Muito além da exigência militar PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 15 August 2010 00:00

 

Depois de nove anos de luta nos desertos e nas montanhas do Oriente Médio, o Exército americano concluiu que as habilidades tradicionais de combate, que permitiram que gerações de comandantes com “botas enlameadas” protegessem os interesses americanos pelo mundo, não são suficientes para garantir a vitória nas guerras atuais.

Espera-se, agora, que generais e outros altos oficiais sejam gestores de cidades, embaixadores culturais, especialistas em relações públicas e políticos à medida que lidam com múltiplas missões e eleitorados na zona de guerra, em capitais aliadas e em casa.

As crescentes demandas ajudam a explicar como os dois mais recentes comandantes americanos no Afeganistão, entre os mais respeitados oficiais de quatro estrelas da geração deles, perderam os empregos. E as demandas estão fazendo o Exército transformar a maneira como treina e promove os mais altos oficiais.

– Eles precisam ser ‘líderes pentatletas’ – ensina o general David Petraeus, que comandou as tropas no Afeganistão.

Mudanças no treinamento Como o Iraque e o Afeganistão comprovaram que um comandante precisa dominar nuanças de acordo de aliança internacional, governança local e política tribal, o Exército mudou o treinamento e o currículo.

Bons resultados em batalhas fictícias nos desertos da Califórnia não são mais a única medida. Vilas falsas com falsos líderes tribais irascíveis e substitutos representando agendas concorrentes de agências do governo e organizações não governamentais fazem parte do jogo para testar as habilidades exigidas do comandante.

No entanto, oficiais veteranos admitem que é mais difícil entender como preparar seus comandantes experientes para administrar relacionamentos com mestres civis em Washington, especialmente quando o apoio popular diminui para a estratégia, e para as guerras em si.

Admitindo que os mais altos cargos se tornaram ainda mais desafiadores intelectualmente, exaustivos fisicamente e manchados politicamente, oficiais confirmam que os serviços armados visam esse grupo mais amplo de habilidades à medida que combinam as futuras quatro estrelas com a máscara de comando usada por Washington e Grant, Marshall e Eisenhower.

Experiência em campo Talvez nenhum general esteja em melhor posição para enfrentar os novos desafios de comando do que Petraeus, enviado ao Afeganistão pelo presidente Obama para substituir o general Stanley McChrystal, depois que a revista Rolling Stone divulgou declarações feitas por ele e por assistentes criticando e depreciando líderes civis em Washington. Lembrando que McChrystal foi posto no cargo quando o governo Obama mudou a estratégia, e removendo o general David McKiernan.

Assim como no Iraque, Petraeus recebeu ordens para salvar um esforço de guerra, tendo sofrido de falta de recursos depois de ser relegada a uma guerra secundária por anos.

Em entrevista, o comandante diz que as mudanças das demandas da contra insurgência e a guerra de coalizão apresentaram uma série de intricados desafios de gestão. O foco está na proteção da população civil e na capacitação de governos locais como faz com as tropas matando combatentes inimigos.

Para este fim, liderou esforços para escrever um manual de contra insurgência para as guerras atuais e um novo guia sobre liderança militar que “tentou lidar com todos esses atributos necessários em líderes em operações completas”.

Essas tarefas complicadas precisam ser conduzidas sob “a influência de um ciclo de notícias de 24 horas”.

O general Petraeus passará por essa situação à medida que analistas se perguntam se historiadores que lamentam o fato de o Afeganistão ser o cemitério dos impérios entenderam isso apenas de forma parcialmente correta – e se, para o Exército americano, o Afeganistão pode, da mesma forma, se tornar o cemitério simbólico para as carreiras de generais também.

Diferenças marcantes O almirante William Fallon ocupou dois dos mais prestigiosos cargos de comandos do Exército, encarregados das forças americanas no Pacífico e, depois, no Oriente Médio, antes de se aposentar logo depois de fazer declarações públicas sobre o Irã, o Iraque e outras questões que pareciam pô-lo em confronto com o governo Bush.

– Uma diferença fundamental de tempos anteriores de comando é a quantidade disponível de informação e a demanda em tempo real que apresenta – diz o almirante Fallon. – Com esse ciclo de 24 horas por dia, sete dias na semana, 365 dias no ano, você perde a oportunidade de parar para pensar, ter noção do que é importante e do que distrai, e isso é uma carga pesada para um líder.

Fonte: Jornal do Brasil: Tradução: Victor Barros

 

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