Ex-presidente argentino quer liderar Unasul PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 03 May 2010 16:54

 

Com o apoio pouco entusiasmado do governo brasileiro, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner costura nos bastidores diplomáticos sua eleição como secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que reunirá a partir de hoje os 12 presidentes e chanceleres da região, em Los Cardales, nas imediações de Buenos Aires.

Além da formalização da candidatura de Kirchner, a pauta da cúpula inclui uma análise dos requisitos necessários para normalizar as relações com Honduras. Países como a Colômbia e o Peru reconheceram prontamente a vitória de Porfirio Lobo nas eleições de novembro, mas os quatro sócios do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - e a Venezuela contestaram a legitimidade e a constitucionalidade das eleições.

Uma das pré-condições exigidas pelo Brasil e pela Argentina, por exemplo, é que o presidente deposto Manuel Zelaya tenha carta branca do atual governo para retornar a Honduras e participar normalmente da vida política do país, se quiser.

Dois outros assuntos deverão ocupar a agenda dos presidentes, que se reunirão em um luxuoso complexo hoteleiro, situado a 70 quilômetros da capital argentina: a coordenação das atividades de reconstrução do Haiti depois do terremoto de janeiro e a proposta de uma cúpula América do Sul-Estados Unidos - uma tentativa de colocar a região no foco do presidente Barack Obama.

Mas ninguém tem tanto interesse na reunião quanto Néstor Kirchner e sua esposa, a atual presidente Cristina Kirchner. Com a recuperação da economia, a popularidade do casal voltou a subir, mas ainda está em torno de 25% - índice insuficiente para lhes garantir competitividade nas eleições marcadas para outubro de 2011. O ex-presidente é pré-candidato e já prepara o retorno à Casa Rosada.

A ideia do casal, segundo seus interlocutores políticos, é dar a Kirchner uma vitrine internacional e permitir que ele ofereça ao eleitorado argentino uma imagem de estadista, posando ao lado de lideranças, não só da região, como de fora dela. Isso contrasta com a atual imagem de Kirchner - de turrão e pouco afeito à agenda diplomática.

A candidatura tem o aval, sem entusiasmo, do Itamaraty. "Não colocaremos nenhum obstáculo às pretensões argentinas", disse um funcionário graduado do Ministério das Relações Exteriores. Ainda está viva na memória dos brasileiros o desinteresse de Kirchner nas cúpulas do Mercosul e sua ausência no lançamento da Comunidade Sul-Americana de Nações, depois transformada em Unasul, no Peru, em dezembro de 2004.

O Uruguai deu todos os sinais de que retirará o veto imposto anteriormente. Kirchner e o ex-presidente uruguaio Tabaré Vázquez tinham péssimas relações, devido ao conflito em torno da instalação de uma fábrica de celulose às margens do rio da Prata, mas a tensão diminuiu após a eleição de José "Pepe" Mujica.

O tratado de constituição da Unasul foi ratificado pelo Congresso de apenas 3 dos 12 países. A secretaria-geral deve funcionar em Quito, segundo o tratado, mas é provável que tenha um escritório provisório em Buenos Aires para facilitar a vida de Kirchner.

A escolha do ex-presidente argentino, caso confirmada, lhe dará uma saída honrosa da Câmara de Deputados, para a qual foi eleito no ano passado. Ele foi candidato para puxar votos para o partido, mas só participou de uma sessão até hoje, em dezembro, quando tomou posse. Como o governo perdeu a maioria e tem sofrido a constante ameaça de derrotas legislativas, a ausência de Kirchner é vista como uma forma de evitar desgaste a sua imagem pessoal.

Fonte: Valor Econômico - Daniel Rittner

 

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