Amorim rejeita arma atômica para o Brasil PDF Print E-mail
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Tuesday, 06 April 2010 00:00

 

 

Chanceler diz que bomba tornaria o país "mais inseguro" e cobra que Irã seja "flexível" nas negociações

 

O chanceler Celso Amorim disse ontem que é contra o Brasil produzir armas atômicas, porque isso "tornaria o país mais inseguro e alvo de outras potências nucleares". Ele falou sobre o tema em aula inaugural da Coppe (Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia), da UFRJ.

Indagado se o Brasil poderia "ser uma potência mundial do século 21" sem ter a bomba, o chanceler disse acreditar que sim, mas que seria preciso acabar com a "simetria indevida" que faz com que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) sejam também as potências nucleares reconhecidas pelo TNP (Tratado de Não Proliferação).

"Talvez o caminho mais claro para demonstrar que o exercício do poder não está ligado à posse de arma atômica passe pela reforma do conselho. Essa incidência dupla é fonte de desequilíbrio e de deslegitimação das decisões do CS. Se Brasil, África do Sul ou Japão e Alemanha entrarem, eles não têm armas nucleares." Amorim disse que o Brasil insistirá em metas de desarmamento na conferência de revisão do TNP, em maio.

Na semana passada, a China indicou que está disposta a discutir uma quarta rodada de sanções contra o programa nuclear do Irã, em troca da distensão de crises com os EUA -o Tesouro americano adiou no fim de semana a publicação de relatório em que acusaria Pequim de manipular sua moeda para manter a competitividade de suas exportações.

Questionado sobre essa aparente barganha chinesa, Amorim disse que não tem "nenhuma barganha a fazer" no caso. Ele voltou a pedir que o Irã seja "flexível", mas disse que o Brasil -que ocupa uma cadeira não permanente no CS - ainda não decidiu como vai votar. "É preciso que [os iranianos] demonstrem alguma flexibilidade. Mas, se você coloca no seu espírito que a única solução são sanções, então é uma profecia autocumprida, como aconteceu no Iraque." (CLAUDIA ANTUNES)

 

Chávez gastará até US$ 5 bi com armas russas

Moscou faz anúncio após retorno de Vladimir Putin de visita à Venezuela, mas não confirma produtos e nem prazos Em Caracas, premiê russo disse se aproveitar do vácuo deixado pelo fato de EUA se negarem a vender material bélico ao país sul-americano

DA REDAÇÃO
Com agências internacionais

O premiê da Rússia, Vladimir Putin, disse ontem, em reunião com funcionários da indústria bélica transmitida pela TV, que sua breve passagem pela Venezuela, na semana passada, rendeu ao país promessas de compras de armamentos que superariam US$ 5 bilhões.

Segundo Putin, a cifra inclui a cessão de US$ 2,2 bilhões em linhas de crédito para a compra de armas que havia sido prometida a Hugo Chávez em setembro passado, na oitava visita do presidente venezuelano a Moscou. "Todas as fontes do financiamento foram determinadas e acordadas com os nossos sócios", afirmou Putin. "O trabalho para aumentar as exportações vai continuar", garantiu.

Desde 2005, a Venezuela já anunciou a compra de mais de US$ 4 bilhões em armamentos russos. De concreto, recebeu 100 mil fuzis Kalashnikov, 24 caças e 51 helicópteros.

Fontes militares russas informaram à agência Interfax que, desta vez, Caracas quer três submarinos, 92 tanques, dezenas de blindados, dez helicópteros de combate, aviões-patrulha, lanchas-patrulha, lanchas de desembarque, lançadores de mísseis e três modernos sistemas de defesa aérea, além de um sistema móvel de artilharia costeira capaz de abater embarcações a 130 km de distância. Haveria também conversas sobre a construção de uma fábrica de metralhadoras e de munição.

Em todo o ano passado, segundo o Kremlin, a Rússia exportou US$ 7,4 bilhões em armas. O bilionário pedido da Venezuela, uma vez concretizado, deverá ser dividido entre as 13 maiores fabricantes bélicas do país euro-asiático.

Em Caracas, no sábado passado, Putin negou que o fortalecimento da defesa da Venezuela possa provocar uma crise na região e lembrou que, "se todos os países somarem seus gastos em defesa, ainda será menos do que o dos EUA". "Temos boas relações com os EUA e, graças a Deus, não temos do que reclamar sobre as relações com o Reino Unido. Se os EUA não querem fornecer armas para alguns países, inclusive a Venezuela, bom para nós. Deixem que eles não forneçam. A natureza abomina vácuo", afirmou.

Durante a visita, entretanto, Putin e Chávez não assinaram nenhum novo acordo bélico.

Outro "vácuo" que a Rússia é convidada a preencher é o da Bolívia. O presidente Evo Morales, que foi a Caracas se encontrar com Putin, disse ter pedido ao premiê que volte "com força" à América Latina e relance as relações bilaterais.

Os EUA expressaram sua preocupação. Ontem, o porta-voz do Departamento de Estado P.J. Crowley afirmou que o anúncio "pressiona" os EUA a analisarem "quais necessidades de defesa legítimas a Venezuela tem". "Poderíamos pensar em investimentos que seriam melhores para o povo venezuelano", alfinetou Crowley antes acrescentar que a maior preocupação americana é "não ver esse equipamento migrar a outras partes do hemisfério".

Embora não tenham sido diretos desta vez, os EUA já acusaram no passado a Venezuela de armar a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Em Caracas, Putin ecoou a negativa de Chávez às suspeitas. "Nunca tivemos sinal de que a Venezuela apoiasse o terrorismo. Do contrário, eu não estaria aqui agora", afirmou o russo.

 Fonte: Folha de S. Paulo - DA SUCURSAL DO RIO

 

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