Fala de Lula sobre Irã ecoa entre americanos PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 05 March 2010 15:19


Casa Branca, jornais e analistas dão destaque à oposição do País na ONU


Depois da visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a Brasília e São Paulo, o governo brasileiro transformou-se no foco das atenções americanas para conseguir aprovar novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Diplomatas, políticos e analistas concordam que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva será fundamental para isolar o Irã, ainda que o Brasil não tenha poder de veto no órgão decisório máximo da ONU.
O peso brasileiro deve-se à credibilidade do País, que não possui armas nucleares por opção própria, e porque a crítica às sanções deixaria a China mais à vontade para vetar novas punições contra Teerã.


A posição brasileira, no dia seguinte à visita de Hillary, dominou o briefing para a imprensa do Departamento de Estado em Washington. Jornalistas estrangeiros insistiram na questão sobre como os EUA conseguirão convencer o Brasil. O porta-voz do Departamento de Estado P.J. Crowley tentou contornar as divergências ao afirmar que os dois países concordam que "há riscos em uma corrida nuclear no Oriente Médio".


Ao ser pressionado por um repórter sobre o claro antagonismo entre os governos de Barack Obama e Lula a respeito do Irã, o porta-voz respondeu que "o que o Brasil decidir é uma questão deles", mas acrescentou que o diálogo e o tempo podem levar os brasileiros a adotar uma outra posição na hora de votar a resolução, que já teria um rascunho circulando nos corredores da ONU.


As diferenças entre os EUA e o Brasil também receberam destaque na imprensa. O Wall Street Journal deu manchete na capa para a visita de Hillary ao Brasil, afirmando que os EUA enfrentam um novo obstáculo para aprovar novas sanções a Teerã. O jornal, assim como seus concorrentes, citaram Lula dizendo "não ser prudente colocar o Irã contra a parede".
Além do Brasil, a Turquia e o Líbano, que também integram o Conselho de Segurança, têm se posicionado contra uma nova resolução. Diferentemente do que diz Hillary, analistas avaliam que esses países adotaram uma posição favorável ao Irã por questões internas e não por influência ou "histórias contadas por Teerã", como disse a americana.


Os turcos, apesar de serem parceiros militares dos EUA na Otan, mantêm estreitas relações comerciais com os iranianos que remontam aos tempos dos impérios otomano e persa. O laço foi ampliado na atual administração do premiê Recep Tayyip Erdogan. O governo do primeiro-ministro libanês Saad Hariri é aliado americano, mas não tem como marginalizar a posição do Hezbollah, ligado a Teerã, que integra a coalizão governista. Brasileiros, por sua vez, teriam uma posição mais maleável diante do Irã.


EUA, França, Grã-Bretanha e Israel acusam o Irã de conduzir um programa nuclear com fins militares. O Brasil diz acreditar na versão iraniana e Lula vai a Teerã em maio.
"É uma forma de o Brasil mostrar sua força, de se transformar em uma força diplomática. Não há como negar que o Brasil está se tornando um líder global", afirmou Christopher Sabatini, que dirige o Council of the Americas, em Nova York.


Os americanos aceitam o fortalecimento brasileiro e querem que o País se envolva em grandes questões do hemisfério, mas "as agendas dos dois países são diferentes", afirmou Sabatini ao Estado. Por enquanto, a brasileira tem prevalecido, como no caso do Irã. O professor da Universidade Columbia, Gary Sick, declarou a jornalistas ontem que essa posição brasileira fortalece o regime de Teerã, que não se sentirá isolado. Em recente entrevista ao Estado, o especialista em política iraniana afirmou que o Brasil serve de modelo para o Irã. Isto é, os iranianos tentam buscar a tecnologia para fabricar uma arma atômica, sem necessariamente produzi-la.


RASCUNHO


O Departamento de Estado dos EUA negou ontem a informação de que já teria apresentado um esboço do texto das sanções ao Irã para integrantes do Conselho de Segurança. A informação havia sido divulgada pelo New York Times.

Fonte: O Estado de S. Paulo - Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK

 

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