Ministério da Defesa Britânico reduzirá compras de caças enquanto luta para salvar programa de aviação. PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Friday, 22 January 2010 17:52

 

 

Chefes da área da Defesa [britânica] decidem que Reino Unido não tem como sustentar o custo do atual plano.

Custo de 140 aviões norte-americanos aumentou em 25 milhões de libras esterlinas por unidade.

Há quatro anos, o preço do “F35 Joint Strike Fighter (JSF)” era de 37 milhões de libras, mais hoje ele subiu para 62 milhões de libras.

O “The Guardian” apurou que a cúpula da Defesa prepara grandes cortes no número de aviões Stealth americanos que estavam planejados para ser usados nos novos porta-aviões da Royal Navy e pela Real Força Aérea (RAF).

Estes aviões deverão ser as primeiras baixas, além de vários esquadrões de caças Harrier e Tornado, deu grande programa de cortes de gastos que estão sendo planejados pelos políticos, funcionários e assessores militares. 

Enquanto se preparam para fazer a maior e mais traumática mudança desde a Segunda Guerra Mundial os chefes concordaram que não existem fundos suficientes para financiar a compra dos 140 “JSF” de fabricação norte americana. O JSF (ou F-35 como é chamado agora), passou por atrasos que o encareceram, o seu preço estimado aumentou em quatro anos de 37 milhões de libras  para 62 milhões em 2010.

Uma alternativa poderia ser a compra pelo Ministério da Defesa (MoD) de  70 aviões em vez dos 140. Também cresce o consenso de que o Reino Unido não terá orçamento suficiente para construir os dois porta-aviões de grande porte (que já estão atrasados), e muito menos para comprar os aviões que neles seriam usados. “Os porta-aviões estão realmente ameaçados. É certo que haverá uma redução na quantidade de JSF ,” disse uma fonte militar de alto nível ao The Guardian. “Os porta-aviões são usados principalmente com aviões de alto desempenho. O emprego destes aviões é muito difícil de justificar,” agregou um funcionário da Defesa, ao concordar como a idéia de que a RAF já tem demasiados caças supersônicos. Se a compra de aviões for cortada pela metade, no caso dos porta-aviões, será para acomodar tanto uma versão de decolagem curta e de pousagem vertical (STOVL), e uma versão de decolagem convencional para ser usada nas bases terrestres da RAF. Outras opções que  estão sendo analisadas são: reduzir o tamanho  do segundo porta-aviões e criar uma plataforma mais econômica para helicópteros,comandos navais e aeronaves não-tripuladas [drones]; construir ambos porta-aviões e vender um deles, (talvez para Índia), ou equipá-los com aviões de lançamento por catapulta, que são mais econômicos.

Nenhuma decisão será tomada antes da próxima eleição geral. Porém, existe um consenso crescente no MoD de que o Reino Unido não pode arcar os atuais planos existentes para construir os dois  porta-aviões grandes, pois se os JSF também forem incluídos, o custo total do projeto atingiria os 25 bilhões de libras. A idéia é que será muito difícil justificar este gasto num momento quando as tropas no Afeganistão precisam receber mais helicópteros e sistemas de vigilância  (como os aviões não-tripulados) que proporcionam inteligência crucial sobre as atividades dos insurgentes e terroristas. Os dois porta-aviões propostos, são o “Queen Elizabeth” (que começaria a ser operado em 2016 e o “Prince of Wales” (para 2018). Neles já se gastou um bilhão de libras a mais do que o custo previsto, que era de 3.9 bilhões de libras. Este investimento não inclui o custo de ter aviões operando desde os porta-aviões. De acordo com os críticos do projeto, é ainda mais difícil justificar o investimento feita nos porta-aviões e seus caças, justamente num momento em que a Marinha está por receber seis fragatas novas (cujo custo por unidade é de 1 bilhão de libras) e em que, também, se procura uma alternativa para  o sistema de misseis balísticos nucleares Trident, que de acordo aos ministros poderia custar 20 bilhões de libras, e eles também não estão seguros sobre cual seria o monto exato. A data para tomar a decisão final sobre o novo desenho básico do submarino Trident  (que estava previsto para Setembro) foi adiada. “Precisamos de mais tempo para assegurar que a nossa decisão esteja baseada em informação sólida,” disse Bob Ainsworth, o Ministro de Defesa, aos deputados numa reunião antes do último Natal. De acordo a Greenpeace, o custo final do Trident poderia ser de 97 bilhões de libras ao longo da vida útil do sistema, que seria de 30 anos. O MoD não desmentiu esta versão.

Pouco depois de ser nomeado Chefe do Exercito, o General David Richards abriu um forte debate. “Não  podemos voltar a operar como fazíamos há dez anos atrás, nessa época era o uso dos tanques, caças a jato e escoltas da frota que dominava a doutrinas das nossas três forças,” disse Richards. “A linguagem de hoje inclui equipes para "efeitos não-kineticos" (unidades que realizam operações de corações e mentes) operações contra artefatos explosivos improvisados, domínio de informação, operações anti-pirataria e ciber-ataque e defesa.” Richards advertiu  que estados grandes como China e Rússia podem adotar táticas não convencionais em vez de se preparar para combater com mísseis e formações fixas de tropas e blindados. “Os ataques talvez sejam feitos semi-anonimamente através do ciberespaço ou pelo uso de guerrilhas e grupos estilo Hezbollah.

Os Chefes da Marinha e da Força Aérea, Almirante Mark Stanhope e Stephen Dalton, respetivamente, se manifestaram contrariamente à opinião de Richards. “É perigoso pensar que estamos no fim dos dias da guerra entre estados”. Mas todos concordam que o orçamento da defesa está sob uma pressão sem precedentes . Malcolm Chalmers, professor do Instituto Royal United Services, estima que o MoD terá que reduzir seu orçamento em 15%, ou mais, antes do ano 2016. Se as reduções previstas forem feitas desproporcionalmente sobre os projetos mais importantes, o MoD será um dos organismos mais atingidos pelos cortes, seja quem for que ganhe as próximas eleições.

O orçamento anual da Defesa é de quase 35 bilhões de libras esterlinas , sem incluir as operaçoes no Afeganistão , que custam quase 4 bilhões de libras por ano, e são pagas com fundos de contingencia do Tesouro.

Fonte The Guardian

Tradução: Marcelo Mackinnon 

Nota da ALIDE: Depois da publicação deste artigo do "The Guardian"o Ministro da Defesa britânico rapidamente veio a público negando que os novos porta-aviões estejam sob qualquer ameaça, mas muitos observadores locais descartaram esta resposta imediata do governo uma vez que nas próximas eleições existe uma grande chance do Partido Conservador ganhar a maioria que lhe permitiria assumir o governo e realizar ele mesmo a tal revisão de planos com as duras escolhas sobre que programas serão manuridos e quais serão cortados ou eliminados. Por tras de todos estes cortes estão os impactos da Crise Global e também os custos significativos das operações de combate no Iraque e no Afeganistão.

 

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