Brasil propõe hoje acordo a Venezuela e Colômbia PDF Print E-mail
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Thursday, 29 July 2010 00:00

 

O Brasil levará hoje aos governos da Venezuela e da Colômbia a proposta de um acordo para monitoramento conjunto da fronteira entre os dois países, como forma de reprimir o trânsito de guerrilheiros das Forças armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), do Exército de Libertação Nacional (ELN) e de paramilitares. Em Brasília avalia-se, porém, que o momento político não é favorável à negociação de um acordo desse tipo, e que a principal tarefa diplomática, por ora, é arrefecer os ânimos entre os dois governos, que romperam relações na semana passada.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou o rompimento das relações diplomáticas em resposta á acusação feita pelo governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de que a Venezuela estaria abrigando acampamentos das Farc próximos à fronteira.

Em visita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que não há proteção do governo aos guerrilheiros das Farc, admitiu que as fronteiras são "porosas", com grande trânsito ilegal de pessoas. Ele argumentou que as supostas provas apresentadas por Uribe não traduzem a realidade. Há fotos de guerrilheiros feitas em 1996, disse Maduro.

As conversas mantidas por Lula e seus assessores com autoridades do continente deixaram no governo brasileiro a impressão de que Uribe buscou impedir a aproximação entre Chávez e o recém-eleito presidente da Colômbia, José Manuel Santos, que, nos últimos dias, fez declarações conciliadoras em direção ao governo venezuelano.

As eleições legislativas na Venezuela, na qual Chávez tentará manter o controle da Assembleia Nacional, também dificultam concessões por parte do venezuelano.

Santos assume no dia 7 de agosto; em setembro, ocorrem as eleições venezuelanas. No governo brasileiro, imagina-se que um esforço para evitar o agravamento da crise diplomática entre os países andinos poderá abrir caminho para negociações a partir de agosto que, até o fim do ano, permitam um pacto de gestão das fronteiras.

Um dos encarregados por Lula de manter as negociações com os vizinhos lembra que já existe um pacto do gênero entre Colômbia e Equador, que, em 2008, estiveram à beira de conflito armado. Naquele ano, Uribe enviou tropas colombianas para atacar acampamentos das Farc montados em território equatoriano; a ação destruiu as instalações, matou líderes guerrilheiros e apreendeu computadores da guerrilha. Após esforço de intermediação, do qual o Brasil participou, colombianos e equatorianos acertaram um acordo de troca de informações entre as forças militares dos dois países, que inclui registro conjunto de incidentes de fronteira e repressão combinada à guerrilha.

Logo após o rompimento das relações entre Colômbia e Venezuela, em 22 de julho, Lula ligou para Chávez pedindo tranquilidade, enquanto autoridades brasileiras entraram em contato com auxiliares de Uribe com a mesma mensagem. Lula conversou também com o presidente da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, ex-presidente da Argentina, pedindo-lhe que assumisse a mediação das negociações. O objetivo era evitar que o assunto fosse discutido fora do continente sul-americano, no âmbito da Organização dos Estados Americanos - da qual fazem parte os Estados Unidos, que já anunciaram apoio às denúncias do governo Uribe.

Foi convocada para hoje uma reunião de ministros de Relações Exteriores da Unasul, na qual o Brasil será representado pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Eles têm instruções para "esfriar" os ânimos e buscar compromisso de uma pausa nas declarações dos dois governos.

"A tarefa imediata é administrar a situação até a chegada do novo governo colombiano, e então procurar uma solução mais permanente", disse na terça-feira o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista no Oriente Médio, onde está em viagem desde o início da semana.
 

Fonte: Valor Econômico - Sergio Leo

 

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