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Written by Administrator   
Wednesday, 20 January 2010 14:08

Comunidade internacional anuncia a criação de um comitê para coordenar os esforços de reconstrução do país devastado por um terremoto

 

Foi preciso um terremoto de magnitude 7 na escala Richter para sacudir a comunidade internacional e motivar um mutirão financeiro ao Haiti — o país mais pobre da América Latina. Reunidos ontem no Palácio Nacional em Santo Domingo, capital da República Dominicana, líderes da União Europeia (UE), Grupo do Rio, Comunidade de Estados do Caribe (Caricom), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Organização dos Estados Americanos (OEA), Cruz Vermelha e Canadá concluíram a Cúpula pelo Futuro do Haiti. O representante do BID, Manuel Labrado, confirmou que a instituição perdoará a dívida do Haiti, calculada em US$ 480 milhões. “O BID propõe um pacote de assistência financeira para cooperar com os planos imediatos de recuperação do Haiti”, disse Labrado.

Segundo o representante do BID, o pacote incluiria a doação de US$ 364 milhões para uso “imediato”, assim como a criação de “um fundo de seis anos para ajudar na reconstrução” do Haiti. O fundo seria resultado do pagamento da dívida dos países da América Latina e do Caribe ao Clube de Paris (principais países credores do mundo), o que, anualmente, representa cerca de US$ 2 bilhões.

No encontro, que contou com a presença do presidente haitiano, René Préval, falou-se na elaboração de um programa de cinco anos com investimento de US$ 10 bilhões para o desenvolvimento do país. A vice-presidenta do governo espanhol e atual presidenta da UE, María Teresa Fernández de la Vega, ressaltou que o bloco europeu desembolsará, inicialmente, US$ 175 milhões para ajuda de emergência ao Haiti — o valor poderá chegar aos US$ 490 milhões somando recursos para outros tipos de auxílio. “Viemos para examinar melhores formas de enfrentar a situação presente e buscar respostas e estratégias que assegurem a viabilidade e a estabilidade política, econômica e social do Estado haitiano”, disse.

Préval destacou que o mais importante no momento é coordenar a ajuda ao Haiti e trabalhar pela criação de emprego e instituições democráticas. “Aproveito para me dirigir ao povo haitiano e à comunidade internacional para lhes dizer que, antes do tremor de terra, o Haiti se encontrava afundado em uma terrível situação de abandono e instabilidade”, admitiu o governante.

Os líderes presentes concordaram em criar um comitê para coordenação das ajudas da reconstrução. A pedido de Préval, a sede ficará na República Dominicana. A equipe será integrada por representantes do Haiti, República Dominicana, Brasil, México, Estados Unidos(1), Canadá, ONU, UE, OEA, Grupo do Rio, Caricom e BID. Já o presidente dominicano, Leonel Fernández, insistiu que o comitê planeje uma estratégia de segurança alimentar, para aumentar a produção agropecuária haitiana e evitar que o país continue importando quase todos os alimentos que consome. “Acho que o Haiti é uma nação que, com o apoio da comunidade internacional, pode perfeitamente se reconstruir e se modernizar”, opinou Fernández.

No fim da reunião, o presidente dominicano explicou que as propostas continuarão em debate no próximo encontro, em 25 de janeiro, em Montreal (Canadá). Em abril, a República Dominicana sediará a Cúpula Mundial pelo Haiti, para apresentação dos planos consolidados. Fernández acrescentou que os resultados ainda poderão ser analisados na cúpula UE-Mercosul, prevista para 16 a 18 de maio.

Nações Unidas

O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem o envio de mais 3,5 mil homens das Forças de paz para ajudar na segurança e nos serviços de resgate do Haiti. O pedido tinha sido feito no domingo pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que visitou o país no fim de semana. O organismo anunciou que já conseguiu 19% dos US$ 575 milhões que pediu com urgência e se disse satisfeito com a generosidade internacional. Somando doações individuais de países, entidades e celebridades, o valor do auxílio financeiro ao Haiti já chega a US$ 1,3 bilhão.

1 - Generosidade

As doações dos americanos para as vítimas do terremoto no Haiti totalizaram ontem US$ 189,9 milhões, valor próximo à ajuda obtida depois do tsunami na Ásia, em 2004, e para os desabrigados do furacão Katrina, em 2005, segundo dados do Giving USA Institute. De acordo com a presidente da instituição, Nancy Raybin, a ajuda para o Haiti foi canalizada por meio de 43 organizações. Cerca de 80% das doações vieram de indivíduos e 20%, de empresas.

BENEFÍCIO PARA IMIGRANTES ILEGAIS

Depois de receberem o aval do presidente francês Nicolas Sarkozy para permanecerem na França, agora é a vez dos haitianos ilegais nos Estados Unidos conseguirem uma autorização do governo de Barack Obama. A imigração americana permitirá que os haitianos que chegaram ao país até 12 de janeiro requeiram um status de proteção temporária. O documento autorizará que os haitianos residam e trabalhem no país por 18 meses, enquanto se inicia o processo de reconstrução do Haiti. (VV)

Exército também é refém da burocracia

Edson Luiz

Se o Brasil decidir mandar um novo contigente de militares para o Haiti, as tropas não poderão seguir de imediato. Os trâmites burocráticos e a logística necessária para reunir o efetivo fariam com que a viagem não fosse feita em menos de 15 dias. Hoje, o Brasil mantém 1.266 homens no Haiti, mas, para poder enviar outros efetivos, também depende da Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade deve, em primeiro lugar, comunicar a necessidade de reforço para o Itamaraty, que, por sua vez, analisa o pedido com o Ministério da Defesa. Ontem, a ONU aprovou o envio de mais 3,5 mil homens para Porto Príncipe, mas ainda não fez qualquer comunicado às autoridades brasileiras.

Na segunda-feira, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, afirmou que o país tem contigente suficiente para duplicar sua participação no Haiti. Mas, para enviar soldados e oficiais, é necessária uma autorização do Congresso, que a faz mediante decreto legislativo. Hoje, sairão do Brasil novas tropas, mas esse deslocamento já estava autorizado antes mesmo do terremoto e faz parte do rodízio periódico de militares brasileiros no país caribenho.

Ontem, durante a reunião do Gabinete de Crise, ficou decidido que o Ministério da Saúde vai mandar uma equipe a Porto Príncipe para avaliar o risco epidemiológico da região. Até agora, além de profissionais de vários setores — como médicos e engenheiros — o governo brasileiro já enviou, em 18 voos da Força Aérea Brasileira (FAB), pelo menos 165 toneledas de suprimentos e equipamentos.

Vítimas

Os corpos dos 17 militares brasileiros mortos no terremoto do dia 12 só chegarão ao Brasil amanhã, segundo o Comando do Exército. Um dos motivos do atraso — a chegada estava marcada para hoje — foi a falta de aviões para o translado a Brasília. Do Distrito Federal, todos serão enviados a seus estados de origem. Apesar do atraso, está mantida a cerimônia especial para homenagear os brasileiros vítimas do desastre. O evento deve contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda continuam desaparecidos no Haiti o major Márcio Guimarães Martins, da Brigada de Paraquedistas do Rio de Janeiro, e o tenente da Polícia Militar do Distrito Federal Claiton Batista Neiva, que estava no Haiti a serviço da ONU. Segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a liberação do corpo do brasileiro Luiz Carlos Costa, o segundo homem da ONU no Haiti, ainda depende da organização.

Fonte: Correio Braziliense - Viviane Vaz

 

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