Tensão Israel-EUA é 'milagre' e pode ser 'chave' para paz, afirma Lula PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 18 March 2010 14:33


A turbulência na relação EUA-Israel iniciou uma intensa movimentação de bastidores na diplomacia e no Congresso americano. O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, insistiu que a expansão de construções em Jerusalém Oriental não será revogada, como queriam os EUA, e organizações americanas pró-Israel lançaram uma ofensiva entre congressistas. De Ramallah, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a tensão Israel-EUA é o "impossível" e pode ser a "chave" para a paz.


Ao encontrar-se com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, Lula ouviu que a diplomacia brasileira não pode contribuir diretamente para desfazer a cisão entre as facções Fatah e o Hamas. Abbas, entretanto, exortou Lula a levar a questão palestina ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em sua visita a Teerã, em maio. O auxílio do Irã ao Hamas prejudica o diálogo palestino, disse o presidente da AP.


Em Genebra, diplomatas iranianos intensificaram ontem sua campanha para que o Itamaraty apoie a candidatura de Teerã ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O órgão reúne 47 países eleitos pela Assembleia-Geral da ONU. Americanos e europeus já se mobilizam para evitar que o Irã, acusado de graves violações, consiga uma cadeira no conselho.


Lula depositou ontem flores no túmulo do histórico líder palestino Yasser Arafat, em Ramallah. Após a homenagem, o presidente criticou o muro israelense construído para isolar palestinos e criticou assentamentos na Cisjordânia, afirmando que as construções apagam "as velas da esperança".


Sobre a recente discórdia entre americanos e israelenses envolvendo a construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental, Lula tentou mostrar otimismo: "O que parecia impossível aconteceu: os EUA divergindo de Israel. Quem sabe essa divergência era a coisa que faltava para se chegar a um acordo."


"A exigência para proibir judeus de construir em Jerusalém Oriental não é razoável. Imagine se proibíssemos árabes de construir na região", disse o chanceler israelense, em reação às pressões de Washington para que revogue a expansão anunciada no domingo. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, embarcará no início da próxima semana para Washington, onde discursará na convenção da maior organização americana pró-Israel.
Sob pressão de congressistas, a Casa Branca decidiu evitar declarações sobre a discórdia com Israel.

Fonte: REUTERS - O Estadão de S.Paulo

 

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