Burocracia atrasa lançamento de satélites, afirma Roberto Amaral PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 25 February 2010 17:08

 

 

Os entraves burocráticos impostos por órgãos do próprio Estado brasileiro são os responsáveis pelo atraso do início das operações de lançamento de satélites por foguetes ucranianos na base espacial de Alcântara (MA). Foi o que disse ontem o diretor-geral brasileiro da binacional Alcântara Cyclone Space, Roberto Amaral, durante audiência pública promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

O projeto inicial para a base de Alcântara, localizada em um dos melhores lugares do mundo para o lançamento de satélites, ocuparia uma áerea de 62 mil hectares, segundo o diretor. Mas acabou reduzida amenos da metade, por decisão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), segundo o qual a maior parte da ilha onde se localiza a base deveria ser destinada a remanescente de quilombolas.

O diretor da binacional relatou aos senadores as diuficuldades que enfrenta para explicar aos sócios ucranianos os motivos do atraso do programa. Os ucranianos frequentemente perguntam se órgãos como o INCRA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais renováveis (IBAMA) - responsável pelas licenças ambientais - e a Fundação Palmares, de apoio às populações negras, não fazem parte do Estado brasileiro, que firmou um tratado de cooperação aeroespacial com a Ucrânia.

- O nosso esforço diário é o de enfrentar os óbices da burocracia. Desde 2007, estamos tentando atender a exigências que nos são impostos, como se fôssemos um Estado esquizofrênico - afirmou Amaral.

Igualmente convidado para o debate, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, lamentou o atraso do programa. E traçou uma comparação entre as bases espaciais de Kourou, na Guiana Francesa, em plena atividade, e de Alcântara - ambas com grande proximidades da linha do Equador, o que permite economia de combustível de aproximadamente 30%.

- Kouru tinha, em 1994, uma população de 6 mil habitantes, em sua maioria negros e desdentados. Quinze anos depois, tem 21 mil negros com dentes e o maior salário mínimo da Europa. O Brasil parece ter medo de exercer o protagonismo comercial na atividade de lançamento de satélites, que envolveu US$ 280 bilhões em 2009, lamentou o diretor da AEB.

Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), um dos senadores que solicitaram o debate, ressaltou a necessidade de garantir prioridade política ao setor espacial. "Estamos mais do que atrasados", observou.

Ao presidir a reunião, o senador Lobão Filho (PMDB-MA), vice-presidente da CCT, disse esperar que a audiência pública tenha como resultado a criação de um movimento de apoio ao Programa espacial Brasileiro.

Fonte: Jornal do Senado

 

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