Irã quer voto brasileiro para conselho da ONU PDF Print E-mail
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Thursday, 18 March 2010 14:39

 


Órgão máximo de direitos humanos terá eleição em maio, quando Lula estiver em Teerã, e iranianos pedem apoio brasileiro



O Irã saiu ontem em busca do voto brasileiro para ser eleito ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. A votação ocorre no dia 13 de maio na Assembleia-Geral da ONU, às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã. Em Genebra e Nova York, os países europeus e o governo americano se mobilizam para evitar que o Irã - acusado de graves violações contra sua população - seja eleito para o órgão máximo de direitos humanos.


A diplomacia iraniana confirmou ao Estado que, já em 2009, enviou uma carta a uma série de "países amigos" pedindo apoio na eleição internacional. O nome do Brasil, segundo a missão do Irã em Genebra, constaria na lista. O Conselho reúne 47 países, eleitos por uma maioria na Assembleia-Geral.


Entre os representantes asiáticos, quatro serão substituídos em maio e o Irã quer uma das vagas. Arábia Saudita e China, frequentemente criticadas por violações aos direitos humanos, fazem parte do grupo.


A partir de agora, a estratégia iraniana será a de promover reuniões bilaterais para pedir apoio. Mais uma vez, o voto brasileiro é considerado como fundamental. A ofensiva ocorrerá principalmente em Nova York e em Brasília. "Vamos usar todos os canais diplomáticos para conseguir apoio", afirmou um representante iraniano na ONU.

A pressão pela obtenção de um voto brasileiro pode colocar o Itamaraty em uma saia-justa. O governo já admite que há uma pressão da sociedade civil contra uma aproximação com o Irã sem que haja um sinal claro de Teerã em relação aos direitos humanos. Mas votar contra Teerã na ONU enquanto Lula estiver prestes a embarcar poderia azedar a viagem.


Reação. Entre europeus, a estratégia é a de insistir nas violações cometidas pelos iranianos nos últimos meses. Outra ideia é a de apoiar um país amigo na região para roubar votos do Irã. O embaixador da França, Jean Baptiste Mattei, apelou para que Teerã liberte os "milhares de prisioneiros" detidos após as eleições de junho. "O governo iraniano continua a usar a violência para impedir que seus cidadãos se expressem", afirmou Eileen Chamberlain Donahue, representante americana na ONU.


"O Conselho de Direitos Humanos precisa acabar com o silêncio em relação ao Irã", defendeu o representante de Israel. Grã-Bretanha, Japão, Noruega e vários outros países fizeram apelos semelhantes. O Brasil se manteve em silêncio nesta semana, enquanto o governo do Irã optou por rejeitar as acusações.


A China evita a confrontação em relação à eleição do Irã. "Todos os países soberanos têm o direito a concorrer a uma vaga no conselho", afirmou o embaixador chinês na ONU, He Yafei.

Fonte: Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estadão de S.Paulo

 

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