Política e comércio orientam aproximação dos dois países PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 08 October 2010 13:47

 

 
 

 

ANÁLISE

A aproximação entre Brasília e Paris, que rendeu o maior acordo militar da história brasileira no ano passado, obedece a duas lógicas.

Primeiro, a política. O governo Lula aprofundou uma tradição diplomática de mirar a independência possível da influência americana.

Como não tem como competir militarmente com a única superpotência do planeta, o caminho foi buscar parceria que lhe fornecesse tecnologia para exercer um mínimo de soberania no futuro.

Não que isso signifique que tenha parado de comprar dos americanos, de quem adquiriu dez helicópteros de transporte Black Hawk. Ou dos russos, de quem comprou 12 helicópteros de ataque, ou dos alemães, fornecedores de tanques usados. E, principalmente, da indústria nacional -Embraer, Avibrás e empresas de munição à frente.

Mas o filé financeiro e tecnológico atualmente é francês. O acordo militar do ano passado, de R$ 22,5 bilhões, foi unitariamente dos maiores do mundo, ainda que não signifique mais que umas duas semanas de gasto militar americano.

O país europeu possui uma tradição de dominar o ciclo completo de sua indústria bélica, e o Brasil sonha com algo parecido. Para críticos, o modelo é ineficaz e caro, porque eleva custos de produção e não garante o ganho de escala.

O Brasil chegou a namorar a Rússia para o papel de fornecedora-chave, mas parou nas dúvidas sobre a capacidade pós-venda da outrora poderosa indústria bélica de Moscou e na sutil insinuação americana de que preferia ver um aliado ocidental como alternativa a si.

Como o Brasil deve aumentar sua carteira de compras francesas com a aquisição de cerca de R$ 10 bilhões em caças Rafale, surge outro problema: a dependência de um mesmo fornecedor.

O argumento a favor é que isso garantiria vantagens, como transferência tecnológica total. Um dos fatores que mais pesa contra o jato americano F-18 na disputa para ser o novo caça do Brasil é o histórico de vetos americanos depois de as vendas serem efetuadas.

Contra, além do já referido custo, o fato de que nada garante que os ventos políticos mudem no futuro. A França já deixou Israel na mão para não melindrar os petroárabes nos anos 70.
Mas aí entra a segunda consideração, de ordem comercial. Se há riscos políticos, a França conta com o mercado brasileiro e de outros emergentes para manter sua posição de destaque como exportadora bélica.

Se perder o contrato aqui e um ainda maior em curso na Índia, por exemplo, a francesa Dassault verá o virtual naufrágio do programa de vendas internacionais do Rafale -um avião que não emplacou em nenhuma concorrência externa, diferentemente do seu antecessor bem-sucedido, o Mirage.

Fonte: Folha de S. Paulo - IGOR GIELOW - SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

 

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