Hospital de campanha, um porto seguro para haitianos PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 08 March 2010 14:27

 

No Hospital de Campanha brasileiro, um centro cirúrgico de guerra instalado na Base Charlie, em Porto Príncipe, a fase crítica do atendimento emergencial às vítimas do terremoto foi encerrada, sendo substituída pela fase de acompanhamento de pacientes que sofreram traumas ortopédicos e pela prestação de assistência clínica geral. O hospital geralmente é instalado por períodos curtos, suficientes apenas para atender às primeiras necessidades de uma determinada população em áreas de difícil acesso. Entretanto, no caso de Porto Príncipe, onde a demanda médica dos haitianos vai muito além dos ferimentos provocadas pelo sismo, o governo brasileiro ainda não determinou quando fechará as portas do seu hospital.

Os 20 médicos brasileiros que atuam na Base Charlie já realizaram mais de 200 procedimentos cirúrgicos – dos quais 137 ortopédicos – quatro amputações, e treze partos. No último dia 25, Mariejo Fevry, 20 anos, deu à luz por parto normal o 13º bebê, uma menina batizada de Crislove Mervilieu.

Em quase dois meses de atendimentos emergenciais, apenas um paciente morreu no hospital brasileiro, por ter se recusado a amputar uma perna necrosada.

– O paciente apresentava isquemia em uma das pernas – lembra o coronel João Carlos Azeredo, diretor do hospital. – Mas ele não admitiu uma amputação sem que a família fosse consultada antes. O problema é que a família morava em uma cidade distante. Chegaram aqui tarde demais.

desafios

Um dos imprevistos que a permanência do hospital em Porto Príncipe ocasiona, explica Azeredo, é que muitos pacientes que recebem alta se recusam a sair das instalações por medo do tratamento que receberão em outros centros médicos ou por não terem para onde ir.

– O nosso hospital está capacitado para atender vítimas durante as primeiras 72 horas após a internação – explica o coronel. – depois deste prazo, os que ainda precisam de acompanhamento médico são transferidos para uma unidade de maior porte do sistema de saúde haitiano. O dilema é que muitos pacientes não querem sair por terem abrigo e alimentação aqui. Neste caso, estamos trabalhando com ONGs que os recolhem. Há também muitos que temem sofrer amputações em outros hospitais.

Azeredo afirma que no Haiti, onde não há hospitais de reabilitação ou fábricas de próteses, existe uma cultura em que os amputados ou deficientes são rejeitados dentro da comunidade haitiana, ou até mesmo por seus próprios familiares.

Não é o caso de Itson Darius, 4 anos, que teve a perna amputada nove dias depois do terremoto. Itson ficou preso nos escombros da sua casa durante quatro dias, até ser resgatado por uma equipe de salvamento que escutou o seu choro.

– Assim que o tremor aconteceu, corri para casa onde sabia que estavam meus filhos – contou à ONG Action Aid a mãe de Itson, Maryse Lindor, 40 anos. – Os quatro mais velhos conseguiram escapar e não sabíamos onde Itson estava. Pensamos que tinha sido morto.

Maryse e sua família estão vivendo em um acampamento próximo ao hospital Universitário de Porto Príncipe.

– Onde mais podemos ir? Itson tem que visitar o médico todos os dias, ele não pode caminhar e por enquanto nem pode ficar sentado – contou a mãe. – Ele tinha começado a frequentar a escola esse ano. Só deus sabe quando poderá retornar.

 Fonte: Jornal do Brasil - Joana Duarte

 

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