Amorim sonda AIEA sobre proposta ao Irã PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 23 March 2010 13:51

Tema será discutido hoje em encontro do chanceler com diretor-geral da agência atômica da ONU, no Rio

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acredita que a última proposta feita pelo Irã sobre seu programa nuclear põe o país a uma distância "relativamente pequena" de um acordo com o Ocidente, se houver boa vontade dos dois lados. Ele pretende discutir essa possibilidade com o diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), o japonês Yukiya Amano, que iniciou ontem visita ao Brasil.

Em entrevista à Folha sobre o encontro que terá hoje com Amano, no Rio, Amorim disse que aproposta iraniana - de troca simultânea de 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento por urânio enriquecido a 20%, para abastecer o reator de pesquisas médicas de Teerã- abre caminho para a volta de uma contraproposta em que a Turquia seria a "fiel depositária" do material atômico entregue por Teerã.

As reservas entregues às autoridades turcas, sob supervisão da AIEA, ficariam guardadas até que o urânio de alto enriquecimento ficasse pronto e pudesse haver a troca simultânea -num terceiro país, e não no Irã, como têm insistido as autoridades iranianas.

"Os países que estão interessados nesse processo não entregariam antes, mas também não receberiam antes. O intermediário faria essa ponte no tempo", disse Amorim.

Na visão do chanceler brasileiro, essa solução poderia atender tanto às exigências dos EUA e aliados, que temem que a reserva de urânio de baixo enriquecimento, nas mãos do governo do Irã, seja usada para fins militares, quanto às desconfianças de Teerã, que teme entregar o material e não recebê-lo de volta.

"Até agora o Irã não concordou com a ideia do terceiro país, mas eu acho que, com um pouco de discussão, isso seria possível. Não será se a discussão continuar pela imprensa, esperando que um ou outro lado concorde", disse Amorim.

O chanceler afirmou que também sondará a possibilidade de Amano fazer uma visita ao Irã para impulsionar as negociações. Disse que sabe que o diretor-geral da agência atômica da ONU só fará isso se tiver apoio dos "países mais importantes", mas considera que a iniciativa teria um impacto psicológico importante.

"Para um tipo de liderança como é a liderança iraniana, é importante poder mostrar que se quer discutir e que suas observações foram levadas em conta, desde que elas sejam razoáveis. Quando se trabalha com vários atores, é importante entender a psicologia de cada um", disse.

Ontem, Amano passou mais de cinco horas nas instalações das Indústrias nucleares Brasileiras, em Resende, onde é enriquecido o urânio para as usinas de Angra 1 e Angra 2, e se reuniu no Rio com o presidente da CNEN (Comissão Nacional de Energia nuclear), Odair Gonçalves. Em Resende, como acontece com os demais técnicos da AIEA, o diretor-geral não pôde ver as centrífugas brasileiras.

O Brasil tem sido pressionado a assinar um Protocolo Adicional que ampliaria o alcance das inspeções da agência atômica. Mas Amorim reafirmou que isso não está em questão, segundo ele por duas razões.

A primeira é a reafirmação da barganha contida no TNP (Tratado de Não Proliferação), que garante aos países não armados o direito de controlar o ciclo do urânio e exige o desarmamento das potências atômicas. A segunda é que o Brasil quer ter "certeza de que segredo tecnológico será mantido".

Indagado sobre o significado das recorrentes críticas de membros do governo ao TNP, Amorim disse que "o Brasil não está considerando sair" do tratado, mas quer cumprimento do artigo 6º, que prevê desarme das grandes potências.

Também disse que é uma "bobagem" enxergar no presidente Lula um "amigo" do iraniano Mahmoud Ahmadinejad. "Eles se encontraram duas ou três vezes."

 

Fonte: Folha de s. Paulo - CLAUDIA ANTUNES

 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2019 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.