Foco: Malvinas veem América Latina como alternativa a bloqueio da Argentina PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 14 June 2010 14:27

 

Irritada com a prospecção de petróleo em águas das ilhas Malvinas, a Argentina tenta estrangular o comércio marítimo do arquipélago e enfrenta uma das piores crises na relação com o Reino Unido desde 1982, quando a disputa pelo território levou os dois países à guerra.

A tensão aumentou após a chegada de uma plataforma petrolífera, que realiza perfurações para três empresas britânicas desde fevereiro.

O contragolpe da presidente Cristina Kirchner foi um decreto que dificulta o acesso às ilhas. Nenhuma embarcação pode navegar por águas argentinas ou usar portos do país em transações comerciais com as Malvinas sem autorização prévia.

A norma vai contra as leis marítimas da ONU e é uma tentativa de "bagunçar" o comércio exterior do arquipélago, segundo Glenn Ross, membro da Assembleia Legislativa das ilhas Malvinas.

"É óbvio que a intenção é destruir nossa economia. Gostaríamos muito que as relações com a América Latina aumentassem", diz.

A medida atinge ainda os cruzeiros marítimos, que costumam incluir as Malvinas em roteiros. Cerca de 60% do PIB das ilhas vem do turismo e da exportação de pescado, lã e carne de cordeiro.

O vice-chanceler argentino, Victorio Taccetti, diz que o decreto é um instrumento de defesa legítimo diante dos investimentos britânicos na prospecção de petróleo, que ele qualifica de "nova agressão" por explorar áreas disputadas no âmbito da ONU.

Questionado se esse é o pior momento na relação com o Reino Unido desde a guerra, ele disse que "não é um momento de harmonia".

No final deste mês, Reino Unido e Argentina irão expor novamente seus argumentos no Comitê de Descolonização da ONU, que desde 1965 pede para que os países negociem.

SOBERANIA

O Reino Unido invoca o princípio da autodeterminação dos povos para não sentar-se à mesa. Diz que não abre mão da soberania enquanto os habitantes do arquipélago estiverem contentes com a situação atual.

Para a Argentina, o argumento é inválido porque os habitantes da ilha não são uma "população legítima".

Ele diz que o país só vai negociar sobre as condições de vida dos 2.500 habitantes e sobre os recursos naturais depois que Londres reconhecer a soberania argentina.

 "O governo argentino briga por sua conta"

ENTREVISTA

Os acordos assinados pela Argentina não têm valor, segundo Glenn Ross, porta-voz e membro da Assembleia Legislativa das ilhas Malvinas, chamadas de Falkland pelo Reino Unido e pelos locais. Ele falou com a Folha por telefone, de Port Stanley, capital das ilhas que hoje celebram 28 anos do fim da guerra. (GH)

Folha - Esse é o pior momento das relações com a Argentina após a guerra?

Glenn Ross - Vem piorando de três anos para cá. Queremos viver pacificamente com nossos vizinhos. Somos um pequeno país democrático, que tem um governo e um Orçamento autônomos, dependente do Reino Unido somente em questões de defesa. O governo argentino está tendo uma briga por sua conta. Nós temos um espírito independente e queremos ser britânicos.

A ONU pede, desde 1965, que Reino Unido e Argentina negociem as ilhas.

A soberania não é algo para ser negociado. E, do ponto de vista argentino, negociar é levar tudo. Os antepassados dos moradores das Falkland chegaram aqui há 170 anos. Minha família chegou aqui em 1842. Os argentinos não são vizinhos amáveis com ninguém. Sou grato a cada gota de água que nos separa deles.

Há chance de acordo sobre exploração de petróleo?

A oportunidade ainda existe. Os argentinos são os únicos responsáveis pelo rompimento de acordos. Qualquer tratado com a Argentina não vale o papel em que está escrito.

 Fonte: Folha de S. Paulo - GUSTAVO HENNEMANN

 

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