Silêncio do Haiti sobre hidrelétrica irrita Exército PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 28 February 2010 00:00

Préval retarda assinatura de acordo de US$ 150 milhões com o Brasil e aposta em termoelétricas

 

A demora do presidente haitiano, René Préval, em aceitar a proposta do governo brasileiro de construir uma hidrelétrica de US$ 150 milhões em Porto Príncipe provocou críticas, ontem, do encarregado pelo desenho do projeto, o general José Rosalvo Leitão de Almeida, chefe do Instituto de Engenharia do Exército, que classificou como "decepcionante" o silêncio do governo haitiano.

Esse silêncio de Préval tem custado caro ao Brasil, que mantém equipes paradas em função disso. Temos um laboratório de geotecnologia contratado só para esse trabalho, além de vários outros projetos importantes esperando por nossa atenção, disse o general, que já esteve com Préval cinco vezes desde 2008.

O governo brasileiro repassou US$3,5 milhões ao Exército para que o projeto da hidrelétrica, elaborado inicialmente pelo governo canadense, fosse atualizado e oferecido ao Haiti ainda antes do terremoto do dia 12 de janeiro.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou do tema em seu programa de rádio Café com o Presidente, três dias antes de embarcar para Porto Príncipe. A expectativa era que um acordo entre os dói países fosse concluído durante a visita oficial.

A hidrelétrica de 36 megawatts ficaria a 60 quilômetros de Porto Príncipe e, de acordo com assessores do Planalto, poderia ser financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que permitiria que a licitação fosse exclusiva para as construtoras brasileiras.

Pelo menos três delas, a OAS, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez já tem obras em andamento no Haiti ou na vizinha República Dominicana, que fica na mesma ilha.

O embaixador brasileiro em Porto Príncipe, Igor Kipman, atribuiu a demora à indecisão de Préval sobre o local exato da obra. Há três alternativas de localização para o reservatório da hidrelétrica. Cada uma delas implica um deslocamento de um número diferente de famílias. É uma decisão que envolve um enorme custo político. Mas a questão do financiamento ainda nem chegou a ser discutida, disse.

Ao mesmo tempo em que mantém o suspense sobre a hidrelétrica, Préval aposta em pequenas termoelétricas abastecidas com bagaço de cana-de-açúcar e capim-elefante, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e licitação aberta a empreiteiras de todo o mundo.

O projeto das termoelétricas e da hidrelétrica não são, em tese, excludentes, mas têm disputado a prioridade na agenda do governo haitiano, sobrecarregado com as tarefas da reconstrução após o terremoto.
A tecnologia usada para a termoelétrica é a mesma que, no Brasil, geral atualmente 1.400 megawatts de energia (3% do consumo nacional) – porcentual que deve crescer mais de 10 vezes até 2020, segundo projeção da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O governo haitiano já contraiu um primeiro financiamento de US$ 27 milhões para construir uma primeira termoelétrica numa localidade a 15 quilômetros do epicentro do terremoto.

A pequena usina tem capacidade para gerar energia elétrica para 100 mil pessoas, além de empregar 500 famílias no cultivo da biomassa.

Por suas dimensões modestas, as termoelétricas movidas a biomassa podem ser instaladas muito próximas das regiões consumidoras, econimizando na construção de subestações e de linhas de transmissão, criando emprego no campo e contribuindo no combate ao êxodo rural, disse ao Estado Cleber Guarany, da FGV, que apresentou o projeto ao governo haitiano.
 

Fonte: O Estado de S. Paulo - João Paulo Charleaux

 

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