América do Sul desconfia de Washington, diz Jobim PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 24 February 2010 14:15

 

Os militares americanos fizeram um gesto para se aproximar do Brasil depois de alguns desentendimentos entre os dois países. Ontem, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, atendeu a um convite para se encontrar nos Estados Unidos com o secretário de Defesa, Robert Gates.

"Na verdade, eu fui a Nova York e não iria passar por aqui", disse Jobim, depois da reunião no Pentágono. "Foi ele (Gates) quem pediu que eu passasse em Washington para ter uma conversa com ele nesse sentido de aumentar a confiança do Brasil (nos EUA)."

Segundo Jobim, ele disse a Gates que o governo americano "precisa contar com o fato de que existe uma grande desconfiança da América do Sul em relação aos Estados Unidos". Esse é um fato, afirmou, que foi aceito por Gates durante a conversa porque, prosseguiu, "fatos não se discutem".

Jobim disse que sugeriu a Gates que os EUA se "reapresentem" à América do Sul - e disse que o Brasil estaria disposto a ajudar. Isso se faz, segundo Jobim, com atitudes, e não com conversa. Como exemplo de atitude que poderia contribuir para aumentar a confiança nos EUA, ele citou a resolução do embargo a Cuba. Ontem mesmo, Jobim tinha embarque marcado para Cuba, onde se juntará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Jobim, ficou acertada uma viagem de Gates ao Brasil em abril, quando, disse, quer apresentar a Amazonia ao americano.

O encontro entre os dois ministro ocorre depois de alguns desentendimentos entre seus respectivos países na área militar. O Brasil não gostou, por exemplo, de os militares americanos terem controlado o aeroporto de Porto Príncipe, capital do Haiti, na operação de socorro após o terremoto. Antes, o Brasil já tinha reagido com desconfiança à instalação de uma base militar americana na Colômbia. Mas os dois episódios foram superados, disse Jobim.

O ministro brasileiro disse que a decisão sobre a compra de caças pela Aeronáutica também foi tema da conversa. "Para evitar constrangimento, eu levantei o assunto", disse Jobim. O governo americano está fazendo "lobby" para o Brasil comprar caças da Boeing. Lula já indicou sua preferência pelos caças franceses. Jobim disse que essa é só uma preferência política e que a decisão de Lula será feita com base em um laudo preparado pela Defesa, que deve ser entregue em 20 dias, e após consultas com o Conselho de Defesa Nacional.

 Fonte: Valor Econômico - Alex Ribeiro, de Washington

 

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