Francesa DCNS planeja construir fragatas no Rio PDF Print E-mail
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Thursday, 24 June 2010 00:00

Berthelot, presidente da DCNS no Brasil, começou as obras do estaleiro onde serão construídos cinco submarinos encomendados pela Marinha brasileira

 

As obras civis do programa de construção de submarinos acertado entre Brasil e França começam a tornar-se realidade. Já está em andamento a terraplanagem da área onde será instalada, em Itaguaí (RJ), uma unidade de fabricação de estruturas metálicas. A obra deve levar 24 meses para ficar pronta e o material produzido no local será usado na montagem dos submarinos que estão sendo comprados pela Marinha do Brasil.

Agora, a DCNS quer aproveitar a relação estabelecida com o governo brasileiro para fechar novos contratos. O mais comentado deles no momento refere-se à possibilidade de a Marinha do Brasil comprar novas fragatas para reaparelhar a sua frota. "Temos interesse no negócio", confirmou Eric Berthelot, principal-executivo do grupo francês DCNS. Ontem ele participou de uma visita à fragata Chevalier Paul, da Marinha francesa, que permanecia ancorada no porto do Rio.

Existe a possibilidade de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visite Itaguaí no início de agosto, o que marcaria de forma simbólica o início das obras civis do Pró-Sub, como é chamado o programa de construção de submarinos acertado com a França. O programa se insere em uma parceria estratégica acertada pelos dois países em dezembro de 2008. Um dos pontos do plano é a cooperação na área de defesa.

"O projeto está andando dentro do previsto", disse Berthelot. A empresa francesa tem contratos com a Marinha do Brasil para a construção dos submarinos, os quais também envolvem a Odebrecht. Já houve, inclusive, adiantamentos financeiros por parte da Marinha para execução dos contratos.

O programa dos submarinos totaliza investimentos de € 6,7 bilhões para um período de 15 anos, sendo que grande parte conta com financiamento francês. O Pró-Sub inclui a construção dos submarinos, de um estaleiro e de uma base naval em Itaguaí, além da transferência de tecnologia da França para o Brasil e do fornecimento de armamento (mísseis). No total, o programa prevê a compra de quatro submarinos convencionais e de um casco de um submarino de propulsão nuclear.

A DCNS, grupo que tem controle do governo da França, formou uma sociedade de propósito específico (SPE) com a Odebrecht para a construção dos submarinos. A SPE foi batizada de Itaguaí Construções Navais (ICN) e tem como acionistas a Odebrecht, com 59%, e a DCNS, com 41%. A Marinha do Brasil, por meio da Emgepron, tem ação especial (golden share) que lhe dá direito de veto em algumas decisões.

Ao todo existem cinco contratos envolvendo Marinha, DCNS e Odebrecht. Um deles refere-se ao contrato de transferência de tecnologia entre Marinha e DCNS. Há ainda o contrato com a ICN para a construção dos submarinos e outro para o fornecimento dos mísseis, além de um quarto contrato para a construção do estaleiro e da base naval, que está sob responsabilidade da Odebrecht. A expectativa é de que as obras da base naval e do estaleiro, que exigirá obra de aterro hidráulico na Baía de Sepetiba, comecem em 2011 e sejam concluídas em prazo de 48 meses. Um quinto contrato permite administrar todos os demais.

Berthelot disse que a escolha da Odebrecht foi feita levando-se em conta a experiência da empresa em projetos de infraestrutura e engenharia. Ele afirmou que o primeiro dos quatro submarinos convencionais do programa deve ser entregue em 2017 e o último em 2021. A unidade de propulsão nuclear ficaria pronta em 2025. O executivo afirmou que a DCNS começou a trabalhar, no fim de maio, na construção de uma parte (secção) do primeiro submarino para a Marinha do Brasil em estaleiro da empresa em Cherbourg, na França. Nessa secção participarão até 130 técnicos e engenheiros brasileiros.

Segundo Berthelot, depois de pronta essa secção será transportada até o Brasil para a montagem final do submarino. O executivo afirmou que todos os submarinos serão construídos no país e previu que quando estiver em operação o estaleiro deve empregar 700 pessoas, as quais devem passar por treinamento e qualificação.

 

Fonte: Valor Econômico - Francisco Góes do Rio

 

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