Dada a Partida no Programa do Submarino Nuclear Brasileiro PDF Print E-mail
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Saturday, 27 September 2008 04:11
Scorpene da DCNS
 

ALIDE

Marinha dá a partida nesta sexta-feira do programa de desenvolvimento do Submarino com Propulsão Nuclear Nacional

No Salão Nobre do segundo andar do histórico Edifício Tamandaré, no Centro do Rio de Janeiro, a Diretoria Geral de Material da Marinha do Brasil - DGMM - reuniu uma ampla platéia de oficiais da ativa e da Reserva para anunciar a ativação da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento do Submarino com Propulsão Nuclear-COGESN. Este evento é a muito antecipada culminação de uma longa ambição da Marinha do Brasil que remonta ao ano de 1979.

Para capitanear este histórico esforço foi convocado o Almirante-de-Esquadra da reserva José Alberto Accioly Fragelli. Os objetivos primários da COGESM serão:

a) Gerenciar o projeto e a construção do estaleiro dedicado aos submarinos

b) Gerenciar o projeto e a construção da nova base de submarinos

c) Gerenciar o projeto e a construção do Submarino com propulsão Nuclear S(N)

A cerimônia oficial foi curta e objetiva, sendo seguida por entrevistas com o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, do Almirante Fragelli e do assistente da presidência da Eletronuclear, Sr. Leonam dos Santos Guimarães.

O Comandante da Marinha iniciou seu comentário à imprensa confirmando que "realmente caberá aos franceses a tarefa de fornecer quatro submarinos convencionais a serem construídos no país. Em paralelo durante os primeiros seis anos do acordo ocorrerá o desenvolvimento e o projeto do submarino com Propulsão Nuclear. Em seguida, nos seis anos seguintes, acontecerá a construção efetiva do Submarino Nuclear. Para realizar o lado fabril será constituído um novo estaleiro, de capital civil dedicado aos dois tipos de submarinos. Estão "nos finalmentes" os processos de determinação do local específico deste novo Estaleiro, mas desde já pode-se garantir que ele ficará em algum lugar da costa ao redor da Baía de Sepetiba, convenientemente próximo da fabrica de estruturas metálicas pesadas da Nuclep a quem, como já ocorre hoje, caberá a construção das seções de casco de todos os novos submarinos. Este novo estaleiro representa o efetivo fim da construção de submarinos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro –AMRJ, liberando seus espaços produtivos para outros programa incluídos no PRM.

Segundo o Almirante Júlio Soares de Moura Neto "a região escolhida é chave, pois permanece próxima de toda a infra-estrutura fabril, industrial e técnica naval do Rio de Janeiro, tem logística facilitada pela presença do porto de Sepetiba e da fábrica da Nuclep, além de ser uma região que por já abrigar as três usinas nucleares do país tem uma "cultura nuclear" o que reduz os riscos de questionamentos de fundo político sobre a presença de meios nucleares como o novo submarino por lá. Com a assinatura pelos presidentes Lula e Sarkozy em dezembro deste ano ainda dos contratos, já devemos iniciar a construção do estaleiro nos primeiros meses de 2009." Dando mais detalhes ele continuou:" o primeiro submarino convencional deve ser entregue no máximo cinco anos após o início do programa industrial, cada novo submarino devendo ser entregue com m espacejamento de dois anos após o anterior. Após sua modernização, os atuais U209, os Classe Tupi, serão mantidos por vários anos expandindo a rota nacional de cinco para um total de nove submarinos convencionais. Sobre o armamento, ele informou que todos os Tupis e os novos subs convencionais serão capazes de disparar mísseis anti-navio por seus tubos de torpedo, tendo apenas que realizar algumas alterações menores nos seus sistemas embarcados de controle de tiro.

Continuando, o "Charlie-Mike" explicou que várias razões apontam para a necessidade de termos submarinos de propulsão nuclear na nossa frota:

a) Todos os países do Conselho de Segurança da ONU tem o domínio da construção de submarinos nucleares.

b) A crescente presença do Brasil no atual Cenário Global exige um novo patamar de poder naval e militar, um que seja compatível com nossas ambições e com nossa potência econômica.

c) O imenso tamanho de nosso litoral e a grande área representada pela "Amazônia Azul".

d) A descoberta das ricas reservas de gás e petróleo do pré-sal serão motivadores e, ao mesmo tempo, viabilizadores desta nova geração de submarinos da nossa Esquadra

Sobre o casco o Comandante da Marinha ressaltou que nos submarinos convencionais antigos o casco era dividido em cerca de nove segmentos, enquanto nos novos este número fica entre quatro e cinco segmentos. O casco ser usado no Submarino com Propulsão Nuclear, devido ao estágio atual de desenvolvimento, ainda não se sabe ao certo. O prazo de 12 anos para o desenvolvimento e construção é considerado pelo CM "bastante bom", tendo em vista que o último programa francês lhes tomou quinze anos.

Durante muitos anos o programa nuclear da Marinha padeceu de uma quantidade claramente insuficiente de verbas o que não permitiu ir além da primeira fase, a do Ciclo de enriquecimento do Urânio, das centrifugas e do Labgene, o Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica, um reator atômico nacional desenvolvido junto com a USP. "Este reator já tem as dimensões adequadas para ser colocado dentro do casco do nosso futuro submarino, não sendo necessário mais nada em termos de miniaturização" arrematou o Se Leonam da Eletronuclear. O LABGENE, produzindo 11Mega Watts, deve ser usado não apenas para mover nosso submarino mas também para gerar eletricidade para cidades de até 20000 habitantes. Perguntado se o Submarino com Propulsão Nuclear , por ser único, seria um "protótipo" ele sorriu e disse "protótipo, não. digamos que ele é um "cabeça de série".

O Almirante Fragelly, por sua vez, comentou que "seu envolvimento neste programa se iniciava ali mesmo, com sua nomeação. Não tendo por xemplo, visitado Rússia e França ao lado das comitivas ministeriais ou militaresà aqueles países" Mas marcou que a lista de países candidatos a parceiro estratégico não era muito grande pois apenas a Rússia e a França tinha tecnologia para a fabricação de submarinos nucleares e convencionais [nota da ALIDE: Curiosamente o Almirante deixou de fora desta lista a China, que também já demonstrou saber fazer dos dois tipos de submarinos.] Três superintendências subordinadas a ele já estão definidas, elas serão Engenharia, Submarinos e Administrativa. O resto da organização ainda não está fechada. Cerca de 600 pessoas devem compor a força de trabalho do novo Estaleiro, que sendo privado permite à Marinha focar suas energias nas áreas onde a indústria de defesa nacional não possa atender.

Para a DGMM, o Programa do Submarino com Propulsão Nuclear será "o maior desafio gerencial e tecnológico jamais encarado pela Marinha do Brasil", se configurando num "caminho sem volta" para a tecnologia nacional. Mãos a obra, Senhores, o Brasil anda ansioso por boas notícias como esta.

Last Updated on Thursday, 13 August 2009 10:48
 

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