Tragédia sem fim PDF Print E-mail
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Tuesday, 02 March 2010 14:24

Governo chileno solicita oficialmente que a comunidade internacional envie ajuda. Lula desembarca em Santiago

 

Brasília – Dois dias depois do terremoto que abalou o Chile e matou pelo menos 723 pessoas, a presidente Michelle Bachelet anunciou que aceitará ajuda internacional para a reconstrução do país. O pedido oficial de assistência foi feito ao Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (Ocha). No sábado, a imprensa local entendeu que Bachelet havia descartado a necessidade de ajuda. Ontem, o chanceler chileno, Mariano Fernández, ressaltou que houve uma apreciação jornalística equivocada. "Não é que o Chile se negou a receber ajuda, dissemos que não solicitaríamos enquanto não tivéssemos uma lista adequada dos objetivos para combater a catástrofe em que estamos". Segundo ele, com a experiência de sismos anteriores, "é preciso ter mais precisão para que a ajuda tenha sentido".

De prontidão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voou de Montevidéu, onde assistiu ontem à posse do presidente uruguaio José Mujica, e viajou diretamente para Santiago. No aeroporto da capital chilena, foi o primeiro presidente a prestar solidariedade a Bachelet pessoalmente e prometeu que o Brasil enviará ajuda. "Nós vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para ser solidário ao Chile, como estamos sendo solidários ao Haiti", destacou Lulam em seu programa de rádio semanal Café com Presidente. "O Chile tem uma vantagem: é um país mais estruturado, que historicamente vem vivendo com terremotos. Tem uma Defesa Civil mais preparada. É um pais mais rico. Mas, naquilo que for necessário, nós vamos ser solidários. O Brasil será solidário com o povo chileno e com qualquer outro povo que sofra qualquer catástrofe", completou. Ao retornar a São Paulo, o avião reserva da Força aérea Brasileira (FAB), que levava o presidente, também trouxe de volta 30 brasileiros que estavam no Chile.

Já na manhã de ontem, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) havia anunciado que a Marinha enviará um hospital de campanha e equipes de busca e salvamento para ajudar os vizinhos.

A União Europeia (UE), por sua vez, vai disponibilizar ao Chile um módulo de assistência médica e outro de ajuda técnica. No domingo, a Comissão Europeia (CE), braço executivo do bloco, já tinha confirmado que colocaria à disposição do governo chileno cerca de US$ 4 milhões para ajudar nos trabalhos de resgate e apoio aos afetados pelo desastre. Bachelet também pediu aos europeus que auxilie com equipes de resgate, assistência médica, construção de pontes, potabilização de água, telecomunicações e reconstrução de infraestrutura. A solicitação foi enviada ao Centro de Controle e Informação (MIC) da CE, que o transmitiu aos 27 países que a integram.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se encontrará com Bachelet hoje, depois de se reunir com a presidente argentina, Cristina Kirchner. Hillary pernoitou em Buenos Aires, depois de também comparecer à posse de Mujica, e levará equipes de comunicações a Santiago. "Queremos mostrar o respaldo dos Estados Unidos ao povo chileno, conhecendo a realidade no terreno", disse Philippe Reines, um alto funcionário do Departamento de Estado que viaja com a secretária. Amanhã, ela segue para Brasília, onde se reúne com o chanceler Celso Amorim.

Bachelet anunciou à tarde o envio de 7 mil soldados às regiões de Maule e Concepción. Ao saber dos problemas de segurança nas duas localidades, Bachelet apelou à consciência cidadã dos chilenos. "Não é aceitável a pilhagem e a delinquência", destacou. Concepción também foi cenário de dois graves incêndios. O primeiro aconteceu no supermercado Alvi, e o segundo, na loja La Polar, ambos provocados por jovens que tentavam saquear os estabelecimentos. "Essa é uma situação realmente caótica e, aqui, há um grande exemplo do que acontece. Saquearam a loja por dois dias seguidos e já não temos como nos defender", disse o gerente da La Polar, Marco Riquelme, aos jornais locais.

Já a capital, Santiago, teria voltado à normalidade, segundo informou o jornal chileno La Tercera, apesar de vários bairros ainda estarem sem eletricidade e as réplicas continuarem fazendo o chão tremer. Durante a manhã, um desses reflexos do grande terremoto de sábado alcançou magnitude 5,3 na escala Richter. Nas cidades de Maule e Bío Bío, "a situação é muito mais complicada, devido ao nível de destruição (do terremoto) e aos problemas de conexão", afirmou o jornal.

QUEDA DE AVIÃO

Um pequeno avião modelo Piper, que viajava com um grupo de seis pessoas a Concepción para prestar ajuda à população, caiu na altura da localidade de Tomé, a 450 quilômetros ao sul de Santiago. Toda a tripulação morreu. O grupo havia partido de Santiago às 12h28 de ontem e iria inspecionar o estado dos albergues destinados às vítimas do terremoto e dos tsunamis. Até o fechamento desta edição, a Direção Geral de Aviação Civil do país ainda não sabia informar as razões da queda.

Fonte: O Estado de Minas - Viviane Vaz

 

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