Talibã se impõe a EUA e Otan PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 21 October 2010 13:06


 

Para tentar minizar as perdas, Otan e governo afegão decidem sentar à mesa de negociação com líderes do grupo terrorista     

 

David Petraeus, general das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, anunciou que suas tropas darão a garantia de segurança à elite talibã – que seguiu do Paquistão até a capital afegã, Cabul – para participar de conversações de paz para o Afeganistão.     

Segundo reportagem do The New York Times, além dos líderes da Shura Quetta, conselho dirigente do Talibã que supervisiona as ações do grupo, a negociação terá a presença de autoridades próximas ao presidente afegão, Hamid Karzai.     

Para sentar à mesa e dialogar sobre a sonhada paz, os talibãs exigiram que não fossem atacados ou presos por forças da Otan. Pelo fato de a guerra no país estar ficando cada vez mais sangrenta e a vitória ser praticamente dos talibãs, os americanos e o governo oficial tiveram de ceder para não perder, segundo especialistas ouvidos pelo JB.     

– Isso significa uma espécie de capitulação, já que estão quase admitindo a derrota – esclarece Bernardo Kocher, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF).     

André Panno Beirão, professor da Escola de Guerra Naval, encara a situação de outra forma:– Este ato representa o fato de aceitarem negociar com um grupo que era encarado, até então, como alvo para eliminação – analisa. – Dialogar com um grupo terrorista não é típico da política americana.     

Andrea Ribeiro, professora de relações internacionais na Escola Superior de Propaganda de Marketing e na Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra que essa reunião é a do recém-criado Conselho de Paz, que tem apoio internacional e financiamento de US$ 784 milhões.     

Longa guerra     

Os professores explicam que o Afeganistão está em guerra de fato desde 1979, quando a União Soviética invadiu o país de maneira inusitada – pois ambos não eram ideologicamente alinhados. Foi nessa guerra, que durou até 1989, que os talibãs surgiram. Em 1996, eles chegaram ao poder e garantiram cinco anos de paz ao país, além de terem abrigado um movimento religioso chamado Al Qaeda.     

Nesse período, eram respaldados pelos EUA, que viam no grupo islâmico uma forma de impedir o avanço do regime comunista. A guerra no Afeganistão ganhou a configuração atual em 2001, depois do 11 de Setembro, quando o talibã foi acusado de dar refúgio a Osama bin Laden e, assim, favorecer o terrorismo. Há fortes evidências da ligação do grupo com a Al Qaeda (ou seja, com Bin Laden), mas nenhuma prova concreta.   

A invasão não foi apoiada pela ONU, mas encontrou suporte na Otan ao usar o conceito de guerra preemptiva: atacar antes de ser atacado. É muito semelhante ao de guerra preventiva, proibidopela Carta da ONU.      

Desde que foi expulso do poder, este movimento radical islâmico tenta retomá-lo empreendendo um conflito de guerrilha. E, mesmo assim, tem mais apoio popular do que o próprio Karzai, segundo Andrea.      
– Ele é um aliado americano que não tem legitimidade no povo. Panno vai mais fundo:      
– Hoje, o governo afegão é um factoide americano. Ele fatalmente reproduzirá o pleito americano      
na mesa de negociação.      

Exigências no diálogo   

 
Os especialistas concordam que o Talibã deverá reclamar a retirada estrangeira do território. – Essa, uma questão que o governo afegão não deverá permitir que aconteça – explica Andrea. Kocher acredita que o grupo queira liberdade de ação, já que também deve estar envolvido com o comércio e a produção de ópio.  

    
Por outro lado, o governo de Karzai, enfraquecido com o insucesso das eleições e os quase dez anos de guerra, deve oferecer cargos no governo para os líderes talibãs. Mas Andrea aponta um problema que ninguém quer ver:– É complicado um acordo de paz até dentro do Talibã. Se há uma fragmentação no próprio      
grupo, é difícil ter uma garantia para a paz.      
 

Fonte: Jornal do Brasil - Evelyn Soares  
Last Updated on Thursday, 21 October 2010 13:15
 

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