Museu de Blindados de Latrun PDF Print E-mail
Written by Leo Melo   
Sunday, 16 March 2008 23:40

 Por: Léo Melo

As Guerras

A história do moderno Estado de Israel é associada aos conflitos no Oriente Médio durante boa parte do século XX. O país praticamente nasceu em guerra.

A origem das IDF (Israel Defense Forces) remontam a Haganah, grupo formado em 1920 para resistir aos ataques árabes contra a população judia. Os ingleses que passaram a administrar a região após a I Guerra, não reconheciam a Haganah, mas a toleravam. Mais tarde foi criada a Palmach, braço armado do grupo. Durante a II Guerra, membros da Haganah lutaram como voluntários no exército inglês.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
Panorâmicas do museu. AML 90. Carro de combate leveT-54 Centurion modificado em Israel

Após a II Guerra, Israel começou a adquirir equipamento militar oriundos das mais diversas fontes, incluindo carros de combates. Essas fontes eram desde ferros-velhos até contrabando. Essas fontes permitiram que os israelenses tivessem em seu inventário militar, equipamentos de diversos países, numa miscelânea de armas, mas, os primeiros blindados de Israel foram adquiridos de maneira mais prosaica. Através de um roubo! Você não leu errado. Roubo mesmo. Em 1948 os países árabes ao redor de Israel possuíam cerca de 270 carros de combate e Israel contava com alguns caminhões com blindagens improvisadas como seus “carros de combate”. Obviamente, era necessário obter veículos apropriados. Um grupo de solados ingleses simpáticos à causa judaica, ofereceu 4 blindados Cromwell que estavam num depósito perto do aeroporto de Haifa. Como apenas dois desses ingleses sabiam operar os blindados os israelenses tiveram que improvisar. Foram escolhidos dois motoristas de caminhão, que era o mais próximo que os israelenses tinham em termos de capacitação para dirigir os blindados. Esses caminhoneiros tiveram uma instrução dada pelos dois ingleses, mas no dia do roubo, apenas dois blindados conseguiram sair do depósito; os que eram dirigidos pelos ingleses. Os caminhoneiros descobriram que há mais diferenças entre um blindado e um caminhão do que supõe a nossa vã engenharia. Um sequer saiu do lugar, o outro quebrou logo após passar pelo portão do depósito.

T-55 Tiran 5CenturionM-60M-60

Consolidada a independência, a preocupação passou a ser a sobrevivência. Israel começou a receber equipamento militar dos EUA e os países árabes tinham na União Soviética seu principal fornecedor.

Em 1956, o Presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, nacionalizou o Canal de Suez e proibiu a passagem de navios israelenses. Israel, com o apoio da Inglaterra e da França, invadiu o Egito em 29 de outubro de 1956 num ataque surpresa que não deu chance aos egípcios. Israel perdeu 181 homens, 25 carros de combate e 11 aviões. Em compensação as baixas egípcias foram de 2000 homens mortos, mais de 6000 capturados, 100 carros de combate capturados e grande número de peças de artilharia.

Mural com os nomes dos 4.500 soldados mortos em combate das Forças Blindadas de IsraelCenturion Mk V.Sherman M 5AMX-13. Este exemplar modificado em Israel,apesar do dosenho ultrapassado, tem sistemas computadorizados de tiro e danos.

Em 1967 o saldo a favor de Israel foi de aproximadamente 10.000 egípcios mortos, mais de 20.000 foram feridos e 5.500 capturados. Mais de 500 carros de combate destruídos e 300 capturados e outros 10.000 veículos dos mais diversos tipos foram capturados.

É fato que as forças blindadas de Israel tiveram menos trabalho graças a Força Aérea Israelense que eliminou as forças aéreas árabes ainda no solo, o que possibilitou aos comandantes de blindados israelenses planejar suas operações sem o perigo de ataques vindos do ar. Neste conflito, foram conquistadas as Colinas de Golan, na fronteira com a Síria.

Um dos Cromwell roubados em 1948Hotchkiss- Carro de combate leveVickers Mk VI B- Carro de combate leve inglêsRenault R-35. Carro de combate leve francês, usado pelos sírios. O exemplar foi capturado e usado por Israel.

Entre 1967 e 1970 ocorreu a “Guerra de Atrito”, combates em pequena escala entre Israel e seus vizinhos. Um ensaio do que estava preste a ocorrer nos anos seguintes.

Em 1973 os árabes executaram brilhantemente um ataque surpresa durante uma das datas mais sagradas do povo judeu. O Dia do Perdão (Yom Kippur).

A marca da improvisação. Um caminhão “blindado”.A marca da improvisação. Um caminhão “blindado”.A Fortaleza de LatrunVista geral.

Logo após a guerra de 1967 foi construída ao longo do Canal de Suez, a Linha Bar-Lev (assim chamada, pois o chefe do Estado-Maior Israelense era o General Chaim Bar-Lev). Uma série de fortificações que deteria um ataque contra Israel, o que se revelou falso em 6 de outubro de 1973. Seis minutos após a barragem de artilharia, a Linha foi cruzada pelo exército egípcio.

Vista geral.Merkava Mk IIMerkava Mk IIIZSU 23-4 – Canhão de 23 mm controlado por radar. Capturado em 1982, na invasão do Líbano.

Na Guerra do Yom Kippur, as forças blindadas tiveram que se superar. Foram elas que recuperaram as Colinas de Golan., tomados logo no início do conflito, mas foram retomadas antes do cessar-fogo.

Em 1982, Israel invadiu o sul do Líbano para destruir bases da OLP. Novamente, as forças blindadas foram a ponta de lança da IDF.

A Memória

É da índole do povo judeu, o cuidado com a preservação da memória. Foi a preservação da memória e da cultura hebraica que permitiu a este povo permanecer unido durante séculos sem ter um solo pátrio. Este cuidado é visto por qualquer visitante ao país e como não podia deixar de ser, é estendido às forças armadas. Eles sabem que memória e forças armadas bem equipadas são fundamentais para a sobrevivência da nação.

Stuart VI M5 A1 Carro de combate leve americano. Ao lado um Matilda Mk II inglês.ZSU 57X2 canhão anti-aéreo soviético. Capturado na Guerra dos Seis DiasT-55 soviéticoT-55 soviético

Latrun fica próximo a Jerusalém distante 25 km a oeste da histórica cidade, a cidade três vezes santa.

O museu fica no alto de uma colina onde anteriormente ficava um posto policial inglês. Construída em 1943 a Fortaleza de Latrun, que domina todo o vale abaixo, com uma vista belíssima de 360 o , foi tomada à Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias. As marcas do combate foram deixadas bem como algumas palavras escritas em árabe. O local não foi escolhido ao acaso. Latrun foi palco de inúmeras batalhas e em especial, a da Guerra dos Seis Dias.

Uma modificação única. Sobre um chasse de Sherman(de novo!) os israelenses construíram esta plataforma de observação. Pode ser elevada a 27 metros.T-54 BM 60 americano.Stug III

A pedra fundamental do museu foi lançada em 1982 por iniciativa de comandantes veteranos em cooperação com o Corpo Blindado Israelense.

Panzer IVJSU-152 canhão auto-propulsado soviético. Este exemplar foi capturado na Guerra dos Seis DiasJS-3 “Stalin” carro de combate soviético pesado armado com canhão de 122 mmT-34/85 Israel capturou diversos blindados soviéticos e chegou a usar alguns por breve período.

A partir daí, todos os veículos, carros de combate usados pelos israelenses e os capturados nas guerras anteriormente descritas foram alocados no museu. Outros carros de combate fazem parte do acervo deste museu e foram adquiridas através de doações de outros países.

Sherman/AMX egípcio capturado na Guerra dos Seis DiasM 52 obuseiro auto-propulsado de 105 mm capturado da Jordânia na Guerra dos Seis Dias.Morteiro auto-propulsado, usando chassi de ShermanCanhão auto-propulsado sobre chassi de Sherman. O canhão é de 155mm

Dentre as peças que compõem o acervo do museu, algumas merecem destaque, particularmente o MBT americano na II Guerra, o Sherman. Israel recebeu inúmeros exemplares desse carro após a II Guerra, que foram sendo repontencializados e em certos casos com adaptações bastante interessantes, por exemplo, lança-pontes, ambulâncias, postos de comando e até lança foguetes.

O logotipo do museu. Um Sherman elevado numa plataforma. O motor e a transmissão foram retirados.Lançadores múltiplos de foguetes de 240. Chassi de Sherman.Obuseiro auto-propulsado de 155mm, sobre chassi de ShermanO autor em frente ao monumento as forças aliadas que lutaram na II Guerra Mundial.

Outras peças dignas de nota são dois panzers alemães da II Guerra, um Panzer IV e um Stug III. A origem mais provável desses blindados estarem lá (não havia nenhuma placa indicando a origem) é que ambos foram capturados aos árabes (provavelmente sírios) durante a Guerra de Suez, já que depois da II Guerra, os árabes compraram equipamentos da França, Espanha e Checoslováquia. Esta última inclusive fabricou equipamentos para os alemães.

Matilda Mk IIAcredite, este caminhão Chevrolet fez parte do Corpo Blindado IsraelenseE esta pick-up tambémChieftain Mk III inglês

Outros exemplares que chama a atenção são os carros de combate soviéticos, tradicionais fornecedores dos países árabes após a II Guerra. Há um número considerável desses veículos.

Leopard ICenturionEm primeiro plano o Merkava I. Na seqüência o Merkava II e III.Panorâmicas do museu.

A indústria local também está presente no museu. Seja através das adaptações locais de armamentos importados ou de projetos nacionais como o Merkava. Na verdade há três exemplares deste moderno carro de combate.

As marcas da Batalha de Latrun em 1967.
Escultura “O companheiro”.
Dentro da Fortaleza há uma pequena exposição que tenta mostrar a evolução dos carros de combate. Na foto uma réplica de uma biga egípcia.

Há três monumentos que chamam a atenção no museu. Um deles é o Monumento as Forças Aliadas na II Guerra Mundial. Outro é uma escultura estilizada de um soldado carregando um companheiro ferido. O último é um muro com o nome dos 4.500 soldados do Corpo Blindado de Israel, mortos em combate. Dispensa explicações.

Fotografando

É permitido fotografar qualquer área do museu sem restrições e com uma vantagem adicional, alguns veículos têm ao lado uma escada que permite melhor visualização do veículo e do resto do acervo.

O museu conta com um centro de pesquisas, aberto a todos que queiram saber mais sobre as forças blindadas israelenses, e todo o tipo de material pode ser pesquisado. De livros a dvds.

Horário de visitação

O museu fica aberto praticamente o ano todo. O horário é: de domingo a quinta de 8:30 h às 16:30 h. Sexta de 8:30 h até 12:30 h. Sábado de 9:00 h às 16:00 h.

O pessoal do museu é simpático e todos falam excelente inglês.

Como todo museu bem organizado, há uma pequena loja com todo o tipo de souvenirs. De camisas a bonés, passando por dvds e livros. O tema principal de muitos desses livros é a Operação Thunderbolt, o resgate dos reféns isaelenses no aeroporto em Entebbe, Uganda, em 1976. Há muitas biografias sobre o Ten-Cel Yonatan “Yoni” Netanyahu, único dos comandos israelenses morto na operação.

O museu conta com um centro de pesquisas, aberto a todos que queiram saber mais sobre as forças blindadas israelenses, e todo o tipo de material pode ser pesquisado.

Google Earth

Marque as coordenadas: 31 o 50'20.54 N e 34 o 58'49”.56 E

 

Last Updated on Monday, 17 March 2008 01:04
 

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