A festa do povo PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 08 September 2010 00:00

 

 

Apesar do calor e da baixa umidade relativa do ar, mais de 30 mil pessoas de todos os cantos do país compareceram à Esplanada dos Ministérios para as comemorações do Dia da Independência do Brasil

 



A aparência do cenário no início da manhã era de deserto e de seca total, mas, aos poucos, com a chegada do público à Esplanada dos Ministérios, o centro de Brasília ganhou cores. A grama quase sem verde, coberta pelo marrom da terra, começou a receber gente ainda cedo, antes das 7h. Todos queriam um bom lugar para ver a apresentação de Sete de Setembro. Mesmo diante da baixa umidade relativa do ar, que chegou a 18% em um dos momentos mais críticos, e da temperatura elevada, mais de 27ºC no fim da manhã, entre 30 mil e 35 mil pessoas assistiram ao desfile do Dia da Independência, segundo a Polícia Militar. Pelo menos 71 passaram mal e foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros.



O desfile começou no horário marcado, perto das 9h. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como de praxe, foi o primeiro a saudar a plateia, de dentro do Rolls Royce da Presidência, ao lado da primeira-dama do Brasil, Marisa Letícia. Havia 17 ministros de Estado e o governador do DF, Rogério Rosso, entre as autoridades presentes.

Muitos candidatos em campanha política aproveitaram o clima de festa para se promover. Para onde quer que o público olhasse, lá estavam bandeiras de vários partidos. O chão ficou tomado de panfletos dos mais diversos tipos e cores. Alguns partidários usaram inclusive megafones e pequenos carros de som para chamar a atenção do eleitor.

Quem vai votar nas próximas eleições também se manifestou. Uma família da Asa Norte mandou fazer duas faixas com os dizeres: “Só votamos em ficha limpa” e “Queremos fechar a Câmara Legislativa”. “Estamos indignados com essa situação e, por isso, resolvemos protestar no desfile. É uma boa ocasião”, explicou a relações públicas Elma Bezerra, 49 anos, ao lado do irmão , Carlos Bezerra, 44, e dos filhos dele, Gabriel, 12, e Mateus, 13.

Animação

Mas era do lado de fora da tribuna presidencial, longe da formalidade das autoridades e da campanha, que a festa parecia mais animada. O povo se aglomerou para ver a passagem de militares, o fogo simbólico, a pirâmide humana do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, os veteranos brasileiros da 2ª Guerra Mundial, a Esquadrilha da Fumaça, além de alunos de várias escolas do DF. No total, 3,5 mil militares e 600 civis, entre crianças e integrantes de grupos culturais, desfilaram na Esplanada dos Ministérios. Ao fim da festa, sete aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) tomaram o céu de Brasília com as famosas acrobacias e desenhos feitos no ar.

Muitas pessoas também fizeram quentinhas com lanches, levaram refrigerante e cerveja. A dona de casa Tereza França veio de Uberlândia (MG) para passar o feriado ao lado da filha e ver a comemoração. A família dela foi uma das primeiras a chegar, por volta das 7h. “Acordamos bem cedo para pegar o melhor lugar. Viemos do Gama. Minha filha mora aqui, mas eu nunca tinha vindo nesta época. Fiquei impressionada”, empolgou-se Tereza. O genro dela, Kevin Beaudoin, 22 anos, norte-americano e de passagem pelo Brasil, também participou da manifestação verde-amarela de patriotismo. “Adorei cada minuto. Os tanques de guerra são incríveis. Sou militar e gostei muito”, disse.

O cinegrafista Stevam Virgínio, 22 anos, morador de Vicente Pires, vai todo ano ao desfile cívico-militar, desde que tinha apenas 4 anos. “Desde pequeno sou apaixonado pela festa, em especial pela Esquadrilha da Fumaça”, detalhou. A paixão pelo desfile passa de geração para geração na família. “Minha mãe vem todo ano, há duas décadas”, contou. Ele levou o filho João Pedro, 2 anos, a mulher, a irmã e sobrinhos.

O calor imposto pela seca, no entanto, atrapalhou a festa de algumas pessoas. A família de Emília Gomes, 78 anos, teve de abandonar o desfile antes da exibição da Esquadrilha da Fumaça porque ela passou mal. Vindos de Ituiutaba (MG), os mineiros não estavam habituados com o clima da capital federal e não tomaram os cuidados necessários. “Bebemos água, mas não muita. Nos falaram que o tempo era seco, mas não achava que era tanto”, lamentou a nora de Emília, a manicure Vivian Maria de Oliveira, 45 anos.

Improviso

A fila para conseguir entrar em um dos acessos das arquibancadas era grande até o meio do desfile. Quem ficou do lado de fora teve de se contentar em ouvir a narração e ver as imagens por meio do sistema de som e três telões. Algumas pessoas, como o morador de Formosa Elton Soares, 58 anos, subiram nas árvores para acompanhar a festa. A montagem da festa custou R$ 999,7 mil e a empresa responsável foi escolhida por pregão eletrônico.

A festa terminou pouco antes das 12h. Mas levou cerca de duas horas para que os mais de 30 mil espectadores deixassem a Esplanada. Quem preferiu ir ao desfile de carro, teve de estacionar em locais mais distantes. Ônibus e metrô também serviram como alternativa de transporte.

OMS

Pela escala da Organização Mundial de Saúde (OMS),
índices de umidade relativa do ar inferiores a 30% são considerados preocupantes. Já os entre 20% e 30% indicam estado de atenção e entre 12% a 20%, de alerta. Abaixo de 12%, o sinal é de alerta máximo. O DF está sem chuva há 103 dias.

Espaço também de cultura

REGINA BANDEIRA



As manifestações artísticas fizeram bonito na cerimônia de comemoração da Independência do Brasil, que elegeu a cultura popular como tema de abertura da parada deste ano. Representados por grupos de Brasília, várias manifestações típicas das regiões do país marcharam na passarela da Esplanada. Estavam lá as danças gaúchas, os mamulengos, grupos de capoeiristas e as percussionistas da banda Batalá, que fechou o desfile de manifestações civis pelo terceiro ano consecutivo. Os conjuntos de maracatu, de quadrilha, do Galinho de Brasília e do Bumba Meu Boi do seu Teodoro fizeram sucesso entre as muitas famílias que foram ao desfile da Independência na capital.

“Foi a coisa mais incrível assistir a essas manifestações vindas de tantos lugares do país. Que bom que não estão deixando a cultura morrer”, disse, com olhos doces, a faxineira Misleide Porto, de 31 anos, que há três anos faz questão de levar os dois filhos pequenos ao Sete de Setembro. Nesse dia, não há sol quente ou tempo seco que faça a família Porto ficar na Cidade Ocidental (GO), onde moram. “Uma vez por ano tenho a oportunidade de dar aos meus filhos aquilo que não tive — cultura. Venho por eles”, explicou o auxiliar de manutenção de condomínio Eliomar Porto, de 33 anos.

Assim como os Portos, milhares de pessoas assistiram aos desfiles escolhidos para homenagear a Semana da Pátria de 2010, que teve como lema Cultura popular como ferramenta para a promoção da paz — Viva o Brasil que existe em cada um de nós. Organizados pelas secretarias de Cultura e de Educação do Governo do Distrito Federal, os desfiles civis não são mais novidades desde 2003, ano que inaugurou a união da participação civil no desfile, antes, militar.

A psicóloga Naiara Batista, 27 anos, vice-presidente e coordenadora do Batalá, se disse uma privilegiada em participar da festa de independência do Brasil. Para ela, que desde 2006 atua como regente da banda de percussionistas, desfilar na Esplanada dos Ministérios teve um sabor especial. “É uma emoção renovada fazer parte do evento”, concluiu.

A data também atraiu gente de todo o país para a capital do país, como o baiano de Riachão de Jacuípe Elton Santiago. Pela primeira vez na Esplanada dos Ministérios, o bombeiro hidráulico de 24 anos aproveitou a proximidade do local com a Praça da República e conheceu o Museu, que ficou abarrotado depois do desfile.

Fonte: Correio Braziliense - LEILANE MENEZES, ROBERTA MACHADO E MARIANA BRANCO

 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2019 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.