Países tentam acelerar distribuição de alimentos e água aos haitianos PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 17 January 2010 00:00

Brasil e EUA acertam estratégia para fazer ajuda chegar a sobreviventes e agir no recolhimento de corpos

 

As organizações internacionais de ajuda humanitária e soldados dos Estados Unidos concentravam ontem seus esforços em fazer chegar rapidamente os suprimentos doados por vários países aos sobreviventes do terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou o Haiti na terça-feira. Pelo menos 40 mil vítimas já foram enterradas e as autoridades haitianas acreditam que os mortos podem chegar até a 200 mil.

Famintos e desesperados, os haitianos aglomeram-se em praças e estádios, em cima de colchões resgatados dos escombros ou em tendas improvisadas. Estima-se que 3 milhões de pessoas ficaram desabrigadas em todo o país. A ONU pediu ontem uma ajuda de US$ 560 milhões para aliviar a catástrofe no Haiti.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, chegou ontem à tarde em Porto Príncipe para discutir com o presidente haitiano, René Préval, e as autoridades internacionais civis e militares meios de ajudar o país. Hillary afirmou na sexta-feira que é necessária "uma corrida contra o tempo" antes que a ansiedade e a fúria das vítimas criem problemas adicionais. O presidente americano, Barack Obama, declarou ontem que é um "desafio enorme" entregar a ajuda ao Haiti rapidamente e com segurança.

SAQUES VIOLENTOS

As equipes de socorro alertaram para o risco de caos na capital haitiana se a ajuda não for distribuída com rapidez. O motorista de um caminhão de água foi atacado em um bairro da periferia de Porto Príncipe. Os saques tornaram-se violentos ontem, quando um grupo de aproximadamente mil pessoas entrou em choque por mercadorias em uma rua comercial no centro da capital.

Segundo o fotógrafo da agência Reuters Carlos Barría, homens armados com pedras, canivetes, picadores de gelo e martelos brigavam por camisetas, bolsas, brinquedos ou qualquer coisa que encontrassem nas lojas destruídas. Ele acrescentou que os policiais, que estavam ali um pouco antes, já tinham ido embora.

Em um acordo entre o Brasil e os EUA acertado ontem, ficou definido que os dois países trabalharão juntos na distribuição de alimentos e água em Porto Príncipe. Os brasileiros entrarão com a logística e os americanos com os mantimentos. Segundo autoridades militares brasileiras, por enquanto, não está prevista a presença de tropas dos EUA na segurança da capital do Haiti (mais informações na pág. 19).

"Os americanos já conseguiram trazer a comida, por estarem mais próximos. Mas não possuem logística para distribuir. Nós temos pessoal, viaturas e caminhões para fazer a distribuição. Além disso, conhecemos bem a área", afirmou o coronel João Baptista Bernardes, comandante do Brasbatt, que controla os 1.048 soldados brasileiras no território haitiano.

O acerto foi feito ontem em reunião com o adido militar americano em Porto Príncipe, Eric Stewart. Além dos suprimentos americanos, na manhã de ontem, também chegou à base brasileira 15 toneladas de comida vindas do Brasil. No início da noite, deveriam ser recebidas outras 15 toneladas.

A operação de distribuição da ajuda é considerada difícil por militares brasileiros. Ao todo, 130 brasileiros, em cooperação com os americanos, estariam envolvidos na distribuição, que começaria ontem, diante do destruído palácio presidencial. "Precisamos distribuir com segurança", disse Bernardes. Um dos problemas nestas operações de ajuda humanitária é a aglomeração de pessoas em busca de alimentos. Muitas vezes, os mais necessitados, como crianças e idosos, não conseguem ter acesso.

A coordenação das atividades da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) segue sob o comando do general Floriano Peixoto. E todas as tardes ocorrerá uma reunião entre as autoridades militares do Brasil e dos EUA.

As patrulhas brasileiras pelas ruas do Haiti também se intensificaram. A decisão, segundo autoridades militares, é preventiva. "Temos observado muita solidariedade. E os haitianos percebem pelo movimento no aeroporto e nas estradas que a ajuda vai chegar", disse o coronel Bernardes.

Com os poucos hospitais que ainda estão de pé depois do terremoto sem condições de tratar dos milhares de feridos, a outra preocupação é encontrar meios de atender os sobreviventes. Um hospital de campanha foi montado em um campo de futebol ao lado do quartel-general brasileiro. A instalação será capaz de atender 300 pacientes. Até agora, há apenas 70 feridos em um hospital improvisado dentro da base brasileira.

Com o novo hospital, será possível realizar cirurgias e amputações. Além disso, vieram 60 profissionais de saúde para ajudar nos tratamentos. Na base, chegam pessoas o tempo todo procurando ajuda.

 Fonte: O Estado de S. Paulo - Gustavo Chacra e Lourival SantAnna

 

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