam o raio de ação do navio, reduzindo a vibração e o seu ruído no mar. O Godetia não foi projetado para realizar a guerra submarina muito ao menos almeja essa posição, sua real intenção é ser o primeiro a auxiliar alguém que se encontre em perigo.

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Seguindo esta filosofia o Godetia tem como missões principais o combate a pescaria ilegal, a ajuda humanitária e o apoio logístico para navios varredores de minas atuando como plataforma de comando e controle para operações de varredura de minas submarinas. O Godetia realiza ainda um papel diplomático muito importante, por  ser um dos poucos navios da Real Marinha Belga que pode atuar como uma embaixada em caso de uma necessidade extrema.

No Porto de Douala tivemos a oportunidade de conversar com a tripulação, que é no mínimo curiosa pela diferença de idade e pela tranquilidade a bordo. São poucos os oficiais com menos de 30 anos, existindo entre eles um Brasileiro, o Tenente De Oliveira através de quem tivemos o prazer de conhecer um pouco sobre a Marinha Belga atual.

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Filho de Belgas, De Oliveira, ingressou na Marinha Belga depois de concluir o terceiro grau e passou por dois anos de curso de formação de oficiais da marinha. Ele nos contou que hoje a maior dificuldade da Real Marinha Belga é promover a renovação do seu quadro de pessoal militar. Existe um desinteresse grande da população belga, de forma geral, no ingresso nas forcas armadas e hoje a exigência mínima para o ingresso é ser cidadão europeu.  O tenente destacou que mesmo com seus quase cinquenta anos de serviço, no Godetia apenas a super estrutura é a mesma. Para demonstrar isso ele fez questão de mostrar algumas das transformações que o navio sofreu ao longo do tempo. Uma das principais mudanças foi a adição de um convés de voo na popa a colocação e a posterior retirada dos carretéis para instalação de cabos submarinos, e a montagem subsequente de um pequeno hangar. O navio tem capacidade de transportar um pequeno helicóptero AS350 Esquilo mono semelhante os helicópteros em uso pela Marinha do Brasil.

Ficha Técnica

Deslocamento: 2500 Toneladas.

Comprimento: 91.30m

Largura: 14m

Boca: 3.50m

Propulsao: 4x Motores a Diesel 5.400 Hp

Leme: dois

Velocidade: 19 Nós

Alcance: 6.000 Milhas (11 mil Km)

Tripulação: 95 total

Aeronave: 1 helicóptero Eurocopter AS350 (Esquilo)

 

A fragata holandesa da Marinha de Portugal

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Bem maior que o pequeno Godetia, a Fragata Bartolomeu Dias, foi adquirida pela Marinha Portuguesa em 2009 da Real Marinha dos Países Baixos por 240 Milhões de Euros, e sem dúvida alguma era um dos navios mais bem equipados de todo o exercício Obangame.

Bartolomeu Dias foi um explorador Português, o primeiro a conseguir chegar no ponto mais ao sul do Continente Africano, uma proeza significativa uma vez que só chegar perto do cabo das tormentas era motivo de causar os arrepios mais profundos nas medulas espinhais dos marinheiros daquela época, independendo de sua.

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O navio, que foi construído pelo Estaleiro Damen Schelde em maio de 1992, esse mesmo estaleiro construiu a classe De Zeven Provinciën que nossos leitores conferiram na matéria exclusiva publicada na edição anterior da Revista Base Militar. ALIDE também já embarcou anteriormente na fragata Dom Francisco de Almeida, navio da mesma classe da Bartolomeu Dias, em um exercício naval regular da OTAN.

O NRP Bartomeu Dias tem em seu DNA o ideal de ser uma fragata multipropósito. Capaz de chegar a 30 nós de velocidade com seus dois motores a Diesel Stark Warts de 4900cv cada um e as duas turbinas a gás Rolls Royce Spey 5M1A – 14 MW 19mil cv cada e de atuar como um navio escolta de frotas ou flotilhas da OTAN em território inimigo auxiliando inclusive na defesa antiaérea.

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Para o comprimento desse objetivo a F333 usa um sistema de lançamento vertical Mk.48 mod 1/16c para seus 16 mísseis antiaéreos RIM-7M Seasparrow fabricados pela Raytheon. Este míssil era a plataforma padrão das marinhas da OTAN para a defesa de ponto. O sistema de míssil anti navio Mk.141 Harpoon leva um máximo de oito mísseis Harpoon RGM-84D fabricados pela Boeing. Para finalizar, contra submarinos o navio ainda possui dois tubos lança torpedos Mk32.

O NRP Bartolomeu Dias ainda conta com uma interessante estrutura de comando e controle, com nove estações que são intercambiáveis entre si sendo capazes de permitir o controle sem restrições de cada um dos diferentes aspectos das missões do navio.

O imediato do Navio, Comandante Soares, nos contou um pouco sobre a importância do NRP Bartolomeu Dias para a Marinha Portuguesa. "este é um navio não apenas capaz de realizar missões de pequeno porte mas também de cumprir uma missão de escolta em uma operação de maior escala, principalmente os comboios  da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para a proteção ao tráfego marcante. Para tanto, esta fragata leva a bordo uma série de sistemas de detecção e vigilância radar, como o radar Kelvin Hughes para navegação, o radar Thales Nederland STIR-180 para controle de tiro dos mísseis SeaSparrow, o Radar Thales LW-08 para busca aérea, o radar Thales SMART-S 3D de busca combinada, realizando a varredura aérea e da superfície, além de um sonar de casco Thales PHS-36.

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Para a gestão do sistema de combate, sensores e armas o navio usa o sistema SEWACO Mk.VII Spider, com datalink Link 11, MCCIS e integração com o sistema AIS de identificação para navios mercantes. Junto a eles existe ainda o sistema de defesa antimíssil Mk. 36 (Super Rapid Blooming Offboard Chaff)e o interferidor eletromagnético ("jammer") APECS-II/AR700 são parte do sistema de guerra eletrônica do navio. O sistema AN/SLQ-25 Nixie de medidas antitorpédicas completa as tecnologias embarcadas.

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Ficha Técnica:

Deslocamento: 3320 Ton

Comprimento: 122.3m

Boca: 14.4m

Calado 4.3m

Velocidade máxima: 30 nós

Autonomia: 9000 milhas náuticas à velocidade de 18 nós

Tripulacao: 176

 

 

 

Last Updated on Friday, 11 July 2014 02:54
 

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