EUA e Rússia concluem pacto de armas Print
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Saturday, 27 March 2010 00:00

Tratado, que deve ser assinado no dia 8, substituirá acordo que expirou em dezembro e obrigará a redução significativa de arsenais; provável aprovação no Senado deve representar nova vitória política de Obama, após reforma da Saúde

 

EUA e Rússia chegaram a um acordo para a redução do arsenal nuclear dos dois países. O tratado anterior (Start), assinado em 1991, havia expirado no começo de dezembro e o pacto acertado ontem foi a segunda vitória nesta semana do presidente Barack Obama, depois de ele conseguir a aprovação da reforma do sistema de Saúde no Congresso.

"Acabei de concluir um produtivo telefonema com o presidente Medvedev e tenho o prazer de anunciar que, depois de um ano de intensas negociações, os EUA e a Rússia chegaram ao mais amplo acordo de controle de armamentos em duas décadas", afirmou Obama ao lado da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do secretário da Defesa, Robert Gates. "Eu já afirmei que a intenção americana é conseguir a segurança e a paz num mundo sem armas nucleares. Apesar de esta aspiração não ser possível de ser alcançada em um futuro próximo, estabeleci uma agenda para alcançá-la. Temos de frear a proliferação dessas armas; garantir que o material nuclear não caia nas mãos dos terroristas e reduzir os arsenais atômicos. Por isso, esforcei-me na negociação para o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas com a Rússia (Start, na sigla em inglês)", acrescentou o líder americano.

O presidente deve viajar para Praga no dia 8 para a assinatura do acordo com Medvedev. Quatro dias depois, o chefe da Casa Branca receberá líderes de 45 países em Washington para uma cúpula contra a disseminação de armas nucleares. O acordo era considerado fundamental para os EUA num momento em que o governo de Obama tenta obter apoio para aprovar uma nova resolução com sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O regime de Teerã é acusado pelos EUA e países europeus, como a França e a Grã-Bretanha, de estar desenvolvendo um programa para fabricar armas atômicas. Os iranianos negam.

Um dos obstáculos para o novo acordo será o governo americano conseguir apoio suficiente para a aprovação no Senado. Serão necessários 67 votos de um total de 100. Os democratas contam com 59. Depois de conseguir vencer a batalha da reforma da saúde sem os votos republicanos, Obama pode enfrentar resistências também na questão nuclear. Além disso, alguns senadores afirmam que o novo tratado pode pôr em risco a segurança americana. Hillary tentou atenuar o risco ontem ao dizer não acreditar que "a ratificação será afetada" pois "está no interesse da segurança nacional dos EUA". De acordo com o presidente, o novo Start avança em muitas áreas, ao cortar em cerca de um terço as armas nucleares dos EUA e da Rússia. Também reduz de forma significante os mísseis e os lançadores.

Fonte: Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo