Lula pede perdão da dívida externa PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 26 February 2010 14:14

Presidente vê do alto a destruição causada pelo terremoto, elogia as tropas brasileiras e volta a cobrar dos países ricos mais ajuda para o desenvolvimento

 

“Quero dizer que se o Brasil já tem feito política de solidariedade, estejam certos de que vamos fazer muito mais, porque as coisas no Haiti são muito mais graves do que a gente imaginava”, declarou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de sobrevoar em helicóptero a capital haitiana, Porto Príncipe. Lula chegou ao país pela manhã, vindo de Cuba, e foi recebido com honras militares pelo presidente René Préval. Depois da cerimônia, o visitante observou, consternado, os estragos causados pelo terremoto de 12 de janeiro, que deixou mais de 200 mil mortos.

Ao lado de Préval, Lula voltou a defender o perdão para a dívida externa do Haiti, que totaliza US$ 1,3 bilhão. “O mundo precisa dar demonstração de que quer ajudar (...) anistiando essa dívida”, pediu. O presidente brasileiro também afirmou que os líderes interessados em ajudar o Haiti devem fazer “gestão junto aos credores, ao Banco Mundial e ao FMI” para obter o perdão da dívida.

Lula admitiu que apenas a isenção de pagamentos externos não resolverá todos os problemas do país, mas argumentou que isso permitirá estabelecer novas linhas de ação. Como forma de colaboração brasileira, ele assinou acordos para o reforço da rede pública de ensino, contratos para construção de cisternas para captação de água de chuva, além de programas para fortalecer a agricultura familiar. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que integrou a comitiva, também considerou importante promover a geração de emprego e renda no Haiti. “O país tem uma bonita história de resistência do povo, mas sofre com o impacto da pobreza extrema”, lamentou.

Desde o terremoto, o Brasil já enviou para o Haiti 203 toneladas de alimentos, 38 toneladas de água, 95 toneladas de medicamentos e 100 toneladas de donativos diversos. Também librou ajuda financeira de US$ 15 milhões. Lula não poupou elogios aos soldados brasileiros que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas (Minustah). Durante visita à base do batalhão, onde participou de uma cerimônia de formatura das tropas, o presidente destacou o trabalho do contingente brasileiro, que é o maior da missão e detém o comando. “Embora vocês não precisem de medalhas, eu poderia dizer: poucas vezes na história do Brasil as Forças Armadas foram motivo de tamanho orgulho para o povo brasileiro como têm sido pelo seu comportamento e trabalho”, elogiou.

Lula engrossou a lista dos presidentes que já visitaram o país caribenho depois da tragédia, seguindo-se a Leonel Fernández (República Dominicana), Rafael Correa (Equador), Nicolás Sarkozy (França) e Michelle Bachelet (Chile). Segundo o blog do Planalto, os 23 jornalistas que acompanharam a comitiva presidencial no trajeto entre o aeroporto e a base militar também puderam perceber a dimensão da tragédia que assolou o país. “Alguns haitianos acenavam para os repórteres, numa demonstração de que, mesmo com a situação trágica, existe esperança a respeito da reconstrução”, relata o blog oficial.

O número
SOCORRO
540 toneladas
Total de donativos enviados pelo Brasil às vítimas do terremoto, incluindo água, alimentos, medicamentos e outros itens

 

O número
US$15 milhões
Ajuda financeira liberada pelo governo brasileiro para o Haiti

Encontro de amigos

Depois de passar cerca de seis horas no Haiti, o presidente Lula embarcou para El Salvador, última escala da viagem iniciada em Cancún, no México, para a Cúpula da América Latina e Caribe (Calc), com uma visita de despedida a Fidel e Raúl Castro, em Cuba. Em San Salvador, Lula foi recebido pelo chanceler Hugo Martínez e depois jantou com o presidente Mauricio Funes, casado com uma brasileira que representa o Partido dos Trabalhadores (PT) na a América Central.

Funes não esconde sua admiração por Lula e, assim que foi eleito, prometeu seguir o exemplo do governante brasileiro em seu mandato como presidente de El Salvador. No encontro de hoje, os dois trocarão condecorações: o salvadorenho entregará ao visitante a Ordem Nacional José Matías Delgado, e retribuirá a homenagem com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

Lula e Funes se reunirão com empresários brasileiros e salvadorenhos e visitarão a cripta na Catedral de San Salvador onde está sepultado monsenhor Oscar Arnulfo Romero. O assassinato de dom Oscar Romero, baleado por esquadrões de ultradireita em 24 de março de 1980, foi o estopim para uma década de guerra civil.

 Fonte: Correio Braziliense - Viviane Vaz

 

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