Acordo prevê a criação de uma companhia com foco na produção de estruturas para aeronaves Print
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Monday, 15 March 2010 00:00


Akaer fecha parceria com francesa Altran

Meta é tornar-se um grande competidor internacional, disse Cesar Augusto da Silva, diretor-executivo da Akaer

A brasileira Akaer e o grupo francês Altran anunciam hoje uma parceria para a criação de uma empresa integradora de aeroestruturas, que competirá mundialmente no setor aeroespacial e de defesa (A&D). A divulgação oficial será feita durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia francesa, em Paris.

As empresas assinaram uma carta de intenções na sexta-feira passada. Pelo acordo, a Altran, que fatura € 1,6 bilhão por ano, deverá adquirir uma participação acionária na Akaer. A empresa a ser criada terá as duas companhias como sócias, mas a participação de cada uma ainda não foi definida. O vice-presidente internacional do grupo Altran, Fréderic Grard, afirmou que a primeira ação para selar a parceria está definida: cerca de 20 engenheiros brasileiros irão para a Europa e dez especialistas da Altran virão ao Brasil para iniciar o processo de transferência de tecnologia em aeroestruturas.

"A aliança com a Akaer fortalecerá o nosso posicionamento no Brasil nos setores aeroespacial e de defesa, complementando a expertise e o conhecimento das duas empresas, com foco inicial em aeroestruturas", afirmou o presidente da Altran Technologies, Anderson Novaes Mendes Alves. Com 400 funcionários e faturamento de US$ 50 milhões, a empresa atua no Brasil nas áreas de inovação e tecnologia para os setores automotivo, de telecomunicações e energia. A Akaer possui 120 funcionários e fatura US$ 13 milhões por ano.

De acordo com o diretor-executivo da Akaer, César Augusto da Silva, uma das iniciativas a serem tomadas após o anúncio será a construção de uma fábrica de estruturas integradas de aeronaves - a primeira no Brasil com capacidade para atender os pedidos de uma empresa do porte da Embraer, que hoje depende exclusivamente de fornecedores estrangeiros.

A fábrica será erguida, provavelmente em São José dos Campos (SP) e abrigará, além da montagem final de subconjuntos estruturais, a produção de outros segmentos aeronáuticos como tubulações, cablagem, além de atividades, como a modernização e manutenção de aeronaves. O investimento será de aproximadamente US$ 50 milhões. No curto prazo, as empresas também planejam investir US$ 5 milhões em treinamento, formação de mão de obra e infraestrutura industrial.

A cooperação entre a Akaer e a Altran também amplia a atuação da holding T-1, criada em 2009 por um grupo de cinco empresas brasileiras lideradas pela Akaer, para ser uma fornecedora mundial de estruturas aeronáuticas. De acordo com Silva, da Akaer, a nova empresa inicialmente será vinculada à holding T-1. O objetivo é capturar uma participação significativa no programa da aeronave de transporte militar KC-390 e envolver a T-1 no projeto e produção da fuselagem central, fuselagem traseira e asas do caça sueco Gripen NG, atividades já desenvolvidas hoje pela Akaer.

A estratégia também tem como meta maximizar a participação no projeto dos helicópteros EC-725, que serão fornecidos para as Forças Armadas brasileiras pelo grupo Helibrás/Eurocopter e fazer parte da cadeia de suprimentos da Airbus e Boeing. "Em cinco anos queremos ser a maior fornecedora de aeroestruturas da fabricante brasileira", observou. Hoje, o fornecimento de grandes subconjuntos estruturais para a Embraer é feito por empresas estrangeiras, como a Latecoere (francesa), Sonaca (belga) e as espanholas Aernnova e SK-10.

Conforme o executivo, a nova empresa atuará também em outros segmentos do mercado aeroespacial brasileiro e mundial, sobretudo nas regiões Ásia-Pacífico. Hoje, 34% do valor investido na fabricação de aviões no mundo destina-se à contratação de fornecedores, o que equivale a um valor aproximado de US$ 450 bilhões por ano. "A tendência é que esse valor continue crescendo, tendo em vista que os grandes fabricantes cada vez mais buscam a terceirização da produção de seus aviões", disse Silva.

 Fonte: Valor Econômico