Hillary vem cobrar posição sobre Irã PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 03 March 2010 14:07

A chefe da diplomacia americana se encontra hoje com Lula e o colega Celso Amorim

 

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou ontem à tarde ao Brasil, disposta a endurecer o discurso, mas sem perder a ternura. Depois de passar por Santiago e prestar solidariedade ao Chile, Hillary se encontra hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chanceler Celso Amorim para tratar sobre os principais assuntos da agenda bilateral, além de temas internacionais — especialmente o Irã, que receberá em maio a visita do presidente Lula. A secretária de Estado também deve preparar, ainda para este ano, a visita do presidente Barack Obama, ocasião em que os dois países pretendem assinar um acordo de cooperação comercial.

Segundo o Departamento de Estado, o programa nuclear iraniano será uma das questões mais importantes nas conversas. O Brasil ocupa atualmente um assento não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e os EUA tentam convencer o governo a apoiar a ampliação das sanções ao regime islâmico. “As relações entre Irã e Estados Unidos continuam abaladas. O governo Obama até agora conseguiu muito pouca abertura no diálogo com Teerã. Mas avançar nas sanções é muito difícil sem o apoio da China, que não parece disposta a oferecê-lo”, declarou ao Correio o historiador Kenneth Robert Maxwell, da renomada Universidade de Harvard. Para ele, falta descobrir qual será o papel do Brasil nessa disputa.

Já Miguel Tinker Salas, professor de história latino-americana do Pomona College, na Califórnia, avalia que Hillary não deverá adotar “a mesma dura retórica contra o Brasil” que usou em Washington. “O discurso que ela empregou previamente foi em grande parte para consumo doméstico, para silenciar críticas”, disse à reportagem. “No Brasil, ela deve usar uma linha suave, do contrário se arrisca a ofender o anfitrião e o direito soberano do Brasil a estabelecer relações internacionais com quem julga correto”, destaca Tinker.

O etanol brasileiro é um dos pontos que poderiam desanuviar as conversas, mas os especialistas americanos avaliam que o discurso amenizado seria para agradar aos brasileiros. “Em muitos aspectos, a administração Bush manipulou a questão do etanol para obter ganhos políticos com o Brasil. Isso ficou evidente na resistência (posterior) em reduzir tarifas ou acabar com os subsídios governamentais ao agronegócio americano”, analisa Tinker. Maxwell considera o etanol “um assunto que interessa a ambos países”, mas pondera que a política doméstica continuará a desempenhar um “papel obstrucionista” dentro dos EUA.

A secretária de Estado também deve fazer novo esforço em favor da Boeing, que participa da concorrência para a venda de 36 caças ao Brasil. Ao finalizar a agenda em Brasília, Hillary fará uma rápida escala em São Paulo, onde conversará com estudantes da Universidade Zumbi dos Palmares. Em seguida, partirá para a Costa Rica, quinta escala de uma viagem que começou pelo Uruguai, seguiu para a Argentina e o Chile e terminará na Guatemala.

Boeing tenta “virada”

Primeiro, foi o caça francês, Rafale, anunciado pelo governo brasileiro como “negócio fechado” quando da visita do presidente Nicolas Sarkozy, em setembro passado. Nos primeiros dias de janeiro, a rota mudou. Relatório da Força Aérea Brasileira (FAB) apontava uma preferência dos técnicos pelo sueco Gripen NG. Agora, com chegada da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, a Boeing deflagrou uma verdadeira operação de guerra para tentar criar a sua onda. A empresa espera que seja a terceira e última — a vencedora — na concorrência para a polêmica compra de 36 aviões de combate pelo governo brasileiro.

A ofensiva da Boeing, em parceria com o governo norte-americano, começou em 25 de fevereiro, quando aportou no Rio de Janeiro o porta-aviões USS Carl Vinson. A bordo, 12 caças Super Hornet. Junto, desembarcaram no Brasil alguns executivos da empresa, com a missão de explicar a proposta. “Queremos que nos deem a chance de ganhar a sua confiança”, diz Mike Coggins, o executivo responsável pela concorrência.

Do alto de seus 29 anos em experiência em engenharia, vendas e desenvolvimento de programas, ele considera que a vitória do Super Hornet poderia significar uma nova forma de atuação conjunta dentro das Américas. E garante que não há concorrente que reúna empresas tão gabaritadas, como a Boeing, a Raytheon, a Northrop Gruhman e a General Eletric.

Os americanos vão frisar que não existe no mercado outro avião que tenha tanta experiência no ar quanto o caça americano. O caça francês, no entanto, tem a preferência política por conta das relações com a França, que defende publicamente a pretensão Brasileira de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Ciente dos pontos fortes e fracos, sejam os próprios ou os dos concorrentes, os americanos pretendem aproveitar esse espaço entre a insegurança em relação ao projeto sueco, que seria desenvolvido em conjunto com o Brasil, e a proposta francesa, que é vista também com certa reserva, para tentar demonstrar que podem oferecer mais. Além de Hillary, são esperados nas próximas semanas o secretário de Comércio, Carlos Gutierrez, e o da Defesa, Robert Gates, que na semana passada recebeu por mais de uma hora, no Pentágono, o colega Nelson Jobim.

 Fonte: Correio Braziliense - Viviane Vaz

 

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